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No feedly (18)

por jpt, em 24.10.14

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[Memória de outras sensibilidades]

 

- "AmadoraBD/2014 - 25º Festival Internacional de BD", com programa do festival, no Divulgando Banda Desenhada.

 

- "Um país que não sabe dar-se ao respeito", no Portugal dos Pequeninos.

 

- "Montini", também no Portugal dos Pequeninos - um texto obrigatório para aqueles como eu, ateus.

 

- "Dezasseis anos depois", no A Terceira Noite.

 

- "Um história da América" (sobre The Band), no Provas de Contacto.

 

- "Alguns dados para compreender a crise da construção em Portugal", no A Barriga de um Arquitecto.

 

- "4 fotógrafos de Moçambique", nota de uma exposição em Lisboa, no Alexandre Pomar.

 

- "Isto tem que mudar", no Antologia do Esquecimento.

 

- "Entrevista [de António Barreto] ao Diário de Notícias", transcrita no Jacarandá.

 

- "A morte do ocidente é manifestamente exagerada", no Banda Larga.

 

- e "Diplomacia económica", um texto de fôlego, no ... ou quatro coisas (o outro blog de Seixas da Costa). 

 

 

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publicado às 14:33

Tofinho

por jpt, em 24.10.14

 

Só o Tofinho. Pois morreu hoje uma amiga que adorava esta praia 

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publicado às 11:27

As eleições moçambicanas

por jpt, em 24.10.14

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Amigos escrevem-me, resmungado com o meu postal sobre o assunto, dizendo-me excessivamente optimista, até petulante negligé. Com efeito, passada uma semana, sem resultados oficiais proclamados, com evidência de várias confusões no processo de apuramento e, talvez pior do que tudo, com a anúncio de algumas votações perfeitamente "albanesas" em pequenas localidades, tudo se acinzenta.

 

Eu continuo a pensar o que então botei. Que o Frelimo, apesar de governar já há quarenta anos no meio de grandes dificuldades, endo e exo-causadas, e de ter na actualidade características sociológicas bem diversas daquelas que a fundaram e corporizaram, continua a ser o partido mais representativo e recolector de adesões. Algo que, olhado de fora, até pode ser surpreendente se comparado com tantos outros países, onde os poderes são sistematicamente punidos pelos eleitorados. Algo que se prende com a realidade moçambicana, e isso também no sentido de lhe encontrar profundas fragilidades nas oposições. E, até por isto mesmo, não precisam os seus quadros de promover estas derivas adversas ao princípio "uma pessoa, um voto". O qual é um bom princípio: não é sagrado, não é a panaceia para ultrapassar as dificuldades do país, mas é um (entre outros) factor do tão necessário desenvolvimento.

 

No meio disto tudo leio críticas às missões internacionais de observação eleitoral. Não acompanhei as declarações dos responsáveis destas, não posso pronunciar-me sobre o conteúdo de tais críticas. Mas a emergência de tais críticas denunciam, pelo menos, um problema comunicacional dessas missões. Cuja função legitimadora passa também por uma particular competência de comunicação para com a sociedade em período eleitoral. Ou seja, não são responsáveis pelo processo eleitoral (nestes casos mais rotineiros), não têm tutela para intervir executivamente a priori e a posteriori sobre as votações. Mas são totalmente responsáveis pelo sopesar daquilo que comunicam e dos efeitos internos que isso provoca.

 

No meio da polémica instalada lembrei-me de um texto que escrevi em tempos, (também) sobre a minha participação em várias missões internacionais de observação eleitoral. E onde botava também sobre a minha nada sagrada concepção de democracia e de eleições. Quem tiver paciência para um texto mais longo pode ver este "O Antropólogo Engajado: reflexões sobre a participação em processos de democratização". 

 

E espero que os que resmungaram com o meu texto anterior sobre estas eleições possam ali enquadrar a minha posição.

 

Também espero, e muito mais, que os resultados sejam anunciados em breve. E que colham aceitação promovendo a pacífica legitimidade do novo governo. E que este seja (em qualquer configuração que brote) o melhor possível. Que o país precisa. E merece.

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publicado às 07:06

Hoje recomendo

por AL, em 23.10.14

Pois o sítio onde estou é muito lindo, mas a internet é uma m**** ésséqué uma grande verdade! É irreverentemente inconstante num constante estou-nãoestou-estou-nãoestou e quando está vem tão fraca que mal consegue sair do router. Uma mal portada! O positivo desta lentidão e inconstância é que o que me cai no Feedly dura e dura e dura. Isto tudo para justificar não um, mas sim três postais da minha (e nossa, do blog) amiga Helena: um sobre reciclagem em Maputo e dois sobre uzomes. Já agora aproveitem e leiam o blog dela que não perdem tempo – vale mesmo a pena!

Já disse que o sítio onde estou é muito lindo?

AL

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publicado às 19:59

Coisas da Colômbia do Norte

por AL, em 23.10.14

Pois o sítio onde estou é muito lindo ah poizé!, com árvores enormes que se chamam áceres (mas aqui sem xarope que não faz frio suficiente), pinheiros e cedros e quase tão grandes como as sequoias que vi em Oregon quando lá estive. Para onde quer que me vire, vejo árvores, riachos, musgo, praia, mar... De lá de baixo da praia e da varanda aqui da cabana vêem-se algumas das montanhas das Rocky Mountains e nos dias melhores consegue ver-se o pico nevado de Mount Baker que fica a centenas de quilómetros daqui. Ópraiele aqui:

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Tirando a vegetação, muita coisa aqui me lembra África, se é que posso incluir assim neste genérico a diversidade de países que compõem o continente. Mas fiquemos por aqui e deixem-me dizer África. Temos árvores dos antepassados – a minha vizinha do lado, que é uma querida e que tem “boa pessoa” escrito na cara, vai ocasionalmente falar com a avó dela que já morreu há muitos anos e que encarnou numa árvore grande ali em baixo ao pé do riacho. E há outros como ela, com árvores-marido, árvores-filha, etc, que parece que as árvores aqui não são esquisitas em relações familiares. Quando lhes falei na árvore dos antepassados lá em Moçambique, disseram “que exótico” e começaram a falar de coisas que viram no National Geographic. (facepalm, facepalm!)

 

As pessoas aqui quando estão doentes também vão primeiro ao curandeiro e só depois é que vão ao médico, se forem! Mas os curandeiros aqui não se chamam assim, chamam-se técnicos de reiki, terapeuta craniossacral (não perguntem que não faço ideia do que seja e quando ouvi pela primeira vez mencionado aqui julguei que era um bolo), naturopatas, xamãs, homeopatetas e outros nomes que não sei dizer bem. Depois vão para casa e fazem poções com açafrão das índias e gengibre e outras plantas e raízes que não sei o nome, que são raladas, maceradas, descascadas, pulverizadas e deixam um cheiro e um sabor horríveis mas que parece que são melhores que qualquer xarope das farmácias. Se depois de muita mezinha e muita terapia a coisa não melhorar, então lá fazem o favor de ir ao hospital onde geralmente acabam por ficar alguns dias devido à gravidade da situação. (Juro que não estou a inventar, aconteceu no outro dia com o vizinho que mora ali mais abaixo do carreiro que vem dar à nossa cabana e com a vizinha boa pessoa há uns meses, contou-nos ela)

Aqui também fazem rituais, mas chamam-lhes bênção das águas, cerimónia da lua cheia e outro nome que não sei dizer e que cheguei a pensar que era uma sauna mas afinal não era e também incluem danças e tambores. E gente num círculo e lume nas pedras e todos a dizerem ommmmmm.

 

A coisa onde isto é muito diferente de África é que aqui as pessoas em vez de terem filhos, têm animais. E depois têm tudo igual como e fosse para os filhos: têm um grupo para convívio dos cães que se reúne todos os dias lá em baixo no pomar orgânico (que tem umas maçãs tão raquíticas que eu pensava que eram ameixas pequenas) para os cães brincarem com os amiguinhos. Levam os cães e os brinquedos deles e depois podem trocar e levar emprestado e assim. Enquanto os cães brincam, os “pais” (são eles que dizem, os donos, não sou eu) debatem se devem deixar ou não os canitos verem televisão por causa do consumerismo (ouvi eu com estes que a terra há-de comer) e combinaram ontem quais os “treats” que iriam ter para os canitos no Halloween. Parece que manda a tradição aqui que se vistam os cães e se vá de casa em casa fazer o trick or treat. Discutem os problemas psicológicos dos animais e qual o melhor curandeiro para a ansiedade do Bobby ou o eczema da Lulu. Ou um dentista para a Suki que está a ficar velha e não consegue roer bem a carne. Que os cães comem, mas que os donos (ou os “pais”) geralmente não comem porque são contra a crueldade com os animais (mas, há alguém a favor?) e só é crueldade para a vaca (ou galinha) morta  se for para nós humanos comermos, mas se forem os cães não faz mal, deixou de ser crueldade. Também parece que afinal semi-domesticar um animal selvagem não é crueldade nem é nada muito grave e por isso os vizinhos espalham ração nos terrenos para os veados virem até nós (já que não há criancinhas...).

 

Portanto, dizia eu, que o sítio onde estou é muito lindo, o ar muito puro, o silêncio ideal para trabalho (que tenho feito afincadamente). Felizmente tenho imenso trabalho para me distrair. Sim, porque foi preciso vir aqui para perceber que esta coisa da natureza para mim é como o inverno – é bom durante uma semana ou duas e depois cansa. E agora vou ali num instante cheirar o escape de um automóvel que estou à beira de uma overdose de clorofila.

AL

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publicado às 17:34

Pão, circo e aldrabices

por mvf, em 23.10.14

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Não aprecio roubos, furtos, assaltos ou pilhagens e, por maioria de razão, quem os pratica, os seus mandantes e receptadores.

JPT já fez no ma-schamba uma breve alusão ao jogo de futebol Shalke 04 - Sporting, com os alemães a ganharem a partida por 4-3, bem como muitos outros mais conhecedores que eu dos meandros dos balneários, se pronunciaram sobre a pouca-vergonha havida nos jornais, rádios, televisões e nas agora em moda redes sociais, incluindo o director de futebol do clube alemão que ironicamente falou dos chamados árbitros de baliza que habitualmente não vêem porra nenhuma, mas que neste caso um deles viu o que não existiu, ditando o inglório e injusto resultado final.

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Ora, estou irritado, já passaram mais de 24h sobre a roubalheira e o estado não passa e daí escrever o que me parece e apetece agora. Mais pelo estado geral do Futebol do que pela derrota, devo dizer.


Perder não deslustra quando se faz o que se pode, quando o adversário é superior ou mesmo quando a sorte ( ou a falta dela...) se verifica. Já perder porque o campo é inclinado por quem tem a obrigação de o manter nivelado - e o mesmo se pode dizer quando se ganha... - eis coisa que sempre me desagradou. No jogo em Gelsenkirchen como noutras ocasiões, e muitas aconteceram em competições domésticas, em que o nível de incapacidade - modo simpático para designar a actuação dos árbitros principais e auxiliares - se equivale, o jogo deixa de o ser para se transformar numa combinação favorável a um dos contendores e isso, por desvirtuamento, irrita-me solenemente. Gosto de Futebol e muito. Tanto que ao ver o que se vai passando, sinto uma espécie de desgosto, uma angústia, porque a desconfiança do pré-preparado atrapalha o gozo do entretenimento dum desafio e a incerteza dos resultados que sempre se espera favorável às nossas cores e, mesmo que não se passe assim, não é, finalmente uma questão importante: um jogo é só um jogo. E é isto, trata-se só de um jogo, não é morte de homem (pelo menos, não são habituais tão funestas ocorrências...) nem é a bola que paga as contas, mas é uma enorme maçada, uma chatice e não há volta a dar já que se estraga o espectáculo por interesses que se suspeita passarem muito além do interesse directo dos clubes desportivos ( e não, não se passa só no Futebol...). Em Geselkirchen tratou-se de uma aldrabice organizada. São demasiadas coincidências para outros tantos "erros" com um resultado que com o decorrer do jogo não se adivinhava mas que quem esteve mais atento às filhas-da-putice dos apitadores russos podia pressentir. O campo inclinou-se desde o apito inicial para o lado alemão, aliás, russo-alemão. Foi tão patente como indecente.Para não se falar de coincidências que muitas vezes podem muito bem ser só isso, deixa-se aqui para memória futura, e irritação ( e lamento...) actual aquilo que sem margem para interpretações são, de facto, interesses que se prefiguram conflituosos mas que, apesar de tudo, são coincidentes, e, sem querer entrar mais do que isto em questões político-estratégicas, leia-se a questão da Crimeia e a débil e habitual posição da União Europeia que ameaça mas não cumpre, fala mas não age, declara embargos e limitações a tudo o que à Rússia diz respeito, que permite entre outras situações, que a UEFA e clubes europeus, quero dizer clubes de países pertencentes à União Europeia, sejam subvencionados pela Gazprom, uma empresa estatal russa sediada em São Petersburgo, terra natal de Putin. Claro que muitos verão nisto nada mais que uma teoria da conspiração, mas vejamos uma pequena amostra dos patrocínios "dados" pela Gazprom que sem querer ser conclusiva é, no entanto, significativa:

- Liga dos Campeões/ UEFA

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- Shalke 04 ( o presidente do clube, Herr Tonnies é, tanto quanto se diz, próximo de Putin e a agremiação recebe uns míseros 17 milhões de Euros anuais. A parceria já vem desde 2007)

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- Federação Russa de Futebol (que controla a arbitragem)

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Ainda no capítulo "Coincidências e mais um par de botas", temos que a equipa que apitou vergonhosamente o Shalke 04 - Sporting Clube de Portugal era russa, chefiada pelo Sr. Karamasev, um especialista.

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Não tendo dotes divinatórios sobre o armagedão e coisas assim, quer-me parecer que se o programa não se alterar este é o fim dos tempos do Desporto dito rei - o Futebol - tal como deve ser e que pior ou melhor praticado com as suas (poucas) regras simples, continua igual em qualquer latitude, não se podendo dizer o mesmo acerca dos negócios que à volta dele gravitam. Mistura-se a politiquice e temos definitivamente a burra nas couves e eu fora dos estádios.

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Pergunte-se a Blatter da FIFA e ao gaulês Platini da UEFA sobre o que realmente os move e explique-se-lhes que o povo não gosta de pão bolorento e circo de província.

 

 

 

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publicado às 15:15

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Há que assumi-lo com frontalidade: por mais corrupto que seja o Karasev gang, por mais competentes que tenham sido os jogadores do Sporting no jogo, por mais positivo que esteja a ser o treinador, por mais apreciável que esteja a ser a presidência de Bruno Carvalho (que até já provocou este excêntrico e pantomineiro "affaire" presidência da Liga), a derrota daquela equipa canarinha no palco da Liga dos Campeões foi justa.

 

O Sporting joga assim. Quem não respeita o equipamento não respeita a sua história. E não merece melhor. Custará dizê-lo, mas é a verdade

 

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publicado às 11:46

O Sporting na Liga dos Campeões

por jpt, em 22.10.14

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e o dirigente desta tralha chama-se Platini e é ... francês.

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publicado às 11:41

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 Texto para a edição de  14.10.2014 do "Canal de Moçambique"

 

 

 

“Espaços e Cidades em Moçambique” de Isabel Castro Henriques.

 

Como já será evidente aos hipotéticos leitores esta “Estante Austral” não se prende com as novidades ou, mesmo, com a actualidade da edição. Trata-se de uma conversa com os livros existentes, um desarrumar até aleatório das estantes dedicadas a temáticas moçambicanas, maneira de recordar (ou  até mesmo dar a conhecer) aquilo ausente dos escaparates dos livreiros ou mesmo esquecido nas estantes mais recônditas das bibliotecas, públicas e pessoais. E se algumas vezes despertar a vontade alheia de vasculhar em busca do aqui referido será já vitória. Maior será esta ainda se produzir alguma reedição.

 

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 Vem o preâmbulo a propósito deste “Espaços e Cidades em Moçambique”, um pequeno e precioso livro editado em 1998, muito provavelmente já esgotado. Trata-se de uma obra da historiadora portuguesa Isabel Castro Henriques, reconhecida especialista sobre a história angolana. Na prática trata-se de um livro suporte, funcionando como catálogo da exposição então produzida pela mesma autora por encomenda da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, mas feito com a perícia que lhe permitiu ficar como obra autónoma, suficiente por si mesma, um mimo à leitura.

 

(Texto completo aqui)

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publicado às 00:55

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Ali para além da Ericeira, "então, minha senhora, e como se chama este bolo?", sigo eu curioso. "Croquete de ovo", ouço, estupefacto. E ainda me surpreendia com a verve belga ...

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publicado às 23:10

Sporting, Clube Mundial

por mvf, em 18.10.14

 

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publicado às 23:23

Em Lisboa

por AL, em 17.10.14

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Chamo a atenção para os painéis sobre as campanhas na África (então) Portuguesa.

AL

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publicado às 16:08

Em Maputo

por AL, em 17.10.14

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 AL

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publicado às 15:30

Eleições moçambicanas

por jpt, em 16.10.14

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[fila para votação, fotografia da página-facebook Txeca]

 

A contagem vai avançando, vejo os resultados parciais anunciados nos murais-FB de amigos. É certo que nisto da política costuma-se dizer que "prognósticos só depois do jogo", e que muito provavelmente os postos ainda não transmitidos são os mais longínquos de Maputo, nos quais o predomínio do partido Frelimo será menos acentuado. Mas pelos resultados já vistos pode-se retirar a ideia de que, como era esperado, Filipe Nyusi será o próximo PR. E que o Frelimo ganhará a maioria parlamentar - nesta vertente alguns consideravam a hipótese de brotar apenas uma maioria relativa.

 

Como é normal os ânimos políticos exaltam-se nestas ocasiões e um tipo - ainda para mais estrangeiro - falar da questão levanta sempre mal-estar nos alheios. Mas ainda assim:

 

O partido Frelimo tem muitos defeitos, nos quais noto mais a insensibilidade ecológica das suas camadas dirigentes. E refiro-o não como se fosse eu um tardio hippie mas porque antevejo enormes custos sociais futuros devidos à depradação do meio ambiente. E tem também a parte, antipática a muitos olhares, de corporizar a formação da burguesia nacional, tal-e-qual tantos outros lugares (basta ir ler o velho Thomas More, para saber como foi) - e com imensos tiques da "burguesia compradora", como se chamava há umas décadas. Mas também tem esta característica: governa há 40 anos. Num país que começou paupérrimo, no qual assumiu uma política comunista que teve custos e tendo depois feito uma inflexão capitalista (chama-se agora "economia de mercado" mas não uso isso porque não se chama "economia de estado" ao comunismo), a qual também teve custos. Governou durante uma guerra civil terrível. E governa há vinte anos em paz, num país que continua paupérrimo, sem indústria, sem lugar de emergência no mercado internacional (como quase toda a África subsahariana), sem capital próprio suficiente. E com uma economia (e sociedade) também condicionada por ditames das organizações internacionais (aquilo a que o obscurantista discurso português chama "troika"). Ou seja, o "estado da arte" moçambicano tem imensas causas internas. Mas também gigantescas amarras externas. É desse contexto que emerge a tal característica do Frelimo: em condições duríssimas de vida, umas sofridas outras auto-provocadas, continua a ter um enorme apoio popular. Com mais por cento ou menos por cento, mas estruturante.

 

Há a utilização (óbvia, mas nada original no contexto mundial) do Estado para as campanhas. E há também iniciativas fraudulentas nos processos eleitorais - que sempre existem, como demonstram as denúncias de observadores in loco, mas que são, e os agentes já deviam ter percebido isso, verdadeiramente desnecessárias [não me refiro a 1999, mas o contexto desde então muito mudou]. Mas reduzir a superioridade eleitoral do Frelimo a essas características denota uma incompreensão do real político moçambicano. E, em última análise, apouca a capacidade política do eleitorado, como se este não fosse capaz de expressar em consciência.

 

Críticas e constestações são feitas, até eleitoralmente. Como nas últimas autárquicas, onde o eleitorado urbano (até em zonas tradicionalmente frelimistas), puniu aquele partido - votando no MDM, uma oposição política pacífica. Por razões de política local mas também por razões de expressar crítica à governação do país. E lembro a quantidade de amigos meus, frelimistas convictos desde sempre, que votaram na oposição em Maputo e Matola (alguns para minha verdadeira estupefacção, nunca o imaginaria ...). Mas no momento de dirimir a governação do país outras considerações surgem. Duas fundamentais: a crença (mesmo que algo iniludida) numa continuidade, desconfiando de uma oposição que, de facto, não tem um projecto político-social expresso, para além de algumas boas práticas de governação local.

 

E uma segunda, fundamental diferença em relação às últimas autárquicas. A desconfiança com o partido Renamo. Não só face às memórias da guerra finda em 1991. Mas também face ao ressurgimento das práticas guerreiras em 2013, sucedidas após longo período de letargia política. Certo que como líder da oposição Dhlakama ressurgiu, uma boa votação, apagando Simango - aliás, não sendo eu nada adepto das teorias da conspiração, penso que a reintegração de Dhlakama no processo político eleitoral veio beneficiar o Frelimo, talvez uma maestria xadrezística.

 

Dhlakama teve banhos de multidão. Mas está, mais uma vez, demonstrado que este eixo de abordagem política não crescerá mais no país. Não é insignificante. Qualquer pessoa que conheça o país percebe que a massa popular de apoiantes do Renamo são os "descamisados" - e por isso tanto sorrio quando, por vezes, vejo moçambicanos, sempre estes de origem europeia, com outro património cultural que os leva a este tipo de discurso cristalizado, invectivarem a "direita" renamista (ou mdmista) em nome da sua "esquerda". Ou seja a grande base política renamista é sociologicamente importante, constitutiva. 

 

E mostra a necessidade de incrementar a democratização, descentralizando o desenvolvimento. Entre outras coisas impedindo o florescimento de "sem-terra", esse horroroso pesadelo para quem pensa o país.

 

(texto feito às 15 horas de quinta-feira: e se os resultados mudam, invalidando numericamente este postal? Pois, então dir-me-ei "quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão")

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publicado às 13:13

A primeira vez nunca se esquece

por AL, em 15.10.14

Parecia uma fita de nastro encarnado aquela picada. Matope é como chamam à terra barrenta e escorregadia que abunda lá para as bandas de Manica. Na berma da picada caminha uma mulher. Magra, muito magra, de idade indefinida, cabelo avermelhado do pó, semi-nua com andrajos. “Foi combatente”, diz-nos o motorista com a indiferença do conhecido. “Agora anda por aqui. Vem da estrada lá ao pé do Inchope e vai até perto da fronteira com o Zimbabwé; depois volta para trás e vai outra vez até à estrada. Deve ter perdido alguma coisa nesta picada. Agora perdida está ela. Dizem que ficou traumatizada. Esteve num centro no Chimoio, mas deve ter fugido ou soltaram-na. O pessoal daqui de vez em quando dá-lhe comida; camionistas que vêm do Zimbabwé ... enfim, já se sabe. Às vezes anda aí despidinha de todo! Desgraças da guerra...” Pedi para pararmos, saí do carro e aproximei-me. Sussurrava baixinho em sons que desconheci; tinha olhos mas não tinha olhar. Foi a primeira mulher combatente que vi. Quer dizer, que soube que tinha sido combatente. Soube ainda que andou pela picada durante uns anos e um dia desapareceu. Eu nunca mais a vi, mas nunca a esqueci.

AL

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publicado às 18:32


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