Abrenúncio crocodilos lacrimejantes.
Hoje, terça, 22, ainda alquebrado, entro no anfiteatro, esse do novo Complexo Pedagógico, noventa e tal alunos futuros professores de línguas. Ali na segunda fila, Esforçado, Dedicado, Devoto, até Glorioso, um aluno de Ensino de Bantu está de cachecol oficial, que é nestas horas que se nos vê a fibra.
Cansado, um pouco envelhecido, esmagado pelo síndroma de Magdeburgo sempre revivido, antecedo a aula com um abraço oral e um lamento: “já sabe que vamos vender o Custódio?”, que não afirma arqueando sobrancelhas. “E que o Nani vai para o Manchester?”, “isso já sei” diz-me, ante o silêncio geral, até temeroso do efeito de tais novas em período de pré-avaliações. “Estão a levar-nos os nossos meninos“, avoengo-me. Encolhe os ombros, altaneiro: “fazemos outros!”.
Duas horas depois saio impante.
Adenda: também dedicado aos humores privados.



4 comments ↓
Ora, Jpt, nem mais, esse delicioso “fazemos outros” é todo um programa.
P.s.Não sei se não deveria ser estabelecido um paralelismo entre o uso de cachecóis berrantes nas escolas( só os verdes ou vermelhos), evidentes símbolos quasi-religiosos, e a discussão dos véus islâmicos. (just kidding).
a brincar, a brincar. Símbolos metafísicos alguns, noutros quando avícolas ou reptilóides meras crendices obscurantistas, sobrevivências medievais
Isso bem dito! Que nós somos o berço, melhor, a Alfredo da Costa* do futebol!!
* maternidade pública pois claro, que até à data já se provou não ser intenção com fins lucrativos
Tenho pena que não tenham ganho o campeonato. O meu clube deu o contributo para que ganhassem.
Perante os resultados do último fim de semana, apenas posso contribuir para a Vossa dobradinha, isto é, que o Belenenses ganhe a taça.
Abraço.
MB
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