A propósito da transformação do modelo de casamento que acontecerá muito em breve em Portugal o Quase em Português apresenta uma entrevista em filme dedicada aos contos infantis – que recolheu no O Cachimbo de Magritte -, agora necessariamente apresentáveis em registo homossexual.
Eu tinha saudades do QeP. E por isso acampei por lá com o estatuto de comentador residente. Nesta entrada temática dedicando-me à apresentação do novo contexto, esse já acima referido: o Paradigma da Loba Má.
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Fui aos blogs ler os posts e os comentarios e estou chocada com a baixaria que por la vai. Claro que no meio daquilo existem comentarios bons, mas a maioria deixou-me de boca aberta. Tenho que dizer ja que o casamento ou nao dos homossexuais nao e’ uma questao que me mova, nem para um lado nem para o outro. Tenho em relacao a esta questao muitas perguntas e duvidas, nenumas certezas e poucas conviccoes. Percebo as suas implicacoes e impactos e sei que, se calhar, deveria preocupar-me, mas tambem acho que ha coisas que sao inexoraveis e esta sera tambem uma delas, mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos polemica; daqui a 50 anos ja sera um non-issue. Nao me repugna que duas pessoas do mesmo sexo que se queiram devotar uma a outra usufruam os mesmos direitos e responsabilidades dos casais de um homem e uma mulher. Mas em relacao a adopcao de criancas, confesso que tenho sentimentos bem mais ambiguos. Acho que o risco de se usarem criancas para fins de consolidacao identitaria e grande, mesmo que essa motivacao seja inconsciente; mas a realidade e’ que de certa forma criancas podem e sao usadas para fins mais ou menos questionaveis, ainda que socialmente aceites. Quando as socialites expoem as suas criancas como se estas fosse acessorios de moda, nao e isto auto-promocao? Nao se trata tambem de uma instrumentalizacao da infancia? Nao para fins identitarios talvez mas a diferenca e assim tanta? Existem tantas criancas abusadas, negligenciadas, indesejadas. Porque entao interditar a adopcao por duas pessoas que as desejam e lhes querem dar afecto so porque sao do mesmo sexo? Alem de que e’ impossivel hoje em dia evitar que criancas sejam criadas e educadas por homossexuais. Num dos muitos casos em que a ciencia se adianta ao social, moral, etico e legal, as maes de aluguer permitem um filho a quem tiver dinheiro para o pagar, independentemente do putativo progenitor(a) ser casado ou nao, homossexual ou nao… Quanto ao que parece estar a acontecer nas escolas e nos curriculos escolares vamos la a ter bom senso! Uma coisa e ensinar-se a tolerancia e ensinar-se educacao sexual; outra completamente e fazer-se a apologia desta ou daquela orientacao sexual. E infelizmente nesta questao dos casamentos homossexuais parece andar ai pelos blogs uma autentica Mossad sexual que nao da treguas! Para quem exige tolerancia sao bem fundamentalistas; mais um caso de vitimas a virarem carrascos? Ja em relacao as historias infantis nao tenho qualquer duvida e so tenho um comentario – vao-se catar! Era o que faltava! Ja la nos idos dos anos 70 vieram com essa marmelada das historias infantis serem demasiado violentas/eroticas/estereotipadas/ou-nao-sei-o-que. Devia ler-se as criancas (na altura as minhas filhas pequeninas) as versoes sanitizadas e politicamente correctas. Faco agora o que fiz na altura: um grande manguito!
No meio disto tudo congratulo-me com a dignidade e a decencia com que a maschamba ficou representada no debate, aqui pelo nosso jpt.
Não existe nada mais hipócrita que alguém querer afirmar a sua diferença mas querer que a essa afirmação seja dado o mesmo nome daquilo que se pretende ser diferente.
Não pode haver casamentos de pessoas com o mesmo sexo. E por isso, quem lhe quiser dar o nome de casamento está a deturpar à partida o assunto. Pareçe que afinal é uma forma envergonhada dessas pessoas se assumirem.
Nem as uniões de facto servem. Tem de ser mesmo casamento. Impressionante!
Eu creio que há pouco dias já disse o que tinha a dizer sobre o assunto.
Acho que temos aqui um Muro de Berlim.
Pois, mas o muro de Berlim tambem caiu.. E tudo uma questao de tempo, nao e?
«Uma coisa e ensinar-se a tolerancia e ensinar-se educacao sexual; outra completamente e fazer-se a apologia desta ou daquela orientacao sexual. E infelizmente nesta questao dos casamentos homossexuais parece andar ai pelos blogs uma autentica Mossad sexual que nao da treguas! Para quem exige tolerancia sao bem fundamentalistas; mais um caso de vitimas a virarem carrascos? Ja em relacao as historias infantis nao tenho qualquer duvida e so tenho um comentario – vao-se catar! Era o que faltava!»
Estou quase completamente de acordo. Não estou de acordo que a introdução, no ensino escolar, de algumas histórias que representam outros modelos de vida conjugal, ao lado das centenas ou milhares que representam o modelo dominante, seja uma “autêntica Mossad sexual”. Concordo plenamente com o repúdio de sanear as histórias infantís tradicionais da sua carga de violência e erótica etc. É aliás algo de que se a Disney se tem encarregue com exaustão e muito ao agrado de pessoas como no vídeo do post do Cachimbo de Magritte.
Lutz (e AL) falas da Disney? Nunca me esqueci de já adulto ter ido no início dos anos 80s, e com alguns amigos, ver o Rato Basílio (não me lembro do nome original) [nos velho "multiplex" como então não se dizia Alfas, ali ao Areeiro]. E não é que o “mau” da fita -um mau até simpático – dava pelo nome de Ratagão (“se bem me lembro” inspirado no Bafo-de-Onça de tradução brasileira). Ora ratagão era completamente queer (como entao se começava a dizer). O que nós nos rimos então, a Disney atrevidissima para os tempos que corriam.
Por isso, não há muito de novo sob este céu (muito nublado AL, o verão nunca mais começa a sério)
Lutz expressei-me mal, como de costume… (suspiro). A Mossad sexual sao os muitos comentaristas insultuosos e intolerantes que por estes blogues abundam e nao a inclusao de modelos alternativos de relacionamentos como parte de educacao sexual e de historias alternativas. Se alguma vez participou em discussoes on-line sobre o medio oriente, ou sobre a questao palestiniana sabera ao que me estou a referir. Nao demora nem 5 entradas ate a Mossad entrar em forca no chat room e comecar a insultar tudo e todos. Quando fui ver o Quase em Portugues e vi aquela serie de comentarios insultuosos foi do que me lembrei…
Ah! JPT nao vi o filme a que te referes mas as/os personagens da Disney, diz-se, tem uma sexualidade dubia qb. O Mickey e os sobrinhos; o Donald e os sobrinhos; o Tio Patinhas solteirao; as Daisy e as sobrinhas… Nao me lembro de um personagem da Disney que seja “casada” e que tenha a tradicional familia nuclear. Quanto aos filmes mais recentes irei ve-los provavelmente quando o meu neto tiver idade para isso. Entretanto, registo e confesso um hiato de 30 anos em filmes Disney pelo que posso estar desactualizada.
Digamos que o panteão Disney é (para além da margarida e da minnie, meras companheiras longínquas) completamente “no armário”: don’t tell, don’t ask
Quanto À “mossad”: bem-vinda ao bloguismo. Isto aqui no ma-schamba anda muito animado com a V. entrada, nunca foi um local de muitos comentários (mas de comentadores companheiros isso foi sendo). Mas foi sempre um repouso – a gritaria comentatária é um contínuo do bloguismo (em particular o politizado)
Os muros caem mas nem sempre se muda para melhor.
E não podemos mudar por mudar para tornarmos confuso algo que seria mais simples se devidamente qualificado.
É uma questão de convicção. Só isso.
JPT vamos trabalhar para isso, para trazer a mossad aos comentarios maschambistas.
Pedro Silveira, tem razao; uma mudanca nem sempre e’ considerada por todos como sendo para melhor, sendo que o melhor muda consoante perspectivas ou, como muito bem diz, conviccoes. E era bom, muito bom mesmo que tivessemos tempo para reflectir e debater antes de se efectuar qualquer mudanca de forma a podermos evitar/minimizar a confusao. Isso, acho eu, nunca acontece. Ate porque quando comecamos a falar de uma mudanca eu acho que ela ja esta em movimento, senao nem a notariamos como tal, como mudanca.
Mas e’ tambem verdade que mudancas a priori consideradas negativas ou impopulares e contra as conviccoes das maiorias acabam a la longue por se revelar positivas. Veja por exemplo o direito universal de voto e a sua extensao as mulheres; ou a abolicao da pena de morte na Alemanha depois da WWII. Respeito as suas conviccoes e agrada-me te-lo aqui a debater questoes importantes como esta (ou triviais como tantas outras aqui da maschamba) e gostei muito do paradoxo que aponta no primeiro paragrafo do seu primeiro comentario. Eu pouco tenho a acrescentar ao que escrevi acima. Volte sempre!
A mudança que referi não é minha mas sim a previsivel aceitação legal do “casamento” de pessoas do mesmo sexo por parte do Estado.
Da minha parte não há nenhuma mudança em funcionamento.
As mudanças que refere são estruturais e não circunstânciais pelo que a discussão, como refere, é sempre de salutar e deve ser profunda porque vamos sempre chegar a resultados diferentes do conceito de familia. Perceber isto ajuda a perceber a argumentação.
Mas acho que com esta mudança, com esta urgente necessidade de libertação dos oprimidos, a humanidade vai esqueçer a “crise”, e vamos todos ser felizes. Ficamos todos no mesmo clube, homos, heteros. Olhe, é a arca de noé.
E pode crer que voltarei pois já tive oportunidade de dizer ao JPT que este blog é excelente.
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