
[Maio 2008]
“Cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio” (R. Nassar)
Maio 31st, 2008 — Arquitectura Moçambique, Ilha de Moçambique
Maio 31st, 2008 — Arquitectura Moçambique, Ilha de Moçambique
Fevereiro 26th, 2008 — Arquitectura Moçambique, Ecologia Moçambique

Qual The Artist Formerly Known as Prince, mas não como se crisálida, que não será de borboletas o futuro feito. Sim, dentro de pouco poderemos falar sobre The Beach Formerly Known as Wimbe.
Praia ícone em Moçambique, um pouco pela beleza natural, amena enseada olhando a baía de Pemba, mesmo ladeando-lhe a barra. Englobando aquela meia-dúzia de praias mais célebres desde o tempo colonial, talvez não tanto pela sua excelência - que partilham com tantos outros recantos da costa - mas pela antiguidade das suas infraestruturas turísticas: Tofo, Ponta do Ouro, Bilene, Zalala, Fernão Veloso. E o Wimbe, claro.
Ainda assim o Wimbe tem uma excelência única, exactamente o aconchego, a baía como horizonte, a (ainda) pacatez sob o arvoredo.
Memórias a manter, a guardar, agora que tudo isso mudará. Tive o “privilégio” de ver o novo projecto turístico para a praia, que gente ufana me mostrou, dessas crentes no progresso e isso, desenvolvimento turístico chamam-lhe e até acreditam. Na praia! exactamente na praia, no seio do arvoredo protector (a sul do Nautilus, para quem conhece) vão espetar um hotel, a deslizar para a água.
Este será uma construção da Vovó Donalda e do Tio Patinhas, puro Walt Disney. Tem a forma de um barco, como se paquete. Honestamente julguei que estivessem a brincar quando me mostraram as coloridas fotocópias. “Mas quem é que faz uma merda destas?” - perguntei, malcriadíssimo, ainda surpreeendido pois acreditava já ter visto tudo o que é possível nisto do campeonato do mau-gosto dos arquitectos em Moçambique (a colecção de cromos Sommerschield B - Bairro do Triunfo seria um must como programa cómico num sítio onde se saiba soletrar b-o-m-g-o-s-t-o). “Investidores moçambicanos“, dizem-me com orgulho, até nacionalista, ainda que ali um pouco desapontado dada a minha truculência, “arquitecto indiano … da Índia“.
Um arquitecto indiano aqui arribado para brincar ao Huguinho, Zezinho e Luisinho. Uns investidores moçambicanos a derrubarem o arvoredo protector, a alteraram a enseada, a assumirem a linha de água. Em suma, uma aliança internacional para foder o Wimbe. Será só cupidez e ignorância? Ou é mesmo má-vontade demencial?
Março 26th, 2007 — Arquitectura Moçambique, Viagens Moçambique
Novembro 24th, 2006 — Arquitectura Moçambique, Viagens Moçambique
Sempre me irritou, por mediocre e preguicoso, o termo pos-colonial. Por melhor embrulho “teorico” com que se apresente. Por razoes varias relacionadas com a negacao explicita de dinamicas longas nas sociedades assim ditas. Mas tambem com a arrogancia “esquerdista” (nos constantes paradoxos da nova esquerda) academica que o canta.Mas visitar com olhos-de-ver a Namaacha, essa tambem estancia de repouso colonial, a apregoada “Sintra de Mocambique” desses tempos impeliu-me ao termo (para dele sair basta andar uns poucos kms perpendiculares aos edificios, claro). Mas, ainda assim, aqui fica o palimpsesto.
Novembro 24th, 2006 — Arquitectura Moçambique, Religião, Viagens Moçambique
Uma estatua da Virgem, ao centro da praca, fronteira a igreja. Algo absolutamente inusitado em Mocambique. Dizem-me que duas vezes por ano ha procissao, desde a Matola ate aqui, Namaacha. A visitar, claro.
Julho 31st, 2006 — Arquitectura Moçambique, Livros Moçambique
Pemba em livro:
Sandro Bruschi, Júlio Carrilho, Luís Lage, Pemba. As Duas Cidades, Maputo, Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico, 2005
[A Situação da Edificação em 1970; fotografia aérea, AHM 5587]
Um livro já amplamente abordado no Forever Pemba, mas ainda assim a merecer uma visita crítica.
Dezembro 11th, 2005 — Arquitectura Moçambique
A Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da UEM (uma ligação passa a estar colocado na coluna de elos) tem estado muito activa quanto a publicações, as cujas espero aqui indicar em breve. Nesse seu seu sítio informático a FAPF tem notícia, algo desactualizada, das suas edições.
Como exemplo significativo do muito que tem vindo a ser publicado pode-se ver no Forever Pemba em entradas (incorrectamente) denominadas “A Pemba do Júlio Carrilho” notícia bem detalhada e ilustrada de “Pemba. As duas cidades” de autoria de Sandro Bruschi, Júlio Carrilho e Luis Lage (FAPF, 2005).
Outubro 1st, 2005 — Ilha do Ibo, Paola Rolleta
No Expresso [abaixo transcrito] Paola Rolleta coloca texto sobre o Ibo e sobre os livros ontem publicados em Moçambique, “Ibo - a Casa e o Tempo” de Júlio Carrilho, e “Pemba, as Duas Cidades“, de Júlio Carrilho, Luís Lage e Sandro Bruschi, edições da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico.
(Lembro os interessados residentes no estrangeiro, arquitectos, amantes do maravilhoso Cabo Delgado, amantes de livros e curiosos, que os livros podem ser encomendados na Livraria Escolar Editora que os distribuirá internacionalmente).
***
Turismo no arquipélago das Quirimbas
Ilha de Ibo, um encanto decadente
Expresso, 30 de Setembro
Paola Rolletta
A ilha do Ibo - no arquipélago das Quirimbas - é um destino que começa a aparecer nos roteiros turísticos mais sofisticados a cinco e seis estrelas, como Quilálea e Matemo.
O Ibo ainda mantém um ar decadente, e já despertou o interesse nacional e internacional pelo grande património arquitectónico que possui, pelo que representa na história dos povos português e moçambicano.
«Casas de pedra e limo, bichos obstinados na sua quietude. Pacientes, embalados pelo vaivém das marés. Deixando que o sal lhes carcuma a pele por terem desde há muito desistido de contrariar o tempo», escreveu numa estória da ilha, João Paulo Borges Coelho.
As ruínas das casas, as ruínas das varandas, elemento tão característico da ilha, as ruínas das estradas, tudo isto foi levantado e estudado pela Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico (FAPF) de Maputo e publicado agora em livro, «Ibo - a casa e o tempo» pela pena de Júlio Carrilho, poeta e arquitecto e oriundo do Ibo. É apresentado ao público, em Maputo, juntamente com «Pemba, as duas cidades», levantamento da cidade de cimento e da «informal»: a expansão recente da antiga Porto Amélia é constituída da adaptação à resistência permanente no ambiente urbano de uma tipologia de casa pré-colonial transformada e evoluída através de uma sabedoria antiga e ainda viva.
A ilha do Ibo já foi um terra de comércio de escravos. Quando a capital dos grupo de ilhas Quirimbas foi mudado para Pemba, a ilha do Ibo já não foi mais nada. Ficou refém das marés vivas e do esquecimento do tempo, com as varandas sempre mais vazias e sempre mais decadentes. Já se pensou fazer dela o centro de Zona Especial de Turismo, mas não deu em nada.
Hoje o ambiente é mais favorável e muito se deve à mudança de mentalidade da qual a FAPF é certamente uma das principais mentoras, com o director José Forjaz e uma equipa de arquitectos moçambicanos e italianos que estão a levar a cabo o levantamento do património arquitectónico moderno moçambicano.
Em Moçambique, onde os monumentos históricos não são certamente uma presença significativa, parece ainda mais importante tutelar este património arquitectónico que constitui a cara mais evidente das cidades de cimento, seja pela qualidade específica seja pela dimensão e o papel urbano, elemento importante pelo turismo urbano e sustentável, actual aposta de desenvolvimento.
«Ibo- a casa e o tempo» tem o aspecto mais de um diário de viagem do que um tratado de arquitectura. Júlio Carrilho, entre plantas urbanas e fotos de edifícios, relata as entrevistas feitas com os velhos habitantes que todos os segredos sabem das casas, das argamassas, da cal e das ervas usadas para ser mais forte. Reconhece um espaço especial a quem quando a maré não deixa pescar, come apenas maçanicas.
E faz um acto de amor para com a sua ilha, alimentando o optimismo da convicção de que «também o presente ciclo de degradação e um certo marasmo será ultrapassado pela redescoberta da riqueza natural, de novas vocações para o relançamento económico e social e da importância do património tangível e intangível das ilhas no seu conjunto e do Ibo, em particular».
Fevereiro 4th, 2005 — Maputografia, Postais Moçambique
Um belo postal, não-identificado. Anterior a 1911, como se reconhece pela inscrição manuscrita. Uma bela oferta do Marco. O qual se apresta para proporcionar grandes surpresas (e prazeres) aos leitores de blogs. Fico à espera.
Adenda: Machado da Graça acaba de deixar comentário a corrigir imprecisão, o qual aqui coloco pelo seu interesse: “O edificio chamava-se Predio Capitania mas creio que apenas por ser perto da dita cuja. Não creio que esses serviços alguma vez lá tenham funcionado. A sua última utilização, se bem recordo, foi como “casa de meninas“.”
Janeiro 17th, 2005 — João Costa (Funcho), Nelson Saute
Chega-me às mãos oferta supreendente de preciosa. Uma agenda de 2005, isso do todos os anos, objecto utilitário sempre desprezado, usar e amachucar. Ainda para mais no agora, tempos do digital. Uma mera agenda?Nada disso, excelente Agenda a que os Caminhos de Ferro de Moçambique editam para este ano. Uma bela paginação a apresentar fotografias de Funcho (João Costa) sobre o mundo ferroviário moçambicano. Fotografias antes expostas como “Trilhos” na PhotoFesta 2004, e manda a justiça dizer que muitissimo mal expostas pelo autor, uma tristeza de desperdício pensei alto então.

Fotografias nada dos comboios e carris, estas trazem-nos o interior dos caminhos-de-ferro, esses homens com alguns dos seus instrumentos que vão fazendo o comboio avançar, e nisso explicando o lentamente mas também o ir caminhando. E que trazem também os pontos de intersecção, essas tantas estações pulmões de gente e terras. Fotografias estas que nos desvendam, mas com o paradoxo de também encantar, o dia-a-dia do como viajar aqui e do quem como o permite.
Que era belo e sentido o trabalho de Funcho já se adivinhava. Mas com este cúmulo de bom gosto impõem-se os CFM como obreiros de futuro livro destas imagens, destes eles-próprios. Custos e obrigações desta nada “mera agenda”.
Janeiro 13th, 2005 — Arquitectura Moçambique
O Complexidade e Contradição chama(-me) a atenção para uma entrevista de José Forjaz, o decano dos arquitectos moçambicanos e director da Faculdade de Arquitectura da UEM, à revista Arquitectura e Vida. Que eu leria com todo o interesse, mas que julgo não ser por cá distribuída (ainda que acredite que algum vizinho leitor ocasional me possa fazer chegar cópia do texto). Ainda assim não deixo de a re-recomendar aos interessados no binómio arquitectura/Moçambique.
A este propósito não posso deixar de lembrar uma sua entrevista ao jornal Expresso, nº 1633 [47 semanas depois ainda se paga para ler, um miserabilismo], então editada sob o polissémico título “Um Ilustre Português de Além-Mar”.
Dezembro 16th, 2004 — Maputo
Atrás referi e coloquei a Sé de Maputo e a sua antecessora, esta em fraca fotografia.
Agora o Rui M. P. do Companhia de Moçambique, que continua a reproduzir as imagens dos maravilhosos livros de Santos Rufino, enviou-me uma outra fotografia (incluída no vol. III de Santos Rufino, 1929), da velha igreja paroquial de Lourenço Marques. Mais do que lhe agradeço.
Ei-la:
Novembro 28th, 2004 — Arquitectura Moçambique
Chega-me só agora às mãos, e depois de muitas perguntas e tentativas, e em (in)suficiente fotocópia, um aqui muito sussurrado trabalho:
Arquitectura Moderna em Moçambique.Inquérito à Produção Arquitectónica em Moçambique nos Últimos Vinte e Cinco Anos do Império Colonial Português. 1949-1974
O autor é António Manuel da Silva e Sousa de Albuquerque, que o realizou como Prova Final de Licenciatura em Arquitectura na Faculdade de Ciências e Tecnologia, na Universidade de Coimbra em 1998, sob orientação do Prof. Arquitecto Alexandre Alves Costa.
Penso que ao trabalho lhe terá faltado a abordagem às obras públicas de então, por dificuldades de acesso ao arquivo. Mas o interesse da obra, para profissionais e não só, é relevante.
Por razões óbvias (e as imagens que aqui deixo sublinham-nas) muito se deseja a sua passagem de quase invisível fotocópia para a edição em livro. Até pelo ineditismo do trabalho, pois ninguém o seguiu. E como base para a sua extensão, tanto para o período colonial, como para uma recolha analítica do que tem vindo a ser feito nos últimos trinta anos.
Mas essa vontade de edição encontra grande obstáculo. Não se tem conseguido o contacto com o autor, e aqui vai o nome repetido: António Manuel da Silva e Sousa de Albuquerque.
Será que alguma visita deste Ma-Schamba conhecerá esse arquitecto, para que se transforme esta tese em publicação? Ou quiçá os bloguistas A Barriga de Um Arquitecto, Complexidade e Contradição, hARDbLOG, ou outros, possam convocar o colega?
Novembro 10th, 2004 — Maputo