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Lisboa, o escaparate lusófono

por jpt, em 23.09.14

 

Digam-me resmungão, mal-disposto. Passeio por Lisboa, vou à Barata, ainda uma livraria. Ali me sentari, num longo café bebido em companhia de co-bloguista. Antes vasculhara as estantes e os escaparates, sem comprar que os parcos euros são para poupar. Dou, e bem central está, com este escaparate "lusófono": alguma literatura brasileira (Jô Soares, claro) e a africana "de língua oficial portuguesa" - ainda não lá vi nada da Guiné Equatorial, mas decerto que da próxima vez lá estará.

 

No referido "escaparate lusófono", aquilo que vale a pena ler, segundo a Barata (repito, que ainda é uma livraria), está ... o habitual. Basta atentar no que "telefotografei". Sem, resmungo (o tal mal-disposto), um único livro de Ruy Duarte de Carvalho (comprei um que me faltava, exemplar novo, editado em 2008, por 3 euros, na banca livraria da estação do Oriente). Não tem um único livro de João Paulo Borges Coelho (sabe-se lá porquê, continua a ser triturado pela sua editora, é uma vergonha).

 

E sem um único livro de António Quadros, mas isso já é um "traço cultural" português, sociedade incapaz de o apreender, que aquilo ainda afundava se o lessem ...

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publicado às 11:56

 

É um dos episódios do "Artscape - The New African Photography", uma bela série. Aqui fica o dedicado ao fotógrafo moçambicano.

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publicado às 00:50

Chove em Lisboa mais do que seria necessário e como resultado houve cheias e enxurradas. A Natureza anda irada, ao que parece com alguma razão, com os desmandos que os terráqueos vão fazendo e vem mostrando um pouco por toda a parte que contra ela nada podemos apesar do enorme empenho.
Neste dia há ainda um fenómeno paralelo e não menos atmosférico que deve ser deixado para memória e que é a evaporação do presidente da Câmara Municipal de Lisboa num dia caótico para a cidade. Nem um piu do palrador autarca. Sabemos que Costa anda em campanha para o poleiro partidário faz meses - visionário chegou a afirmar que os portugueses o querem para outros vôos que não aquele para que se candidatou e foi eleito e, portanto, nada de novo na actuação do insígne edil. Algumas coisas contrariam, no entanto, a sua propalada boa gestão (esqueçamos as contas que isso não interessa nada) como os inúmeros buracos ou crateras das ruas, no alcatrão e passeios à vez e à escolha, a inacreditável falta de limpeza e higiene que vem dos últimos anos e seria bem não dizer que foi por algumas competências terem passado para as juntas de freguesia que a coisa se alterou, ou estado dos jardins (na EXPO e, sobretudo, o jardim do Princípe Real para não falar da rábula do Sá Fernandes com os brasões da Praça do Império amais as justificações que entendeu dar e que vão indicando que a desvalida cidade está abandonada, tendo que se valer a si própria e contar com a boa vontade dos seus munícipes enquanto sofre  ventos e tempestades a que se junta a incúria de de alguns vereadores que Costa mantém em funções e que dizem coisas como esta hoje lançada por Carlos Manuel Castro para justificar as inundações na pobre cidade, sacudindo literalmente a água do capote para quem, no seu esclarecido entendimento, é o principal responsável:
 “Houve uma grande precipitação. As informações que nós tínhamos do IPMA (Instituto Português do Mar e Atmosfera) não iam nesse sentido, portanto a cidade teve de se prevenir à última da hora, uma vez que não tinha sido lançado aviso laranja para o distrito de Lisboa”*.
É pois com algum estupor que se lê disto, mas reflectindo chega-se à conclusão fácil que aquilo que parece um dislate é, no fundo, um encobrimento. São Pedro, esse velho gozão, entreteve-se a destrancar as comportas do céu e a inundar Lisboa e o o tal vereador não o quis denunciar, pois sendo São Pedro o claviculário das portas do céu, nunca se sabe... Tráfico de influências, portanto. Foi pena o vereador não ser um pouco mais previdente, tratando de limpar as sarjetas, colectores e esgotos. Talvez evitasse a explicação pífia que lhe enlameia a inteligência e capacidade e levantando assim uma suspeita que aponta que  a CML podia ter feito melhor. Não esta, claro.
Chega de trela e aqui ficam uns registos que fiz a meio da tarde em plena Praça de Espanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

*Fonte: "O Observador"

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publicado às 21:07

 

 

Na próxima sessão dos seminários do Departamento de Antropologia e Arqueologia (UEM) António E. Zacarias debruçar-se-á sobre a questão de Violência entre Parceiros numa perspectiva diferente da que normalmente é discutida. Nesta sessão, serão apresentados os resultados de um estudo realizado em Moçambique sobre as mulheres como perpetradoras de abusos físicos e psicológicos aos seus parceiros e não como vítimas e agentes passivos como acontece na maioria das vezes.  


A sessão terá lugar na 
próxima terça-feira 23 de Setembro, Anfiteatro 1502, das 10:10 às 12:00h.

 

Aqui se encontra o artigo na qual se fundamenta esta apresentação: "Women_as perpetrators of IPV: the experience of Mozambique", Journal of Aggression, Conflict and Peace Research, vol 4, nº 1, 2012

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publicado às 10:03

 

 

 

Estante Austral (6)

“Canal de Moçambique”, edição de 17.9.2014

 

José Soares Martins, cuja obra de historiador sempre ocorreu sob o pseudónimo José Capela, faleceu este passado domingo (13.9.2014) com 82 anos. Forma-mor de o celebrar é lê-lo, mergulhar na sua importante obra dedicada às relações entre a sociedade portuguesa e as sociedades do actual Moçambique, em particular no século XIX, cuja profunda imbrincação foi desvendando através da sua abordagem pioneira ao longo de quatro décadas de publicações.

 

Capela recusou o ocaso e manteve-se investigador até agora, octogenário. Notáveis estes seus dois recentes livros: “Conde de Ferreira e Cª. Traficantes de Escravos” (Afrontamento, 2012) e “Delfim José de Oliveira, Diário da Viagem da Colónia Militar de Lisboa a Tete, 1859-1860” (Húmus, 2014), uma narrativa cuja publicação prefaciou, anotou e organizou. Sei que entretando reescrevia outro dos seus fundamentais livros, enriquecido por mais documentação pesquisada e novas reflexões. E que outros textos trabalhava, incessantemente.

 

O primeiro dos livros que aqui refiro, “Conde de Ferreira e Cª. Traficantes de Escravos”, é uma inestimável contribuição para a análise, desvendadora, da profunda influência do comércio entre Portugal e o actual Moçambique em XIX nas modalidades de organização política e económica portuguesa, em particular para a sedimentação do regime liberal e suas burguesias metropolitanas, obra portanto em sequência óbvia com as preocupações que o autor sempre erigiu na sua análise. 

 

(O texto completo encontra-se nesta ligação).

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publicado às 12:27

Turista na própria cidade

por jpt, em 19.09.14

 

 

Um velho amigo levou-me ontem a jantar. Apanhou-me no Chiado, à Brasileira, como se queirozianos fossemos. Passeou-me ali ao velho governo civil, toda a área finalmente a requalificar-se e a transformar-se, anunciou-me a extensão do Museu de Arte Contemporânea e da Faculdade de Belas Artes (e a criação de um sui generis Museu da Polícia), a emergência de novo hotel, enquanto ia notando eu algumas lojas, restaurantes e outros edifícios renovados. Depois descemos, vagorosamente, a rua do Alecrim, já há atrasado rearranjada, em direcção ao Cais do Sodré. Por lá me fez visita guiada, a velha rua da marinharia e respectivo putedo agora renovada. Conhecera eu há anos a dita "Pensão do Amor" que entretanto foi rodeada de restaurantes e alguns bares/discotecas - alguns antigos, o Tokyo e o Jamaica ainda lá estão, ainda que àquela hora fechados. O Shangri-Lá já não, nem o Helsínquia, dos que recordo, hoje virados para outros nichos da agora dita "restauração". O velho Texas-Bar mudado de nome, e transformado em local agitado, longas filas à porta aquando, mais tarde, regressámos à rua. Tudo com ar arranjado. Jantei muito, mas mesmo muito bem - uns aparentemente simplérrimos carapauzinhos fritos com açorda de coentros que estavam "de estalo" como os antepassados gabavam - num restaurante clássico da rua Nova do Carvalho, o "Rio Grande".

 

Depois, apesar do frio, já quase gélido, cruzámos até ao vero Cais do Sodré e fui espreitar o que desconhecia, disse-me ele que uma instituição europeia ligada às coisas marítimas, a dita Praça Europa, "que o Durão Barroso conseguiu arrancar para aqui". Se assim foi louve-se o homem, está muito bem conseguida. E depois fomos calcorreando a Ribeira das Naus até ao Terreiro do Paço, finalmente quase pronta - os lisboetas nem recordarão o facto, mas eu lembro-me de ter imigrado em 1997 e de que aquela zona da Baixa já estava em obras e desde então sempre o esteve, apenas saltitando os estaleiros. Já quase não está, apenas uns tapumes ainda. A pressa não foi grande mas as coisas ficaram muito bem, diz este olhar destreinado, belíssimo e a devolver a cidade ao rio e vice-versa. Chegados à eterna Praça do Comércio vagorosamente a atravessámos, atentando nos laivos de Sé e até do Castelo. E, acima de tudo, na praça desocupada, ou melhor ocupada por si mesma, que é como deve ser, apenas debruada da esplanadas e, lá ao fundo, muito agitada discoteca. Depois a bela da Rua Augusta, com o arco bem polido, e ela própria com prédios a amaneirarem-se ainda que não totalmente impoluta. Virámos à esquerda, ascendemos e depois ascensionámos até ao Chiado.

 

Grande passeio, numa belíssima cidade. A gente enfronha-se na resmunguice e até se desapercebe disso.

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publicado às 09:01

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publicado às 00:22

A Escócia

por jpt, em 17.09.14

 

Será bonito, amanhã, se a nação escocesa se independentizar. Não só por ser assim ser, se assim o for, um dia histórico na minha e nossas vidas. Mas por ser um dia da liberdade, do respeito devido. Com os tropeções todos que dela deriva, dele deriva. 

 

Canto pois, com mau sotaque:

 

O flower of Scotland
When will we see
Your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen
And stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
Tae think again
The hills are bare now
And autumn leaves lie thick and still
O'er land that is lost now
Which those so dearly held
That stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
Tae think again
Those days are passed now
And in the past they must remain
But we can still rise now
And be the nation again
That stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
Tae think again
O flower of Scotland
When will we see
Your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen
And stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
Tae think again
The hills are bare now
And autumn leaves lie thick and still
O'er land that is lost now
Which those so dearly held
O flower of Scotland
When will we see
Your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen
And stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
Tae think again

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publicado às 23:09

Ao mercado de Campo de Ourique

por jpt, em 17.09.14

 

 

Já ali tinha ido em Janeiro passado, e bem resmungara. Mas ontem fui jantar com um amigo a Campo de Ourique. Desejando-me frugal e nada gastador. Fomos ao Stop, a minha antiga cantina no bairro, coisa de morador da Ferreira Durão: fechado. Inflectimos para diante do cinema Europa, onde há restaurante ("Europa"?), onde se comia um bom peixe: fechado. Fomos avançando e cruzámos o mercado, "não gostaste nada disso" diz-me o João, que pelos vistos ainda passará pelo blog, "fartaste-te de dizer mal". Que não fosse por isso, "(m')bora lá" jorgejesuo eu. Entrámos, defrontando uma esplanada cheia, uma amálgama pequeno-burguesa, requebro que bem noto, agora que estabelecido nos Olivais, hoje em dia desvalido gueto de xunga canora, afinal falido que foi o "melting pot" sociológico intentado por Salazar.

 

Ao meu conviva surgiu-lhe o afã de uns camarões. A mim, vindo de onde venho, não se me urgem tais bichos. E, para resolver tudo ali ao mesmo balcão, segui com um prego. Lá fomos a um outro buscar umas cervejas e depois, espeleologicamente, desencantámos uma mesita, aguardando o repasto. Enquanto isso regressei à demanda de cervejas e, coisa de ainda emigrante, fui falando com quem delas me serve, a saber das modas. Que ali se bebe pouco cerveja, soube, pede-se mais sangria, o que me surpreende, e "agora" bebe-se gin. "O gin está na moda, não é?" já soube eu, sempre desencantado com a empáfia lisboeta, "mas sangria, bebe-se disso porquê?". E logo lhe é óbvio o sarcasmo, "É que aqui é um sítio gourmet" aflautando a voz, e nisso se rindo o colega do lado. Também eu me ri, assim de tudo avisado, julguei. 

 

Voltei à mesa para ser chamado, que fôssemos buscar as nossas refeições, os tais repastos gourmet. Busquei-as, solícito: num prato um pauzito com camarõeszitos. No meu um prego à petit-bourgeois, desses com hífen e tudo. Coisa de cerca de 80 gramas. Acompanhado de batata frita ... de pacote.

 

Ri-me, com tamanho despautério. Lá trinquei aquilo. À nossa volta o mercado de Campo de Ourique, o tal recanto "gourmet", continuou cheio. São assim as mansas gentes da gasta pátria.

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publicado às 06:36

No feedly (15)

por jpt, em 16.09.14

 

Há tantos anos que não ia ao cabo Mondego, no Antologia do Esquecimento.

 

- É tão grande o Alentejo, no Atlântico-Sul.

 

- Sobre Ruy Duarte de Carvalho, um importante texto de Manuela Ribeiro Sanches (2008), trancrito no Buala.

 

- Outro belo texto sobre Ruy Duarte de Carvalho, de Miguel Vale de Almeida (2008), transcrito no Buala.

 

- A Marcha de Radetzky, de Joseph Roth, no Delito de Opinião.

 

- Homenagem a Schoenberg, no Desnorte.

 

- (De) novo Plant, no Sound Vision.

 

- Coisa(s) do nosso Sporting, no És a Nossa Fé!.

 

- Shakespeare e a tábua das emoções, no A Terceira Noite.

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publicado às 19:44

Postal etnográfico

por jpt, em 16.09.14

 

 

 

Ontem fui ao Porto (uma espécie de Nampula cá em Portugal). E para acompanhar a chamussa encontrada escolhi uma cerveja que desconhecia, esta "Sovina" (uma espécie de "Impala" cá em Portugal).

 

O mundo complexifica-se (mas é sempre uma espécie cá em ...)

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publicado às 09:23

"Os Maias" de João Botelho

por jpt, em 16.09.14

 

 

 

Li o romance de Eça três vezes, a última das quais há quase trinta anos. Fui agora ver o muito falado filme de João Botelho. Um filme com uma enorme qualidade, a da fidelidade ao texto literário. Tamanha qualidade essa, tanta saudade que me provocou, que saí ao intervalo, directamente para a releitura do velho livro (dois volumes, 3ª edição, publicado no Porto pela Livraria Chardron, de Lello e Irmão, a edição cá de casa comprada in illo tempore pelo meu avô paterno). Garanto-vos, pelas primeiras páginas relidas: é muito mais interessante do que o filme, nem que seja porque lhe invento eu os cenários e os tons. E em assim sendo para quê perder tempo, ali na sala escura?

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publicado às 00:36

 

 

Neste dia do seu funeral aqui partilho um breve trecho de José Soares Martins (José Capela) sobre as suas impressões à chegada a Moçambique, com 22 anos. Onde viveria 40 anos. Este é um excerto de um trabalho realizado por Isabel Galhano, do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, que nos últimos anos longamente entrevistou o historiador.

 

 

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publicado às 15:56

Uma breve mensagem anuncia-me a morte, acontecida hoje à noite, de José Soares Martins (o historiador José Capela). Era esperada, dado o recente agravamento da sua condição. Sobre a sua importância na minha vida escrevi há pouco tempo, num momento crucial para mim, este "Como cheguei aqui", apontamento intimista que ele nunca veio a ler. Há algum tempo escrevi, dedicado ao seu trabalho, este breve texto. O qual ele acolheu, e isso muito me satisfez, com uma enorme e exagerada simpatia.

 

Longe dos meus livros, encaixotados num contentor, deixo aqui cópia de capas de alguns dos muitos livros que ele publicou. Pobre nota que intenta recordar um historiador fundamental nas relações entre Portugal e Moçambique. De um diplomata de excepção, em Moçambique conselheiro cultural entre 1977 e 1996. E de um homem insigne.

 

José Soares Martins (José Capela) teria merecido maior atenção por parte de ambas as repúblicas, ainda que tenha sido alvo de justificada atenção. Recordo que há anos, cerca de 1997, foi sondada a Universidade Eduardo Mondlane para que lhe fosse atribuído um honoris causa. Algo que não aconteceu por meras razões políticas, ainda que Soares Martins fosse uma personagem respeitada no país. Mas teria sido então o primeiro honoris causa dado pela UEM e isso inviabilizou o facto - julgo que o primeiro foi alguns anos depois atribuído a Nelson Mandela. Alheio a honrarias, mas historiador credor das leituras que lhe eram devidas, Soares Martins apenas sorriu ao facto. Alguns anos depois, após o desencadear dos doutoramentos em Maputo, talvez alguma coisa pudesse ter sido feita de novo para potenciar o olhar sobre esta obra, a historiográfica e a existencial. Não houve - nem na academia moçambicana nem na diplomacia portuguesa - quem a induzisse.

 

Sei que há dois anos, por iniciativa do Centro de Estudos Africanos da Universidade de Porto, de novo se levantou essa hipótese, significativa pois mais do que mera honraria, intentando um renovar do interesse pelo trabalho incessante que Soares Martins (Capela) sempre desenvolveu (ainda há poucos meses recebi o seu último livro). Foi então proposta e aceite a atribuição desse grau por parte dessa Universidade. E então, após contacto desencadeado por admiradores da sua obra, também a Universidade Politécnica de Moçambique, decidiu atribuir esse título ao historiador. Mas as difíceis condições de saúde de Capela (Soares Martins) acabaram por impedir a atribuição de ambos os títulos.

 

Há cerca de um mês, em convívio com Luís Carlos Patraquim este, inopinadamente, telefonou-lhe. Falou-lhe e passou-me o telefone. Atendeu, com voz viva e alegre, algo que ainda cresceu mais quando percebeu que estávamos em Maputo, e não em Lisboa como julgara inicialmente. Como se algo dali lhe enviássemos. O Patraquim, que estava mais avançado do que eu, disse-lhe "devo-te tudo". Eu, que estava a seguir, não me fiquei atrás e disse-lhe, mais cerimonioso, "devo-lhe tudo, senhor doutor". Ele riu-se, com aquele riso que ainda lembro. 

 

Agora fico aqui, muito mais sozinho. Obrigado, Luís Carlos Patraquim, por esse teu telefonema, que me permitiu o agradecimento que ainda não explicitara.

 

 

[António Melo, José Capela, Luís Moita, Nuno Teotónio Pereira, "Colonialismo e Lutas de Libertação. 7 Cadernos Sobre a Guerra Colonial", Porto, Afrontamento, 1978 (edição policopiada clandestina em 1971)]

 

 

[José Capela (selecção, prefácio, notas), “Moçambique Pelo Seu Povo”, Porto, Afrontamento, 1971]

 

José Capela, "Escravatura. Conceitos. A Empresa de Saque", Porto, Afrontamento, 1978 (1ª edição 1974)

 

]

José Capela, "A Burguesia Mercantil do Porto e as Colónias (1834-1900), Porto, Afrontamento, 1975

 

José Capela, "As Burguesias Portuguesas e a Abolição do Tráfico da Escravatura, 1810-1842", Porto, Afrontamento, 1979

 

]

José Capela, "O Movimento Operário de Lourenço Marques, 1898-1927", Porto, Afrontamento, 1981

 

 

José Capela e Eduardo Medeiros, "O Tráfico de Escravos Para as Ilhas do Índico, 1720-1902", Maputo, Núcleo Editorial da Universidade Eduardo Mondlane, 1987

 

 

Manuel de Vasconcellos e Cirne, "Memoria sobre a Provincia de Moçambique", Maputo, Arquivo Histórico de Moçambique, 1990 (prefácio e notas de José Capela)

José Capela, "A República Militar da Maganja da Costa, 1862-1898", Porto, Afrontamento, 1992

 

]

 

José Capela, "O Escravismo Colonial em Moçambique", Porto, Afrontamento, 1993

 

 

José Capela, "Moçambique na Literatura Historiográfica Portuguesa", Maputo, (separata), 1994

 

]

José Capela, "O Álcool na Colonização do Sul do Save, 1860-1920", Maputo, edição do autor, 1995

 

 

 

José Capela, "Donas, Senhores e Escravos", Porto, Afrontamento, 1996

 

José Capela, “O Tráfico de Escravos nos Portos de Moçambique”, Porto, Afrontamento, 2002

 

 

José Capela (prefácio e notas), “Caldas Xavier. Relatórios dos acontecimentos havidos no prazo Maganja aquém Chire, Moçambique, 1864″, Porto, Húmus, 2011

 

 

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publicado às 20:20

 

 

Uma preciosidade, verdadeira, apresentada anteontem em Coimbra. Esta apurada colectânea das crónicas de João Albasini, trabalho de Fátima Mendonça e de César Braga-Pinto, publicada pela editora moçambicana Alcance. O livro será apresentado hoje, domingo, no Porto (Feira do Livro, Jardins do Palácio de Cristal, Galeria da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, às 19 horas).

 

João Albasini (1876-1922) é uma personagem crucial da história intelectual moçambicana. E já foi eleito como protagonista literário, por João Paulo Borges Coelho no seu recente "O Olho de Hertzog". O livro integra dois artigos contextualizadores, cada um deles escrito por um dos organizadores, a luso-moçambicana Fátima Mendonça e o brasileiro Braga-Pinto. Integra 97 crónicas, anotadas, publicadas nos célebres e fundacionais jornais de Lourenço Marques, "O Africano" (1908-1918) e o "O Brado Africano" (1918-1974).

 

No contexto da edição moçambicana e na bibliografia sobre a história de Moçambique este livro é um verdadeiro luxo. Um monumento imperdível. 

 

Agora vou lê-lo.

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publicado às 09:37


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