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Estante Austral (4)

"Canal de Moçambique", edição de 27/8/2014

 

 

"Rostos da Língua" de Eduardo White

 

 

Inesperada a malvada morte, a levar Eduardo White. Como acontece quando nos leva os escritores a fazer-nos revolver as estantes, vasculhar-lhes os livros. E, quando os conheceramos, a fazer-nos lembrar os episódios comuns, mesmo que secundários nas suas vidas.

 

Foi isso agora comigo, a empilhar-lhe os livros, voltando à frente e avançando para trás. E a recordar o White, o Eduardo e o Dino, conforme o tom do tempo. E do dia. Em particular a lembrar, com aguda saudade, os tempos em que ele produziu, muito mais ambicioso do que mero sonhador, o “Rostos da Língua. Breve Antologia de Autores de Língua Portuguesa”, uma edição de 1999, a cargo de uma coligação institucional (o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, o Movimento Artistas Contra a Pobreza, e o Instituto Camões – Centro Cultural Português de Maputo).

 

É desse período que me ocorre falar. Que sobre o intrínseco da poesia de White outros deverão falar, respeitador que vou da especificidade do “campo poético”, um universo, exigia ele, de particularidades no sentir. Uma estética própria, à qual associava uma exigência de ética própria, inacessíveis, reclamava ele, a nós-outros, comuns mortais.

 

Eu conhecera o EW poucos dias após chegar a Maputo. Na inauguração do agora Camões Maputo, do qual vinha eu como responsável. Lembro que me deparei com um homem enorme, vigoroso e reclamando, sem pejo, uma qualquer desatenção que entendia terem-lhe feito. Tratava-se da preparação de uma mesa redonda televisiva, a transmitir em directo no então célebre programa cultural da RTP, o “Acontece”, responsabilidade do já falecido Carlos Pinto Coelho, também ele daqui oriundo, sempre amável e que então se desdobrava em afabilidade com o poeta. Aderi à sua atitude, mas realmente estupefacto, com a inesperada personagem. Pois lera-o superficialmente, sem verdadeiramente atentar. Não era aquele White que escrevera “As aves / também nós cantamos. / De resto é tão pouco / o que nos diferencia desses animais /quando dentro temos uma / que vive / e não dorme”? Afinal assim? De facto a ave era aquela, viçosa, tonitruante e não a engaiolada que eu, distraidamente, imaginara.

 

(O texto completo está aqui)


 

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publicado às 14:47

 

 

 

Estante Austral (3)

"Canal de Moçambique", edição de 20/8/2014

 

Noveleta” é como Luís Carlos Patraquim chamou a este “A Canção de Zefanias Sforza” (Porto Editora, 2010), um belo livro que me parece continuar a passar algo despercebido por cá. E que, agora que o escritor nos é de novo vizinho, regressado que está de Portugal, poderia (ou mesmo deveria, num sentido ético) ser reapresentado, (re)distribuído pelas livrarias, falado. Ou seja, lido.

 

Nele decorre a transição do mundo de Lourenço Marques ao de Maputo, um percurso que nos é apresentado através da vida desse Zefanias (Pluribis) Sforza – personagem de pluralidade afixada nesse próprio Pluribus que levou de nome, assim como se feixe desaguado diante desta baía. E onde habita também a aparência de alter ego do seu criador, o habitual poeta aqui ficcionista.

 

A história da cidade é-nos contada, sobre alguma da sua etnografia por via de vislumbres dos hindus, dos muçulmanos, e depois das transformações e continuidades toponímicas, ecoando as iniciais presenças coloniais e seu abrupto final. Toda ela se condensa na biografia de Zefanias e na dos seus próximos. Um estreito mundo, social e espacialmente, balizado entre as barreiras do Alto Maé e o Chamanculo – este sentido tão longínquo que seria onde o bíblico “Noé” habitaria, segundo o “saber” da personagem Agostinho Demos. Este Demos, contraponto de Zefanias, pois pólo local da narrativa, feito a verdadeira matéria-prima da cidade, como lhe anuncia o apelido (“tribo” será a melhor tradução possível de “demos” apesar de nos insistirem em o dizer “povo”). Explícita nota de um auto-centramento feito encerramento, cujo afrontar será o caroço do livro.

 

(O texto completo está aqui).

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publicado às 15:00

 

Estante Austral (2)

“Canal de Moçambique”, edição de 13/8/2014

 

É exactamente o caso deste “Kok Nam 12/12/12”, uma pequena brochura contendo, ainda assim, 43 das suas fotografias e ainda dois retratos do fotógrafo, julgo que obra do seu companheiro Funcho (João Costa), uma publicação do final de 2012, apoiada por GAPI, Sociedade de Investimento.

 

Lamentavelmente é muito escassa a edição bibliográfica dedicada à fotografia moçambicana e/ou em Moçambique. Nos últimos anos a melhoria do cenário editorial tem permitido a publicação de alguns álbuns, na sua maioria de índole turístico-paisagística. Por outro lado, num contexto diferente, a fotografia de autor, com pendor artístico, está a assumir algum relevo internacional, com a extroversão crescente de Mauro Pinto, Filipe Branquinho e Mário Macilau.

 

(O texto completo está aqui)

 

 

 

 

 

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publicado às 21:00

Estante austral (1)

por jpt, em 06.08.14

No jornal "Canal de Moçambique" comecei uma nova série, a "Estante Austral", composta por pequenas notas de leitura sobre livros relativos a Moçambique. Esta é a primeira.

 

 

 

Estante Austral (1)

“Canal de Moçambique”, edição de 6/8/2014

 

“Ilha de Moçambique. Contribuição para um perfil sanitário, 1983”

 

Um livro extraordinário – e também no sentido literal do termo -recentemente chegado às livrarias. E também às bibliotecas, pois foi distribuído gratuitamente pela rede de leitura pública por desejo dos autores. Trata-se de “Ilha de Moçambique. Contribuição para um perfil sanitário, 1983” (Porto, Húmus, 2011), um trabalho já com trinta anos, então coordenado por João Schwalbach e Maria Cecilia Maza, e que agora surgem responsáveis pela publicação.

 

 

A obra é um verdadeiro luxo, que me parece ter passado um pouco ao lado da atenção geral, talvez pela temática especializada. Em si mesma, como objecto, é um manancial único de informações sobre o estado da saúde pública de então no seio da população da Ilha de Moçambique. Tão completa que a monografia sanitária assume contornos de uma verdadeira etnografia, se quisermos assim falar. Vasta (com anexos documentais e fotográficos inclui 334 páginas de grande dimensão) e coerentemente pormenorizada, assim deixando todas as pistas para posterior comprovação, avaliação e comparação, como mandam os ensinamentos da honestidade analítica. Na sua competência poderá ser entendida como um manual metodológico, assim útil a outras profissões, despertas para outras áreas do saber.

 

(Continua aqui, com o texto completo)

 

Nota: como os textos ficam um pouco longos in-blog remeto-os para outro suporte (a minha conta na Academia), assim ficando disponíveis para quem neles esteja interessado. Já agora no mesmo local juntei uma série de notas de leitura (não são recensões) sobre livros que, de alguma forma, me tenham desperto interesse profissional - mesmo que possam parecer excêntricos nesse âmbito.

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publicado às 20:00

 

 

Terça-feira ao fim do dia, na Mediateca do BCI (na baixa) o lançamento do belo livro do Paulo Alexandre.

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publicado às 00:45

A primeira sessão deste semestre dos já tradicionais seminários do Departamento de Arqueologia e Antropologia da UEM. Na próxima terça-feira, no "campus" pelas 10 da manhã com Teresa Smart e Joseph Hanlon, abordando o seu recente livro.

 

Sinopse:

 

Moçambique importa alimentos e ao mesmo tempo aqueles que os produzem continuam pobres porque a produção agrícola é muito baixa. A maioria das pessoas continua a cultivar a terra como faziam os seus avós. Mas desde o fim da guerra, há duas décadas, tem surgido um novo grupo de agricultores mais dinâmicos. Hoje contam-se já 68 000 pequenos e médios agricultores comerciais. Tal como os seus vizinhos, antigamente tinham apenas 1 hectare de terra e usavam a enxada como utensílio. Hoje cultivam entre 3 e 20 hectares e produzem principalmente para comercializar. Criaram emprego a nível da sua comunidade e estimulam a economia local.

Teresa Smart e Joseph Hanlon são os autores de Há mais bicicletas, mas há desenvolvimento? Para este livro, eles analisaram mais de perto este grupo de produtores dinâmicos – mas que poucos conhecem – e mostram de que maneira eles se expandiram.

O apoio para estes agricultores emergentes veio quase inteiramente de fora de Moçambique. As companhias estrangeiras que produzem a contrato promovem o tabaco e o algodão. O “sector público internacional” dos doadores, ONGs e agências internacionais, apoiam a soja e a mandioca. Estas companhias a contrato e organizações do sector público, providenciam os mercados essenciais, o crédito, a tecnologia e o apoio na prática. Estes produtores agrícolas passaram a ser pequenas e médias empresas (PMEs) e são agora o sector mais dinâmico da economia rural.  

Desde a independência, o governo – com o apoio de muitos doadores – seguiu a estratégia dual de tentar elevar a produtividade dos camponeses mantendo-os nas suas parcelas de um hectare e a trabalhar só com a enxada, concessionando o resto das terras a grandes plantações mecanizadas. Mas isto não funciona. Foram poucas as novas grandes plantações que tiveram sucesso e mesmo o Banco Mundial pensa que essas explorações agrícolas pertencentes a companhias estrangeiras estão condenadas ao fracasso. Mantendo as famílias na sua machamba de um hectare e a desbravar à enxada, é mantê-las permanentemente na pobreza, porque a maioria desses pequenos agricultores não tem dinheiro para comprar sementes e adubos.

Este livro mostra que os próprios produtores agrícolas moçambicanos podem tomar a dianteira se tiverem apoio para expandir a sua área cultivada e tornarem-se agricultores comerciais. Assim seriam criados empregos rurais, seria estimulada a economia rural, e no fim, seria reduzida a pobreza rural. Mas estes camponeses teriam de ter ao seu dispor toda a terra e nenhuma seria colocada nas mãos do investimento estrangeiro. É urgente uma escolha política.

 

Teresa Smart é umavisiting fellow” no Institute of Education of the University of London. É autora do Livro de Matemática - Ensino Técnico e co-autora de Há mais bicicletas - mas há desenvolvimento?, Zimbabwe Takes Back its Land, Beggar Your Neighbours e Apartheid's Second Front. De 1980 a 1985 trabalhou em Moçambique como professora de matemática no Instituto Industrial e depois como coordenadora de matemática para a Secretariado de Estado do Ensino Técnico e Profissional.

 

 Joseph Hanlon é um “visiting senior fellow” na Open University, London School of Economics, e University of Manchester, em Inglaterra. Tem vindo a escrever sobre Moçambique desde 1978 e é o editor do Boletim sobre o processo político em Moçambique desde 1993. É co-autor de Há mais bicicletas - mas há desenvolvimento?, Zimbabwe Takes Back its Land, Beggar Your Neighbours e Moçambique e as Grandes Cheias de 2000, e autor de Paz sem Benefício - Como o FMI bloqueia a reconstrução de Moçambique, Mozambique: Who Calls the Shots, e Just Give Money to the Poor.

 

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publicado às 00:29

 

 

Hoje mesmo, daqui a bocado, na Kulungwana (na estação dos CFM) acontecerá o lançamento do livro "Arte e Artistas em Moçambique: diferentes gerações e modernidades", obra de Alda Costa, autora que é a "autoridade" (mais do legítima) sobre a história de arte moçambicana. Ali mesmo acontecerá a inauguração de uma exposição da sua colecção particular, "uma colecção, múltiplas conexões". O que é muito interessante, e por duas razões: primeiro para saber (cuscar) o que alguém como Alda Costa mais reclamou para si (dentro das possibilidades aquisitivas, claro) nestas décadas de intensa actividade cultural que vem tendo; e, em segundo lugar, porque poderá ser um passo na realização de outras apresentações de colecções particulares, donas de espólios riquíssimos da arte moçambicana, desconhecida de tantos, até pela exiguidade do disponível em instituições públicas (estatais ou privadas). Espero que funcione como desafio.

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publicado às 15:10

 

 

A feira do livro em Lisboa começa amanhã. Chamo a atenção das carteiras dos potenciais interessados que este ano haverá um pavilhão do livro moçambicano, organizado pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco. No qual, segundo me dizem, se congregarão as editoras nacionais. A actividade editorial tem crescido nos últimos anos, sendo de esperar que a conjunto de obras ali disponibilizadas possa satisfazer os amadores de Moçambique e os curiosos. E também os leitores com interesses profissionais. 

 

Certo que há editoras associadas a congéneres portuguesas (Leya, Texto, Porto, Paulistas) que talvez tenham outras hipóteses de colocação dos seus livros em Portugal. Mas espero que integrem este pavilhão. Para além disso outras há em verdadeiro crescimento. Em particular a "Alcance", que tem editado bastante literatura nacional e importantes reedições de obras há muito esgotadas (textos de 1980s e 1990s, na sua maioria). E a "Marimbique", a editora que mais belos livros faz no país, cujo catálogo inclui um excelente conjunto de ensaios sobre várias temáticas em Moçambique.

 

Deixo aqui duas recomendações, obras que estou a ler e a muito gostar, e que espero disponíveis nesse pavilhão:

 

 

Este muito recente "A Alegria é Uma Coisa Rara", de António Sopa [publicado pela Marimbique], a história social da música no Lourenço Marques de XX. A formação e disseminação dos ritmos populares sitos nos subúrbios, em mescla dos ritmos de várias origens no país, culminando na celebrização do ritmo marrabenta no "cimento", e o contacto com o jazz, bem como as dimensões sociológicas das festas, concertos e do comércio musical. É, e digo-o com franqueza, um livro soberbo.

 

 

 

E o último livro de Ungulani Ba Ka Khosa, este "Entre as Memórias Silenciadas" (da Alcance), o seu regresso à excelência, em minha opinião o grande texto de Khosa desde os anos 90s, uma devastadora apneia na história moçambicana. Imperdível.

 

Mas há mais, será só ir lá ao tal pavilhão. Tenham muitas despesas, é o meu desejo.

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publicado às 13:21

 

Hoje duas sessões simultâneas de apresentação de quatro livros, não há dúvida que Maio anda animado em Maputo. Na ECA às 17.30 apresentação de dois deles, projectos apoiados pela Kulungwana e editados pela Marimbique: "Kikiriki", um trabalho de Ciro Pereira sobre o maestro Filipe Machiana, muito apetecível, já aqui ao meu lado. E o "A Alegria é uma Coisa Rara", história da música em Lourenço Marques, de António Sopa, um livro verdadeiramente soberbo, que estou a acabar de ler e que mais do que recomendo, absolutamente imperdível. 

 

No Camões, casa que obviamente reanimou, Adelino Timóteo apresenta às 18 horas dois livros publicados pela Alcance, "Nós, os de Macurungo" e "Não Chores Carmen".

 

 

 

 

Amanhã, também por aquela hora das 18 horas, e também no Camões, é apresentada a edição moçambicana (Ndjira) do último livro de João Paulo Borges Coelho, "Rainhas da Noite". Que já li e muito recomendo. Mas sobre o jpbc está o ma-schamba cheio de elogios, não se justifica continuá-los, qual ladainha. Apenas ecoar. O livro, que saíu em edição portuguesa há alguns meses, já foi lido por vários amigos e amigas meus. Que sendo leitores habituais do autor enchem de elogios este seu último. Como tal recomendável.

 

 

 

 

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publicado às 09:15

As rainhas da noite, de jpbc

por jpt, em 04.03.14

 

 

 

aqui disse que o estava a ler, li-o então, num golpe. Gostei, bastante. Próximo de mim, muito  próximo, quase próximo e algo próximo, há gente que adorou. Eu sou militante deste escritor - ajudará a amizade, ajuda o contexto em que vivo. Mas não só, disso estou mais do que certo. Não sei se este "Rainhas da Noite" já está distribuído/editado em Moçambique. Quem pode lê-lo avance, sff. É uma recomendação, cheguem-se sem medo. 

 

Há pouco tempo disseram-me que o jpbc foi entrevistado por Carlos Vaz Marques na TSF. A gravação está aqui, basta "clicar" para ouvir. É aprazível.

 

Há dois pontos: a entrevista foi feita na altura do "O Olho de Hertzog". O livro foi falado, premiado e, presumo, vendido. Quatro anos depois, neste 2014 ano do centenário do começo da I Guerra Mundial será altura para a ele se voltar. Pois ele se passa durante a guerra e nela, também, centrado. Pois ele se passa na guerra acontecida em Moçambique - a qual, já agora, é tão desconhecida, tanto aqui como em Portugal.

 

Agora Vaz Marques abordou o "Rainhas da Noite", numa rubrica chamada "o livro do dia". Para quem ainda não leu o livro fica aqui, um breve resumo. E depois vão ler. O Tete, agora tão falado.

 

 

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publicado às 18:23

 

 

No seguimento do seu belo painel de actividades a Kulungwana (na estação dos CFM de Maputo) organizará no próximo dia 20 de Fevereiro, quinta-feira, às 18 horas, uma dupla actividade recordando Ricardo Rangel. Inaugura uma exposição de fotografias suas (que se poderá visitar até 9 de Março), dita "Uma História - Mil Estorias".

 

E apresenta um livro colectivo dedicado à obra do fotógrafo, "Ricardo Rangel: Insubmisso e Generoso", o qual brotou de um encontro que lhe foi dedicado, realizado em Julho de 2012 (e que aqui referi), agregando textos então apresentados e alguns outros.

 

Recordo que tive o prazer de participar nesse encontro. O texto da minha comunicação ficou fora desta publicação, excessivamente coloquial para a integrar, uma coisa de ocasião que seria agora redundante - e Rangel implicava imenso com as redundâncias, como o mostrou no seu delicioso livro "Foto-jornalismo ou Foto-confusionismo", uma pérola de ironia pedagógica infelizmente algo esquecida.

 

De qualquer modo, para quem tiver curiosidade, e como aperitivo para o livro que aí vem (e para a exposição), aqui deixo a ligação para esse meu texto-homenagem ao grande Rangel, dedicado à sua longa reportagem sobre a então rua Major Araújo (hoje Bagamoyo), a sede do bas-fond da cidade de então: "A Lente Pertinente: Ricardo Rangel no "Pão Nosso de Cada Noite".

 

Até dia 20, dia para lembrar, um bocado mais do que o habitual, o grande Ricardo Rangel.

 

 

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publicado às 14:14

Convite para o lançamento

por jpt, em 27.11.13

Sexta-feira próxima será a apresentação de mais uma iniciativa editorial da Escola Portuguesa de Moçambique, sempre integrando a participação de artistas plásticos moçambicanos, algo muito saudável. Ao fim da tarde será um bom programa ...

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publicado às 09:29

Borges Coelho em Lisboa

por jpt, em 06.11.13

Amanhã, quinta-feira 7 de Novembro, em Lisboa acontecerá a apresentação pública do último livro de João Paulo Borges Coelho, este "Rainhas da Noite". Será, redundância absoluta pois está na imagem acima reproduzida, na Livraria Bucholz, perto do Marquês de Pombal, ao fim da tarde. Quem puder vá lá. Ouvir. E comprar o livro, claro. Já o li, gostei. Ao meu lado já o leram, e gostaram. 

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publicado às 09:58

 

Aqui está o regresso do João Paulo Borges Coelho. Chegou-me ontem à noite às mãos este "Rainhas da Noite", algo entre Moatize (Tete), na mina do carvão, e Maputo, cá em baixo, entre o passado lá e o futuro cá. Quem mo passou para as mãos acabara de ler este mesmo exemplar, chegado de Lisboa. E, fan do escritor tal como eu o sou, disse entre sorrisos: "é o melhor livro dele". A ler vou já, enquanto procuro as rainhas da noite que existam por cá.

 

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publicado às 08:07

 

(Postal escrito para o Delito de Opinião)

 

(Re)acabei agora este "A Maldição de Ondina" de António Cabrita. O autor, patrício imigrado em Moçambique há uma série de anos, que o XXI vai passando, poeta, prosador, jornalista, argumentista, crítico, professor, bloguista, editor, tradutor, vai tendo por cá uma actividade intensa, constante e profunda, afixada em vários livros, disseminada em múltiplos textos, um ritmo que não lhe prejudica densidade e ponderação. Este romance, publicado inicialmente no Brasil (Letras Selvagens, 2011) sairá em breve em Portugal (Abysmo), e também por isso aproveito esta nossa "série" no Delito de Opinião para o anunciar, coisa que vem do interesse do livro e desta vontade de amiguismo, que o Cabrita é um tipo que vale a pena e também porque se o bloguismo vale para algo é para dar uns abraços a quem nos apetece.

 

Aqui deixa o seu olhar, desencantado parece-me, sobre o seu Moçambique, esse onde nos encastramos. Um verbe mais depurada do que a sua habitual. Sem pitada de exotismos, das belezas tropicais ou das pobrezas bíblicas, sem mistérios austrais ou abismos pós-coloniais, utopias desvanecidas ou boas causas, mais ou menos poetizadas, que abundam em tantos outros. Com recurso a uma linha policial - e nisso, só nisso, se aparentando a algumas outras construções ficcionais portuguesas recentes sobre o país -, que acaba por ser apenas o fio de prumo para equilibrar as múltiplas variáveis do bailado melancólico que avassala as personagens.

 

Um manifesto iluminista, até expresso no título, em que o Cabrita se insurge com a persistência da história (de uma tradição moderna, direi), que vê como desagregadora, violadora da reciprocidade necessária ao bem comum, comunitarista que assim se desvenda o autor. Ainda assim, talvez paradoxal, europeu desiludido, deixando entender como é a prática africana que alimenta a acção europeia - é assim que vejo a articulação entre os dois protagonistas, o moçambicano Raul e o pós-moçambicano César (neste habitando algo do próprio autor, digo eu). No final, optimista trágico (?), deixa o autor a ténue esperança de uma mitigada redenção.

 

Raramente gostei tanto de um livro com o qual tanto discordo. Leiam-no, é a minha palavra.

 

 

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publicado às 07:35


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