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"1974", de Filipe Verde

por jpt, em 23.02.15

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Filipe Verde, antropólogo, professor no ISCTE, é, e cito-me, "dono da mais brilhante mente que conheço pessoalmente". Alguns dos seus textos profissionais estão disponíveis na sua conta da rede Academia, mas não está o seu "O Homem Livre", um livro super estimulante que tão urgente é reeditar.

 

Sempre o conheci escrevendo ficção. Agora publica o seu primeiro romance: "1974" (na Esfera dos Livros), que estará à venda na próxima semana. Nele cria uma distopia, um Portugal no qual o PCP tomou o poder após 1974. Num registo seco, nada "literato" mas também nada moralista, bota a realidade se assim. Numa breve saga familiar o abissal vácuo brotado n'"o homem [se não] livre", devastado pela verdadeira inexistência. Como se todos fossemos, e não o seremos?, apenas apanhadores de moluscos, confinados à desesperança da mera praia feita prisão.

 

E, deste modo, também falando das cumplicidades e namoros de hoje, das inconsciências "festejantes" da nossa vida, dos "homens livres" que nem o sabem ser nem, verdadeiramente, o querem ser. Os vizinhos, entenda-se.

 

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publicado às 14:35

Ex-votos

por jpt, em 23.02.15

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Volta e meia os mais furibundistas do estatismo clamam que nada mudou, que isto está como nos tempos d'antes do 25 de Abril e coisas assim. Dislates que lhes rendem laiques, aplausos e, até, votos.

 

A semana passada fui pai. E cruzei um bocado a cidade, em regime de turista, a mostrar à minha filha a cidade que é sua sem que nela alguma vez tenha vivido. No rossio (D. Pedro IV) a meu pedido ela fotografou isto. Uns altares de ex-votos - uma estrutura metálica muito pirosa (L.O.V.E.) onde se engancham os tais ex-votos, agradecimentos/promessas de amor ou amizade, comprados ali mesmo na banca.

 

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Há décadas os ex-votos eram outros. Também esteticamente pirosos, menos hedonistas (o estilo de laicização a que a "classe média" portuguesa consegue aportar) pois ancorados no catolicismo popular. Há algumas semanas demandei Arcozelo e ali encontrei o culto da Santa Maria Adelaide, o recorrente cadáver incorrupto. Na capela ainda lá estão os ex-votos. Pedindo protecção para os soldados arregimentados para o ultramar e suas guerras, coisas de mães, namoradas e até pais roídos pela angústia.

 

Entretanto, desprezando estas coisas e quem as vive, os furibundistas, indignistas (e agora sirizistas), continuam a clamar que isto está como nos "tempos". Pois as pessoas (as "massas", o "povo" ou outra aspeável qualquer) são-lhes verdadeiramente indiferentes.

 

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publicado às 12:39

Sons de lá 6

por AL, em 20.02.15

É maliana, filha de cantora famosa e chamam-lhe o canário de Wassoulou, região que se reparte pela Guiné, Mali e Costa do Marfim e onde as mulheres tradicionalmente cantam (e encantam) músicas de cariz feminino. Nesta, Oumou Sangaré chora a morte e a guerra.

AL

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publicado às 22:24

O Musgo

por jpt, em 19.02.15

Em 19 de Fevereiro fui viver para Moçambique, já lá tinha estado seis meses e tal em trabalhos. Foi em 1997, faz hoje exactamente 18 anos. Cada vez mais me convenço que errei agora, ao partir neste torna-viagem. Paciência, está feito. Telefonam-me de Maputo, a lembrarem a data, pretexto para a sorridente provocação "quando é que voltas?" em entoação de como se tivesse eu hora de chegada a Mavalane ... Sorrio, também, pois se nem visto tenho.

 

Para as machambas destes 18 anos e tal fico-me com este poema

 

 

Musgo

 

Dir-se-á mais tarde; 

por trémulos sinais de luz

no ocaso quase obscuro; 

se os templos contemplando

estes currais sem gado

ruíram de pobreza.

 

Dir-se-á depois

por púlpitos postos em silêncio;

peso também a decompor-se

no mesmo pouco som;

se desaba o desenho

da nave antes de fermentar

a cor da sua pedra,

como fermentam leite e lã

de ovelhas mais salinas.

 

Dir-se-á por fim

que nenhum tempo se demora

na rosácea intacta;

e talvez

que só o musgo dá, 

em seu discurso esquivo

de água e indiferença;

alguma ideia disto.

 

(Carlos de Oliveira, "Musgo")

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publicado às 11:45

Sons de lá 5

por AL, em 15.02.15

O miúdo é belga e lindo de morrer. Deixo-o aqui por esta homenagem a Cesária Évora (e também porque não consigo ouvir isto sentada e porque me leva ao ambiente das longas noites de Lisboa lá nos tempos, ali para os lados do Conde Barão...)

 

 AL

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publicado às 21:43

Sons de lá 4

por AL, em 14.02.15

São gémeas franco-cubanas e tão, mas tão, a minha praia que tive que as incluir nesta série. Mais ainda, este seu vídeo foi considerado um dos melhores vídeos africanos de 2014 e a elas chamam-lhes as “Yoruba doom soul sisters”.

Quem sou eu afinal para lhes recusar o estatuto de africanas horonárias? (seja isso lá o que for…)

AL

 

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publicado às 21:23

Dia de, dos e para namorados

por mvf, em 14.02.15

O dia de São Valentim universalmente consagrado aos namorados é data de reconhecida ternura para o comércio e  muito acarinhada aqui na chafarica. Fica uma lembrança para os atingidos pelas flechas de Cupido.

 

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publicado às 12:00

Sons de lá 3

por AL, em 13.02.15

Eddy Kenzo é um dos artistas mais famosos no Uganda e esta música Sitya Loss foi um enorme êxito em todo o continente. Este video uma delícia que vale a pena ver.

AL

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publicado às 21:10

O Syriza é mau?

por jpt, em 12.02.15

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a) O secretário de estado dos assuntos europeus (do Ministério dos Negócios Estrangeiros), um rapaz Bruno Maçães tem uma conta no twitter - na qual se apresenta engravatado e afivelado como secretário de estado (sem o SEXA) - onde se tem dedicado a "mandar bocas" ao novo governo grego. A discrição mne nas vielas da amargura ...

 

b) O presidente da câmara de Lisboa, na corrida para futuro primeiro-ministro, perdoa 1,8 milhões de euros ao Benfica, enquanto legaliza ad hoc museu, piscinas e parque comercial do clube, tudo feito ilegalmente. A descrição anda nas cloacas da amargura ...

 

c) Santos Silva, o amigo íntimo de José Sócrates, ajudava financeiramente as amigas do dito ex-primeiro-ministro. Indiscrição sem descrição ...

 

O Syriza é mau?

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publicado às 22:57

Sons de lá 2

por AL, em 12.02.15

Não é propriamente a minha praia, mas este homem na Nigéria é grande! Dizem ser esta a sua melhor música; aqui a deixo.

AL

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publicado às 20:59

 

 

 

 

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publicado às 10:51

Momentos Mastercard 5

por AL, em 11.02.15

Mãe, tu para mim és uma flor, diz o Benjamim encantado com as ternuras da progenitora. Cinco minutos depois zangado com a reprimenda da mesma acrescenta: Mãe, tu és uma flor… pausa… mas com veneno!

AL

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publicado às 20:58

Sons de lá 1

por AL, em 11.02.15

Hoje do Senegal e quem não der ao pé é surdo (ou coxo, vá!)

 

 AL

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publicado às 20:44

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Começa hoje em Maputo uma quinzena de actividades dedicadas a evocar José Soares Martins, ali antigo conselheiro cultural português e historiador (com o pseudónimo José Capela).

 

Para quem tiver curiosidade deixo ligação para dois breves textos que escrevi sobre a sua obra historiográfica, por ocasião do lançamento de alguns dos seus mais recentes livros: 

 

- "José Soares Martins, "Caldas Xavier. Relatório dos acontecimentos havidos no prazo Maganja aquém Chire, Moçambique, 1884";

 

- "José Soares Martins, "Conde de Ferreira & Cª. Traficantes de Escravos...".

 

 

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publicado às 16:06

A coisa mais importante

por mvf, em 07.02.15

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 "A Coisa Mais Importante" é o título de uma exposição de Fotografia acabada de inaugurar no Centro Cultural de Belém (Lisboa). A mostra faz parte de “Uma Vida Melhor para os Refugiados", iniciativa que pretende apoiar o ACNUR (agência da ONU para os refugiados e que tem o português António Guterres como alto-comissário) a conseguir melhores condições de iluminação e segurança em campos de refugiados. A Fundação IKEA doará à ACNUR 1€ por cada lâmpada vendida nas lojas da marca. ccb-7773.JPG

O fotógrafo Brian Sokol tem-se dedicado a documentar questões humanitárias com relevo para a situação de refugiados em diversos países e sociedades afectadas por conflitos. Esta mostra de pouco mais de uma dúzia de imagens de grande dimensão baseia-se na ideia simples de retratar os refugiados no Sudão do Sul com aquilo que para além da sua vida conseguiram transportar na sua jornada, ou melhor, na sua fuga da região do Nilo Azul (Sudão) para o que lhes restava de esperança. Se é fácil supor que o que transportaram foi pouco mais que nada, é muito difícil imaginar o que foram estas travessias até aos campos onde Sokol fotografou a pequena Maria e o jerrican quase do seu tamanho, o Ahmed de 10 anos com o seu macaco de estimação, a Magboola de 20 anos com as suas três filhas e uma panela, o velho Alamim que com 85 anos pegou na sua familia, duas garrafas - uma com água e outra com óleo para cozinhar  - e um machado e que relata que foi o possível e que tiveram de deixar algumas pessoas mais velhas para trás. Também retratada foi Tiaba. De mãos vazias.Tiaba  nada mais conseguiu trazer com ela do que aquilo que  com exagero se poderia chamar roupa porque mais não era que panos esfarrapados. Retratada de mãos vazias é força de expressão porque o tétano levou o braço esquerdo de Tiaba há quatro anos. Taiba fez a jornada de dois meses desde Lahmar com a sua mãe e com oito irmãos, descalça, passando dias sem comer. Taiba sobreviveu comendo alguns frutos que ia conseguindo na floresta e com a caridade de outros que a foram alimentando e dando água.Taiba é uma das pessoas mais vulneráveis do campo de refugiados de Jamam (Maban, Sudão do Sul).

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Calcula-se que haja cerca de 11,7 milhões de refugiados no mundo sob proteção do ACNUR, metade dos quais são crianças. 

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E nós, os que podemos um bocadinho mais, o que fazemos? Esperamos que os estados resolvam? Que a ACNUR chegue para as encomendas com a ajuda desta ou daquela empresa? Ou compramos uma porcaria de uma lâmpada que seja?

As fotografias que fui fazer ao CCB para documentar a exposição que fica até ao final de Março servem aqui como contributo mínimo, um nada, uma chamada de atenção.

 

 

"A Coisa Mais Importante"

Todos os dias desde 6 de fevereiro até 31 de Março de 2015

Centro Cultural de Belém, Praça do Império - Lisboa

Telefone: (+351) 21 361 24 00
Fax: (+351) 21 361 25 00
Correio electrónico: ccb@ccb.pt 

Todos os dias desde 6 de fevereiro até 31 de Março de 2015

 

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publicado às 10:09


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