
Há algum tempo, e depois de uma incessante busca, aqui deixei registo de uma verdadeira ponte lusófona, até surpreso por a ter conseguido encontrar, tão procuradas elas o são (foram?). E ainda para mais na até longínqua Mocuba.

Agora, por mero acaso, encontro a fonte de tão inusitado encontro. E isso ao ler “Cardeal Cerejeira. Fotobiografia“, de José da Cruz Policarpo (Lisboa, Editorial Notícias, 2002), interessante introdução ao fotobiografado e à sua (longa) época, a fazer justiça ao desafio do autor: “Evocar a sua figura através de fotografias da época, aguçará o apetite para um estudo histórico de maior fôlego” (13).

[Cerimónia de Abertura da Exposição do Mundo Português (2 de Julho de 1940).]
Uma época rica, uma iconografia ideológica hoje deliciosa de observar e de analisar. E de, até malevolamente, deixar reconhecer descendências.

Aprendo ainda que “Depois da Madeira, São Tomé e Angola, onde visitou várias cidades, Cerejeira chega a Moçambique (na foto … desembarcando do Serpa Pinto) onde preside à cerimónia da sagração da Catedral de Lourenço Marques (14 e 15 de Agosto) e em Mocuba, sobre o rio Licungo, inaugura uma ponte com o seu nome.” (109).
Ora aí está, a tal ponte lusófona, ex-Cerejeira. Não há coincidências. Nem no já longínquo então. Nem no próximo então. O mesmo pacote intelectual: medieval; neo-medieval.

9 comments ↓
andei com um sobrinho dele nas ‘cenas’ da Lx de fins de 75/inícios de 76. um ‘junkie’, vindo de Amsterdam. já morreu, soube há tempos. vivia(mos) num prédio ‘ocupado’ perto das traseiras da Gulbenkian. o Cerejeira tinha, colado na porta do apartamento, um orgulhoso salvo-conduto, um papel qualquer com timbre do COPCON, autorizando a ocupação. rea um poiso de freaks: fui lá ver as vistas e fiquei mais de dois meses… o Cerejeira, esse, não podia ver um caixote de lixo: lá ia ele vasculhar e aproveitar “os desperdíciios da sociedade de consumos” (liá-mos muito a Inter. Situacionista, então). e, de manhã, era o Artur a por na rua a tralha que o Cerejeira para lá carregara durante a noite. quando os speeds entraram em crise (tiraram os prelos e os profa do mercado), o Cerejeira batia os cxts de lixo da Av. da Liberdade e trazia tudo o que era amostras farmacêuticas deitadas fora, por excesso de prazo de validade. tretas. desde que houvesse na fórmula metil-2 fenil-3 era para experimentar e mai nada. claro que o Crerejeira era o primeiro e nós ficávamos a olhar para ele, a ver se mudava de cor de verde para azul. se ao fim de um minuto o man ainda estava vivo, então mãos à obra! um dia conto mais
Gil,
Este teu comentário é um rico de um post! rsrsrsrsr…
ZP
shiuuuuu…..
lol
Pobre Cerejeira sobrinho … Faço meu o comentário do Zé Paulo, sobe-o a post pá
… e, melhor para a(s) memórias de algum(s) ‘freak’ dos LM-70’s que aqui apareça, esse Cerejeira foi um dos freaks de LM até 73, segundo julgo; mas que eu não conheci lá, pela, então, grave diferença de iaddes porque seriam uns quatro-cinco anos. e, nessas idades, isso era mesmo importante e selectivo na formação de ‘grupos’. quanto ao post a ver veremos
no primeiro link, o meu “reencontro” com a imagem do Cerejeira, 30 anos depois e via um irmão dele.
nos outros, fotos do Cerejeira (Vítor) que não conheci, o tal de LM quando eu ainda era puto e bom rapaz
http://groups.msn.com/juventudedelourenomarquesanos6070/general.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=20&LastModified=4675567553770607583
http://groups.msn.com/juventudedelourenomarquesanos6070/bailesdefinalistas2.msnw?action=ShowPhoto&PhotoID=238
http://groups.msn.com/juventudedelourenomarquesanos6070/vidaemfamlia.msnw?action=ShowPhoto&PhotoID=172
não me parece que esse “universo” (ex?) seja grande frequentador deste estaminé … mas, insisto, chega-te à frente
afinal até já tinha ‘escrito’…
http://nunaweb.blogspot.com/2007/02/seringa-da-minha-lisboa.html
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