Começa hoje o 7º ciclo de cinema europeu, a decorrer no Centro Cultural Franco-Moçambicano e no Auditório Municipal da Matola. A selecção promete.
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“cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio” (R. Nassar)
6 Maio 2008 5:03 — por jpt em Cinema, Maputo
Começa hoje o 7º ciclo de cinema europeu, a decorrer no Centro Cultural Franco-Moçambicano e no Auditório Municipal da Matola. A selecção promete.
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5 Maio 2008 4:23 — por jpt em Alexandre Lobato, História Moçambique, Ilha de Moçambique

[”Ilha de Moçambique com a representação da fortaleza de São Sebastião”, António Bocarro, Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações da Índia, Goa, 1635. Ilustrações de Pedro Barreto de Resende]
“Dehérain publicou há cinquenta anos, num livro cheio de interesse - Études sur l’Afrique -, quinze páginas sobre a malograda expedição holandesa enviada em 1662 à conquista de [Ilha de ] Moçambique. Compreeendia sete navios, com 1227 homens, o que dá suficiente ideia da grande importância que lhe deu em Amsterdão o Conselho [da Companhia das Índias]. No Brasil corriam mal para os Holandeses os feitos da guerra, mercê da tenacidade com que os colonos os combatiam, mas na Índia tudo lhes corria bem. Colombo e Calecut foram tomadas em 1656, Jafanapatão em 1658 e Negapatão em 1660. Cochim, fundação do Estado da Índia, seria por nós perdida em 1663. Os Holandeses tinham decidido expulsar os portugueses do Índico, e resolveram conquistar Moçambique, porto fundamental do comércio com a África e da dominação naquele oceano. (…)
A Companhia [das Índias] armou especialmente cinco navios, destacou mais dois da linha de Java e juntou-lhes um iate que deveria ficar depois no Cabo. Um dos navios chegou porém tarde ao Cabo e não alinhou à partida. O comando foi confiado a Huybert de Lairesse e tudo se preparou no maior segredo, a fim de nada chegar ao conhecimento da espionagem portuguesa. A Fortaleza de Moçambique deveria ser tomada de surpresa; não sendo possível, recorrer-se-ia ao assalto; o último meio a adoptar seria o cerco. (…)
A viagem da Holanda ao Cabo foi trabalhosa, com algumas baixas - perto de 90 mortos. Para recompor as guarnições, Lairesse demorou-se no Cabo até 26 de Setembro de 1662, época do ano já avançada para o resto da viagem, que de regra não deve exceder Agosto. Naquele dia deixaram o Cabo, a caminho de Moçambique, 5 navios de linha e 2 ligeiros, com 1227 homens, em que 646 eram soldados.
A notícia do malogro da expedição chegou ao Cabo em Janeiro de 1663, por um dos navios da frota. Esta tinha gasto mais de um mês para atingir o cabo das Correntes. Outro mês foi gasto para atingir a baía Verhagens, que Dehérain julga ser (…) a actual baía de Mafamede (Mofomeno) [entre o cabo de S. Sebastião e Sofala].
Não faltaram temporais e ventos contrários; os mantimentos começaram a escassear; apareceram as doenças. Lairesse resolveu retroceder para sul do cabo das Correntes para repousar as tripulações e andou para trás em 24 horas o caminho que para diante lhe consumira cinco semanas. Ancoraram num ponto da costa a que chamaram Baracatta, e não está identificado, e aí estiveram os navios mais de um mês, ameaçados de caírem sobre a costa. Tinham morrido 114 homens e 218 estavam doentes. Lairesse decidiu desistir.
Dehérain estranha, com justa razão, que Lairesse se tivesse metido tão aventurosamente ao Índico sem respeitar o regime das monções. E foram inegàvelmente os ventos que salvaram Moçambique. A praça dificilmente poderia resistir, e, tomada, seria quase impossível reavê-la, porque o tratado de paz luso-holandês de 6 de Agosto de 1661 entraria em vigor com o status quo da data da ratificação, e possessões portuguesas que tivessem sido conquistadas pela Holanda permaneceriam em seu poder. Por isso a Companhia tanto recomendara a Lairesse que andasse ligeiro.” (meu sublinhado, jpt)

[Alexandre Lobato, Quatro Estudos e Uma Evocação Para a História de Lourenço Marques, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1961, pp. 25-28]

[Gravura reproduzida de Rafael Moreira (coord.), A Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1994]
5 Maio 2008 1:15 — por jpt em Lusofonia

Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa, um abaixo-assinado encabeçado por figuras da elite intelectual portuguesa que recusa o Acordo Ortográfico.
1. Assinei. Ainda que leigo concordo com o “politiquês” inapropriado do Acordo (e é sempre aconselhável regressar a este texto de Rui Ramos: preto no branco aí está explícito como este Acordo esconde, sob a capa “multicultural”, um espírito imperial). Em meu entender este regresso ao Acordo é o que resta da ideologia “lusófona” socialista, mera ignorância aparelhística - e que hoje, surpreendentemente, revive em alguns belos espíritos (até bloguistas) que confundem vero afecto, paixão mesmo, com homografia.
2. Assinei. Não concordo com o texto (muito provavelmente de - ou também de - Vasco de Graça Moura, primeiro signatário). É lusocentrado, é excessivamente opinativo, dispara em vários sentidos e em muitos deles incorrectamente. É ideologicamente escatológico. Entenda-se, oscila entre a “iluminação” e a irritação. Ou seja, é reaccionário.
Ponto 1: “O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável …”. Certo é que se fala de Portugal. Ora, nunca aí tantos frequentaram a escola, e tanto. Nunca tantos não ficaram analfabetos. O gemido fascista (em especial o dos velhos oposicionistas, e tantos agora assinando) de que no tempo do “Liceu Camões do professor Rómulo Carvalho é que era” fede! Entenda-se, nunca o uso oral e escrito da língua portuguesa foi tão elevado (no sentido académico).
Ponto 2: “a desagregação do sistema de educação” é uma falácia. Nada pode ser pior do que o sistema de educação pós-Abril de 74, que conheci em sangue vivo. Apenas, refiro, a tralha elitista e memorialista que antecedeu Abril de 74.
Finalmente, um ponto muito positivo: ponto 4 - “Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor [eu diria apenas PALOP (”A” de afro-americano-asiáticos)] e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa. (e não haverá já “empréstimos” leste-europeus”, processos no português de Portugal?) A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).” Ora aí está - como se pode ser verdadeira e racionalmente multigrafista. Uma lição que a “intelectualidade” lusófona, do irracionalismo multicultural nunca atingiu. Nem pode, presa que está às suas amarras políticas.
4 Maio 2008 2:32 — por jpt em Africa Austral, Banda Desenhada
4 Maio 2008 12:00 — por jpt em Antropologia, Hugh Tracey, Música Moçambique

Os interessados encontrarão o disco aqui, mais um dos trabalhos de Hugh Tracey [obra consultável na International Library of African Music]. Este disco - enquanto objecto muito prejudicado por uma inenarrável introdução histórica a Moçambique, pejada de grosseiras incorrecções, coisa óbvia de anglófono marxista dos 1960s, preconceituoso e ignorante - é um magestoso documento: 25 gravações, obtidas durante duas décadas em gravações em Moçambique ou na África do Sul. Oriundas de oito grupos linguísticos (Chopi, Ndau, Ronga, Hlanganu, Gitonga, Tswa, Hlengwe, Nyungwe) e de duas abordagens musicais (heptatónica Nyungwe Shona, a hexatónica de todos os outros). Peças únicas dos maestros lendários das décadas em causa da dança de timbila; de dança mandowa, da dança masesa, da dança ndzumba, da dança makarito, do cancioneiro kwaya, ecos da expansão da mbira, etc.
Um documento estimável. E inestimável. E de fruição … (dedicado ao aficionado 25 cms de Neve).
1 Maio 2008 10:19 — por jpt em Antropologia, Jill Dias
Raul Iturra, meu antigo professor e figura incontornável no processo de desenvolvimento da Antropologia em Portugal, aqui deixou na caixa de comentários o seu penhorado testemunho sobre Jill Dias. Está assim:
I dare say to have been a personal friend of Rosemary and husband Alberto, or Jill Dias as every one says. Professor Jill Dias not only knew how to teach aswell as how to write, but knew very well to be a discrete friend, a good colleague with a beutiful mind, as clear as all the books she wrotte for us, a large masterpiece which will keep Prof. Jill Dias alive. She is now alonside her Mother and her Husband, with sparkling blue eyes, taking care of us. Both Jill and Alberto helped me to organize our Department of Anthropology at ISCTE. We have not lost a friend, we have won an angel on earth flying into Eternity. An Eternity which is already in our libraries and in the mind of hundreds of Anthropologists in Portugal and in the UK.
I have already said that we have not lost a friend, we have won a dear friend who is going to be with us for all eternity on her clever books, her clear explanations to the minds of several new Anthropologists in Portugal and the UK. She has already entered Eternity through her discretion, always smiling face and her devotion to our science. As former President of the Portuguese Association of Anthropologists - APA - which she supported very much and as founder of the Department of Social Anthropology at ISCTE, I feel to need to say that there have not been Department at ISCTE, had it not her foundation be supported by the former Under Secretary of Education in 1983, Prof. Alberto Romão Dias and her wife Rosemary (Jill) Dias. An innate worker, she lives now in the inmensity of her research, materialized in very many books as in our minds and souls. A Viva Jill Dias is convenient to express over here.
Prof. Dr. Raúl Iturra
Cambridge Uniceristy’s Senate Member-UK, CEAS Member,ISCTE-Lisbon CNRS Member-Paris, Aministy International Activist
1 Maio 2008 9:57 — por jpt em Lusofonia
Vasco Graça Moura: “Babel e Outras Confusões” explicita o que toscamente tentei argumentar no Leigas Considerações Sobre o Acordo Ortográfico.
Ontem, jantar em casa-própria, algumas das convidadas, sábias, completamente de acordo com Fernando Cristovão: a grafia é mera convenção, posterior à fala, não a influenciando. O bacalhau com couves estava aprazível, não me alonguei na discordância. Esta entre gente da linguística e da literatura vs um mero antropólogo. No assunto têm mais técnica do que eu. Mas dá-me a sensação que não entendem bem o que é a prática (praxis, no calão académico, sempre dado a estrangeirismos), que não entendem bem o que é um processo social, fiando-se no apartar das coisas. Fica, depois dos soberbos doces, esta alfinetada. Ferroada …
1 Maio 2008 9:35 — por jpt em Ilha de Moçambique, Literatura Moçambique, Mia Couto

Ilha de Moçambique
Não é a pedra.
O que me fascina
é o que a pedra diz.
A voz cristalizada,
o segredo da rocha rumo ao pó.
E escutar a multidão
de empedernidos seres
que a meu pé se vão afeiçoando.
A pedra grávida
a pedra solteira,
a que canta, na solidão,
o destino de ser ilha.
O poeta quer escrever
a voz na pedra.
Mas a vida de suas mãos migra
e levanta voo na palavra.
Uns dizem: na pedra nasceu uma figueira.
Eu digo: na figueira nasceu uma pedra.
(Mia Couto, idades, cidades, divindades, Maputo, Ndjira, 2008)
1 Maio 2008 9:24 — por jpt em Antropologia, Jill Dias

Na notícia da morte de Jill Dias (1944 - 2008) - antropóloga catedrática da Universidade Nova de Lisboa, investigadora do Instituto de Investigação Científica e Tropical, nome crucial nos estudos portugueses sobre África durante as últimas décadas - deixo-me a folhear, relendo-lhe trechos, este sumptuoso e até encantatório (mas um encantamento feito na sapiência) “África. Nas Vésperas do Mundo Moderno” (Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1992). Um seu texto para uma exposição produzida por outro grande nome, Benjamim Enes Pereira. Com eles colaborando outro grande nome, Rui Pereira. Afinal há já muito tempo.
30 Abril 2008 2:44 — por jpt em Literatura Moçambique
Esplanada de fim de tarde em lenta conversa até cíclica. Face a interlocutores literatos, e até comigo algo concordantes, vou remoendo a minha surpresa, relativa é certo, da continuidade da edição, por via das editoras oficiais e dos prémios institucionais - até “obrigados” por tradição universal à produção de um tal de “cânone” literário cujo defeito será(ia) exactamente esse tom oficial-institucional -, de alguma prosa literária muito fraca. Fraca de monotonia temática, de pobreza formal mas acima de tudo fraca por grosseiro psicologismo.
As razões para tal, sempre me avançam, são os mecanismos de edição e premiação - fragilidades dos juris de selecção. E o sempre anunciado, ainda que (quase)nunca provado, amiguismo. Mas de tão repetidos esses argumentos nada me dizem - explicarão o aqui e ali, mas não a continuidade da produção. Fala-se também da falta de leitura de alguns publicados escritores, talvez escritores não leitores. Aí já vou alinhando, mas não me chega.
É em casa - e não na esplanada … -, entre as coisas das minhas aulas que me ilumino sobre o porquê do eco da falha literatura que vai vingando. E da porrada levada (e o silêncio, haverá lá pior porrada a um escritor do que esse silêncio?) por alguns jovens que, mesmo que algo toscamente, tentaram aqui meter a carne e a mente na literatura. Entenda-se, os homens escorregadios e incoerentes. Uma iluminação perigosa, lâmpada a ferir os olhos, com riscos de “evolucionismo”, sei-o. Mas muito apetecível de compreensível … se não ficaramos por aí para entender. E esperando que os “oficiais” olhem para algo mais “moderno” - já nem digo “contemporâneo”.

“Mais sans doute l’établissement provisoire d’une psychologie um peu sommaire, à grandes lignes très arrêtées, était-il nécessaire d’abord pour permettre à un art classique de se construire. Il y fallait des amoureux qui soient bien amoureux, des avares qui soient bien avares, des jaloux qui soient bien jaloux, et des hommes qui se gardent d’être un peu tout cela à la fois. Montaigne n’a jamais été plus perspicace qu’en dènonçant sous cette fausse exigence esthétique, l’entorse qu’elle donnait à la verité: “Je laisse aux artistes, et ne sçay s’ils en viennent à bout en chose si meslée, si menue et fortuite, de renger en bandes cette infinite diversité de visages, et arrester nostre inconstance et la mettre par ordre. Non seulement, je trouve mal-aysé d’attacher nos actions les unes aux autres; mais, chacune à part soy, je trouve mal-aysé de la designer proprement par quelque qualité principalle, tant elles sont doubles et bigarrées à divers lustres“.
[André Gide, “Préface“, (1962) em Montaigne, “Essais I“, Paris, Gallimard, 2005, p. 14]
30 Abril 2008 12:40 — por jpt em Bloguismo Moçambique, Correntes
Com simpatia Ivone Soares, no Meu Ser Original desafia o ma-blog para se integrar na corrente “não me importo …”. Não sendo o ma-blog um blog não posso lá responder ao amável desafio. E, se o assumir como para mim enviado, já o respondi.
Tem voz o ma-blog? Ou é apenas eco? Decido que a tem. Hoje inclui 141 blogs sobre Moçambique a alimentá-lo (nem todos indexados na sua coluna da direita, pois isso não está actualizado). Está o mais exaustivo que tenho conseguido. Inclui blogs que tenham sido actualizados desde Setembro de 2007 (com uma única excepção, terminada há alguns anos), ainda que vários estejam aparentemente encerrados.
A listagem inclui objectos muito diversos, como é natural. Exemplifico (as referências seguintes são ilustrativas, não hierarquizadoras) para ilustrar a pluralização do bloguismo “moçambicano”. Mais, para os interessados a sua consulta poderá conduzir a outros blogs das mesmas áreas (ou outras) apesar da parcimónia que os bloguistas moçambicanos têm em ligar (”linkar”) outros blogs - quando têm listas de ligações costumam fazê-las a um pequeno grupo já instituído, uma espécie de “links de prestígio”.
- temáticos profissionais: A Empresa e o Direito, CEO - Economista, Fenómeno Turismo;
- monográficos: Companhia de Moçambique, Fauna Bravia, Caça e Caçadores de Moçambique, Voando em Moçambique;
- divulgação de expressões artísticas: À Sombra dos Palmares, Mãos de Moçambique, Mbila - Música de Moçambique;
- educação: Centro de Ensino à Distância - UEM, Escola Portuguesa de Moçambique;
- da diáspora moçambicana: Ponte Moçambique-Suécia, Chapa 100;
- escritores: O Tricô das Maçanicas, Meu Quintal Dividido, Tatuagens de Estrelas;
- empresariais: Kampfumo, Gil Vicente Café Bar;
- expressões religiosas: Calling Rastafari, Moçambique Islâmico;
- reflexão política: Nação Coragem, Nullius in Verba;
- paisagísticos: Quelimane, Digital no Índico;
- intervenção académica: Ideias Críticas, Olhar Sociológico;
- políticos: Manuel de Araújo, Namburete;
- de imigrantes: Mi Vida en Mozambique, ma-schamba, Lusofolia;
- de jornalistas: Pátria Que Me Pariu, Crónicas Semanais de Luís David, Nantchite;
- de activismo musical: Hip-Hop Moçambicano, Hip-Hop do Jardim, Jungle Music;
- de activismo político-social: Diário de Um Sociólogo, MozambiqueOnline Blog;
- de auto-edição literária: Ekuru Yo Ophenta, Momentos de Vida, Silvi da Selva and Me;
- de incidência regional: Beira-Amar, Angoche Parapato Oweto;
- etc.
Conclusão:
1. Não me importo com a trabalheira em montar e actualizar este portal, que demonstra (e actualiza hora a hora) o exercício por cá da palavra livre e tão plural - uma mutação na palavra pública neste contexto, acho.
2. Não me importo que esteja (sempre) incompleto. É sua característica, não defeito.
3. (mauzinho) Não me importo que alguns bloguistas, que tanto me chatearam com telefonemas, sms’s e emails para lhes anunciar os neo-blogs (e lá o fiz, com prazer blogocompanheiro), tenham sido incapazes de deixar uma nota sobre isto, que é um instrumento não pessoal, mas sim colectivo. Ou seja, não me importo que as minudências in-blog sejam como as minudências out-blog. Nem doutra forma poderiam ser.
4. Não me importo de ser um tonto, tecnologicamente incapaz de mexer no ma-Blog para o colocar, quanto a conteúdo e a estética, do modo que desejaria. E que o tornaria bem mais apelativo, estou certo.
5. Não me importo de pedir ajuda quando preciso.
6. Importo-me imenso de não ter ajuda para isto. Se alguém percebe da máquina quer dar uma mãozinha?
29 Abril 2008 4:42 — por jpt em Hugh Tracey, Música Moçambique

Forgotten Guitars from Mozambique (1955, 56, 57) transcreve 21 gravações realizadas no sul de Moçambique por Hugh Tracey, célebre musicólogo que após quatro décadas de trabalho publicou mais de 200 discos de recolha musical na África sub-sahariana.
A recolha dos guitarristas deste contexto geográfico - “um estilo changana” - sublinhava para Tracey a presença de três pontos cruciais da introdução da guitarra de então (Cooperbelt zambiano, Katanga congolês, sul moçambicano). Ou seja, da modernidade: a “guitarrização” mineira, neste caso
Para aqueles que vão lendo algumas das actuais e espúrias querelas sobre a paternidade (e propriedade) da “marrabenta” será interessante detectar os ritmos aqui colocados (como por exemplo os duetos de Aurelio Kowano e Alberto Fulani, imediatamente associáveis) para além do testemunho sobre a excelência do grande Feliciano Muntano Gomes [Ngome] (foto da capa). Como corolário oferece a transcrição das letras cantadas, o que permite entender os tópicos poéticos de então.
Imprescindível. E acredito que acessível. (Entrada com particular destinatário.)
29 Abril 2008 3:49 — por jpt em Banda Desenhada

Fim-de-semana iluminado por mais algo vindo da Flandres. De Zeina Abirached, “Mourir, Partir, Revenir. Le Jeu des Hirondelles” (Éditions Cambourakis, 2007). Uma noite “em família”, magnífica recriação do Beirute da década de 80, o (auto)concentracionário da guerra civil. Formas e ritmo angustiantes. Livro que exige ser lido …
29 Abril 2008 3:32 — por jpt em Correntes
As correntes entre-blogs são uma forma de convívio, daí que se justifiquem. Há as mais interessantes e as menos. E as mais malucas - exactamente como as conversas, e estas serão mesmo as mais importantes para que não levemos isto do bloguismo muito a sério. Agora a Marta desafia-me para a corrente do momento: botar seis coisas de que “não me importo” de fazer ou ter.
É uma corrente difícil. Só dizemos “não me importo de …” a propósito de algo sobre o qual nos importamos (ou importámos) - é uma construção falaciosa, ainda que por vezes apenas uma reconstrução a posteriori, um mind lifting. E ainda mais difícil é pois a Marta apanhou-me numa altura (década?) em que tudo me parece importar, assim tipo “sob o signo do Prozac” não fosse um tipo ter de parecer másculo ao espelho de barbear.
Apesar de tudo exerço a tal falácia, sublinhada pelo referido contexto.
1. Não me importo de ter um blog - com excessiva exposição pessoal, como me dizem vozes amigas, assim menos dado ao vigente (necessário?) perscrutar do societal. E que a maioria dos leitores me chegue via google …
2. Não me importo de ter a fama de mau-feitio - pois sei que é notoriamente exagerada.
3. Não me importo de ter a experiência de aqui (Maputo) haver cruzado o caminho de três ou quatro patrícios retintos filhosdaputa (e alguns andam por aí, em sempre ou em às vezes). Pois por porrada que tenha levado dá para imaginar (e temer) o que seria se em Lisboa. São eles, digamos, meros antibióticos. “Inibidores de saudades”.
4. Não me importo de fazer de parvo. Desde que depois não me chateiem já vou aturando …
5. Continuo a não me importar que não telefonem. Encostar-me sozinho a um balcão é um fazer digno e que me dá prazer.
6. Não me importo nada (mesmo nada) de ir buscar os amigos ao aeroporto de Mavalane. Nessas alturas fazer de motorista é tudo normal.
Agora tenho que passar a seis outros bloguistas - e deixar-lhes anúncio de tal em comentário ou em email. (Nisto das correntes bloguísticas no “passar ao outro e não ao mesmo” tem piada ver como a gente se exime a incluir os grão-bloguistas, signo de como os aristocratizamos …). Assim, e esperando que “não se importem”, aqui seguem propostas “republicanas” a bloguistas que venho espreitando há anos-blog: WR, no Forum Comunitário; Ângelo Ferreira, no Cartas Para Sakhalin, José Carlos Matias, no O Sínico, Helena Monteiro, no Linha de Cabotagem, Cristina, no Contra-Capa e “Ana de Amsterdam”.
28 Abril 2008 9:26 — por jpt em Lusofonia

Sou fraco leitor de revistas. Quando as trago deixo-as acumuladas por aí, tantas delas têm época, prazo de validade - coisa que os livros também têm (nem que seja o dos nossos interesses) mas vai-se fingindo que não. Uma para este fim-de-semana, excelente: Historia. Um número velho (nº 703, Julho de 2005), abandonado na sub-estante, com um belo caderno especial - em trinta leves páginas se aborda a História da Língua Francesa (isto para além de outros artigos de interesse: pesquisa arqueológica sobre os trácios, na Bulgária; legislação familiar na Roma imperial; navegações comerciais francesas de XVIII, etc.). Enfim, coisas que cá não chegam …
No final do espaço dedicado à História da Língua Francesa uma entrevista com Bernard Pivot. Uma frase, em título: “L´ortographe est une politesse”.
Entendo-o como “é a civilização”.
28 Abril 2008 2:19 — por jpt em João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique

Coisas da Feira do Livro: finalmente chega-me à mão este Histórias em Língua Portuguesa (Porto, Ambar, 2007). Histórias (aleluia, não são “estórias”) de vários autores, quatorze no total, vindos de vários países. O fio condutor é mesmo esse, o da língua, ficando assim o livro uma coisa algo bocado a bocado. Mas válida, em alguns passos mais, noutros menos.
Interesse especial aqui em Moçambique pois integra um conto de João Paulo Borges Coelho (”Maria Ernestina e as Quatro Senhoras“), inédito como presumo seja característica de todos os outros (o prefácio é de tal forma diletante que apenas o deixa deduzir). Dos outros autores referir gente de blogs: Afonso de Melo, que é uma espécie de D. Sebastião neste blog; António Gregório (que infelizmente apagou o Diário Dócil), Paulinho Assunção e Manuel Jorge Marmelo.
Vale a pena ir à Minerva esgotar a remessa.
28 Abril 2008 1:57 — por jpt em Viagens Moçambique
28 Abril 2008 1:55 — por jpt em Viagens Moçambique
Socialização: levando os bebés à sombra do embondeiro bebé … Actividades de fim-de-semana (pomar de Mailane)
28 Abril 2008 1:39 — por jpt em Sociedade portuguesa

Sobre a aguardente de medronho, vero hidromel, marco civilizacional perseguido pelo vil norte-europeu cerealífero, já aqui a brindei e defendi. Mas decerto que não tanto como ela o merece, esmagada que tem vindo a ser pelo arrivismo whiskizeiro - que não há neo-burguês que não se empaturre de jb, cutty sark, famous grouse ou coisa assim - e pela sahelização da Península Ibérica - que não há serra que lhe resista. Enfim, medra o medronho entre a espada do norte e a parede do sul …
Ciente que a melhor bebida espirituosa que já bebi foi um medronho de Monchique condignamente envelhecido pelo produtor comovo-me, e esperanço-me, com a reportagem que leio na revista do jornal Sol desta semana. Ao medronho, já!
28 Abril 2008 1:05 — por jpt em Ilha de Moçambique
Dinheiro japonês e português, sob a tutela da UNESCO. As obras de reabilitação da Fortaleza da Ilha de Moçambique - que aqui referi - vão finalmente avançar.