A Ilha em Lisboa

Inauguração no dia 9 de Julho, próxima quarta-feira, às 19.30. Em Lisboa, na Fábrica de Braço de Prata (aos Olivais), com a presença dos seus autores Sérgio Santimano e Luís Abelard: “Ilha de Moçambique a preto e cor“. E lá estará durante o mês de Julho.

(Luis Abelard)

(Sérgio Santimano)

Ilha de Moçambique: a face do Tufo

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[Maio de 2008]

Janina, de há muito a estrela do “Estrela Vermelha”. A face do Tufo. Vénia …

Ilha de Moçambique: lixeira

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[Maio 2008]

Lixeira da Ponta da Ilha. A ser transferida …

Escolinha

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[Maio de 2008]

Escolinha, bairro Maringué, Gembesse. Colega e seus alunos.

Ilha de Moçambique: a nave dos loucos

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[Maio de 2008]

Uma inovação urbanística na Ilha: a nave dos loucos. Auto-construção fronteira ao cemitério, ponta da Ilha. A imediata sensibilidade impressiona-se face às condições de vida (veja-se o tamanho das casas) dos “loucos” - não tive oportunidade de indagar se não se trata da tradicional exclusão dos “outros”, mera marginalização dos “vagabundos” a-sociados. A sensibilidade segunda sorri com a permissão de construção aos marginalizados mesmo junto à entrada da cidade (que se quer turística). Magnifíca, ainda que não estética, concepção de inclusão - e digo-o sem ironia. Ainda que solidário com a miséria visível. Pois muito antes assim do que a escondê-los.

Ilha de Moçambique: poesia popular

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[Maio de 2008]

Grafiti no “Matadouro”: poesia popular

Do continente

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[Sanculo, Maio de 2008]

Escreve um texto doce. Regista uma imagem - a mais rara. Traz bocadinhos dessa luz. Quando vieres espalha tudo isso nesse sul.” - sms recebido há dias. Ando assim, até pior. É o que te consigo arranjar.

Mangal do Sanculo

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 [Maio de 2008]

A reabilitar?

Homenageando uma amiga

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[Maio de 2008]

Comemorações do Dia Mundial dos Museus no Museu da Ilha de Moçambique, uma actividade de quatro dias, realizada pelo seu director e pela curadora dos museus da Ilha. Aqui registo de uma das palestras da curadora Sara Teixeira. Minha homónima, minha patrícia, minha ex-colega (de quando eu fui cooperante português), mulher de mão-cheia e de grande paixão profissional pelo que vem fazendo. Com denodo animando os museus locais. E em terríveis condições logísticas existenciais.

Para ela e para as três miúdas - mais novas que a Carolina - um grande beijo. Foi um desprazer nocturno ter que ir carregar-vos os bidões de água. Sem carro numa ilha? E esta agora sem água? Vénia dobrada pelo profissionalismo e pela paixão. Redobrada pela coragem. Tridobrada pelo resto todo.

Aliás, lá de onde vimos já não há gente assim. Partiram o molde, ouvi dizer.

Sara, um abraço ao Rui.

Ilha de Moçambique: Vila do Milénio no Lumbo

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[Maio de 2008]

A primeira pedra da Vila do Milénio, belo projecto de assentamento populacional a desenvolver muito em breve, baseado no projecto Aldeias do Milénio (Millenium Project) das Nações Unidas, uma inspiração desenvolvimentista de Jeffrey Sachs. Na sua versão moçambicana, como este projecto no Lumbo, uma obra encabeçada pelo excelente Venâncio Massingue, ministro da Ciência e da Tecnologia - prova que o desenvolvimento rural é um objecto de transferência científica e só assim se pode cumprir.

Reabilitação patrimonial

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[Maio 2008]

Ilha de Moçambique: prédio no macuti

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[Maio 2008]

Ilha de Moçambique: quase-acontecimentos de 1662

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[”Ilha de Moçambique com a representação da fortaleza de São Sebastião”, António Bocarro, Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações da Índia, Goa, 1635. Ilustrações de Pedro Barreto de Resende]

Dehérain publicou há cinquenta anos, num livro cheio de interesse - Études sur l’Afrique -, quinze páginas sobre a malograda expedição holandesa enviada em 1662 à conquista de [Ilha de ] Moçambique. Compreeendia sete navios, com 1227 homens, o que dá suficiente ideia da grande importância que lhe deu em Amsterdão o Conselho [da Companhia das Índias]. No Brasil corriam mal para os Holandeses os feitos da guerra, mercê da tenacidade com que os colonos os combatiam, mas na Índia tudo lhes corria bem. Colombo e Calecut foram tomadas em 1656, Jafanapatão em 1658 e Negapatão em 1660. Cochim, fundação do Estado da Índia, seria por nós perdida em 1663.  Os Holandeses tinham decidido expulsar os portugueses do Índico, e resolveram conquistar Moçambique, porto fundamental do comércio com a África e da dominação naquele oceano. (…)

A Companhia [das Índias] armou especialmente cinco navios, destacou mais dois da linha de Java e juntou-lhes um iate que deveria ficar depois no Cabo. Um dos navios chegou porém tarde ao Cabo e não alinhou à partida. O comando foi confiado a Huybert de Lairesse e tudo se preparou no maior segredo, a fim de nada chegar ao conhecimento da espionagem portuguesa. A Fortaleza de Moçambique deveria ser tomada de surpresa; não sendo possível, recorrer-se-ia ao assalto; o último meio a adoptar seria o cerco. (…)

A viagem da Holanda ao Cabo foi trabalhosa, com algumas baixas - perto de 90 mortos. Para recompor as guarnições, Lairesse demorou-se no Cabo até 26 de Setembro de 1662, época do ano já avançada para o resto da viagem, que de regra não deve exceder Agosto. Naquele dia deixaram o Cabo, a caminho de Moçambique, 5 navios de linha e 2 ligeiros, com 1227 homens, em que 646 eram soldados.

A notícia do malogro da expedição chegou ao Cabo em Janeiro de 1663, por um dos navios da frota. Esta tinha gasto mais de um mês para atingir o cabo das Correntes. Outro mês foi gasto para atingir a baía Verhagens, que Dehérain julga ser  (…) a actual baía de Mafamede (Mofomeno) [entre o cabo de S. Sebastião e Sofala].

Não faltaram temporais e ventos contrários; os mantimentos começaram a escassear; apareceram as doenças. Lairesse resolveu retroceder para sul do cabo das Correntes para repousar as tripulações e andou para trás em 24 horas o caminho que para diante lhe consumira cinco semanas. Ancoraram num ponto da costa a que chamaram Baracatta, e não está identificado, e aí estiveram os navios mais de um mês, ameaçados de caírem sobre a costa. Tinham morrido 114 homens e 218 estavam doentes. Lairesse decidiu desistir.

Dehérain estranha, com justa razão, que Lairesse se tivesse metido tão aventurosamente ao Índico sem respeitar o regime das monções. E foram inegàvelmente os ventos que salvaram Moçambique. A praça dificilmente poderia resistir, e, tomada, seria quase impossível reavê-la, porque o tratado de paz luso-holandês de 6 de Agosto de 1661 entraria em vigor com o status quo da data da ratificação, e possessões portuguesas que tivessem sido conquistadas pela Holanda permaneceriam em seu poder. Por isso a Companhia tanto recomendara a Lairesse que andasse ligeiro.” (meu sublinhado, jpt)

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[Alexandre Lobato, Quatro Estudos e Uma Evocação Para a História de Lourenço Marques, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1961, pp. 25-28]

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[Gravura reproduzida de Rafael Moreira (coord.), A Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1994]

A Ilha de Moçambique de Mia Couto

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Ilha de Moçambique

Não é a pedra.
O que me fascina
é o que a pedra diz.

A voz cristalizada,
o segredo da rocha rumo ao pó.

E escutar a multidão
de empedernidos seres
que a meu pé se vão afeiçoando.

A pedra grávida
a pedra solteira,
a que canta, na solidão,
o destino de ser ilha.
O poeta quer escrever
a voz na pedra.

Mas a vida de suas mãos migra
e levanta voo na palavra.

Uns dizem: na pedra nasceu uma figueira.

Eu digo: na figueira nasceu uma pedra.

(Mia Couto, idades, cidades, divindades, Maputo, Ndjira, 2008)

Obras na Fortaleza da Ilha de Moçambique

Dinheiro japonês e português, sob a tutela da UNESCO. As obras de reabilitação da Fortaleza da Ilha de Moçambique - que aqui referi - vão finalmente avançar.