Julho 12th, 2008 — Blogs, Bloguismo, Religião
Biocombustíveis e aumento de preços dos bens alimentares: excelente post no De Rerum Natura, e ligando a literatura “dura” respeitante à matéria. Perfeito para quem olha estas novas plantações de “companhias concessionárias” (magestáticas?).
[Já agora, o De Rerum Natura, pelas suas características - forma, conteúdo, excelência - mais do que um blog é um semanário.] [E o Desnorte fica-lhe bem como suplemento musical]
No A Natureza do Mal explicita-se que “é o melhor mundo possível” com uma série de obras de Michael Borremans: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7. Bloguismo notável.
Jpn comemora os cinco anos do Respirar o Mesmo Ar com um belo texto.
Usos da religião: uma pérola.
Maio 31st, 2008 — Ecologia Moçambique, Ilha de Moçambique

[Maio de 2008]
A reabilitar?
Fevereiro 26th, 2008 — Arquitectura Moçambique, Ecologia Moçambique

Qual The Artist Formerly Known as Prince, mas não como se crisálida, que não será de borboletas o futuro feito. Sim, dentro de pouco poderemos falar sobre The Beach Formerly Known as Wimbe.
Praia ícone em Moçambique, um pouco pela beleza natural, amena enseada olhando a baía de Pemba, mesmo ladeando-lhe a barra. Englobando aquela meia-dúzia de praias mais célebres desde o tempo colonial, talvez não tanto pela sua excelência - que partilham com tantos outros recantos da costa - mas pela antiguidade das suas infraestruturas turísticas: Tofo, Ponta do Ouro, Bilene, Zalala, Fernão Veloso. E o Wimbe, claro.
Ainda assim o Wimbe tem uma excelência única, exactamente o aconchego, a baía como horizonte, a (ainda) pacatez sob o arvoredo.
Memórias a manter, a guardar, agora que tudo isso mudará. Tive o “privilégio” de ver o novo projecto turístico para a praia, que gente ufana me mostrou, dessas crentes no progresso e isso, desenvolvimento turístico chamam-lhe e até acreditam. Na praia! exactamente na praia, no seio do arvoredo protector (a sul do Nautilus, para quem conhece) vão espetar um hotel, a deslizar para a água.
Este será uma construção da Vovó Donalda e do Tio Patinhas, puro Walt Disney. Tem a forma de um barco, como se paquete. Honestamente julguei que estivessem a brincar quando me mostraram as coloridas fotocópias. “Mas quem é que faz uma merda destas?” - perguntei, malcriadíssimo, ainda surpreeendido pois acreditava já ter visto tudo o que é possível nisto do campeonato do mau-gosto dos arquitectos em Moçambique (a colecção de cromos Sommerschield B - Bairro do Triunfo seria um must como programa cómico num sítio onde se saiba soletrar b-o-m-g-o-s-t-o). “Investidores moçambicanos“, dizem-me com orgulho, até nacionalista, ainda que ali um pouco desapontado dada a minha truculência, “arquitecto indiano … da Índia“.
Um arquitecto indiano aqui arribado para brincar ao Huguinho, Zezinho e Luisinho. Uns investidores moçambicanos a derrubarem o arvoredo protector, a alteraram a enseada, a assumirem a linha de água. Em suma, uma aliança internacional para foder o Wimbe. Será só cupidez e ignorância? Ou é mesmo má-vontade demencial?
Fevereiro 18th, 2008 — Cheias, Ecologia Moçambique, Viagens Moçambique

Sim, o “mighty Zambezi” em Chimuara. Sim, eu sei que as águas subiram ali, entrando nas barracas de comércio - as quais continuaram a funcionar, mas isso é outra história … O que eu continuo a não perceber, por mais anos que me passem, é como é que ninguém se lembra de colocar um contentor para o lixo. Não há administração por lá?
Fevereiro 11th, 2008 — Cheias

Telefona-me amigo a desmarcar encontro. Chego eu da Zambézia e para lá segue ele, ao encontro das cheias. Que o ocuparão nos próximos tempos - a barragem de Kariba vai aumentar as descargas dentro de muito poucos dias (amanhã?) e espera-se maior afluxo de águas por cá, talvez dentro de uma semana. Se o Zambeze já está como o vi - à vista desarmada tal como 2001, bem pior do que o ano passado, anos de cheias em que por ele andei - temo que venha bem pior agora. Para mais esperam-se agora cheias no norte da Zambézia, o Licungo transbordável [já agora, as minhas memórias das cheias do Zambeze e do Licungo de 2001 estão aqui].
No recato de Maputo alguns, ironizando, ainda encaixam as cheias com as vontades de receber/dar “ajuda”, assim invectivando receptores e doadores - será invisível a água?
No recato do burguês alguns continuam a vituperar os renitentes que não saem das áreas alagadiças. Será invisível o rude devir dos machambeiros?
No centro do país janto com quem muito percebe da terra e do como produzir. Pergunto-lhe a sua opinião sobre estes rumores de que a gestão do “grande rio” e dos seus transbordos procura afastar os camponeses das melhores terras de aluvião. “Nada”, diz. E complementa, dessa para mim sempre suspeita visão maquiavélica da História, “isso é conversa de quem não percebe”. Insiste, na bacia do rio há milhões de hectares “fillet mignon” que não estão explorados. Para instalar o grande capital agrícola não seriam precisos tais maquiavelismos.
Novembro 29th, 2007 — Ecologia Moçambique, Viagens Moçambique
Once I had a forest in Africa - Dondo (Novembro 2007).
De súbito, terminado o almoço, um pequeno passeio na propriedade. Num dos cantos uma língua de floresta original, coisa de atravessar em pouco tempo. Tropical, húmida. Assombroso. Mas também devastador, isto de ver e sentir como tudo foi no que é hoje o à nossa volta. Antes dos gafanhotos bípedes.
Outubro 10th, 2007 — Ecologia Moçambique, Imprensa Portuguesa
E como tenho tendência para a repetição (a idade, a idade), vou ali atrás só para informar os leitores dos jornais de referência portugueses: no ano passado não ardeu 83% da superfície do parque nacional da Gorongosa. Se os fogos e o abate florestal não fossem um drama divertir-me-ia este tipo de borregadas jornalísticas. Assim não tem piada nenhuma. É pura molenguice.
Outubro 1st, 2007 — Imprensa Portuguesa
Distraído, ando eu. Forma suave de dizer alienado. Pois informa agora, e com destaque, o Público (jornal português) de domingo, por via de uma reportagem feito no local, que só em 2006 ardeu 83% da área do Parque Nacional da Gorongosa. E eu sem dar por nada - pois é, distraído, alienado. Egocentrismo, blogocentrismo, alienismo.
Março 29th, 2007 — Ecologia Moçambique, Viagens Moçambique

(Tchuma Tchato. Fotografia de Fernando Costa)
Março 26th, 2007 — Cheias, Viagens Moçambique
O Milho Na Terra das Cheias.






(Do Zero a Morrumbala. Marco 2007)
Março 26th, 2007 — Ecologia Moçambique, Viagens Moçambique
(Zambeze, visto de Mutarara. Marco 2007)
Março 26th, 2007 — Cheias, Ecologia Moçambique
Sobre as cheias do Zambeze e inevitavel ler o Xitizap #31.
Fevereiro 8th, 2007 — Ecologia Moçambique
Por todo o lado, disse-o eu, observando à vista desarmada a razia florestal que ocorre em Moçambique. Carlos Serra deixa-nos pistas para seguirmos trabalho da BBC sobre a hecatombe em curso. O último Savana (jornal obviamente decadente, pois não só desprovido de parque gráfico como do hoje corriqueiro acesso informático) denuncia a pilhagem via reportagem “Take Away Chinês”. Haverá alguma árvore de pé antes de se tomarem efectivas medidas? Há alguns anos diziam-me no Niassa que a fronteira Malawi-Moçambique era visível de avião, seguia a linha das árvores, lá sim, aqui não. Ou seja, sendo optimista, é possível evitar o drama, basta olhar o (pobre) vizinho.(a questão ecológica é interessante se vista através do bloguismo em português. Fundamentalmente ou está presente em blogs dedicados (de causa) ou é ridicularizada em blogs liberalhos, gente tão vácua, imbecil e mal-educada - não no sentido de urbanidade, sim no sentido de educação intelectual, saber e emoção. Nos liberalhos reina a arreigada crença que a empresa humana, desde que liberta dos constrangimentos irracionais provenientes do anti-indivíduo Estado, é virtuosa. Como tal é ontologicamente impossível a decadência natural por via da empresa humana, quanto muito será aparente, episódica. Nisto tudo de somenos importância, mas surpreendente, é a atenção e o tempo dispendido por tanta gente isenta de atracção por Testemunhas de Jeová ou esquerdalhos, em ler a tralha liberal caviar que pulula no Atlântico em português.)
Janeiro 12th, 2007 — Ecologia Moçambique, Viagens Moçambique
Janeiro 9th, 2007 — Ecologia Moçambique
Já antes abordei esta insuportavel realidade: a globalização das práticas culturais afrikaans, aka, a condução na areia. A maioria dos praticantes são dessa etnia, mas por razões socioeconomicas, pois a adesão à condução nas praias expande-se mais lesta do que a leitura dos evangelhos e do corão. Atente-se, os carros são levados para a praia não para desvendar selvagens destinos nem para transportar os barcos de recreio, mas apenas para evitar transportar os colemans (e suas bebidas espirituosas) aqueles vinte ou cinquenta metros.A utilização de veículos motorizados nas praias é proibida em Moçambique (tal como o é na África do Sul - aliás, aquando das minhas observações participantes junto daquela etnia alguns desses nativos me informaram-me que um dos atractivos da costa mocambicana para os turistas sul-africanos é a facilidade de utilização dos carros nos areais). As autoridades vão fazendo algum controle (quando fazem), mas debatem-se sempre com falta de recursos, humanos e de transporte. Por que não confiscar os carros encontrados bronzeando-se à beira-mar? Sempre seriam dois (Xn) coelhos de uma cajadada.

Inhassoro, manhã solarenga, Dezembro de 2006…

Ei-los

É aqui mesmo …

molhando os pés …

o cabo-de-mar

Ok, lá terá que ser … (We Shall return?)

Continuemos: Inhassoro, manhã solarenga, Dezembro de 2006…


Mas … logo de seguida, e mais lestos do que o disparo do turista …
Dezembro 12th, 2006 — Ecologia Moçambique, Maputo
Se do mar vem a força contra o que os homens fizeram cidade, do campo vêm os homens que farão cidade.




Outubro 23rd, 2005 — Blogs, Mundo
Um excelente post no 25 cms de Neve sobre fogos em África, chamando a atenção para leituras mais vastas.
Setembro 3rd, 2005 — Sem categoria
Dezembro 17th, 2004 — EUA, Politica Portuguesa
Todos o sabem, durante meses falou-se até à exaustão das eleições americanas. No bloguismo português foi uma correria, até eu me posicionei. Tenho, e tê-la-ei dito, a minha opinião. É óbvia a importância dos EUA para o contexto internacional mas, acima de tudo, ela não é nenhuma novidade, nem em grau nem em intensidade. Daí que o extraordinário fenómeno do “tomar partido” nas eleições americanas que ocorreu, “bisturizando” a tradição ideológico-política europeia, muito significa um grande empobrecimento ideológico.
Foi um tralalá, com gente a pensar por analogia, como se houvesse (ou fosse possível) a universalização (a “globalização”?) da dicotomia “democratas”/”republicanos”. E um tralalá cheio de argumentação sobre meros epifenómenos recorrentes, aka Iraque, um episódio que na prática apenas significa “nada de novo na frente global”.
Porque me lembro disto, hoje sexta-feira pré-Natal?
Porque muitos poucos exalto-bloguistas li discutir a política ambiental de Bush, essa sim estruturante, essa sim fundamental, essa sim urgente. Essa sim que tem a ver com o dia-a-dia das “famílias” e das “sociedades”. Por aqui escrevi que sempre me espanta um conservador que não está atento à preservação ecológica - é uma contradição de termos, intelectuais e morais.
Recordo que há anos Bush recusou uma política ecológica, urgentissima, sistematizada no protocolo de Kyoto, entendendo-a contrária ao “american way of life” - aliança óbvia aos grandes interesses industriais de curto-prazo (e de certa forma uma posição estatal contrária ao primado da concorrência criativa, em meu modesto entendimento) mas, mais do que tudo, uma explícita subordinação do “world way of life”, uma condensação de uma visão do mundo.
Há muito pouco foi noticiada a re-recusa do protocolo, afirmando-se-lhe falta de fundamentação científica. Significando a continuação de uma política ambiental absurda, e que a lusosfera continua a ignorar, na sua maioria. Política ambiental essa que, inclusive, foi apoiada em alguns blogs lusos (não retive nomes, nestas leituras rápidas).
Hoje leio a entrevista do Ministro do Ambiente português, Luís Nobre Guedes, decerto insuspeito de manipulações anti-americanas. Nobre Guedes refere isto:
“…défice em termos de alterações climáticas - uma política que pudesse fazer frente a este problema que é o problema número um do sec. XXI -, défice em termos de estruturação da água e dos resíduos”. Ou seja, anunciando que para ele Bassorá e as mesquitas dos arrabaldes de Argel não são o ponto focal da existência humana.
Bem, seria de esperar que agora, esmagada a Toupeira estalinista John Kerry e os seus acólitos Chamberlains, se começasse a pensar de modo algo diferente. Talvez o sossego permita re-olhar o mundo menos dicotomicamente. A preto e branco. Têm a palavra os mais bushistas? Ou todos?
Dezembro 7th, 2004 — Desenvolvimento
[Ali abaixo, nos comentários, grande comment]
Retirei a notícia daqui.
Bazaruto Goes Beverly Hills
Business Day (Johannesburg)
November 24, 2004
Developers target the rich and famous for island residential project.
MOZAMBIQUE’s Bazaruto Island will soon feature an exclusive residential development aimed at the world’s rich and famous.
It will be the first residential development on the island and the last, because Bazaruto is a nature reserve.
Because of this the resale values of the properties will run into millions of dollars.
Oprah Winfrey, Will Smith and John Travolta are among the potential buyers said to be interested in the development.
Developers Jean Reyneke and Chris Krause, directors of Bazaruto Holdings, will be launching The Palms at Bazaruto today but say it is an invitation-only launch.
Reyneke says the development will comprise 24 stands ranging from 2500m’ to 3500m’ in size and priced from R4,5m.
The buyers will then be given a list of architects and guidelines for the houses they want built, but the common theme will be “colonial maritime”.
Reyneke says the style of properties will be similar to those in Martha’s Vineyard in the US and that the development is aimed at the top 10% of the market.
“We want to recreate The Hamptons in Mozambique,” Reyneke says.
Reyneke says there are 160 palm trees in the central communal area of the site. “It’s the only part of the island where there are natural palm trees.”
Although the land is purchased on a 99-year lease, the owners will receive title deeds once they build their homes.
“We are already doing presales. All the elite in Africa are buying plots,” says Reyneke.
Some of the interested parties include African presidents, as well as businessmen from SA, the Emirates and the rest of Africa.
The Palms is also being marketed in Europe and the US. “In the US we are marketing it directly to people like Oprah Winfrey, Will Smith and John Travolta. The agency I’m using in the US is the Ferrari family, who lease properties to all the A-list stars.”
Reyneke says The Palms is an exclusive development because Bazaruto along with the other four islands off the Mozambican coast have been declared nature reserves and no further development will be allowed. The only other major development on Bazaruto is the five-star Indigo Bay Hotel.
Reyneke says there is also easy access to the island. “There is a brand new tarred 1500m airstrip on the island which can handle corporate jets and other aircraft. The flight from Johannesburg is only two hours long ,” he says.
He says there are also daily scheduled flights with South African firm Pelican Air to the island. He says most people fly to Vilanculos and then either charter a boat or travel by ferry.
***
Pois:
“We want to recreate The Hamptons in Mozambique” em “colonial maritime”. apesar de “We are already doing presales. All the elite in Africa are buying plots”, enfim vão ter que gramar com a vizinhança.
E já agora, aquilo é uma reserva marítima. A primeira vez que eu e a Inês fomos a Magaruque nos dois primeiros dias éramos os únicos hóspedes. Uma maravilha, natural e romântica. Mas ainda assim, tão vazio, do lado do continente havia óleo dos barcos à tona de água. Como será pós-The Hamptons? Apesar do “colonial maritime”?
Novembro 8th, 2004 — Sem categoria
Novembro 6th, 2004 — Sem categoria
Não é o texto mais bonito desde há muito. É o mais importante.


(Savana, 5.11.2004)
Novembro 4th, 2004 — Mundo
A hierarquia das preocupações políticas é sempre interessante. A vertigem histriónica pelo curto prazo é denotativa. Por isso às vezes é refrescante ouvir pensar, o ruído pesado da lucidez:
Certo que a defesa de regimes democráticos é fundamental. Por si mesmos, a democracia como um bem em si mesmo, não como um meio. Mas também segundo a presunção (presunção, infelizmente) que é um sistema político racional e ecologicamente menos imperfeito.
Mas essa defesa é cacofónica…provoca muita deshierarquia. Contraditória, portanto.
Novembro 2nd, 2004 — Sem categoria
E Day. Para que as visitas do Ma-Schamba não pensem que o mundo deste rapaz acaba na sua machamba, aqui segue o meu ensaio político (vero “paper”) sobre o E Day, d’hoje: Quioto.
Notas de Rodapé: 1.não consigo conceber um verdadeiro conservador insensível à urgência ecológica. Deficit intelectual meu, decerto.
Outubro 29th, 2004 — Ecologia Moçambique
O Blogo Social Português é um blog excelente, muito informado, e prova de que a reflexão se quer nada demagógica.
Isto a propósito de um texto sobre transgénicos, em que também disponibiliza ligações a um conjunto de documentação muito apetecível. Ainda para mais sobre matéria em que, sendo leigo, sempre me surge como um labirinto “ideológico” de aparência “científica”.
Face às imposições que os doadores colocam aos países africanos em receber alimentos transgénicos, o que já aqui abordei, esta é temática a não perder.
Neste caso, guardar as referências ali disponibilizadas para leitura no futuro imediato.