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	<title>Comentários em: &#8220;Uma Maitê Proença com Piada&#8221;</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/sociedade-portuguesa/uma-maite-proenca-com-piada/comment-page-1/#comment-10626</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 08:46:06 +0000</pubDate>
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		<description>Bem, eu sobre a Maitê Proença já abaixo botei as minhas considerações: a senhora é tão bonita que me faz achar piada às suas piadas. Porventura envelheço e fico menos crítico diante das beldades, mas antes esses desvairos (ainda que com compostura) do que outros ..

Este Coogan, que desconheço quem seja, tem alguma piada sem ser imortal - o final com o cantor exultante em manguitos tem piada, confesso ... O rapaz fez o trabalho de casa

(Quanto ao que os brasileiros acham de Portugal acima de tudo vejo muito paroquialismo. Há uma tradição de anedotário? Tá bem, que isso seja analisável, mas nao me parece que seja passível de ofender)</description>
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	Bem, eu sobre a Maitê Proença já abaixo botei as minhas considerações: a senhora é tão bonita que me faz achar piada às suas piadas. Porventura envelheço e fico menos crítico diante das beldades, mas antes esses desvairos (ainda que com compostura) do que outros ..</p>
<p>Este Coogan, que desconheço quem seja, tem alguma piada sem ser imortal &#8211; o final com o cantor exultante em manguitos tem piada, confesso &#8230; O rapaz fez o trabalho de casa</p>
<p>(Quanto ao que os brasileiros acham de Portugal acima de tudo vejo muito paroquialismo. Há uma tradição de anedotário? Tá bem, que isso seja analisável, mas nao me parece que seja passível de ofender)</p>
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		<title>Por: ABM</title>
		<link>http://ma-schamba.com/sociedade-portuguesa/uma-maite-proenca-com-piada/comment-page-1/#comment-10598</link>
		<dc:creator>ABM</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 21:00:15 +0000</pubDate>
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		<description>A paródia de Coogan é leve e tépida se comparada com as subjacências do vídeo da actriz brasileira, já abordadas. Coogan alude a uma percepção britânica do algo primitivo parolismo civilizacional português nos anos 60 e 70 do século passado (óbvio até para mim) e essa alusão pode ser compreendida no contexto de uma Grã-Bretanha que se considerava o pico do poder militar, económico e cultural até 1942, comparado com Portugal, que era uma espécie de um bantustão inglês desde o Tratado de Methuen em 1704. Os ingleses levavam Portugal marginalmente a sério mas custava-lhes imenso levar Portugal a sério, especialmente dados muiro longos e quase mitológicos antecedentes históricos entre os dois países. Esse resquício de eco de visão proto-imperial britânica ainda pode ser observado de vez em quando e especialmente quando assenta sobre uma realidade como era a portuguesa dos anos 1960, quando na Europa há uma explosão de cultura, modernismo e liverdade cultural e sexual, enquanto que em Portugal se considerava o rock subversivo, as calças à boca de sino expressão suspeita e alguma liberdade de expressão uma ameaça à primazia do Estado e sujeitos a censura, prisão e repressão. Por comparação, Londres, Nova Iorque e Paris eram tubos de ensaio explosivos. Estas são as raízes do típico inglês sobre Portugal, que achva o vonho do Porto excelente, as praias do &quot;Allgarve&quot; boas e baratas e as portuguesas boas criadas e ainda mais baratas.

A ironia de Maité (que, repito, a mim não me aqueceu nem arrefeceu) não tem esta base. Eu absolutamente adoro os brasileiros (quero dizer, os cultos) e ao longo dos anos depreendi duas visões simultâneas e opostas da parte dos brasileiros no que concerne a Portugal:

1. há, por um lado, uma velha visão convencional, desconhecedora, de rua, de um certo amor-ódio, brejeira, a das anedotas do português e do Portugal, que assenta sobre o que me parece ser essencialmente o Portugal rural do fim do século XIX, retratado por Eça e Rafael Bordalo Pinheiro, que goza o português e a realidade portuguesa como atrasada, ignorante, falsamente pia, arruaceira, alvo de todas as chacotas. Creio que é levemente - à brasileira - de certa forma também uma auto-crítica. Se o país foi criado por esta gente, com destaque para os Braganças e a sua corte no Rio de Janeiro, logo... pudera não haver problema A ou B ou C no Brasil. Até os mais cultos, frequentemente, não escapam, um tanto avergonhadamente, a surripiar-me, quase em tom de desculpa, mas irresistivelmente, a contar-me a ocasional e proverbial &quot;anedota do português&quot; - para alívio, ponho-os logo à vontade e aproveito para referir que, inexplicavelmente, não há reciprocidade na cultural portuguesa para esta atitude. Quando muito, cobiçamos aos brasileiros as brasileiras e alguns jogadores de futebol;

2. Há, por outro lado, uma visão muito mais profunda, muito mais apurada, por parte de alguns, da história, cultura e realidade portuguesa, que é estudada, analisada, reflectida, comparada - e respeitada, mesmo quando alvo de disputas. De certa foram, creio que, para o intelectual brasileiro, transparece um certo exoticismo na cultura portuguesa que fascina e até certo ponto seduz a mente brasileira. No fim do século século XIX, Eça de Queiroz e Camões provavelmente eram mais lidos e aprecidados no Brasil que em Portugal. Outro exemplo disso é a relação e rivalidades entre Eça e esse vulto das letras brasileiras e seu contemporâneo, Machado de Assis. Uma postura que quase instintivamente exalta o que os portugueses foram e fizeram.

Eu acho que Maité Proença não representa bem nem uma nem a outra tipologia. Pareceu-me ser mais uma mulher - uma apreciada actriz, muito popular em Portugal do que depreendo - que &quot;numa boa&quot; quis fazer uma piadinha ligeira sobre Portugal para uma outra amiga num &quot;shô&quot; de televisão popularucho, tentando alinhar com a visão do Portugal parôlo, só que ao ir para Sintra e o Mosteiro dos Jerónimos a coisa simplesmente não resultou, e ofendeu muitos portugueses, desnecessariamente.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	A paródia de Coogan é leve e tépida se comparada com as subjacências do vídeo da actriz brasileira, já abordadas. Coogan alude a uma percepção britânica do algo primitivo parolismo civilizacional português nos anos 60 e 70 do século passado (óbvio até para mim) e essa alusão pode ser compreendida no contexto de uma Grã-Bretanha que se considerava o pico do poder militar, económico e cultural até 1942, comparado com Portugal, que era uma espécie de um bantustão inglês desde o Tratado de Methuen em 1704. Os ingleses levavam Portugal marginalmente a sério mas custava-lhes imenso levar Portugal a sério, especialmente dados muiro longos e quase mitológicos antecedentes históricos entre os dois países. Esse resquício de eco de visão proto-imperial britânica ainda pode ser observado de vez em quando e especialmente quando assenta sobre uma realidade como era a portuguesa dos anos 1960, quando na Europa há uma explosão de cultura, modernismo e liverdade cultural e sexual, enquanto que em Portugal se considerava o rock subversivo, as calças à boca de sino expressão suspeita e alguma liberdade de expressão uma ameaça à primazia do Estado e sujeitos a censura, prisão e repressão. Por comparação, Londres, Nova Iorque e Paris eram tubos de ensaio explosivos. Estas são as raízes do típico inglês sobre Portugal, que achva o vonho do Porto excelente, as praias do &#8220;Allgarve&#8221; boas e baratas e as portuguesas boas criadas e ainda mais baratas.</p>
<p>A ironia de Maité (que, repito, a mim não me aqueceu nem arrefeceu) não tem esta base. Eu absolutamente adoro os brasileiros (quero dizer, os cultos) e ao longo dos anos depreendi duas visões simultâneas e opostas da parte dos brasileiros no que concerne a Portugal:</p>
<p>1. há, por um lado, uma velha visão convencional, desconhecedora, de rua, de um certo amor-ódio, brejeira, a das anedotas do português e do Portugal, que assenta sobre o que me parece ser essencialmente o Portugal rural do fim do século XIX, retratado por Eça e Rafael Bordalo Pinheiro, que goza o português e a realidade portuguesa como atrasada, ignorante, falsamente pia, arruaceira, alvo de todas as chacotas. Creio que é levemente &#8211; à brasileira &#8211; de certa forma também uma auto-crítica. Se o país foi criado por esta gente, com destaque para os Braganças e a sua corte no Rio de Janeiro, logo&#8230; pudera não haver problema A ou B ou C no Brasil. Até os mais cultos, frequentemente, não escapam, um tanto avergonhadamente, a surripiar-me, quase em tom de desculpa, mas irresistivelmente, a contar-me a ocasional e proverbial &#8220;anedota do português&#8221; &#8211; para alívio, ponho-os logo à vontade e aproveito para referir que, inexplicavelmente, não há reciprocidade na cultural portuguesa para esta atitude. Quando muito, cobiçamos aos brasileiros as brasileiras e alguns jogadores de futebol;</p>
<p>2. Há, por outro lado, uma visão muito mais profunda, muito mais apurada, por parte de alguns, da história, cultura e realidade portuguesa, que é estudada, analisada, reflectida, comparada &#8211; e respeitada, mesmo quando alvo de disputas. De certa foram, creio que, para o intelectual brasileiro, transparece um certo exoticismo na cultura portuguesa que fascina e até certo ponto seduz a mente brasileira. No fim do século século XIX, Eça de Queiroz e Camões provavelmente eram mais lidos e aprecidados no Brasil que em Portugal. Outro exemplo disso é a relação e rivalidades entre Eça e esse vulto das letras brasileiras e seu contemporâneo, Machado de Assis. Uma postura que quase instintivamente exalta o que os portugueses foram e fizeram.</p>
<p>Eu acho que Maité Proença não representa bem nem uma nem a outra tipologia. Pareceu-me ser mais uma mulher &#8211; uma apreciada actriz, muito popular em Portugal do que depreendo &#8211; que &#8220;numa boa&#8221; quis fazer uma piadinha ligeira sobre Portugal para uma outra amiga num &#8220;shô&#8221; de televisão popularucho, tentando alinhar com a visão do Portugal parôlo, só que ao ir para Sintra e o Mosteiro dos Jerónimos a coisa simplesmente não resultou, e ofendeu muitos portugueses, desnecessariamente.</p>
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