Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O sentido da vida

por AL, em 24.01.15

Pelo meu cientista favorito...

 AL

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:19

45º templo: Pink Flyod em Pompeia

por jpt, em 24.01.15

pf p.jpg

 

Concerto encenado, nisso procurando-se mítico, e também o filme o ficou. De época, talvez, visto agora. Mas tem um desarranjo que é cativante. Aqui fica em fascículos ...

 

Vector-Live-At-Pompeii-Pink-Floyd-Background-WallP

 

PF po.jpg

 

 

pinkfloydpompei-0011.jpg

 

 

pompeii19.jpg

 

pompeii3_front.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:27

Celebrar Bordalo Pinheiro

por jpt, em 23.01.15

bordalo pinheiro.jpg

 

Hoje sexta-feira acontecem os 110 anos da morte do enorme Rafael Bordalo Pinheiro. No agradabilíssimo museu que lhe é dedicado (ali ao Campo Grande, na falda do glorioso estádio de Alvalade), casa diligentemente dirigida por João Alpuim Botelho, acontecerá sessão evocativa (e espero que invocativa) do gigante. Participarão os mestres António, Bandeira e Nuno Saraiva, dele descendentes, que são as pessoas que vou ouvir. Espero encontrar visitantes do ma-schamba.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:08

velho.JPG

 

Não tenho qualquer simpatia pela "causa homossexual" política portuguesa, repugna-me até. Pois, ainda que abrilhantada na aparência irreverente, foi serva dessa miserável era socialista, astutamente utilizada, colonizada até, pelo craxismo luso. Tal como antes o foi o dickensiano discurso da causa "interrupção voluntária da gravidez" e, depois, já aí vinha o reggae da despenalização haxixiana, colapsada face à forte crise financeira que a atirou para as calendas gregas. 

 

Dito isto: há alguns anos Manuela Ferreira Leite explicitou o que é e deveria ser óbvio. A família é para procriar, é uma instituição com essa finalidade. A esquerdalhada infecta, na colecção de cromos em que vive, apupou-a, chamou-lhe "velha" e coisas assim. Até, miséria de Estado que paga a tal gente, antropólogos funcionários públicos - que deveriam ter sido despedidos, liminarmente, por incompetência ao expressarem o dislate de discordarem com tal evidência, assim ferindo o cerne da sua actividade profissional.

 

Em assim sendo é óbvio que tendo a sociedade portuguesa, e os seus representantes políticos democraticamente eleitos, concordado e legislado em favor do casamento entre homossexuais estes têm, por inerência, todos os direitos a procriar. Biologica e/ou socialmente, adoptando ou "tecnologizando". Pois o casamento é para isso, regulando direitos e deveres sobre filiações, obrigações face a parentelas e distribuindo patrimónios transgeracionais.

 

Negar isso, como ontem continuou a fazer a Assembleia da República portuguesa, é a mais abjecta das indigências intelectuais. E uma vergonhosa cobardia política. Uma sem-vergonha que vem do PS de Sócrates - aplaudida por algum do "homoalegrismo" -, e que se reproduz. Ou se tem a coragem política de reverter a situação, inibindo este tipo de casamentos (para quê?, pergunto-me, que mal provocam ao mundo?). Ou assume-se o que é o casamento.

 

E nada disto tem a ver com os "direitos" das "pobres" crianças despojadas nos orfanatos, essa choraminguice dickensiana, falha de imaginação, que sempre brota. Tem só a ver com os direitos dos adultos. Quem pode casar (sendo solteiro/divorciado, sendo intelectualmente capaz, estando na posse do livre-arbítrio) pode adoptar ou procriar biologicamente. Repito: ou revertem a lei ou aceitam isto, não há meio termo. Ponto final parágrafo.

 

O resto, o lixo, isto que há, tem nomes: Sócrates, Passos Coelho, Portas. E quem os apoia, pois nisto não há "liberdade de consciência". Só mesmo hipocrisia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:39

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:13

Clint, "Atirador americano"

por jpt, em 23.01.15

AmericanSniper1.jpg

Estreado hoje o "Atirador americano" de Clint Eastwood. É majestoso. É o grande filme sobre a guerra desde que Kubrick se debruçara em "Full Metal Jacket", refutando-a. Há aquela coisa da fantasia realista, que sobre o assunto Spielberg mimetizara nos frenéticos e abissais primeiros minutos do "Soldado Ryan" - mas que destroçara logo de seguida no patrioteirismo de rebuçado do resto do filme. Mas agora Clint, o maior de todos nós, humanos, ultrapassa os discursos alheios. Sim, a realização de cume, de um realismo ríspido, cruel, coloca-nos no palco da guerra, como se seus agentes e não meras vítimas. Mas muito, muitíssimo, mais do que isso, e muito mais ainda do que os filmes de mensagem, ali está uma reconstrução cultural fantástica, um etnógrafo assombroso, o cinema antropológico levado ao inultrapassável, um filme sobre "maiorias indígenas" exagero eu. Diz o herói - e como podem os amantes da Ilíada e da Odisseia refutar os textos actuais sobre heróis, e sua ira até semi-divina? - que luta por "Deus, Pátria e Família"  E nós sabemos, até porque os diálogos logo ali o negam, que o seu "deus" quase inexiste e também que a família se lhe desvanece. Fica, apenas, mas um Apenas maiusculizado, a "pátria", essa que, afinal também canibal, o devasta na guerra, e tão mais aos seus circundantes, desde o irmão à última e esquiva, mas determinante, personagem do filme. É por isso que Clint é não só o Cineasta mas o grande intelectual deste virar de milénio, há décadas a afirmar a ambivalência, a rugosidade e, acima de tudo, as crostas e  pústulas dos valores que perseguimos e afirmamos. Sem que isso tudo implique que os abandonemos. E é essa (sua) adesão consciente à ambivalência que se chama coragem. E é isso que o cada vez mais ancião nos lega, em formato de partilha, constante, filme a filme. 

 

Quem me dera poder bradar "Clint rules". Mas cada vez mais me parece que não, que neste mundo facetado, tantos o tresvêem, impercebendo-o como o verdadeiro iconoclasta de XXI.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:22

Cinema colonial em Lisboa

por jpt, em 22.01.15

safrique.JPG

 

 

Ontem na Cinemateca (Lisboa) uma interessante sessão com quatro filmes intitulada "Colecção colonial da cinemateca". Incluiu o documentário "Um safari fotográfico nas coutadas da Safrique" (1972) e o ensaio "Streets of Early Sorrow" (1963), ambos de Manuel Faria de Almeida, nome crucial da história do cinema em Moçambique. E também Monangambée (1968) de Sarah Moldoror, e o documentário Le Portugal D'Outremer Dans Le Monde D'Aujourd'Hui (1971), de Jean Leduc. Um conjunto muito diversificado de abordagens, uma panóplia de textos e sub-textos riquíssima, entre a adaptação de Luandino Vieira ao propagandismo explícito de Leduc, uma diversidade inclusa nas obras rarissimamente apresentadas do realizador  Faria de Almeida, um percurso profissional exemplificativo dos contrangimentos sofridos pelos autores face aos poderes, em particular os autoritários.

 

Em suma, uma sessão louvável. E que espero prenunciar muitos mais mergulhos neste eixo de produção cinematográfica. O pior foi a seguir. Eu fui em grupo, tendo desafiado um conjunto de amigos, interessados nestas coisas. Outros encontrei lá. Tinha acorrido bastante público, tanto que a sala de projecção foi alterada para uma maior, que albergasse tanta gente. O que demonstra haver um público algo conhecedor da questão e bastante interessado.

 

Ora no final havia um espaço para apresentações orais, o que erradamente julgáramos "debate" (no sentido de momento conversacional). O director da Cinemateca muito bem apresentou os desejos da instituição em alargar esta linha de investigação sobre o acervo cinematográfico em tempo colonial, em articulação com os centros de investigação e as cinematecas dos países ex-colónias. E seguiram-se as intervenções de algumas investigadoras. Confesso o meu incómodo, até desabrido. Estava presente o realizador Faria de Almeida, seria natural que fosse locutor privilegiado - até em modo de homenagem, que tão raramente são os seus filmes visionados, mas não só. Qual quê! Tínhamos visto um conjunto interessantíssimo e variado de abordagens, seria normal que as discutíssemos, seus conteúdos e contextos. Mas, pelo contrário, encetou-se um processo de auto-apresentação, dos respectivos projectos académicos, como se ontem à noite fosse um colóquio, um seminário, um congresso, em suma um painel qualquer ... Não ouvi tudo, ali pelas nove horas da noite, quando uma das académicas iniciou, diante daquele público que cruzara Lisboa no fim da tarde, hora de ponta, para ir ver cinema do tempo colonial, ou seja gente interessada e sensibilizada para o assunto, a leitura de um texto sobre a "importância do arquivo" como se face a uma turma do 12º ano a necessitar de orientação profissional, a gente entreolhou-se e baldámo-nos na via de Campo de Ourique para jantar, em processo que outros incautos pós-espectadores também cometiam, cada um com seu destino.

 

Pode aparentar que estou a resmungar contra as dificuldades dos académicos, por muito competentes que o sejam, em falar fora do seu contexto profissional, em abordar o "público", com ele comunicar. Mas não é isso. Somos gerações, principalmente as ligadas às ciências sociais, profundamente marcadas pela denúncia do etnocentrismo. E um corpo cinematográfico como o visto ontem é matéria-prima magnífica para discutir o peso que esse etnocentrismo tem na configuração do mundo tal qual o vemos. Mas, e apesar do dissecar dos efeitos dessa componente intelectual não estar concluído (em minha opinião nunca o poderá estar, é obrigatoriamente estruturante, mas isso é outra discussão), é tempo de anunciarmos e reclamarmos um outro combate-crítica intelectual, e o legarmos às gerações seguintes: a luta contra o egocentrismo. Este "me, myself and I" amando o espelho, recorrente, transversal, constante. Que ontem foi pungente. A impelir-me esta antipatia, egótica sim, mas quanto muito egodestrutiva.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:11

Ainda a propósito dos últimos acontecimentos e após a confusão e falta de discernimento que se generalizou nas redes sociais, deixo-vos a  reflexão sobre o atentado à revista Charlie Hebdo por parte do filósofo, teórico crítico e cientista social Slavoj Zizek.

zizek-charlie-hebdo.jpg

Para quem não está familiarizado com este pensador, Slavoj Žižek é  pesquisador do Instituto de Sociologia, na Universidade de Liubliania, Eslovênia, e professor-visitante em diversas universidades americanas, Columbia, Princeton, New School for Social Research, New York University, University of Michigan.

O seu trabalho é considerado como vibrante, cheio de humor, deixando de lado diferenças entre formas altas e baixas de cultura e o seu carisma conferiu-lhe o estatuto de 'superstar' no mundo da teoria contemporânea. 

Slavoj Žižek tornou-se amplamente reconhecido como teórico contemporâneo a partir da publicação de 'O Sublime Objeto da Ideologia', seu primeiro livro escrito em inglês, em 1989. As suas reflexões não podem ser facilmente categorizadas e nelas encontramos um retorno ao sujeito cartesiano e à ideologia alemã, especialmente aos trabalhos de Hegel, Kant e Schelling.

Resta também salientar que Slavoj Žižek é ateu e a sua produção crítica não encaixa nas análises teóricas tradicionais. Ao ressalvar que para entender a política de hoje precisamos de uma noção diferente de ideologia, frequentemente costuma ser 'politicamente incorreto' e causar diversas polêmicas em vários círculos intelectuais.

 

VA

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:50
modificado por jpt a 23/1/15 às 02:00

Drogas

por jpt, em 20.01.15

foto_filipenunesvicente.jpg

 

 

Uma muito interessante entrevista sobre a matéria a Filipe Nunes Vicente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 10:41

A clique

por jpt, em 18.01.15

44.jpg

 

 

Há dias contavam-me, entre risos, que aquando do falecimento do irmão de José Sócrates o seu funeral tinha sido pago através de uma conta do ... motorista de referido ex-primeiro-ministro. Preocupei-me com a moral dos meus amigos (e familiares) mui socráticos. Como aguentariam eles, gente de bem, esta tralha toda? Continuariam eles pressurosos a defender o PEC4? Irados, sobretudo, contra as violações do segredo de justiça? Contra a campanha em curso contra o homem que tanto defenderam? Ou estariam algo acabrunhados, entristecidos, mesmo sem o demonstrarem fora-de-portas e endo-murais?

 

Agora vem uma ainda pior, referente àquela gente que os meus queridos sempre elogiaram ao longo destes anos. Não, não é política, não é directamente do "engenheiro". Dirão, os mais resistentes, que é coisa privada, nada política. Mas esta nova baixaria bem demonstra a fibra daquela gente: pois surge que aquele professor de Sócrates, que lhe leccionou as últimas quatro disciplinas feitas assim a correr (e consta que ao domingo), aquela bronca toda da "licenciatura" do homem, a bem mostrar quem ele é, está a processar o ex-braço direito Armando Vara, por motivos de lhe ter engravidado a mulher, só agora seis anos depois sabendo disso. Uma baixaria reles, a mostrar o ambiente da clique que dominou (e vai dominar) o país, uma cloaca de gente.

 

Que sentirão os meus entes queridos? Terão estômago para continuar a defender o actual "44", para suportarem tais gentes? Para enfileirarem, sem mais, nas sequelas disto tudo, o ex-número 2 Costa (Costa & Salgado e Cº lda)? Deve ser difícil, malfadado Inverno estão a ter.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:51

No feedly (25)

por jpt, em 18.01.15

new yorker.jpeg

 (Capa da edição da New Yorker desta semana)

 

 

 

- Mais do que tudo o resto, nos tempos actuais: "A liberdade e o medo", no Tempo Contado.

 

- "Com ele era a murro", no Abencerragem.

 

- "Je suis Vilhena", no Delito de Opinião.

 

- "Zizek: pensar o atentado ao Charlie Hebdo", no Blog da Boitempo (via Vera Azevedo).

 

- "Tintin contre professeur Choron", no Escrever é Triste.

 

- "Visitas à mesquita", no Estado Sentido.

 

- "Os patetas do costume", no Espumadamente.

 

- "Os laiques do feicebuque", no Escrever é Triste.

 

-  "A propósito da interdição da reprodução da figura de Maomé", no Blasfémias.

 

- "Do mimetismo", no A Barbearia do Senhor Luís.

 

- "Borgen", no Delito de Opinião (uma série obrigatória de ver).

 

- "Costa & Salgado (Manuel) de novo", no Estado Sentido.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:31

Sócrates, a prisão e o Benfica

por mvf, em 17.01.15

14044524_Uge7J.jpeg

 A comunicação social dá conta que José Sócrates mantém uma luta feroz com o regulamentado na cadeia de Évora, estabelecimento onde é mais conhecido por 44, coisa que não lhe será estranha pois apelido de familia é coisa que nunca utilizou numa simpática proximidade, num tu-cá-tu-lá, numa, ainda que limitada, intimidade com o cidadão que decerto ao venerável leitor destas diatribes não escapou.

O caso agora relatado é algo complexo, de alcance jurídico-político-social duvidoso para incautos como este Vosso criado. Ao que se vai sabendo o 44 entrou para a choça com umas botas de cano, ao que parece curto - um tipo de calçado a que outros que não os eruditos jornalistas chamariam prosaicamente botins - mas os responsáveis da cadeia não querem saber disso para nada e proíbem o elegante e sofisticado recluso de as calçar, estabelecendo uma diferença entre as boutiques da Rodeo Drive ( Los Angeles) e o cárcere eborense que entendem, algo exageradamente, não ser uma colónia de férias. Por outro lado e muito bem, os advogados do 44, presumo que a pedido do próprio, pretendem que o seu constituinte enfie os delicados pés onde muito bem lhe apetecer e sem restrições. Não é conhecida a argumentação para a modificação da medida inibidora de uma das mais amplas liberdades individuais, ou seja, calçar-se a gosto, a contento do 44, mas a capacidade extrema até agora patenteada pelos causídicos por ele contratados leva-nos a ter a maior confiança na forma como irão descalçar esta bota, ou melhor, este par de botas, sabendo-se já que apresentarão a breve trecho um recurso junto da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais que espera ter efeitos suspensivos sobre a utilização dos chanatos.

Não é nosso hábito brincar com assuntos delicados e sérios e estamos convictos que este é um combate digno de um homem que esteve tantos anos à frente do país com tão bons resultados como se tem provado  - esqueçamos por ora alguns deslizes menores como o aeroporto de Beja, já que no tocante ao processo do futuro aeroporto/ trapalhada da Ota é preferível passar um pano com Sonasol não vá alguém lembrar-se de pedir ao Costa de Lisboa neste ano em que pretende chegar aos comandos do governo da gasta Pátria, que explique a cerrada defesa da extravagante e cara solução numa posição que com a Câmara no regaço rapidamente abandonou..., as auto-estradas e estradas transformadas em scuts do interior do país que os automobilistas, teimosos como muitos e ingratos como poucos, insistem em não utilizar com a frequência esperada, alegando ser demasiado barato o pagamento por cada meia-dúzia dequilómetros desconfiando assim da qualidade da generosa oferta e preferindo utilizar as velhas estradas municipais que, apesar da falta de conservação, dão para os gastos, ou os mais de 150 milhões oferecidos a consultores sobre a viabilidade  do TGV  que ao não entrar nos carris evitou que mais 11 mil milhões de Euros fossem ao ar segundo o  insuspeitoTribunal de Contas... A talhe de foice, lembremos o que se gastou nos 10 - estádios - 10 (!) de futebol para o EURO 2004 do nosso contentamento e suas acessibilidades, responsabilidade directa do governo de António Guterres e do seu dilecto ministro que tutelava o desporto, o eminente Engenheiro José Sócrates. Essas contas, caladas, que puseram a corda ao pescoço de tantas autarquias deviam agora ser lembradas bem como o homem que segundo o 44 liderou todo o processo de candidatura à realização do evento, o Sr. Carlos Cruz, também ele preso. Na sua visão, como a de quase todos os presos e condenados de Portugal, uma injustiça, uma perseguição pessoal rotulada, também ela, como infame. Devia mesmo, e dando crédito a destacados membros da sociedade lusa (não confundir com a SLN, valendo o éne como negócios ou negociatas, do BPN), pensar-se em eliminar a Justiça ou, pelo menos, limitar-lhe a  daninha actuação quando agarra quem não devia, destabilizando interesses privados que são muitos deles públicos. Não chegando a esses extremos, a nossa proposta também aponta no sentido de deixar em paz e sossego os mais "poderosos" entrando com humildade por um postigo semiótico. Altere-se ligeiramente o que se entende geralmente como símbolo da Justiça, melhorando-lhe a imagem. Deste modo, voltar-se-ia atrás, aos tempos da Grécia pré-FMI/Tróica e a estatueta de Thémis (ou de Diké) destaparia os olhos para melhor ver as iniquidades que se vão praticando ou, numa versão mais rebuscada, trocar a conhecida venda (significante: tratar todos por igual, sem distinção, com imparcialidade) por um avental, uma espécie de manto diáfano à la Eça que se arranja em qualquer loja e que tapasse as vergonhas (entenda-se vergonhas como partes pudibundas).

images-1.jpeg

 A deriva já vai longa e não tem o estimado frequentador deste estaminé mais tempo a perder, roído que está de curiosidade e minado na sua infinita paciência. Aqui vai o que falta:

Aqui há uns dias o Sócrates recebeu uma visita de um seu correlegionário, desta feita não do Partido Socialista mas do Sport Lisboa & Benfica. Falamos do tão famoso como extraordinário "Barbas" que se tirou de trabalhos e foi visitar o 44. Para lhe alegrar a forçada estada levou como oferta um cachecol e um édredão da colectividade desportiva de que ambos são ferverosos adeptos. Acontece que o regulamento de uma cadeia pode ser diverso das congéneres mas, como se vê nas séries televisas policiais americanas, um cachecol pode tornar-se em perigoso adereço, servindo, por exemplo, para um gajo em desespero se enforcar, ser enforcado ou enforcar alguém. Assim sendo, talvez o 44 devesse agradecer o cuidado que com ele e com os seus companheiros de infortúnio vão tendo lá na choça eborense, magnífico exemplar do género que aqui há anos enquanto primeiro-ministro requalificou para melhor receber criminosos de outra estirpe, gente de outro gabarito, que não a do vulgar assaltante de beira de estrada, do pequeno traficante ou do típico carteirista da baixa lisboeta. Por vezes discutimos regulamentos sem conhecer os seus fundamentos. Como mero temos que a vetusta penitenciária de Lisboa (E.P.L.) não permite a entrega de uvas aos presos. Incrédulos perguntamo-nos a razão do que parece ridiculo mas afinal não mais é a pretensçao de evitar que o detento mais industrioso transforme o apreciado fruto em vinho, podendo com isso levar a estados de embriaguez mais adequados em discotecas e bares do que em casas de reclusão. Como este há outros exemplos regulamentados que sugerem haver alguma atenção à tensão que naturalmente existe numa cadeia, precavendo males maiores.

Com tudo isto não se pretende retirar qualquer mérito ao Papillon do Largo do Rato na sua luta incessante contra o estado da Justiça e no qual não terá reparado nos 6 anos de chefia do Governo. Perseguido agora como benfiquista que é, depois de o ter caçado como político como muitas vozes declaram e não como criminoso comum que a mesma Justiça entende ser. Qualquer dia ainda o perseguem como Testemunha de Jeová ou coisa assim...

Caramba! Perseguição política e também desportiva não está ao alcance de todos e inquieta o mais pacato contribuinte. Solidário que tento ser, entendo que todo o preso deve ter o direito a usar com orgulho e pundonor o cachecol do Benfica.

Força nas canetas Zé, nem que seja na esferógráfica vermelha com que mandaste à merda todo um jornal numa das tuas missivas. A luta continua!

 

Post-scriptum:

a foto que ilustra o postal mostra interesses comuns entre Vale e Azevedo e José Sócrates aquando do Euro 2004 e não me altera minimamente  a infundada certeza que se trata de inocentes. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:30

Rock-rendezvous.jpeg

 

Caminhava-se para meados dos 80s, o local mais rock era o "rock rendez-vous". Foi lá, nessa altura, que vi a noite 31 de Julho dos Xutos, véspera desse hino 1º de Agosto, "É amanhã dia um de Agosto / E tudo em mim, é um fogo posto /Sacola às costas, cantante na mão / Enterro os pés no calor do chão", noite épica anunciada que para gravar um disco "live" que nunca saiu. Também no "Rendez-vous" apareceram os concursos de rock nacional, bandas novas, saídas das garagens dos bairros, ali nas tardes de sábado à procura de um "lugar à noite". Andei por lá vendo as bandas dos Olivais, os Urb e o Radar Khadafi, a estreia dos histriónicos Ena Pá 2000 e também a dos grandes Mler Ife Dada, estes que foram o brilho daquele naco de geração.

 

Numa dessas tardes cheguei cedo à rua da Beneficiência, entrei bem antes das sessões, fiquei por lá na enorme (para o tempo) sala quase vazia. E naquele vazio ouvi pela primeira vez o então último disco dos Style Council, todo ele, ali deixado a tocar enquanto decorriam os preparativos do palco. A gente chegava já preparada para os espectáculos, qu'era a era dos psicotrópicos, nisso aumentando o impacto da música ouvida e do gozo durante. E aquela audição, inesperada, encheu-me - e como era então diferente o acesso à música, tão mais rara apesar de toda a rádio, e, acima de tudo, tão mais cara. Mais de trinta anos depois ainda lembro aquela mais-ou-menos hora, a duração do LP, dos Style Council no vazio RRV, um momento de felicidade mesmo, pelo tempo que então vivia, pela companhia que ali estava, se calhar também pela idade que corria. E, sem dúvida, pelo embalo da "banda sonora".

 

Este tempo todo depois ouço este pop agitado de então e ... fico de sorriso estampado. É um mimo. A ultrapassar, a desnecessitar, quaisquer outras ideias.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:31

BSS e Charlie Hebdo

por jpt, em 17.01.15

chnoel.jpg

  

Muitos continuam a perorar sobre a islamofobia da "CH", dizendo a revista monopolizada pelo anti-islamismo, uma xenofobia explícita. Boaventura Sousa Santos replica hoje a lenga-lenga: " o Charlie Hebdo não reconhecia limites para insultar os muçulmanos, mesmo que muitos dos cartoons fossem propaganda racista e alimentassem a onda islamofóbica e anti-imigrante". É certo que há quase uma década a revista era alvo de ataques e ameaças dos radicais políticos islâmicos e isso poderá ter provocado nos seus autores uma reacção altaneira, um crescendo de atenção/reacção provocatória - nenhum dos agora acusadores, esse amplexo cristo-multiculturalista (um verdadeiro "Compromisso Histórico"), fala disso, reduzindo tudo à tal imputação de xenofobia. Esta linha de análise não é uma mera desatenção sobre o contexto de produção de revista, é uma verdadeira desonestidade intelectual

 

Entretanto deixo algo de 2014, apropriado ao Natal, que a "CH" publicou. Para mostrar o quanto a produção satírica da revista era monopolizada pela sanha anti-islâmica, pela xenofobia radical anti-"outros", pela arrogância hipócrita dos "valores ocidentais".

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:17

gulliver.jpg

 

Li hoje, dia em que soube que a Penguin desistiu dos porcos e das salsichas nos seus livros, dois textos díspares sobre os atentados de Paris e as reacções acontecidas. Ecoado por amigos em Maputo um texto de Mehdi Hasan um jornalista britânico de origem muçulmana (convém ler, pois o autor teve contactos com os terroristas sabendo quais as efectivas causas que os levaram à acção). Eu acho o texto uma falsificação execrável (de "falsificacionismo histórico" ou, pelo menos, "amputacionismo histórico") mas deve ser por ser eu um "hipócrita liberal" nas palavras de Hasan - e deve ser por isso que me fico a questionar sobre a razão que leva esses meus amigos, que sei pessoas ajuizadas, a elogiar/partilhar isto.

 

Também hoje li um texto de Helena Matos de que muito gostei (também decerto porque sou um "liberal hipócrita"), e no qual me parece que a autora mergulha todo o antebraço na ferida.

 

A propósito disto tudo lembrei-me de um velho texto de Swift, originalmente publicado em 1708 (!). E até comprei o livro só para o citar aqui, sete euros e meio para escrever este postal ... Swift é conhecido (lido?) fundamentalmente pelas viagens de Gulliver. Mas não foi só isso que botou. Como religioso profissional escreveu também esta pérola "Um argumento contra a abolição do cristianismo", um texto corrosivo, na actualidade legível como uma pérola de ambivalência. Confesso que acho mais interesse a este texto com três séculos, de um pastor da igreja irlandesa, do que aos dos cientistas sociais hiper-relativistas e tardo-multiculturais para os quais a "origem do (mal) do mundo" habita a oeste dos Urais:

 

"Sou  muito  sensível à fraqueza e presunção que é investir contra o humor geral e a disposição do mundo. Lembro que foi com grande justiça e respeito à liberdade, tanto do público como da imprensa, que foram proibidos sob ameaça de várias penalizações, escrever, discursar ou apostar contra - mesmo antes de isso ser confirmado pelo Parlamento; pois era encarado como uma maquinação para contrariar a opinião corrente do povo, o que, para além de loucura, é uma manifesta violação da lei fundamental que faz dessa maioria de opiniões a voz de Deus. Da mesma forma e pelos mesmos motivos, talvez não seja seguro argumentar contra a abolição do Cristianismo num momento em que todos os partidos parecem tão unanimemente determinados nesse ponto (...), mas assim que essa ideia é infelizmente produzida não posso ser inteiramente dessa opinião. Mais ainda, [para além de] eu ter a certeza de que uma ordem seria emitida para a minha imediata acusação pelo Procurador-Geral devo ainda confessar que, na postura actual dos nossos assuntos, em csa ou no estrangeiro, eu ainda não ter visto a absoluta necessidade de extirpar a religião entre nós.

 

(...) livremente concordo que na aparência tudo está contra mim. O sistema do Evangelho, após o inevitável apraecimento de outros sistemas, é genericamente antiquado e explodiu. Assim a massa ou o corpo comum do povo, entre os quais parece ter expirado o seu último crédito, parece tão envergonhada dele quanto as suas elites (...).

 

Contudo, uma vez que os coveiros propõem tão maravilhosas vantagens para a nação com esse projecto e avançam muitas e plausíveis objecções contra o sistema do Cristianismo, considerarei brevemente a força de ambos (...).

 

Primeiro, uma grande vantagem proposta com a abolição do Cristianismo é que isso em muito ampliaria e estabeleceria a liberdade de consciência, esse grande baluarte da nossa nação e da religião protestante, e aminda muito limitada elo sacerdócio, apesar das boas intenções da legislatura como podemos dar conta recentemente por via de uma grave ocorrência. Pois foi decerto reportado que dois gentlemen nos quais muitas esperanças eram depositadas, de brilhante sagacidade e profundo discernimento que, após uma apurada análise das causas e efeitos, fazendo uso apenas das faculdades naturais e sem o menor traço de educação, terem feito a descoberta de que não há nenhum Deus e que, comunicandop então generosamente os seus pensamentos para bem do público, foram há algum tempo, com uma severidade sem paralelo e com base em não sei que obsoleta lei, condenados por blasfémia." (Jonhathan Swift, "Uma Proposta Modesta / Um Argumento Contra a Abolição do Cristianismo", Alfabeto, 2011, pp. 39-46)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:32


Bloguistas




AL:





Tags

Todos os Assuntos




eXTReMe Tracker

Twingly BlogRank