
Chorei os homens,
mas nenhum, as minhas lágrimas viu,
nenhum as viu correr dentro de mim,
chorei os homens,
com lágrimas já tão cansadas, esperei…enfim…,
que algum as visse e as pudesse secar,
que algum as pudesse ouvir,
ouvir somente dizer que foi por amor,
que chorei lágrimas doídas
[Sónia Sultuane, Sonhos, Maputo, Associação dos Escritores Moçambicanos, 2001]
Que eu saiba a única poetisa moçambicana em actividade. Pelo menos que tenha sido publicada. D(N)este seu primeiro livro escreveu Eduardo White: “Humilde e cruelmente expostas. Sem que omitisses dor nenhuma…Os beijos, os arrepios, as peles, os lábios, os dedos, os sexos, os sémens. Aí sim. É belo ver-te tu, autêntica. Tu poesia num país onde a poesia se masculinizou“.
(Re)Encontrei-a há alguns dias. Que tem outro livro pronto, a aguardar editor, a procurar editor. Fica-se à espera. Haverá sempre tempo.

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