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Unicredit

 

Para além da nossa maluquice clubista, aquilo das paixões, isto da bola futebol é, e agora é-o acima de tudo, um negócio. A gente, até desaustinada, resmunga o que aconteceu nestes dois jogos e lembra-se do que aconteceu na liga do ano passado com a protecção aos patrocinados pela empresa Gazprom. E para o ano que vem, e nos vindouros também, lá estaremos, no estádio e diante dos ecrãs. A gritar "gatunos", "corruptos", aos árbitros, aos platinis, aos etc. Não vale a pena mesmo. A única coisa que poderia valer, ainda que talvez quixotesca, seria nunca consumir os produtos dos patrocinadores desta Liga Platini. Fazer os "donos da bola" pensar se este é o caminho mais ... lucrativo. É o que farei: deste conglomerado de "multinacionais" lembro-me de ter comprado batatas fritas Lays: nunca mais o farei. A Heineken terei bebido há anos, mas nunca mais pois é uma merda. E amanhã irei entregar o cartão de crédito do MasterCard ao banco. Quanto ao resto nem conheço nem conhecerei. Se já não somos adeptos mas apenas consumidores que nos comportemos como tal. Que é a única coisa que nos resta.

 

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Playstation

 

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Mastercard

 

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Lays

 

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Nissan

 

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Gazprom

 

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Heineken

 

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Adidas.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 01:48

Belém para Belém

por mvf, em 25.08.15

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Do Paulo Serra, um velho amigo de lápis aguçado, a propósito de cartazes para campanhas eleitorais.

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publicado às 15:40

Gastronomia moçambicana em Lisboa

por jpt, em 22.08.15

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Que Lisboa é na actualidade um ponto turístico global é óbvio. A cidade fervilha de turistas, de lisboetas e de locais aprazíveis para o festejo. E é Linda. É, já aqui o disse, maningue nice. Mas tem falhas, algumas clamorosas. Até agora a mais dolorosa que identifiquei é a, até surpreendente, ausência de um bom restaurante dedicado à gastronomia moçambicana. Sim, sei que há pelo menos 3 que disso se reclamam. Mas as vozes dos conhecedores são letais: não ascendem a nada mais do que matar as saudades dos mais irredutíveis. Alguns dos mais fatalistas tentam amansar os desesperados palatos com o argumento da falta de ingredientes disponíveis. Nada mais falso, os produtos estão presentes nos mercados mais acessíveis. E tudo se poderia congregar para abrir um verdadeiro restaurante moçambicano: público e publicidade, daquele boca-a-boca, não faltariam.

 

Esta minha reflexão, manifesto, é sustentada na empiria. Comprovei-a ontem, num evento acontecido numa residência particular ao bairro dos Olivais, ex-periferia da capital. Um académico moçambicano, elevadamente rompendo os estereótipos do "género", cozinhou isto: macouve, mboa, caril de camarão, feijoada (de feijão nhemba!!!) com galinha, acompanhados de xima (e arroz, este ausente da foto), com piripiri e achar à disposição. Estava tudo soberbo - demonstrando à exaustão a densidade etnográfica do intelectual autor; evidenciando as possibilidades da prática deste tipo de arte nesta cidade.

 

Se um Amador (palavra de grande respeitabilidade) consegue um êxito desta monta não percebo como é que não avançam os profissionais. O sucesso, repito, seria garantido.

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publicado às 17:15

No feedly (40)

por jpt, em 20.08.15

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O triunfo do populismo audiovisual, no sound vision.

 

Alexandre Pomar é um blog em que cada postal é recomendável. Exemplo? Esta memória de Gilberto Freyre em Lisboa, 1953.

 

Plágio nas universidades, no Muliquela.

 

Sobre "Solaris" de Tarkovski, um pequeno filme (5 minutos), através do O Homem Que Sabia Demasiado.

 

La malédiction de Raspar Capac, vol. 1, um texto sobre a história da produção de Hergé no BandasDesenhadas.

 

As canções no cinema (13), um bela homenagem à actriz Milu no Delito de Opinião.

 

Morre o livro às mãos do twitter, uma escatologia no Escrever é Triste.

 

Quando o PREC chegou às capas da colecção Vampiro, no Herdeiro de Aécio.

 

e

 

Out of the blue: Eurovision winners 1956-2014, uma deliciosa memória da piroseira (ou de história cultural, se se preferir) via Fim de Semana Alucinante.

 

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publicado às 17:34

No feedly (39): ler blogs hoje

por jpt, em 20.08.15

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Da escrita mortalizada, um belo texto no Apenas Mais Um sobre a leitura de blogs, agora que eles já são nada moda.

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publicado às 00:31

A bola e a política

por jpt, em 19.08.15

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O mundo da bola não é uma escola de virtudes, a gente sabe. Ainda assim quando leio o que o funcionário do sector da comunicação do Benfica, o jornalista João Gabriel, vai dizendo ao longo dos anos deixo-me pensar. Quando vejo as aleivosias que diz agora, em relação a um ex-funcionário do mesmo clube, deixo-me pensar ainda mais. Este homem foi, e foi assim que o conheci, durante uma década assessor da presidência da república, no tempo de Jorge Sampaio. E se nos deixarmos perceber, clubismos à parte, as tropelias que se presta a botar em nome do actual empregador poderemos perceber mais: o desapego às verdades, às liberdades, à mais elementar noção de decente vida democrática que os seus empregadores praticam, por isso o seu apreço empregador por quem a tudo isto se presta. Os actuais e, com toda a certeza, os passados. Daí por ele optarem. E isto a mostrar a concepção de política, algo que uma actividade comunicacional, dos socialistas. Os benfiquistas resmungarão com isto que digo. E é esse o problema da vida política portuguesa (a bola que se lixe), o miserável clubismo. Que acoita tudo isto.

 

Adenda: no grupo ma-schamba no Facebook um amigo recorda o historial deste actual comunicativo do Benfica e antigo assessor de Sampaio. Lembra-nos ter sido ele a entrevistar Xanana apriosionado pelos indonésios [1ª parte; 2ª parte], um acto verdadeiramente colaboracionista. E há quem o empregue, mostrando assim o que é.

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publicado às 01:41

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Fui mais vezes ao Porto neste 2015 do que no meu anterior meio século, isto apesar de filho de portuense. Coisa de por lá ter coadjuvado uma disciplina num mestrado. Foi maneira de voltar ao meu pai, claro. Mas também de aprender a cidade, de saber amar o Porto, uma tarefa que apenas iniciei que ainda me faltará algum caminho. Fui sempre muito bem recebido, "terra de boa gente" julgo ter ouvido dizer que assim lhe chamam.

 

Um desses dias colega cicerone levou-me à obrigatória Ribeira e depois fez-me escalar uma enorme escadaria, tortuosa, bela. E bem íngreme para este fumador. Ao cimo dessas "escadas do Barredo", usufruindo a vista perguntei se aquilo era costume, se levavam todos os visitantes e a mole turista por aquele morro acima. Que "não", disse-me, que também não subia aquilo há décadas. Ri-me num "fui praxado". E continuámos a calcorrear a cidade, ainda que eu assim passado a trôpego. Nisso encontrei loja de "souvenirs" para turistas, aquelas das camisolas do Cristiano Ronaldo e dos Galos de Barcelos. Entrei e, para riso espantado da minha companhia, perguntei se tinham t-shirts com o obrigatório dístico "Eu subi as escadas do Barredo". A vendedora, dona de sotaque e tudo, nunca ouvira falar, nem de tal t-shirt nem da própria escadaria. Sorri-me, nisso até anunciando uma veterania, vera minha condição de portuense, mulato portuense-transmontano a bem dizer ...

 

Passado algum tempo a cicerone manda-me esta t-shirt, de sua autoria (desenho e estampagem). Um exemplar único que aqui mostro todo ufano. A sonhá-la o meu contributo, bem menor, para a cidade. E também minha reclamação da condição portuense.

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publicado às 17:39

O Pátio das Cantigas

por jpt, em 18.08.15

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Fui ver, em app pai de família, apesar das críticas negativas (sempre liguei pouco às críticas de cinema). Agora, depois, nem concordo com muito do que li, há condimentos do filme que me agradam: um feixe de actrizes portuguesas muito bem torneadas e agradáveis à vista, um actor reencarnando Ribeirinho em versão DJ internacional que vai bem - contrariamente a todos os outros, em particular os mais consagrados Cavaco e Guilherme, quase tétricos (o que me desiludiu mas não me surpreende assim tanto, desde José Pedro Gomes e António Feio que não vejo um único actor de humor em Portugal). Também gostei da cor do filme. E do final, a lembrar-me o The Second Best Exotic Marigold Hotel, em versão teatro amador. 

 

O filme é fraquinho, a fazer-me lembrar algumas das comédias fílmicas daquelas décadas de 40 e 50, as "gloriosas" costuma-se dizer quando se esquecem as mais esquecíveis de então. Tem acima de tudo um defeito: o argumento é muito frágil. Desconexo. Se calhar preguiçoso ou apenas destalentoso. E incapaz de esconder que o humor é muito difícil. E que, para o ser, tem que parecer fácil.

 

Vale a pena ir ver? Vi-o no cinema Alvalade (City, chamam-lhe agora, sei lá porquê). O declive da sala é bom. E tem um menu: por 9 euros refeição, bebida e bilhete (eu não comi mas reparei). Why not? Vale bem mais do que um prato de caracóis.

 

É certo que a gente também pode comer qualquer coisa em casa:

 

 

[Esta semana começa um ciclo de Jacques Tati no Nimas: imperdível].

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publicado às 09:33

Relativamente às próximas eleições, legislativas e presidenciais, em Portugal pertenço ao grupo que os sondageiros apelidam de "indecisos". Ou seja, sei em quem não votarei mas não sei se e/ou em quem votarei. E devido a um complexo contexto não estou muito concentrado no assunto, três eixos que me apartam ainda mais da política, uma mescla de razões pessoais, profissionais e da minha inscrição na sociedade civil. Neste último âmbito recordo que começou agora o campeonato e amanhã o Sporting joga o apuramento para a Liga dos Campeões, talvez o jogo mais importante do ano. Mas como no postal anterior aqui no blog o MVF referiu, criticamente, a possível candidatura da ex-ministra socialista e ex-presidente do PS, Maria de Belém Roseira, não me posso abstrair totalmente da questão. Pensei. E apenas me ocorre dizer isto:

 

 

 

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publicado às 02:02

Maria de Belém a Belém já!

por mvf, em 17.08.15

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Maria de Belém candidata-se a presidente (ou como diriam Pilar de Saramago e Dilma, a presidenta de todos os Portugueses e esas). Nome já tem a condizer com a residência oficial e só lamentamos não conhecer o putativo 1º Damo. A oposição socialista com Costa entalado com o ciclista Sampaio da Nóvoa, diz que a candidatura  de Maria é inconstitucional porque não tem a altura mínima para tão alto cargo. 

Uma gaitada meus senhores, uma gaitada.

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publicado às 21:20

X

por jpt, em 15.08.15

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Hoje mesmo, sábado, cruzarei o Tejo na via do sul, buscando este "O Sol da Caparica", festival musical. Coisas de ser pai, em função de acompanhamento (escolta, se se quiser), a aproveitar, sôfrego, estes últimos tempos enquanto a mariposa não voa para o definitivamente longínquo. Tremo, um pouco, com o que acontecerá, com o que me acontecerá, pois o último festival de Verão a que fui foi a Festa de Avante, ali pelos 1982-3, talvez mas só talvez um ou outro ano depois, aqueles tempos em que aquilo conjugava gerações, a gente aterrava ali a beber durante três dias (e a fumar que se fartava, vá lá, que também era verdade), a "camaradar" toda a gente e os mais velhos dali, os camaradas mesmo, aqueles voluntários dos pavilhões regionais a rirem-se dos nossos "camarada" e nisso a serem camaradas, no servirem ajudarem às cervejas e comes, para nos manterem em pé, e mesmo assim nós por vezes a desconseguirmos ... Nisso a gente, em tempos tão diversos, via pavilhões do mundo inteiro (o comunista, claro) e do resto do país, nestes com os petiscos locais, jogava-se xadrez com os macro-grandes mestres soviéticos e ouviam-se inúmeros músicos de todos os lados, desde os desconhecidos, e alguns que músicos!!!, e os Dexys Midnight Runners (que concertão), aquele Chico Buarque (no apogeu!!, ainda que trémulo por questões lá dele, biográficas), o Manu Dibango (Manu Dibango em Lisboa naquele tempo?), o rock celta então em voga, proto-etnomusic, o Ivan Lins provavelmente no melhor concerto da sua carreira (com a belíssima mulher de então, uma loura Lucinha a alumiar Lisboa), Jorge Pardo, o fantástico "corno" de Paco de Lucia, num pavilhão menor numa actuação inesquecível da qual nada recordo, Makeba sem eu saber quem era Makeba, o gigante Luis Gonzaga diante de uma audiência que não o sabia ouvir, Charlie Haden a enfrentar um público estupefacto e também Max Roach, e tantos outros, ali todos os anos polvilhados pelo discurso quase final do camarada secretário-geral, o grande Cunhal. Foi mesmo isso que me acabou ali, no cruzar a chegada aos 20, a azia, enorme, de ver que nenhum Godinho ou Vitorino, sempre cagões - e ainda hoje - com a puta da liberdade na boca, como se dela fossem arautos, dedicava alguma canção, pequena que fosse, àquele Sakharov então sob custódia, e das duras, que o Ary dos Santos, poeta histriónico gritador de poemas diante de milhares, nunca lembrava os homossexuais perseguidos (e bem fodidos) nos países lá deles. Um dia, sei lá quando, mas depois dos The Clash no Dramático de Cascais, irritei-me mesmo com a merda do público a cantar o hino nacional (sim, o bacoco "às armas") de punho direito erguido e, foda-se, nunca mais lá fui. Os gajos, mesmo aquela turba simpática, o povo d'aquém e além-Tejo, eram, e mesmo sem o saberem, pobre gente alienada (como dissera o tal Marx), o inimigo. Vil. Segui para outros concertos, mas nunca festivais.

 

Volto agora à turba, decerto que para um canto do olho (e quão apaixonado!) na filha, outro no palco. E vou triste, pois sigo, reparo hoje, desarvorado, nem uma t-shirt dos Xutos tenho, e é dia deles. Irei assim quase nu. E comportando-me, que sei ser vedada à paternidade os excessos naturais diante do obrigatório, do obrigatório apenas para mim, os "meus", talvez coisa de geração. Irei pois como se pai mas já hoje preparo os antebraços para o mítico, cultual, "X", que se o punho nunca ergui aos antebraços ainda o farei, cultuando esses que ouvi quando tocavam com uns tais de "minas e armadilhas", que terei feito no mítico 31 de Julho no Rock Rendez-Vous, a gravação de um "live" que nunca existiu, há mais de 30 anos, isso porque véspera do "1 de Agosto", dia de "sacola às costas, cantante na mão", e que fiz, ali quase-só, que só o grande Hernâni me acompanhava naquele mar de gente espantada, em Maputo em 1999 e nunca mais, pois que nunca mais os vi. Vou, cultuar, agora pai mas amanhã filho, homem, para gritar "Contra tudo lutas. Contra tudo falhas. Todas as tuas explosões. Redundam em silêncio", o verso da música portuguesa .... E quem o segue, ao verso, ao resto, ao destino, é "quem já nada teme".

 

Porque, afinal, a tal liberdade é isto, se calhar só isto, o amarfanhado jogo dos riffs. E da desesperança, mesmo que mitigada .., isso do "a vida é sempre a perder" mesmo sabendo que nenhum de nós é "um caso isolado", nem o "único a olhar o céu", porque "quando as nuvens partirem ... vais(vamos) ver o sol brilhará" ...

 

XXXX

 

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publicado às 03:30

Na morte de Adelino Serras Pires

por jpt, em 12.08.15

(Ausente e sem acesso a computador a Ana Leão pede-me para colocar este seu postal, em modo de homenagem)

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1- Stu Rosa, Comandante da Apollo 14; 2 e 3-Adelino Serras Pires; 4-Dottie Duke, Carnaval, 5-pisteiro, 6-Charlie Duke, Comandante da Apollo 16. [fotografias encontradas aqui]

 

Morreu-me hoje um grande amigo. Homem grande de coragem e integridade feito. Envolto em polémicas e controvérsias assim as confrontou - sem medo e seguro das escolhas que fez, mesmo em desagrado da maioria. Morreu hoje um cacador apaixonado, para quem a ética da caça era ainda um valor a respeitar. Conhecia o mato como ninguém e com ele aprendi que aparentes opostos de podem casar num homem com rectidão.

 


Morreu-me hoje um amigo com quem nem sempre concordei, mas que sempre admirei e respeitei. Morreu-me. Deixou-me as memórias dos momentos comuns e a lembrança da amizade que nos uniu. Morreu-me hoje um amigo. Morreu o Adelino Serras Pires.

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publicado às 02:38

Adelino Serras Pires

por jpt, em 11.08.15

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[Adelino Serras Pires & Fiona Claire Capstick, The Winds of Havoc, St. Martin's Press, 2001]

 

Acabo de tomar conhecimento do falecimento de Adelino Serras Pires, homem muito conhecido da sociedade moçambicana do tempo colonial, em particular no centro do país, e também nos tempos posteriores. Tive o prazer de o conhecer, brevemente, há cerca de uma década numa sua visita a Maputo. Apresentaram-mo numa esplanada da cidade e eu fui a correr a casa em busca do meu exemplar destas suas memórias, um belíssimo testemunho de época. Gentilíssimo logo acompanhou o autógrafo com alguma ironia, numa frase denotando um "talvez discordemos em muito" quanto às nossas visões sobre África em geral e Moçambique em particular, mas algo que em nada se opôs a uma agradabilíssima conversa que ali tivemos. Homem carismático também, bastou o breve contacto para o perceber. Crescido no Guro, feito homem na Beira, figura do turismo e dinamizador da caça naquela era colonial, partiu do país e veio a sedear-se na África do Sul, continuando sempre interessado em Moçambique. As versões sobre a sua ligação à guerra civil são díspares e não serei eu, com o reduzido conhecimento que dele e delas tive, que irei elaborar sobre o assunto. Sei que durante ela esteve preso, julgo que com um filho (li o livro há já mais de uma década e escrevo agora de rompante e de memória), capturado na Tanzânia. Segundo ele durante actividades ligadas ao turismo, segundo outros devido às suas ligações à Renamo. Do que li e do que apreendi quando o contactei fica-me a memória de um homem "maior do que a vida". E uma testemunha ímpar de uma era no país, e do ambiente cultural que nele vigorava. Deixo abaixo a transcrição de um postal que aqui coloquei há muitos anos sobre o seu livro. É a minha vénia:

 

 

São as memórias de Serras Pires (que têm edição portuguesa, presumo que na Europa-América), homem do mundo, de relativas posses, uma personagem bem conhecida, com a característica de serem muitíssimo legíveis (a co-autora, Fiona Capstick é uma profissional da escrita). Colono filho de colono, Serras Pires teve (e ainda tem) uma vida cheia, figura carismática. [Para os adeptos da caça este é um livro incontornável]. Muito interessante a forma como aqui se explicita, sistemática e conscientemente, a visão benéfica da África colonial, e de como no livro se subentende, e entende, as particulares modalidades de relacionamento (por um lado sistémico, por outro lado pessoalizado) de relacionamento com os africanos "originários", como agora se diz. Mas traz também as flutuações de relacionamento intra-mundo colonial - são recorrentes e profundas as críticas à governação colonial, aos mandarins metropolitanos, ao BNU (a finança todo-poderosa) e, excelente, "aos a sul do Save" (questão que largas décadas depois, e com tão diferentes actores, ainda se coloca). Um episódio marcou-me na leitura do livro - o pai Serras Pires, velho colono inaugural na região do Guro adoece, já idoso, ao fim de trinta anos na região. Tem que ser evacuado de urgência mas não sobreviverá à viagem de carro até à Beira. É então necessário evacuá-lo de avião mas não há pista de aterragem no Guro. Será construída durante uma noite, por mobilização popular. Cabe a história no modelo? Explica o colonialismo? Se sim, cristalizamo-la e embandeiramo-la? Se não, censuramo-la?

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publicado às 20:55

Imaginário colonial

por jpt, em 09.08.15

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Andando ali pela nova Lisboa, a da Parque-Expo, deparo-me com este naco de calçada portuguesa, inclusa numa pequena instalação perene da artista Ângela Ferreira. Sorrio ao reconhecimento. Não da palavra mas sim do imaginário. Alguns o dirão pós-colonial mas nem tanto eu. Sê-lo-ia, concedo, um jogo de cores a dizer o mais cosmopolita transversal Asante ou o mais falado Kotchapela*. Não lhe vejo, a este Kanimambo ali colocado, mal algum, apenas ternura laurentina ali deixada. Apenas sorrio, já disse, lembrando os discursos que empacotam as abordagens.

 

* Concedo: a grafia deste "obrigado", a sua pronúncia e até o exacto termo muito variam ao longo do eixo macuafono, tornando mais difícil a apropriação simpática pelos não falantes. Ainda assim  ....

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publicado às 16:18

Em português nos entendemos?

por jpt, em 09.08.15

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No mês passado a minha adolescente filha foi a um festival musical lisboeta, o NOS Alive, um evento caríssimo ao qual acorreu uma multidão - fui buscá-la no final, vi a mole humana a dispersar. Ela gostou muito. Eu só vi bilhete e respectivo material adjacente, que aqui reproduzo.

 

Lisboa 2015, uns protestam com o AO90 outros não, uns com uns cartazes políticos outros não, uns com o Jesus ou o Lopetegui outros não, uns com o euro outros não. Entretanto as empresas trabalham, vendem e publicitam em espanhol (antes dito castelhano). E a gente nem repara nem resmunga. "À gargalhada no comboio descendente"?

 

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publicado às 16:07


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