Na Sic estou a ver a saída do Sporting do estádio do Rio Ave. Algumas centenas de adeptos, irados/desabridos, protestam com o “estado da arte” gritando um fantasticamente certeiro “Forever Somos Nós!” a um presidente que merece que lhe gritem – um presidente que acaba de dizer “se julgam que isto é uma democracia eu expulso-os do clube“, diante do silêncio de uma sociedade portuguesa que permite que um tipo com a visibilidade como a que o presidente de um grande clube de futebol tem diga estes impropérios sem ser radicalmente criticado, sem ser exilado de quaisquer apoios, sem ser desprovido de patrocínios, ostracizado do respeito. E vou gostar de ver o que dirão os seus apaniguados na televisão, o homem das sondagens do PS (será que se demarcará do tiranetezito da elite bancária?, ou a sabujice continuará?) ou o exaltado dr. Dias Ferreira. A cloaca ideológica rebentou. E o portugal dos jornais e tvs aspira, apenas.
Bem mas estava eu nisso e vejo na tv aquilo que o meu pobre telefone conseguiu captar e que afivelei ali ao cimo. Anos de discussão, especialistas aos gritos, escritores defendendo e contrariando, o senhor professor Carlos Reis de comissário político, a defesa da língua portuguesa como sacrossanto argumento para a reforma ortográfica e para o veto reformista, a treta do Acordo Ortográfico impingida aos portugueses. E a Polícia de Segurança Pública, que depende do Ministério de Administração Portuguesa, rechefiado pelo ministro Rui Pereira, tem um serviço que chama de “Polícia Spotters“? (sim, a fotografia é péssima, mas é isso que está nos costados do agente).
“Spotters” – não tem a administração estatal uma língua oficial? Não tem obrigação de intitular os seus serviços em português?
Novo-riquismo apalhaçado. E abandalhamento dos responsáveis políticos desses pacóvios uniformizados.
jpt


4 comments ↓
Mas admiras-te porque? Que esperas da lingua de um pais que nao produz nem conhecimento cientifico, nem conhecimento tecnologico? Um police-spotter e uma especialidade dentro da ciencia policial. Nao sao meros observadores, porque nao se limitam a observar. Vao para alem disso – o spotter deve ser capaz de identificar, dentro de uma multidao, quais os focos/actores passiveis de iniciar/despoletar um…. como hei-de dizer… riot (temos equivalente em portugues?)
claro que não, “riot” é um conceito moderno que não equivalente em nenhuma língua morta, perdão, latina. É como spotter. Descreve professores Carlos Reis e quejandos socialistas lusófonos, spottando lugares nomeáveis, não pode ser outra coisa
Pois teras toda a razao, mas nao posso tecer comentarios sobre as luminarias que mencionas, pois nao sei quem sao. Nem dos acontecimentos (ou serao eventos?) de que falas no inicio… Na falta de investimento na producao de conhecimento resta-nos o que? A Academia Francesa em versao lusitana? Ou sera que ja temos e eu nao sei?
Portugal está-se a tornar um estado-polícia, pior que nos dias mais negros da ditadura, e com as desculpas mais mundanas de evitar a fraude, evasão fiscal, terrorismo e outras coisas. Esta dos spotters é uma importação dos ingleses, que têm a sua versão do estado-polícia. Já só falta mesmo meterem um chip em cada carro e mota e uma câmara de vídeo em cada esquina e estão criadas as condições para o monstro sobre o qual George Orwell nos avisou. Então num país em que o Estado tem séculos de experiência não de servir mas de tutelar e controlar.
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