Palimpsesto

Sempre me irritou, por mediocre e preguicoso, o termo pos-colonial. Por melhor embrulho “teorico” com que se apresente. Por razoes varias relacionadas com a negacao explicita de dinamicas longas nas sociedades assim ditas. Mas tambem com a arrogancia “esquerdista” (nos constantes paradoxos da nova esquerda) academica que o canta.Mas visitar com olhos-de-ver a Namaacha, essa tambem estancia de repouso colonial, a apregoada “Sintra de Mocambique” desses tempos impeliu-me ao termo (para dele sair basta andar uns poucos kms perpendiculares aos edificios, claro). Mas, ainda assim, aqui fica o palimpsesto.

5 comments ↓

#1 blue on 11.24.06 at 22:53

podiam ser os arredores de uma qualquer vila portuguesa da nossa infância, tirando os pequenos pormenores que só um olhar mais atento denuncia.
confesso que o meu coração apertou-se, são tão raras as vezes em que sinto ter voltado atrás no tempo. eu, que nunca estive em Moçambique…

#2 IO on 11.24.06 at 23:34

Sabes que no tempo colonial, naquela que era a ‘Fátima’ do lugar, até se faziam procissões a esta vila e tudo. E a maioria destas casas que mostras, fartei-me de rir ao revê-las, até tinham à entrada uma placa com o nome da terra do propritério na Metrópole… - eh, pá, se a parvoeira dos beatos continua, não hesites: o termo é, mesmo, ‘pós-colonial’… incrível!

Abraço, IO.

#3 António P. on 11.25.06 at 1:08

Caro JPT,
Belos textos e fotos últimamente. Parabéns.
E também encontrou a solução :
- passemos a dizer palimpsesto em vez de pós-colonial.
Cumprimentos

#4 Anonymous on 11.25.06 at 14:41

JPT,
primeiro afirmar que nao conheci os antigos proprietarios das casas que apresentas nas fotos mas muitas pessoas na vila se recordam dos seus nomes.

Em segundo afirmar-te que conheco parte dos actuais.

Interessante seria estabelecer os paralelismos entre os de antes e os do pos e aquilo que parece ser um denominador comum… Poder.

Interessante mesmo…

#5 JPT on 11.25.06 at 17:11

Anonimo (porqu^e?), nao me parece muito discutivel a afirmacao de que a propriedade transitou. Mas o que me chamou a atencao na Namaacha eh o que Blue aqui vinca, como em nenhum outro lado em Mocambique se ve em duas ou tres ruas a “reconstrucao” de um Portugal rural mitificado, de um concurso de “casa portuguesa” glosando Raul Lino, da casa a la Sintra (essa de que coloquei varias fotos), da igreja fronteira ah Virgem. - isto poderia estar em texto no post, e de forma mais redonda e ate erudita, mas achei redundante, as fotos falam por si

Ou seja, por todo o mocambique (e em todos os outros lados) houve processos de transferencia de propriedade (ou uso, posse) (se os proprietarios de uma “moradia” tem poder ja sera outra questao). Nao me parece relevante chamar a atencao para esse caso na Namaacha, que de peculiar tera a particular reconstrucao mitificada do portugal no tempo colonial, e a sua preservacao actual

Antonio P, vade retro, nao me proponho a palimpsestar nada.

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