Ali abaixo referi formas de racismo anti-branco que vão sendo explicitadas em África. Para não ficar nas minhas certezinhas aqui deixo um trecho de João Craveirinha (colunista moçambicano, capaz de argumentações sui generis). Ainda que se possa querer contextualizar este texto (como qualquer um) não resisto a colocá-lo, pois decerto há aqui um ponto a reflectir:”Regressando ao tema de hoje, conjecturo porque é que a comunicação social moçambicana não “ataca” os dirigentes políticos portugueses pelo “amordaçamento” dos cidadãos portugueses de ascendência negra africana, residentes em Portugal….Nem um deputado negro na Assembleia da República em Portugal … Nas televisões nem pensar…Uma presença silenciosa…(nos futebóis não conta por não ser actividade intelectual e não haver muitos melhores)” [Correio da Manhã, nº 2007, 1 de Fevereiro 2005]
Sobre o "do obscurantismo"
1 de Fevereiro de 2005 | Racismo, Sociedade portuguesa

20 comments ↓
[…] desculpar-me-ás não te ter respondido à tua contradição ao meu Sobre o Obscurantismo. Só agora o faço, e muito a correr, mas não quero fechar a loja com […]
Mau…muito mau.
As televisões não mostram nada?
… pelo que sei e vejo a RTP Africa não é uma televisão virada para os paises de Leste ou para a América Latina.
Acho portanto que esta é uma noticia muito facciosa e falaciosa. Não se mostra mais porque provávelmente pouco mais há a mostrar e pouco me espantaria que a cencura de programas tenha inicio nos próprios países Africanos de experssão Portuguesa.
Quanto a deputados e quejandos (quejandos… porque os acho todos iguais), o PS já teve um, guineense, não sei o que lhe aconteceu mas já teve… por outro lado só se apresenta a votos quem quer e tem apoio. Se o apoio não é procurado ou merecido nada se pode fazer.
Quanto ao apoio dado aos imigrantes isso é outra conversa mas parto do principio que nem se apoiam os nacionais, portanto…
Migalhas, é o que todos temos e mais não há. E não vale a pena chorar, berrar e contestar porque não vai haver.
Publicado por: Alikas às fevereiro 1, 2005 08:44 PM
Alikas, não me parece que neste caso o post se tenha feito entender: nem quanto À televisão, nem quanto às migalhas. nem quanto aos apoios. Nem mesmo quanto À notícia, que nem o é. obrigado pela opinião.
Na semana contra todo o tipo de racismo, é salutar haver estas divergências.
Pode ser que assim, certos assuntos deixem de ser tabu e sejam escalpelizados como merecem.
Infelizmente o racismo começa a progredir demasiado seja na Europa-fortaleza, seja em África.
De quem é a culpa?… provavelmente de todos nós.
Publicado por: Eugénio Costa ALmeida (Pululu) às fevereiro 2, 2005 02:11 AM
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Sabes jpt, uma das coisas que me fez ficar farto de Moçambique, em particular em Maputo, foi a hostilização aberta aos estrangeiros (brancos) com particular destaque para os portugueses. Não havia dia nenhum que não fôssemos atacados na imprensa, na rádio e/ou televisão. Impressionante. Quanto a esta citação peca por falta de informação. Ser-se de ascendência africana é apenas válido para os não-brancos? E algumas figuras com tez mais carregada? Só porque não são negros puros já não serão de ascendência africana?
Mas devolvo o argumentário ao colunista Craveirinha. Existe algum estudo sociológico sobre os portugueses de ascendência africana e o seu “sucesso” na sociedade portuguesa de acordo com diversos parâmetros? É fundamental para que então possamos aquilatar de discriminação eventual sobre portugueses de ascendência africana na participação activa em todos os domínios da sociedade… Agora não somos nós, portugueses, ou Portugal sequer quem faz o black empowerment!
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 2, 2005 01:39 PM
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Miguel S. o teu comentário é divisível.
1. quanto à hostilização mediática e, por vezes, no quotidiano aos estrangeiros, particularmente aos portugueses, estou mais do que de acordo. O que me choca mais, e já o escrevi em jornal moçambicano, nem são preconceitos que poderão ser contextualizados histórica, politica (pois a sua expressão tem ciclos) e socialmente - tu frisas, ancorado nesses teus muitos anos por tanto sítio aqui, que é mais em Maputo que se encontram. Concordo, e acho que essa definição geográfica é concomitante de uma raiz sociológica, é uma atitude de determinados estratos/classes (escolha-se o termo). O que me choca mais, dizia, é a sua explicitação pública em orgãos de comunicação sem que haja uma reacção pública vigorosa (e mais global) contra tais posturas. Aqui a cor da pele é (ainda?) muito importante para discutir economia e sociedade, claro que obscurecendo estas. Obscurendo não só por preconceitos agitados. Obscurecendo porque não surge historicamente enquadrada, é tudo absolutizado. E digo-o pois até acho normal que as tais cores de pele (que aqui continuam a ser chamadas “raças”) sejam numa sociedade ex-colonial, assente no item classificatório “cor de pele/Raça”, sejam coordenadas de classificação mais “actuais” do que noutros contextos (como p.ex. Portugal).
2. quando falas de “portugueses de ascendênca africana” em Portugal eu vou utilizar o velho termo “retornados” (obviamente depurado da imbecilidade desvalorizadora dos anos 70s). E da ausência de estudos sociológicos sobre a sua integração em Portugal.
Sobre isso escrevi um pouquito há meses, muito resumidamente a minha ideia era que muito se falava (E bem) da influência da democracia e da posterior entrada de Portugal na UE (CEE) para o desenvolvimento/transformação do país. Mas que muito pouco se falava daquilo que eu considero ser o terceiro lado do “trinagulo transformador”, o retorno dos retornados, a abanar o paízito da altura. Muito pouco se falava, muito pouco se estudara.
Na altura tive eco, alguns leitores que dialogaram e enviaram notas de estudos já realizados (e que eu desconhecia). Apesar de podermos dizer que são exíguos há algum trabalho realizado, portanto. [gostava de te dar a referência, mas como ainda não fiz migração de sistema para o tal 3.1. não tenho pesquisa interna - logo que o faça (e urge, dadas as complicações) - informar-te-ei dessas referências (a não ser que os tais leitores dialogantes ainda sejam maschambeiros e se antecipem. Ou que haja outros sabedores da matéria).
Mas, honestamente, acho que não é a um colunista moçambicano que deves exigir contas sobre esse silêncio português (ainda que Craveirinha tenha lá vivido bons anos).
3. retomando o texto de João Craveirinha e a tua reacção. Os fundamentos da sua afirmação podem ser discutíveis, como os de todas. MAs a mim parece-me, lendo-lhe o sentido estrito, que podem servir para reflexão: há um vazio de figuras públicas negras em Portugal ou não? (ele dá a excepção o futebol, eu acrescento-lhe algumas artes).
Tu podes irritar-te e dizeres que não somos “nós, portugueses, ou Portugal que faz o black empowerment”. Ok, e eu posso ler de duas formas:
a. que estás a comentar, tecla a correr, em blog alheio, e eu sei por experiência própria do ritmo rápiod de reflexão que isso implica.
b. ou então responder-te: porque não “nós, portugueses, ou Portugal”, dado que se fala de portugueses “nós, portugueses” e de “Portugal”, que têm a semelhança de tez diferente? Peço desculpa, mas acho-te num vício de raciocínio.
Ou seja, a citação serve-me (independentemente de outros conteúdos que se lhe atribuam) para pensar/questionar: existirão obstáculos sociológicos para a ascensão social/´pública/política dos portugueses de origem africana negros? Retornados (alguns), imigrantes primeira geração (alguns), descendentes destes (presumo que maioria).
(descrevo, para não misturar com os portugueses de origem africana brancos, os quais como sabes são uma menor percentagem no universo dos portugueses de origem europeia que viveram em África durante o tempo colonial)
Acho que essa é que é a questão. E que se nós, em dia de chateados com o anti-tuguismo de alguma burguesia africana, encolhemos os ombros e resmungamos um “não ao black empowerment no meu país de origem” estamos noutro registo. Ou, pior, a ser exactamente iguais.
Publicado por: jpt às fevereiro 2, 2005 02:44 PM
Fui mal interpretado. Fica para mais logo. Abraço.
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 2, 2005 03:16 PM
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não foste mal. foste interpretado. fico à espera, o balde de gelo está cheio
de volta jpt. antes de mais obrigado pelas respostas que abordaram as diversas questões de uma forma mais profunda e interessante. quando disse que fui mal interpretado refiro-me, sobretudo, ao que queria dizer relativamente ao black empowerment. E vou aproveitar para aprofundar um pouco mais algumas questões relativamente ao “obscurantismo”.
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 2, 2005 10:33 PM
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Sobre o black empowerment. Sou contra tudo o que seja quotas, discriminação positiva e tudo o mais que faz dos outros, nas sociedades contemporâneas e equalitárias, os “desfavorecidos” que de outra forma não teriam possibilidade de… Embora também este seja um assunto bastante complexo, ie, a reforma das mentalidades por antagonismo à imposição do que quer que seja.
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 2, 2005 10:35 PM
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Eu não sou nem pro nem contra o black empowerment no meu país de origem porque essa questão nem se coloca. No meu país somos todos [tendencialmente] iguais independentemente das particularidades qualquer que seja a sua natureza que nos distinguem dos demais. Referia-me, por isso, à política sul-africana e à tentativa dos moçambicanos em segui-la como aliás fez Chissano em contraste com Machel.
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 2, 2005 10:36 PM
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não consigo escrever o resto do comentário… como é possível?
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 2, 2005 10:45 PM
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juro que não é censura minha..fico à espera
Estou na “dead line”. Ou seja para uns sou africano, para outros europeu de ascendência africana e para alguns até simplesmente “monhé” depende da altura, do momento, da ocasião, do daltonismo e da localização geográfica no momento.
Particularmente em relação à visão “sui generis” do sr JC a qual de vez em quando me cai em cima da secretária (mão maldosa certamente ma faz chegar), deve ser um caso patológico, devia servir para um estudo mais aprofundado acerca da actual sociedade africana (de África) em geral e moçambicana em particular. Não consigo compreender para que lado é que o sr JC vai, se para a visão mugabista (de R. Mugabe) se para a visão nazi (de A. Hitler) ou para a mais refinada estrutura de castas indiana oficialmente abolida mas vivente na prática.
Sempre pensei que o que distinguia as pessoas era o carácter, a capacidade de ser e fazer e não a nacionalidade ou cor da pele. Mas para certos sectores da sociedade urbana moçambicana pseudo-intelectaulizada (não me pronuncio acerca da cor-de-pele nem da ascendência) é sempre mais fácil recorrer aos chavões e às desculpas baseadas em puro racismo, e na questão da nacionalidade que aliás foi alterada e muito bem no que se refere à lei, do que à assumpção da incompetência própria para gerir os desafios que se colocam num mundo cada vez mais globalizado e em que as fronteiras começam a ficar ténues.
Fica-me a percepção de uma certa crise de identidade quando leio certas crónicas do sr JC.
Excelente Lázaro.
Vou prosseguir com a resposta se conseguir…
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jpt e não é que não consigo postar nada a nao ser muito curto!?
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 3, 2005 08:46 PM
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Vai por e-mail. Não consigo de outra forma. Abraço.
Publicado por: Miguel S. às fevereiro 3, 2005 08:48 PM
PM
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[…] sobre o meu texto Sobre o “Do Obscurantismo”, o qual quis fazer dialogar com um anterior Do “Obscurantismo”, o Miguel S., bloguista […]
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