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Terça-feira ao fim do dia, na Mediateca do BCI (na baixa) o lançamento do belo livro do Paulo Alexandre.

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publicado às 00:45

A primeira sessão deste semestre dos já tradicionais seminários do Departamento de Arqueologia e Antropologia da UEM. Na próxima terça-feira, no "campus" pelas 10 da manhã com Teresa Smart e Joseph Hanlon, abordando o seu recente livro.

 

Sinopse:

 

Moçambique importa alimentos e ao mesmo tempo aqueles que os produzem continuam pobres porque a produção agrícola é muito baixa. A maioria das pessoas continua a cultivar a terra como faziam os seus avós. Mas desde o fim da guerra, há duas décadas, tem surgido um novo grupo de agricultores mais dinâmicos. Hoje contam-se já 68 000 pequenos e médios agricultores comerciais. Tal como os seus vizinhos, antigamente tinham apenas 1 hectare de terra e usavam a enxada como utensílio. Hoje cultivam entre 3 e 20 hectares e produzem principalmente para comercializar. Criaram emprego a nível da sua comunidade e estimulam a economia local.

Teresa Smart e Joseph Hanlon são os autores de Há mais bicicletas, mas há desenvolvimento? Para este livro, eles analisaram mais de perto este grupo de produtores dinâmicos – mas que poucos conhecem – e mostram de que maneira eles se expandiram.

O apoio para estes agricultores emergentes veio quase inteiramente de fora de Moçambique. As companhias estrangeiras que produzem a contrato promovem o tabaco e o algodão. O “sector público internacional” dos doadores, ONGs e agências internacionais, apoiam a soja e a mandioca. Estas companhias a contrato e organizações do sector público, providenciam os mercados essenciais, o crédito, a tecnologia e o apoio na prática. Estes produtores agrícolas passaram a ser pequenas e médias empresas (PMEs) e são agora o sector mais dinâmico da economia rural.  

Desde a independência, o governo – com o apoio de muitos doadores – seguiu a estratégia dual de tentar elevar a produtividade dos camponeses mantendo-os nas suas parcelas de um hectare e a trabalhar só com a enxada, concessionando o resto das terras a grandes plantações mecanizadas. Mas isto não funciona. Foram poucas as novas grandes plantações que tiveram sucesso e mesmo o Banco Mundial pensa que essas explorações agrícolas pertencentes a companhias estrangeiras estão condenadas ao fracasso. Mantendo as famílias na sua machamba de um hectare e a desbravar à enxada, é mantê-las permanentemente na pobreza, porque a maioria desses pequenos agricultores não tem dinheiro para comprar sementes e adubos.

Este livro mostra que os próprios produtores agrícolas moçambicanos podem tomar a dianteira se tiverem apoio para expandir a sua área cultivada e tornarem-se agricultores comerciais. Assim seriam criados empregos rurais, seria estimulada a economia rural, e no fim, seria reduzida a pobreza rural. Mas estes camponeses teriam de ter ao seu dispor toda a terra e nenhuma seria colocada nas mãos do investimento estrangeiro. É urgente uma escolha política.

 

Teresa Smart é umavisiting fellow” no Institute of Education of the University of London. É autora do Livro de Matemática - Ensino Técnico e co-autora de Há mais bicicletas - mas há desenvolvimento?, Zimbabwe Takes Back its Land, Beggar Your Neighbours e Apartheid's Second Front. De 1980 a 1985 trabalhou em Moçambique como professora de matemática no Instituto Industrial e depois como coordenadora de matemática para a Secretariado de Estado do Ensino Técnico e Profissional.

 

 Joseph Hanlon é um “visiting senior fellow” na Open University, London School of Economics, e University of Manchester, em Inglaterra. Tem vindo a escrever sobre Moçambique desde 1978 e é o editor do Boletim sobre o processo político em Moçambique desde 1993. É co-autor de Há mais bicicletas - mas há desenvolvimento?, Zimbabwe Takes Back its Land, Beggar Your Neighbours e Moçambique e as Grandes Cheias de 2000, e autor de Paz sem Benefício - Como o FMI bloqueia a reconstrução de Moçambique, Mozambique: Who Calls the Shots, e Just Give Money to the Poor.

 

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publicado às 00:29

 

 

Hoje mesmo, daqui a bocado, na Kulungwana (na estação dos CFM) acontecerá o lançamento do livro "Arte e Artistas em Moçambique: diferentes gerações e modernidades", obra de Alda Costa, autora que é a "autoridade" (mais do legítima) sobre a história de arte moçambicana. Ali mesmo acontecerá a inauguração de uma exposição da sua colecção particular, "uma colecção, múltiplas conexões". O que é muito interessante, e por duas razões: primeiro para saber (cuscar) o que alguém como Alda Costa mais reclamou para si (dentro das possibilidades aquisitivas, claro) nestas décadas de intensa actividade cultural que vem tendo; e, em segundo lugar, porque poderá ser um passo na realização de outras apresentações de colecções particulares, donas de espólios riquíssimos da arte moçambicana, desconhecida de tantos, até pela exiguidade do disponível em instituições públicas (estatais ou privadas). Espero que funcione como desafio.

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publicado às 15:10

 

 

A feira do livro em Lisboa começa amanhã. Chamo a atenção das carteiras dos potenciais interessados que este ano haverá um pavilhão do livro moçambicano, organizado pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco. No qual, segundo me dizem, se congregarão as editoras nacionais. A actividade editorial tem crescido nos últimos anos, sendo de esperar que a conjunto de obras ali disponibilizadas possa satisfazer os amadores de Moçambique e os curiosos. E também os leitores com interesses profissionais. 

 

Certo que há editoras associadas a congéneres portuguesas (Leya, Texto, Porto, Paulistas) que talvez tenham outras hipóteses de colocação dos seus livros em Portugal. Mas espero que integrem este pavilhão. Para além disso outras há em verdadeiro crescimento. Em particular a "Alcance", que tem editado bastante literatura nacional e importantes reedições de obras há muito esgotadas (textos de 1980s e 1990s, na sua maioria). E a "Marimbique", a editora que mais belos livros faz no país, cujo catálogo inclui um excelente conjunto de ensaios sobre várias temáticas em Moçambique.

 

Deixo aqui duas recomendações, obras que estou a ler e a muito gostar, e que espero disponíveis nesse pavilhão:

 

 

Este muito recente "A Alegria é Uma Coisa Rara", de António Sopa [publicado pela Marimbique], a história social da música no Lourenço Marques de XX. A formação e disseminação dos ritmos populares sitos nos subúrbios, em mescla dos ritmos de várias origens no país, culminando na celebrização do ritmo marrabenta no "cimento", e o contacto com o jazz, bem como as dimensões sociológicas das festas, concertos e do comércio musical. É, e digo-o com franqueza, um livro soberbo.

 

 

 

E o último livro de Ungulani Ba Ka Khosa, este "Entre as Memórias Silenciadas" (da Alcance), o seu regresso à excelência, em minha opinião o grande texto de Khosa desde os anos 90s, uma devastadora apneia na história moçambicana. Imperdível.

 

Mas há mais, será só ir lá ao tal pavilhão. Tenham muitas despesas, é o meu desejo.

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publicado às 13:21

 

Hoje duas sessões simultâneas de apresentação de quatro livros, não há dúvida que Maio anda animado em Maputo. Na ECA às 17.30 apresentação de dois deles, projectos apoiados pela Kulungwana e editados pela Marimbique: "Kikiriki", um trabalho de Ciro Pereira sobre o maestro Filipe Machiana, muito apetecível, já aqui ao meu lado. E o "A Alegria é uma Coisa Rara", história da música em Lourenço Marques, de António Sopa, um livro verdadeiramente soberbo, que estou a acabar de ler e que mais do que recomendo, absolutamente imperdível. 

 

No Camões, casa que obviamente reanimou, Adelino Timóteo apresenta às 18 horas dois livros publicados pela Alcance, "Nós, os de Macurungo" e "Não Chores Carmen".

 

 

 

 

Amanhã, também por aquela hora das 18 horas, e também no Camões, é apresentada a edição moçambicana (Ndjira) do último livro de João Paulo Borges Coelho, "Rainhas da Noite". Que já li e muito recomendo. Mas sobre o jpbc está o ma-schamba cheio de elogios, não se justifica continuá-los, qual ladainha. Apenas ecoar. O livro, que saíu em edição portuguesa há alguns meses, já foi lido por vários amigos e amigas meus. Que sendo leitores habituais do autor enchem de elogios este seu último. Como tal recomendável.

 

 

 

 

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publicado às 09:15

As rainhas da noite, de jpbc

por jpt, em 04.03.14

 

 

 

aqui disse que o estava a ler, li-o então, num golpe. Gostei, bastante. Próximo de mim, muito  próximo, quase próximo e algo próximo, há gente que adorou. Eu sou militante deste escritor - ajudará a amizade, ajuda o contexto em que vivo. Mas não só, disso estou mais do que certo. Não sei se este "Rainhas da Noite" já está distribuído/editado em Moçambique. Quem pode lê-lo avance, sff. É uma recomendação, cheguem-se sem medo. 

 

Há pouco tempo disseram-me que o jpbc foi entrevistado por Carlos Vaz Marques na TSF. A gravação está aqui, basta "clicar" para ouvir. É aprazível.

 

Há dois pontos: a entrevista foi feita na altura do "O Olho de Hertzog". O livro foi falado, premiado e, presumo, vendido. Quatro anos depois, neste 2014 ano do centenário do começo da I Guerra Mundial será altura para a ele se voltar. Pois ele se passa durante a guerra e nela, também, centrado. Pois ele se passa na guerra acontecida em Moçambique - a qual, já agora, é tão desconhecida, tanto aqui como em Portugal.

 

Agora Vaz Marques abordou o "Rainhas da Noite", numa rubrica chamada "o livro do dia". Para quem ainda não leu o livro fica aqui, um breve resumo. E depois vão ler. O Tete, agora tão falado.

 

 

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publicado às 18:23

 

 

No seguimento do seu belo painel de actividades a Kulungwana (na estação dos CFM de Maputo) organizará no próximo dia 20 de Fevereiro, quinta-feira, às 18 horas, uma dupla actividade recordando Ricardo Rangel. Inaugura uma exposição de fotografias suas (que se poderá visitar até 9 de Março), dita "Uma História - Mil Estorias".

 

E apresenta um livro colectivo dedicado à obra do fotógrafo, "Ricardo Rangel: Insubmisso e Generoso", o qual brotou de um encontro que lhe foi dedicado, realizado em Julho de 2012 (e que aqui referi), agregando textos então apresentados e alguns outros.

 

Recordo que tive o prazer de participar nesse encontro. O texto da minha comunicação ficou fora desta publicação, excessivamente coloquial para a integrar, uma coisa de ocasião que seria agora redundante - e Rangel implicava imenso com as redundâncias, como o mostrou no seu delicioso livro "Foto-jornalismo ou Foto-confusionismo", uma pérola de ironia pedagógica infelizmente algo esquecida.

 

De qualquer modo, para quem tiver curiosidade, e como aperitivo para o livro que aí vem (e para a exposição), aqui deixo a ligação para esse meu texto-homenagem ao grande Rangel, dedicado à sua longa reportagem sobre a então rua Major Araújo (hoje Bagamoyo), a sede do bas-fond da cidade de então: "A Lente Pertinente: Ricardo Rangel no "Pão Nosso de Cada Noite".

 

Até dia 20, dia para lembrar, um bocado mais do que o habitual, o grande Ricardo Rangel.

 

 

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publicado às 14:14

Convite para o lançamento

por jpt, em 27.11.13

Sexta-feira próxima será a apresentação de mais uma iniciativa editorial da Escola Portuguesa de Moçambique, sempre integrando a participação de artistas plásticos moçambicanos, algo muito saudável. Ao fim da tarde será um bom programa ...

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publicado às 09:29

Borges Coelho em Lisboa

por jpt, em 06.11.13

Amanhã, quinta-feira 7 de Novembro, em Lisboa acontecerá a apresentação pública do último livro de João Paulo Borges Coelho, este "Rainhas da Noite". Será, redundância absoluta pois está na imagem acima reproduzida, na Livraria Bucholz, perto do Marquês de Pombal, ao fim da tarde. Quem puder vá lá. Ouvir. E comprar o livro, claro. Já o li, gostei. Ao meu lado já o leram, e gostaram. 

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publicado às 09:58

 

Aqui está o regresso do João Paulo Borges Coelho. Chegou-me ontem à noite às mãos este "Rainhas da Noite", algo entre Moatize (Tete), na mina do carvão, e Maputo, cá em baixo, entre o passado lá e o futuro cá. Quem mo passou para as mãos acabara de ler este mesmo exemplar, chegado de Lisboa. E, fan do escritor tal como eu o sou, disse entre sorrisos: "é o melhor livro dele". A ler vou já, enquanto procuro as rainhas da noite que existam por cá.

 

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publicado às 08:07

 

(Postal escrito para o Delito de Opinião)

 

(Re)acabei agora este "A Maldição de Ondina" de António Cabrita. O autor, patrício imigrado em Moçambique há uma série de anos, que o XXI vai passando, poeta, prosador, jornalista, argumentista, crítico, professor, bloguista, editor, tradutor, vai tendo por cá uma actividade intensa, constante e profunda, afixada em vários livros, disseminada em múltiplos textos, um ritmo que não lhe prejudica densidade e ponderação. Este romance, publicado inicialmente no Brasil (Letras Selvagens, 2011) sairá em breve em Portugal (Abysmo), e também por isso aproveito esta nossa "série" no Delito de Opinião para o anunciar, coisa que vem do interesse do livro e desta vontade de amiguismo, que o Cabrita é um tipo que vale a pena e também porque se o bloguismo vale para algo é para dar uns abraços a quem nos apetece.

 

Aqui deixa o seu olhar, desencantado parece-me, sobre o seu Moçambique, esse onde nos encastramos. Um verbe mais depurada do que a sua habitual. Sem pitada de exotismos, das belezas tropicais ou das pobrezas bíblicas, sem mistérios austrais ou abismos pós-coloniais, utopias desvanecidas ou boas causas, mais ou menos poetizadas, que abundam em tantos outros. Com recurso a uma linha policial - e nisso, só nisso, se aparentando a algumas outras construções ficcionais portuguesas recentes sobre o país -, que acaba por ser apenas o fio de prumo para equilibrar as múltiplas variáveis do bailado melancólico que avassala as personagens.

 

Um manifesto iluminista, até expresso no título, em que o Cabrita se insurge com a persistência da história (de uma tradição moderna, direi), que vê como desagregadora, violadora da reciprocidade necessária ao bem comum, comunitarista que assim se desvenda o autor. Ainda assim, talvez paradoxal, europeu desiludido, deixando entender como é a prática africana que alimenta a acção europeia - é assim que vejo a articulação entre os dois protagonistas, o moçambicano Raul e o pós-moçambicano César (neste habitando algo do próprio autor, digo eu). No final, optimista trágico (?), deixa o autor a ténue esperança de uma mitigada redenção.

 

Raramente gostei tanto de um livro com o qual tanto discordo. Leiam-no, é a minha palavra.

 

 

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publicado às 07:35

O Prémio Camões para Mia Couto

por jpt, em 28.05.13

 

No ma-schamba há várias referências a Mia Couto, colocadas ao longo dos anos. Há algum tempo referi que "sou um mau leitor de Mia Couto, transporto-me com dificuldade para a sua ficção. E gosto muito dos seus textos de opinião, pelo que diz, pela forma como o apresenta." E nesse âmbito não esqueço nunca o seu extraordinário texto, de sentimento e de coragem, até física, lido no funeral de Carlos Cardoso. Que mais me fez admirar o homem ali, sempre gentil no seu jeito muito próprio, para além do escritor afamado, reconhecido. E sempre amado pelos leitores, um tipo que não precisa de confrontar quem o aprecia, sinal de grandeza.

 

Neste agora em que lhe é atribuído o Prémio Camões deixo um poema que lhe foi dedicado: 

 

 

Praia do Savane

 

Tu apenas tu e rodeando-te

a imensidão do mar

e a savana imensa

e o céu abrindo e fechando

todo o horizonte à sua volta.

 

O bramido oceânico

e o fundo silêncio da savana.

E a solidão a solidão

e as aves marinhas

confirmando a solidão ...

 

Livre te sentes é verdade

mas também perdido

e inútil esta liberdade

Adão que és agora ínfimo

desolado e inquieto

contemplando o mar perplexo

contemplando-o como se as ondas

te pudessem decifrar o mistério

desta absurda criação

de deserto de mar e de terra

de silêncio de vento e de aves ...

 

[Fernando Couto, 1985, em "Monódia"]

 

 

E ocorre-me repetir o conteúdo de um postal colocado há dois anos: "as capas nas estantes cá de casa. Até para conferir(mos) o que falta ...", que coloquei exactamente a propósito da formação de um grupo dos seus leitores que apelavam a que se lhe atribuísse o "Camões".  

 

 

[Cada Homem é Uma Raça, Caminho, 1990]

[A Chuva Pasmada, Ndjira]

[Contos do Nascer da Terra, Ndjira, 1997]

[Estórias Abensonhadas, Ndjira, 2ª edição, 1997 (1994). Ilustrações de João Nasi Pereira]

[Ilha da Inhaca. Mitos e Lendas na Gestão Tradicional de Recursos Naturais, Impacto, 2001. Coordenação de Mia Couto]

[Idades Cidades Divindades, Ndjira, 2007]

[Jesusálem, Ndjira, 2009]

[Mar me quer, Ndjira, 1998]

[Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos, Ndjira, 2001]

[O Fio das Missangas, Ndjira, 2004]

[O País do Queixa-Andar, Ndjira, 2003]

[O Último Vôo do Flamingo, Ndjira, 2000]

[E se Obama Fosse Africano? e Outras Intervenções, Caminho, 2ª edição, 2009]

[O Pátio das Sombras, Escola Portuguesa de Moçambique/Fundació Contes pel Món, 2009. Desenhos de Malangatana]

[Pensando Igual, Moçambique Editora, 2005 (com Moacyr Scliar e Alberto da Costa Silva]

[Pensatempos. Textos de Opinião, Ndjira, 2005]

[Raíz de Orvalho e Outros Poemas, Ndjira, 2ª edição, 1999 (1983)]

[Terra Sonâmbula, Ndjira, 1996]

[Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, Ndjira,  2ª edição, 2002]

[A Varanda do Frangipani, Caminho, 1996]

[Venenos de Deus Remédios do Diabo, Ndjira, 2008]

[Vinte e Zinco, Ndjira, 1999]

[A Confissão da Leoa, Caminho, 2012]

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publicado às 04:28

Torquato da Luz

por jpt, em 26.03.13

 (Imagem encontrada aqui)

 

Leio a nota que sua filha colocou ontem no seu tão cuidado blog Ofício Diário, anunciando-nos, aos fiéis leitores, a morte de Torquato da Luz. Sabia-lhe o nome, o papel na imprensa portuguesa, em particular em tempos épicos da instauração da democracia. Mas foi nesse "Ofício Diário" que o conheci, acompanhando-o ali, onde durante anos, desde 2004, de um modo paciente, apaixonado e tão sóbrio, partilhou a sua poesia.

 

Sou um mau leitor de poesia, impaciente, quantas vezes buscando-lhe o rumo e mesmo desenlaces que ela não quer ter. Ou que eu não consigo descortinar. E nisso lembro agora que, há um mês, ao chegar ao "Sem drama", último poema que ali deixou, me senti retratado naquele, nada acusatório mas tão descansadamente irónico, transpirando a bonomia do homem vivido e sábio, "Poucas pessoas gostam de poesia, / embora a maioria, / como é sabido, diga que sim. / (...) / Vicejando em qualquer lado, / há quem a ponha na lapela / para o encontro aprazado. / Outros mostam-na à janela / no lugar do cortinado. / Mas, sem que nisso haja drama, / raros são decerto aqueles / que a fazem dormir com eles / noite após noite na cama". Pensei até enviar-lhe nota dessa minha sensação de retratado, "sem drama" claro. Falhei nisso, perdendo-me em demoras.

 

Com gentileza, que me foi até surpreendente, e que inicialmente atribuí à solidariedade no seio desta confraria bloguística, foi-me enviando os livros que ia publicando. Agradeci-lhos, com sinceridade, mas nunca me atrevi a perguntar-lhe da razão de ofertar este leitor sempre silencioso. Fiquei-me com a ideia, fico-me com ela, pois me é agradável, que fosse forma dele remeter o seu trabalho para este Maputo, o ex-Lourenço Marques, onde um dia, longínquo das quatro décadas já decorridas desde 1971-2, entrou com os seus poemas nessa espantosa, até lendária, aventura do "Caliban", revista como-se-fundacional capitaneada por António Quadros (então J.P. Grabato Dias) e Rui Knopfli. Sendo assim meio de refutar, pelo menos em parte, aquilo do "Tudo o que outrora soube e já esqueci: / os nomes, coisas, datas e lugares. / (...) / Tudo o que tive e nunca mais terei." (em "Tudo"), neste caso um seu lugar de ombrear poético.


Assim sendo, deixando-me crer nesta versão, nesta sua morte regresso ao Torquato da Luz de "Caliban", neste meu volume que um dia, abençoado seja, José Soares Martins e Nelson Saúte, abençoados sejam, decidiram reeditar e reavivar. A um Torquato da Luz invejável, capaz de deixar isto (será que o viveu?, e se sim ainda mais invejável ..., invejo-o eu, sempre estancado diante da aflição):


Apenas aflição


Apenas aflição e nada mais.

Um arrepio correndo o corpo todo.

Estar aflito é um modo

de estar com os demais.


Aflito. Como se um rio

de súbito saído do seu leito

afogasse o navio

do corpo a que estou sujeito.


Não temas. É aflito que escrevo.

Aflito realizo

ser de tudo o que vejo o dono e o servo.


Tudo o mais que preciso

é saber que me devo

um permanente aviso.


(Caliban, nº 3-4)

 

Adenda: também coloquei este postal no Delito de Opinião. Lá, nos comentários, Ana Vidal deixou um poema auto-retrato de Torquato da Luz. Mais do que se justifica trazê-lo para aqui:

 

O QUE DER E VIER

Tributário apenas da verdade,
avesso a peias e grilhetas,
feito da massa dos poetas
e dos que amam a liberdade,
sensível à dor própria e à dor alheia,
lutando até ao fim por uma ideia
de peito aberto e sem ter medo
de nada nem de ninguém,
capaz de guardar segredo
mas de o revelar também,
eis como sempre hei-de ser
para o que der e vier.


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publicado às 07:02

Finta Finta, de Paola Rolletta

por jpt, em 09.03.13

 

Abaixo a AL referiu o livro "Finta Finta", uma selecção do futebol moçambicano através dos próprios jogadores e suas histórias de vidas, agora ofertado a um ministro português.

Justifica-se recordá-lo. Não só pela autora, uma jornalista que é amiga deste blog, no sentido em que é amiga de alguns de nós e a gente gosta disso. Também por esses afectos, coisas da sua doçura, mas também porque gostamos do que faz, há uma série de textos dela metidas e/ou referidos no blog, basta consultar Paola Rolletta e conhecê-los.

Para mim tem também um significado especial este "Finta Finta". Pois no seu lançamento imaginei-me repórter e fiz a crónica do evento, mesclada com uma leitura do livro. Está aqui:"Finta Finta".

Passados dois anos o livro ainda não se esgotou, podem ir buscar. Em Portugal não. Haveria, com toda a certeza, público consumidor. Quando saíu teve referências elogiosas nas estações televisivas e nos semanários (ou diários aos fim-de-semana) da praxe. Mas ninguém se lembrou de o editar.

Nem vale a pena comentar. Não é a publicar ou vender livros que ganho a vida. Mas que há tipos que enfim ... há.

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publicado às 14:28

"A Viagem" de Tatiana Pinto

por jpt, em 24.11.12

 

Acabado de publicar, lançado hoje mesmo, este novo livro da colecção "Contos e Histórias de Moçambique", uma série infanto-juvenil que é uma iniciativa da Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino de Língua Portuguesa. É o "A Viagem", uma adaptação de um conto moçambicano (recolhido por Junod, e muito saudavelmente apresentado no final do livro).  As belas ilustrações são um produto colectivo, com base em trabalhos originais do artesão Tomás Muchanga, editados por Luís Cardoso (um resultado muito bem conseguido). O texto é de Tatiana Pinto, no que é já o seu segundo livro (a Tatiana é muito querida nesta família, o que nos incrementa o desvelo com que acompanhamos esta sua via literária). O tema é a afirmação de género (entenda-se, a igualdade de estatutos e direitos), mas abordada com um carinho nada invectivador, uma sedução literária a fruir, uma atitude intelectual a partilhar.

 

Um livro bonito, a usar e a ofertar. Gostámos muito.

 

###

 

Uma nota, completamente lateral ao livro e aos autores, ortográfica que é. E antipática:

 

[eu tinha refeito o texto e retirado esta nota, deixando-a para um texto autónomo sobre a matéria. Acontece que este postal já estava comentado, referindo-a. Assim opto por voltar à "primeira forma"]

 

A EPM-CELP é uma instituição do estado português que nasceu como de "cooperação" no ensino (ainda que de facto seja algo diverso). Como tal faz-me alguma confusão que edite, em Moçambique, e para Moçambique (e, inclusivamente, para distribuição "gratuita nas escolas públicas e centros infantis de poucos recursos" no país), uma obra de escritora e artistas moçambicanos numa grafia que não é a nacional. Não só, nem fundamentalmente, por aquilo que tantos vão dizendo, isso de que a adopção do acordo ortográfico no contexto português assenta numa ilegalidade. Mas porque - e apesar de haver os tristes antecedentes locais, muito tristes acho, tão tristes que nem os adjectivo, da Ndjira (uma sucursal da Leya/Caminho, a olhar para aqui como se fosse Lisboa) e da própria Marimbique (a dizer-me que a olhar o futuro inevitável, e eu a não concordar) -, não me parece muito curial que o estado português (através da sua escola) edite aqui (repito, edite aqui) e dissemine - gratuitamente - a grafia que não está acordada no país. É uma espécie de (pouco) subtil imposição, um fait accompli desrespeitador da soberania (gráfica) local. Entenda-se, uma coisa é ensinar dentro de portas da Escola Portuguesa (onde a adopção é criticável, mas compreensível dada a pressão política), outra é publicar para distribuir fora de portas - sendo que, ainda por cima, nem em Portugal é obrigatória a utilização da "nova" grafia.

 

Ou seja, é uma questão cultural mas também uma questão política.

 

Estou a ser antipático? Poluindo a nota sobre a obra da amiga, cutucando a equipa editorial, gente amiga, resmungando com a EPM, cheia de gente amiga? Talvez. Mas é a minha forma de ser "ativista" (sic) face a uma "colecção" (sic). Para bons entendedores duas citações chegarão. Não é uma gralha (à escolha, qual delas o poderá ser). É apenas o confusionismo. O confusionismo gráfico que reina entre os colaboracionistas com o obscurantismo. Lusófono. Perdão, luso-tropical. Ele próprio confusionista. Ontologicamente confusionista.

 

jpt

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publicado às 01:12


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