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O PSB foi à bola

por jpt, em 02.09.14

Enquanto este jpt se prepara para abalar do "velho continente" (entenda-se a pronunciação, também dita "statement" em português da classe média lisboeta) este PSB prepara-se para abalar para o "velho continente", para ainda mais austrais paragens. O referido PSB é um tipo porreiro, meu amigo e até compadre. Mas não há belo sem senão: o homem é um ferrenho benfiquista. E assim, já tolhido pela nostalgia, no passado domingo foi ali às bandas de Carnide despedir-se do seu clube.

 

Como ambos estamos em abruptas transições biográficas a gente entende que podemos suspender, por um breve postal, a obediência aos estatutos editoriais do ma-schamba. E aqui fica a memória da última ida à Luz deste nosso próximo expatriado:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 20:51

No feedly (14)

por jpt, em 31.08.14

 

Desde há alguns anos que há esta "mania" de dizer o 31.08 como o dia do blog. Mais um cromo para o calendário laico. Mas a haver algum dia para os bloguistas que seja este. E, como é tradição para este dia, que se anunciem outros a ler. Assim fica o postal da habitual secção "no feedly", 16 recomendações desta vez: 

 

- A angústia do desemprego, no Fio de Prumo, um texto que me diz muito, num breve já, já.

 

- "Senhora, valei-me!", no Antologia do Esquecimento, um breve resumo do agora.

 

- "Uma guerra que o século XX português tudo fez para esquecer", no Portugal e a I Guerra Mundial, lembrando o filme "João Ratão".

 

- O infame Jorge Luis Borges, no Montag.

 

- Recordação de Jim del Monaco, no Divulgando Banda Desenhada.

 

- Malangatana first years,  e também Angola 1938, outra síntese. Dois excelentes apontamentos no Alexandre Pomar.

 

- "A língua portuguesa usa capulana: provavelmente a última entrevista de Eduardo White", no Buala.

 

- O socialismo biométrico da Venezuela, através do A Origem das Espécies. Interessante, em particular se nos lembrarmos dos teóricos portugueses paladinos do socialismo chavezco.

 

- O Desnorte continua a sua melomania excepcional: por exemplo nesta memória do maestro Lorin Maazel, sumptuosa.

 

- Ainda aquilo do BES, no Corta-Fitas.

 

- "Adeus às Armas", no Delito de Opinião.

 

- "As bancarrotas que empobrecem o país", um ajuizado sobre o "comboio descendente" português, no Banda Larga.

 

- Do facebook ao bloguismo, a glorioso percurso de uma das minhas fotografiazecas, ali ao Herdeiro de Aécio.

 

- Marina e o destino, no Atlântico-Sul: sobre uma hipótese política no Brasil mas mais significante ainda pois elenca os itens programáticos considerados relevantes por alguma actualidade actual.

 

- As minhas saudades de Monchique (e do seu medronho) potenciadas neste texto, no Imagens com Texto.

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publicado às 07:51

 

 

Talvez seja preciso ser de algum sítio, o local, para todo-vibrar nisto. Mas talvez não, talvez esteja além disso, tenho esperança disso, nisso. Que outros também o possam viver.

 

 

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publicado às 21:03

você marcha ...

por jpt, em 29.08.14

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publicado às 20:53

Sorteio da Liga dos Campeões 2016

por jpt, em 29.08.14

 

Assisti ontem ao sorteio da Liga dos Campeões 2015, torcendo que ao Sporting saísse o Basileia (por causa do Paulo Sousa treinador) e o Anderlecht (para poder ir ver o jogo aquando em Bruxelas). Os sorteadores foram  Gento, Casillas, Sanchís e Hierro, por razões óbvias, pois antigas glórias e actual capitão do campeão em título. Os resultados foram estes:

  

 

Como o futuro se deve preparar com ponderação antecipada eu deixo já a minha proposta, no intuito de evitar estéreis polémicas à última da hora, sobre o painel de figuras que deverão estar no sorteio da próxima edição desta liga (a de 2016). Aqui ficam as quatro figuras:

 

 

 

(porque a glória do clube não é só futebol)

 

 

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publicado às 19:45

 

 

Estante Austral (4)

"Canal de Moçambique", edição de 27/8/2014

 

 

"Rostos da Língua" de Eduardo White

 

 

Inesperada a malvada morte, a levar Eduardo White. Como acontece quando nos leva os escritores a fazer-nos revolver as estantes, vasculhar-lhes os livros. E, quando os conheceramos, a fazer-nos lembrar os episódios comuns, mesmo que secundários nas suas vidas.

 

Foi isso agora comigo, a empilhar-lhe os livros, voltando à frente e avançando para trás. E a recordar o White, o Eduardo e o Dino, conforme o tom do tempo. E do dia. Em particular a lembrar, com aguda saudade, os tempos em que ele produziu, muito mais ambicioso do que mero sonhador, o “Rostos da Língua. Breve Antologia de Autores de Língua Portuguesa”, uma edição de 1999, a cargo de uma coligação institucional (o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, o Movimento Artistas Contra a Pobreza, e o Instituto Camões – Centro Cultural Português de Maputo).

 

É desse período que me ocorre falar. Que sobre o intrínseco da poesia de White outros deverão falar, respeitador que vou da especificidade do “campo poético”, um universo, exigia ele, de particularidades no sentir. Uma estética própria, à qual associava uma exigência de ética própria, inacessíveis, reclamava ele, a nós-outros, comuns mortais.

 

Eu conhecera o EW poucos dias após chegar a Maputo. Na inauguração do agora Camões Maputo, do qual vinha eu como responsável. Lembro que me deparei com um homem enorme, vigoroso e reclamando, sem pejo, uma qualquer desatenção que entendia terem-lhe feito. Tratava-se da preparação de uma mesa redonda televisiva, a transmitir em directo no então célebre programa cultural da RTP, o “Acontece”, responsabilidade do já falecido Carlos Pinto Coelho, também ele daqui oriundo, sempre amável e que então se desdobrava em afabilidade com o poeta. Aderi à sua atitude, mas realmente estupefacto, com a inesperada personagem. Pois lera-o superficialmente, sem verdadeiramente atentar. Não era aquele White que escrevera “As aves / também nós cantamos. / De resto é tão pouco / o que nos diferencia desses animais /quando dentro temos uma / que vive / e não dorme”? Afinal assim? De facto a ave era aquela, viçosa, tonitruante e não a engaiolada que eu, distraidamente, imaginara.

 

(O texto completo está aqui)


 

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publicado às 14:47

Sons daqui (23): banda Nhambavale

por jpt, em 27.08.14

 Banda Nhambavale

 

Duas músicas que me chegam:

 

  

Kukanakana mp3.mp3

 

I want you mp3.mp3

 

Desfrutem.

 

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publicado às 17:05

Textos de Eduardo White

por jpt, em 27.08.14

(Eduardo White com Nataniel Ngomane, foto daqui)

 

 

Entre domingo, quando Eduardo White morreu, e ontem recordei no facebook (através da página blog ma-schamba e do grupo ma-schamba) alguns textos que ele enviara, em tempos recuados, para este blog. E ainda alguns apontamentos que eu fizera, a ele dedicados. Aqui ficam as ligações, em particular para os leitores alheios ao facebook (e a esses locais de acompanhamento deste blog):

 

- (15.5.2004): "Poema da perguntação".

 

- (28.2.2012): "A lusografia, a lusofonia e eu".

 

- (7.7.2004): "O poeta".

 

- (26.2.2008): "A Ilha (de Moçambique)".

 

- (12.4.2004): "Trecho do apassarado".

 

- (6.7.2004): "Requerimento".

  

- (22.2.2004): Um livro de Eduardo White, esse pardo mestiço.

 

- (24.10.2004): "Excerto do Manual das Mãos". 

  

- (7.5.2009): o meu apontamento "Manual das mãos".

 

 

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publicado às 10:33

(pressionando acede ao filme com as declarações de Azagaia e às formalidades de contribuição)

 

Azagaia, o conhecido músico moçambicano, contestário, difícil para nós, os instalados, tem um tumor cerebral. Esta é a campanha para congregar a quantia necessária para a urgentíssima operação. A solidariedade, se activada, poderá resolver isso. "Já!".

 

Há pouco, ao ter conhecimento da situação e desta campanha, logo me ocorreu estarmos aqui, em Maputo, em plena FACIM, a feira industrial e comercial internacional, marco anual da vida da cidade. Sempre fazendo deslocar inúmeras comitivas empresariais e até políticas. Responsabilidade social empresarial", "relações públicas", "cooperação", até "marketing" poderão ser palavras indutoras da resolução num ápice desta dramática situação.

 

Mas que essa mera hipótese, a da solidariedade das elites económicas, não nos adormeça a vontade de colaborarmos, na medida das nossas possibilidades.

 

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publicado às 00:14

Os Lusíadas

(variações sobre um tema recorrente)

 

 

Vela parda, barca sem leme

ao leme da aventura desventurada

sobre estas praças regressamos, granito 

e basalto, livro de estátuas perfiladas

à friagem do sono sem sonhos.

 

As chagas do tempo e da febre,

as cicatrizes da ausência e do olvido,

emprestam à madeira corroída

dos rostos uma pintura de estrangeiros.

Incómoda memória sangrada

 

em silêncio, através da noite perplexa,

sobre a praia original descemos.

Surda e endurecida no gosto

da cobiça, não concede a pátria

o favor que havia de acender

 

o engenho. E a magra tença,

se mal resguarda o corpo enfermo,

menos guarda o inverno da alma.

Em cinzas e sombra ao abismo

baixaremos: esconjuros e autos-de-fé 

 

não logram corromper a árdua

incomburência do testemunho

que somos; mais que a fria

laje da hipocrisia, durará

o remorso desta voz enrouquecida.

 

(Rui Knopfli)

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publicado às 00:12

"The Beach Boys" foram, ou melhor, são imensamente populares. Tanto que durante um certo período rivalizaram com os Beatles nessa popularidade o que se diria tarefa ingrata senão impossível. Um dos seus álbuns - Pet Shop - continua a ser considerado uma referência de produção e influenciador da rocalhada e a culpa maior deve-se a um dos manos Wilson, o perfeccionista Brian.

O grupo dos subúrbios de Los Angeles, Califórnia, que criou o designado Surf Rock, apresenta-se aqui em grande estilo. Este curto filme de 1964 fazia parte de uma série com várias estrelas do Rock and Roll e passava em circuito fechado de televisão em salas de cinema espalhadas pelos Estados Unidos da América.  Sabia-se da existência mas não do paradeiro da película até que foi encontrada em 1998 para gáudio dos apreciadores. 

 

 

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publicado às 21:10
modificado por jpt a 31/8/14 às 13:44

 

(Sábado, 16 de Agosto de 2014. Esquina da Av. Julius Nyerere com a Av. 24 de Julho, Maputo: carro pertencendo a uma caravana de propaganda da Renamo)

 

Quem lê o ma-schamba sabe que não botei sobre política moçambicana. Algo que está explícito no que chamámos, ironica e pomposamente, "estatutos editoriais do blog". Várias razões para isso, abrangentes e individuais. Sempre entendi que ser estrangeiro em terra estrangeira inibe alguma acutilância ("ouça lá, se está mal mude-se", será sempre a resposta possível e irrebatível). Ainda por cima tendo eu uma malvada tendência para o maniqueísmo quando sobre política - algo visível nos 532 postais sobre "política portuguesa" nesta década de blog (na maioria escritos por mim), triste colecção histriónica.

 

Sendo estrangeiro e ainda por cima português. Sempre estive ciente de que botar sobre política em Moçambique nessa condição poluiria a interpretação do que eu escrevesse. Daqui resmungar-se-ia o meu "tuguismo" ["expulse-se do país, de preferência para um país onde lhe cortem a cabeça", escreveu há anos sobre mim o então secretário-geral da Associação de Escritores Moçambicanos, no portal dessa organização, diante do radical silêncio dos seus pares de letras; "actualmente todos os intelectuais e pedagogos portugueses são aldrabões e colonialistas", botava há tempos um conhecido "jornalista de investigação"; "todos os portugueses são mal-criados", sublinhava um ilustre jurista e agora "fazedor de opinião" local]. Mas também dos meus patrícios. Botasse eu sobre política daqui e estou certo que teria tido o choque de opinadores patrícios daqui oriundos, um núcleo societal que esteve bastante activo na internet, sempre constantes e lestos na crítica radical a todos os itens do processo nacional moçambicano, como se este ontologicamente ilegítimo [ainda assim, apesar dos meus cuidados, fui recebendo a imputação de "frelimista". E também a de "detentor de interesses em Moçambique" - e eu agora a fumar Pall Mall, bolas].

 

E há o estatuto pessoal. Professor numa universidade pública moçambicana, fui durante alguns anos cooperante português - e nesta última condição contratualmente proibido de exercer actividade política no país (uma expressão lata, eu sei, mas que assumi de modo abrangente, até pela mera assinatura do contrato, à qual ninguém me obrigou a não ser eu próprio). Mas há muito tempo que não sou cooperante e como tal poderia escrever sobre o que me apetecesse. Friso essa liberdade. Há anos que escrevo no "Canal de Moçambique", um jornal conotado com a Renamo ou o MDM (varia consoante o locutor). É certo que escrevo sobre temas não políticos (livros, viagens, locais de Maputo, quotidiano, etc). Mas ainda assim é muito significativo que ninguém, alguma vez, me tenha alfinetado em relação a isso. 

 

Dito isto. Não boto sobre política moçambicana. Mas vou pensando, claro. De maneira algo diferente dos meus vizinhos, que isto de ser estrangeiro poupa-me ao abrasivo, o do prós e contras. E da dos meus patrícios daqui saídos, também eles maioritariamente abrasivos, pelo menos os que foram e vão escrevendo sobre o aqui.

 

Tenho aqui uma boa mão cheia de amigos "samoristas", cultores do nacionalismo desenvolvimentista e da personalidade carismática do primeiro presidente. Tenho alguns, menos, "guebuzistas", que frisam o empreendedorismo e a descentralização patrocinados pelo actual presidente. Muitos conhecidos e alguns amigos estão na expectativa do MDM (não serão exactamente "simanguistas", não há neles uma pessoalização da adesão), crentes na democratização societal que patrocinará. Muito poucos no meu núcleo social são renamistas (alguns foram-no, mas foram saindo nas purgas anti-urbanas e anti-intelectuais naquele partido).

 

Eu cheguei ao país em 1994 (as próximas eleições serão as primeiras multipartidárias que não acompanharei). O país estava crispado, saído de uma devastadora (e como o foi ...) guerra, com a ameaça de fracturas regionais políticas. E estava paupérrimo, dos mesmo mais pobres do mundo: colónia sub-desenvolvida atravessara um regime de índole comunista e entrara naquilo que se chamava "Bretton Woods" com uma economia fragilíssima, sem capital, sem investimento estrangeiro, sem infraestruturas, sem recursos humanos para um mundo globalizado. E sem espaço para entrar no mercado mundial, que é coisa que a gente tende a esquecer. Sem uma cultura tradicional democrática e sem instituições com essa prática.

 

Assisti (ou pelo menos foi isso que os meus olhos entenderam) a um urdir das teias do país, uma pacificação interna. Dolorosa, por vezes errática. Conseguida. A uma democratização, passos a passos, ainda que com coisas que chocam a sensibilidade estrangeira (a desgraça de Montepuez em 2000 talvez a pior). A uma fabulosa inserção internacional, uma diplomacia moçambicana absolutamente brilhante nos múltiplos palcos bilaterais e multilaterais, isso também denotando a maleabilidade interna. Ao crescimento de uma burguesia nacional (a "classe média" do jargão, a "sociedade civil" de outro jargão), com os tiques da "compradora" (este termo de um jargão já mais fora-de-moda), apropriadora ("apropriação primitiva do capital", disse o teórico), mas necessária a uma "economia de mercado" (aquilo do capitalismo) nacional. À ascensão de uma componente tecnocrática do poder político, à qual eu sou muito sensível, apesar de antropólogo - não há desenvolvimento, ainda por cima partindo de tamanhas dificuldades, sem tecnocratas.

 

Nada disto foi perfeito, nada disto foi exemplar, nada disto é utópico ou exaltante, romântico. Foi, e será um processo. Com as maleitas da vida em sociedade. Pode ser sempre melhor, até muito melhor. Mas é. Um algo maiúsculo. É por isso, por ter conhecido Moçambique nesse período e tanto me ter surpreendido (e "engajado", apesar de mim-próprio) que aqui sou um "chissanista". No respeito a um estadista democratizador, um construtor desta democracia, sempre saudavelmente imperfeita.

 

Brotou-me isto nestes últimos dias. Pois na manhã do sábado passado fui beber um café ao "Nautilus". No cruzamento da Nyerere com a 24 de Julho, a 500 metros da residência do Presidente, a outros 500 metros dos serviços da Presidência. Inesperadamente ali passou uma caravana de propaganda política da Renamo, que fotografei da esplanada, a primeira que vi neste período pré-eleitoral. Isto um ano e meio depois de a Renamo, estuporadamente, ter encetado acções militares no centro do país. De ter ateado o medo da guerra. E pode agora manifestar-se mesmo no centro da capital do país. Apesar desse tudo ... É uma lição, para os críticos de todos os matizes. A paz e a democracia são necessárias. E são possíveis, apesar dessa irracionalidade política.

 

Há muita coisa a fazer no país? Há, com toda a certeza. Sou eu mais sensível à protecção ecológica e dos direitos dos agricultores (itinerantes) à terra - ameaçados pela vertigem da exploração dos recursos minerais e silvícolas, que recompõem modelos de exploração exógena. Mas mais importante é ter a consciência de que os instrumentos democráticos e democratizadores existem e a cultura de paz também. Para os manter, e fazer crescer, será preciso que os críticos larguem os respectivos maniqueísmos. E, sem dúvida, que grasse um sentimento de "patriotismo", de maior repartição societal.

 

(Pronto: agora podem protestar-me de "frelimista").

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publicado às 09:26

Nani et al

por jpt, em 22.08.14

 

 

Ilha de Moçambique (2007), graffiti na casa de adobe: "Nani 18 Sporting Jogador". Comovo-me e fotografo.

 

Lembro-me agora desta fotografia e da minha sensação de então. No regresso do bom jogador ao nosso clube, numa época em que escasseiam os jogadores-símbolos, neste turbilhão de transferências, de milionárias quantias abstractas que fazem tresandar o mundo da bola. 

 

Mas também no saudar Bruno Carvalho, presidente do Sporting, pela forma como tem gerido o clube, afrontando interesses instalados, algo que o processo culminado com o regresso (temporário) de Nani tão bem exemplifica. Não tanto as querelas com Pinto da Costa ou o "slb". Mas mais estruturalmente, o embate com o mundo da finança (a banca; estes "fundos" esconsos).

 

Um dia aqui botei Bruno Carvalho como personalidade do ano em Portugal. E assim continua para mim. Não por causa da bola-futebol ou do (meu) sportinguismo. Mas porque a sua eleição simbolizou um momento, o da ruptura com a subserviência social com esta tralha banqueira e seus sequazes bancários, com a especulação financeira. Tudo embrulhado com o "respeitinho" para com os "bons nomes" da elite económica e para com os feixes de (ex)políticos a soldo - e quanto se disse que o "Bruno" não podia ser presidente porque a banca não confiava nele. E a gente a confiar na banca, claro ...

 

Os seus triunfos, os do "Bruno" (como os sportinguistas o chamam, sublinhando a nossa adesão) na presidência do clube, são os triunfos de um país mais limpo.

 

Depois, se puder ser, que venham os triunfos na bola. De preferência na equipa A de futebol, ainda para mais com o Nani. Mas isso é mesmo depois. Porque ele está a mostrar um caminho.

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publicado às 09:05

Um domingo tropical

por jpt, em 21.08.14

 

 

Um filme de 15 minutos, de Fabio Ribezzo, cineasta (italo?-)argentino cá residente há já uma década, e que tem vindo a fabricar um trabalho muito interessante. Este seu "Um Domingo Tropical" está a competir num concurso internacional de curtas metragens (vota-se aqui). O voto é um bom pretexto para se ver o filme - um carinhosíssimo Maputo - e divulgá-lo.

 

 

 

 

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publicado às 08:00

 

 

 

Estante Austral (3)

"Canal de Moçambique", edição de 20/8/2014

 

Noveleta” é como Luís Carlos Patraquim chamou a este “A Canção de Zefanias Sforza” (Porto Editora, 2010), um belo livro que me parece continuar a passar algo despercebido por cá. E que, agora que o escritor nos é de novo vizinho, regressado que está de Portugal, poderia (ou mesmo deveria, num sentido ético) ser reapresentado, (re)distribuído pelas livrarias, falado. Ou seja, lido.

 

Nele decorre a transição do mundo de Lourenço Marques ao de Maputo, um percurso que nos é apresentado através da vida desse Zefanias (Pluribis) Sforza – personagem de pluralidade afixada nesse próprio Pluribus que levou de nome, assim como se feixe desaguado diante desta baía. E onde habita também a aparência de alter ego do seu criador, o habitual poeta aqui ficcionista.

 

A história da cidade é-nos contada, sobre alguma da sua etnografia por via de vislumbres dos hindus, dos muçulmanos, e depois das transformações e continuidades toponímicas, ecoando as iniciais presenças coloniais e seu abrupto final. Toda ela se condensa na biografia de Zefanias e na dos seus próximos. Um estreito mundo, social e espacialmente, balizado entre as barreiras do Alto Maé e o Chamanculo – este sentido tão longínquo que seria onde o bíblico “Noé” habitaria, segundo o “saber” da personagem Agostinho Demos. Este Demos, contraponto de Zefanias, pois pólo local da narrativa, feito a verdadeira matéria-prima da cidade, como lhe anuncia o apelido (“tribo” será a melhor tradução possível de “demos” apesar de nos insistirem em o dizer “povo”). Explícita nota de um auto-centramento feito encerramento, cujo afrontar será o caroço do livro.

 

(O texto completo está aqui).

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publicado às 15:00


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