Mas o que me levou a isso foi o imediato repúdio aquando de uma tentativa de ensino sexual escolar. Isto é um absurdo. Tem vários pontos em discussão e não tenho grande apetência/saber para me envolver nisso. Mas já que cheguei até aqui:
1. o que quis dizer nesta caixa de comentários é que o texto que referes [o do A Natureza do Mal] tem pontos muito interessantes (o radical individualismo da sexualidade - permito-me dizer que isto advém da sacralização / tabuização da sexualidade; ela surge como O Domínio irredutível, o resto não. Não concordo, mas isso é mera opinião pessoal). E suporta-se numa falácia, a que evoquei - a de que a sexualidade é o natural, de que há 100 000 anos que é assim, uma descoberta/aprendizagem/”aventura”(?) pessoal. Isso não corresponde minimamente à verdade, e é meramente um “eurocristocentrismo” (grande palavrão) e mesmo assim selectivo. A esmagadora maioria [aqui no Ma-Schamba eu preferiria ter escrito “grande número”] das sociedades históricas têm ritos de iniciação em que abordam (não exclusivamente) sexualidade (e afectividade) e onde os mais velhos ensinam (socializam) os mais novos. Não é assim tão estranho, não é assim tão grave. A moral cristã não encara isso, ok. Mas não venham falar do paleolítico - fiz-me entender?
E partindo daqui não me parece necessário estar a contrariar os argumentos individualistas da Sara [Monteiro], o instinto etc. Não concordo, e não lhe vejo particulares fundamentos (poéticos talvez). Para mais, e tal como comentários que tenho no ma-schamba, tudo isso pressupõe e afirma a quase-universalidade de uma sexualidade sábia [em Portugal](para não dizer feliz ou completa, termos poluentes), as pessoas aprendem livres e ficam a saber - ora isso surpreende-me, não sabia que era assim, não sabia que havia tanta sabedoria, assumpção, completude, realização sexual de geração em geração. Até acredito que assim seja (!????!!!) mas poder-me-ão indicar as fontes dessas certezas, os estudos - é só para confirmar que não são apenas opiniões pessoais, sem fundamento empírico.
Finalmente, e ainda que algo lateral, quando se fala de aborto (e já escrevi para ai 20 textos contra o aborto, chega) sempre me aparecem os adversários do liberalização da lei e os seus defensores a argumentarem com a necessidade de melhorar a educação sexual - e agora ai, ai… [o termo é diferente, planeamento familiar é diferente de educação sexual e há uma perversa tendência para misturar ambos].
Eu insisto, porque raio se outros o ensinam nós não o podemos ensinar, e parece até anti-natura (violador do “eu”, até)? E insisto, se se ensina a fotossintese porque raio não se ensina a sexualidade? Hierarquia de valores, nada mais.”
Adenda: Caro António Torres, como disse estou a escrever um pouco no ar. Agradeço-lhe o comentário com o qual concordo. Apenas lhe acrescentaria também o temor pelo “exagero e o experimentalismo de mentes avançadas, sobre crianças que são [seus] filhos”, pobres filhos - ou talvez não, porque “casa de ferreiro, espeto de pau”; e neste caso felizmente.

17 comments ↓
sub. desenvolvimento. mesmo.
Publicado por: blimunda às maio 20, 2005 09:29 AM
http://antemareundae.blogspot.com/
O sub-desenvolvimento também é ensinar mal, como parece ser o caso por cá. E a direita ou a esquerda aqui só a vejo no sentido gestual (nunca percebi porque há quem lhe chame a canhota). Finalmente, e para uma linguagem mais científica, deveremos chamar “auto-estimulação” e nunca “masturbação” (quer horror. punheta ainda vá)
Publicado por: Eufigénio às maio 20, 2005 12:39 PM
http://www.apenasmaisum.weblog.com.pt/
Pois é, José Flávio, claro que estou de acordo contigo. Embora o Eufigénio também tem razão. A minha mulher, que dá formação cívica, aventurou-se nesta difícil tarefa. Podes imaginar como é difícil fazer isso bem, num ambiente altamente vigiado, sem orientação inequívoca e muito menos formação consistente. E depois isso depende, ainda mais do que noutras matérias, da personalidade do professer. Tem imensa influência a existência ou a falta de à-vontade pessoal do professor nesta matéria. Coisa que não se aprende lendo uns manuais…
Assim, este atraso é cultural, e se os programas do Ministério da Educação estão mais do que um passo a frente da realidade social/cultural, isto dá barraca.
Já agora. Julgo que não estás contra tabus tout cour. E - embora ache que os respectivos pais fazem muito mal aos seus filhos - não achas que eles, se querem, têm o direito de “proteger” os seus filhos destas coisas?
Publicado por: Lutz às maio 20, 2005 01:15 PM
http://quaseemportugues.blogspot.com/
Lutz:
1. Eu sou um grande defensor de tabus.
2. Eu não conheço essas “coisas”. Não estou a opinar sobre essas “coisas”. Mas permito-me opinar que a propósito dessas “coisas”, e só a propósito dessas “coisas”, se ponha tudo a falar sobre educação sexual. Sim ou não, quando o sim é óbvio. Ninguém protesta que este programa é mau (poderá ser) mas que é inenarrável o silêncio.
3. Já agora, e em termos absolutos, porque é que é tão grave “ensinar mal” a sexualidade, mas não é tão grave “ensinar mal” (pois ensina-se, ainda assim) teoremas, fotossíntese ou o trigo (??) da Mesopotâmia? Em termos absolutos é mais importante, mais gravoso - ou é mera moralidade (conjuntural). Tabus sim. Mas isto não são tabus, são teias de aranha (literais e metafóricos. E até brejeiros)
Boné:
1. Cada um lê o seu menu de blogs, e no meu vejo bem a tal distinção direita/esquerda a este propósito. MAs vamos a restaurantes diferentes.
Publicado por: jpt às maio 20, 2005 02:03 PM
Lutz, a questão se o legislador / pedagogo está (ou deve estar) À frente da realidade social ou não é vastissima. Mas com essa também andam também há 30 anos a protelar uma coisa simples: não há lógica nenhuma em ensinar a rapaziada mesa alemã ou andebol e depois não ensinar as melhores formas de usar outra parte do corpo. Saúde é tudo, saber é tudo, prazer é tudo. É mera tralha, isso da realidade social e cultural. Porque quanto mais se fala nisso mais se quer manter o polenzinho das abelhas nas flores ou (até) a galinhola de paris…
É uma estúpida hipocrisia - Às 8 da noite já tens nus laterais conjugais nas novelas brasileiras. No cabo pornografia aberta. Realidade socio-cultural? Nem hipocrisia é, é mera birra, sociobirra
Publicado por: jpt às maio 20, 2005 02:08 PM
(aquele 1. ali em cima para o Boné, não deveria ser um 4. ? Enfim é a única dúvida que me ocorre sobre o tema…)
Publicado por: catarina às maio 20, 2005 02:41 PM
http://100nada.weblog.com.pt/
1. A mim o que me ocorre é perguntar quem raio é esse Boné? Um gajo põe-se aqui a comentar, o Lutz leva com o contraditório todo, eu nada. E depois aparece ali um Boné que nem tem nada a ver com isto. Ó JPT, tu estás chateado comigo?
Publicado por: Eufigénio às maio 20, 2005 02:50 PM
http://www.apenasmaisum.weblog.com.pt/
Não catarina, não tem razão, é mesmo 1. Estou sempre, Eufigénio, um gajo com um pseudónimo desses não pode pedir tolerância, não achas?
Publicado por: jpt às maio 20, 2005 03:15 PM
A dicotomia esquerda/direita serve, sobretudo, para desviar as atenções para batalhas de politiquice que pouco ou nada contribuem para a resolução do que quer que seja. E não percebo para que serve um “Manual de faça você mesmo”. Todos os adolescentes conheceram e conhecem as técnicas, e não foi preciso que lhes ensinassem. E neste assunto, é preciso ter atenção à palavra “Manual”… podiam ter utilizado “Livro sobre…”
Publicado por: LuisC às maio 20, 2005 03:54 PM
http://graodeluz.blogs.sapo.pt/
Olha, pois era mesmo 1. …tresli…e o jpt passou a tratar-me na terceira pessoa outra vez. Nada a fazer quanto a isso, realmente.
Publicado por: catarina às maio 20, 2005 04:09 PM
http://100nada.weblog.com.pt/
então mas vcs os dois não tinham acordado que os “entas” e tal? JPT, tu até a chamaste “teclitiva”, depois de tanta intimidade uma falha dessas?
Publicado por: Eufigénio às maio 20, 2005 05:05 PM
http://www.apenasmaisum.weblog.com.pt/
Pois é, Eufigénio, teclitiva mas quarentinha e sabes que isso pesa nos homens, o ‘tuar’ senhoras entradotas e respeitáveis mães de família.
Publicado por: catarina às maio 20, 2005 06:01 PM
http://100nada.weblog.com.pt/
Catarina, olha, lá por casa quanto mais entradotes mais leves (pesa nada). Voa-se como nunca soubemos aos trinta. entradota? só se for a blogar! aí já não digo nada
JPT, há aqui cafés ou isso é só lá no “upa, upa”?
Publicado por: Eufigénio às maio 20, 2005 06:16 PM
http://www.apenasmaisum.weblog.com.pt/
isto era um post sisudo, sobre matéria bem séria, a ansiar polémica e até insulto, e vocês (tus) vêm para aqui no paleio, a desmontarem-me o argumento? não há respeito, não me aceitam o estatuto? só porque são de sucesso…ora, ora, deixem-me lá semnada a ser apenas mais um e vão gozar para o hall da fama…
Publicado por: jpt às maio 20, 2005 06:26 PM
Ah bom, assim estamos melhor (e agora vou ler aqueloutro lá em cima e prometo que serei mais sisudo caso não me contenha de comentar)
Publicado por: Eufigénio às maio 20, 2005 08:48 PM
http://www.apenasmaisum.weblog.com.pt/
Efg, é que há alguns assuntos que te tiram do sério…
Publicado por: jpt às maio 20, 2005 08:59 PM
A mim ? Boa
Publicado por: Eufigénio às maio 21, 2005 01:45 AM
http://www.apenasmaisum.weblog.com.pt/
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