Entries Tagged 'Arte' ↓
Fevereiro 24th, 2008 — Arte, Politicamente Correcto

O Metro de Londres excluíu um anúncio contendo esta pintura que publicitava uma exposição de Lucas Cranach na Royal Academy. O argumento foi explícito, o nu feminino pode ofender sensibilidades: «Devemos ter em conta os milhões de viajantes diários do metro e procurar não ofender ninguém», justificou-se a empresa de Metro (gente decerto parida de um bolbo).
Nisso estou completamente de acordo com o Francisco: isto é medo (e pouca vergonha) de ofender os passageiros “multiculturais”, aceitar o ponto de vista de quem pode achar “blasfema” esta pintura. Acima de tudo concordo que “Mais do que uma vergonha, é uma filha da putice”.
Muito menos apreciáveis são outras iras sobre o assunto. Ainda que ache piada à retórica do Lutz afirmar «É impensável que um quadro clássico possa chocar» - que tem vindo a ser desenvolvido no …bl-g- -x-st - é uma falácia. Intelectual e politicamente pior do que os argumentos timoratos do Metro de Londres.
Afirmar que a arte clássica não pode chocar é um argumento à mão de semear para esta contestação. Mas é censório, irracional. Aceitá-lo implica afirmar limites racionais para a leitura intelectual do passado, sua compreensão, para o “diálogo” com o passado (um diálogo mitigado, é óbvio). Ou seja, afirmá-lo implica dizer que pode haver interacção sensitiva mas não reflexão abrangente. Afirmar que o passado artístico não pode chocar (”não pode”, o registo do dever-ser) significa que nos desperta, porventura, o eros, o sensitivo, o emocional (e este nem tanto, pois é chocável), um tanto de espanto. Mas não a razão.
Isto é a exotização do passado. A infantilização do passado. Nisto o Passado é o Outro, só compreensível e analisável nos seus valores, olhável de longe com apreço ou menosprezo consoante o feeling do dia. Isto é, em absoluto, o discurso “multicultural” impensado. Típico da esquerda europeia mal-pensante dos nossos dias (já agora, filha do apartheid boer).
A arte passada pode chocar - ainda que tenham mudado os valores e os contextos. É (também) essa a sua grandeza. E (também) por isso mesmo é preciso manuseá-la, pendurá-la, observá-la. Chocarmos. A nós e aos outros. Sem censores - fundamentalistas islâmicos ou esquerdalhada europeia correctista. Ou melhor, também por causa deles.
Janeiro 26th, 2008 — Arte
Já não vou ter tempo para me deitar aqui a escrever sobre este must das minhas férias natalícias. Na corrida lisboeta, entre museus e galerias (bem, e não só …), aqui estanquei maravilhado: ainda estará aberta? esta “Os Gregos. Tesouro do Museu Benaki” na Fundação Calouste Gulbenkian. Pois se abaixo já resmunguei sobre a produção iconológica que muita da arte contemporânea quer assumir - talvez ignorância minha, talvez insensibilidade, mas tantas vezes me faz falta um puto a exclamar “o artista vai nu“. Confesso a minha irritação intelectual e vazio sentimental diante de um tipo que põe círculos de arame na parede e dizer - atenção, ter que dizer - que aquilo significa qualquer coisa (no caso as fronteiras do mundo actual), o que me faz suspirar quando alguém acha que uma obra de arte se explica até um ponto final (enquadra-se, dá-se pistas, interpreta-se, e com isto tudo também reduzindo a liberdade de quem olha/pensa, mas determina-se?). Bem tudo isto para dizer que a irritação com a Gulbenkian - o Junho passado era um monte de areia no chão, francamente os burgueses já foram espantados o suficiente deste modo, uma tralha a fazer-me lembrar o lavatório que “Réplicas e Rebeldias” do Instituto Camões trouxe há anos a Maputo, coisas tão contemporâneas como tipos a pintar à Turner ou à Columbano nos dias de hoje, mas pelo menos estes últimos sem a arrogância dos iniciados. Ou, neste caso, seria por ser “Arte Contemporânea” para o 3º Mundo? -, a irritação com a Gulbenkian, dizia, se desvaneceu por completo. E bastou isto


“Estatueta Feminina.” Mestre do Fitzwilliam. Período Cicládico Inicial II (c. 2700 - 2300 a.c.). Mármore branco (20,7 cm X 5,9 cm)
Janeiro 18th, 2008 — Arte

“Desenho na Parede” (2006) de Adel Abdessemed
[incluído em Um Atlas de Acontecimentos na Fundação Calouste Gulbenkian. (Fotografia de Marc Domage, reproduzida do catálogo da exposição)]“Como foram as férias?” Boas - mas chegado de longe, surpreendido quando me querem explicar o linear. Ou, até, quando dele fazem círculos.
Janeiro 18th, 2008 — Arte
“Então que tal foram as férias?” durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, “Um bom ano!”, no “até breve.”
“Tríptico de Quissama”
fotografia montada em alumínio
3x(150×100 cm)
“Tríptico de Massangano”
fotografia montada sobre alumínio
3x(150×100 cm)
Foram muito boas: António Ole na Galeria 111, em Lisboa