Gentlemanship e pós-operariado

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No A Memória Inventada uma muito avisada referência à reverência que algum Portugal tem por uma imagem de Inglaterra, qualquer coisa como gentlemanship. Reverência que assume múltiplas e até espantosas formas - li há pouco num blog, até convicto, a consideração da inadmissibilidade da leitura de romancistas sul-americanos (Borges estava isento de tal esconjuro, decerto por ler inglês e usar bengala), tais como Garcia Marquez, Vargas Llosa ou Cortazar, quando existem autores ingleses, Waugh e outros. Confesso que não me espanta a opinião, apenas que alguém a assine publicamente.

A esse anglofilia actual costuma-se atribuir uma raiz política, de pendor conservador. Discordo completamente, considero que este anglodesvelo tem causas sociológicas, em última instância provenientes da recepção e influência desta obra (Upstairs, Downstairs).

E, na cosmologia por esta criada, à crença de que quanto mais anglofilia, versão (neo)imperial vitoriana, seja reclamada mais se aparenta que os respectivos locutores já ascenderam das copas.

6 comments ↓

#1 jpt on 05.27.08 at 22:46

A familia Belamy??

Publicado por: Gasel às abril 24, 2005 01:38 AM
http://www.diasquevoam.blogspot.com/

#2 jpt on 05.27.08 at 22:47

Upstairs, downstairs. A sense of one’s place. Revertido? Portanto, por cá terão saído (das copas) directamente para a rua, para o ofício da opinião. Se se quiser ser torcido a sério, acrecentar-se-á o adjectivo liberal, na economia, nos costumes e na acumulação. Bem se adverte que aqueles que olham directamente para a luz que irradia do Sol arriscam graves lesões na vista.

Publicado por: Afonso Bivar às abril 24, 2005 04:12 AM
http://www.bombyx-mori.blogspot.com/

#3 jpt on 05.27.08 at 22:47

Sim, Gasel, era isso.
AB, não é preciso ser liberal para caber nisto. Aliás, não há nada menos liberal do que uma sociedade que aparenta (e manipula) “ordens” - exactamente esse “imaginário” (que se me desculpe a irritante palavra) de algum (a bold, este algum) pensamento português
Atenção: eu também gosto de raguebi (ainda que, quiçá fabiano) torça por Gales, eu também gosto de whisky velho e de um bom cognac, e de um espaço apenas para homens, um clube. Peco por preferir cigarros a charutos. E nunca tive coteveleiras nos casacos. E leio com todo o prazer Waugh e outros.

Publicado por: jpt às abril 24, 2005 02:16 PM

#4 jpt on 05.27.08 at 22:47

Claro que não é preciso ser liberal, jpt. A questão é que justamente a palavra em causa acentua a contradição. Quer dizer, boa parte daqueles que, por cá zelam pela “distinção”, brandem em simultâneo a herança (intelectual) liberal “very british”, um excelente recurso distintivo pois (então se fundado na “oxbridge”, nada se lhe compara). Nesse ponto, estamos totalmente de acordo. A minha observação tinha a ver com o facto de às vezes, nem sempre, o uso da ironia aplacar o ímpeto (crispado) da irritação, sem deixar de produzir o efeito pretendido.

Publicado por: Afonso Bivar às abril 24, 2005 03:11 PM

http://www.bombyx-mori.blogspot.com/

#5 | ma-schamba on 06.21.08 at 2:04

[…] um texto (pessoalmente direccionado) que me recorda um já velho (o que não é velho num blog?) texto no Ma-schamba (impessoalmente […]

#6 O Nosso GG em Havana | ma-schamba on 08.20.08 at 19:33

[…] (normalmente a área ideológica dos elogiadores é outra: tem muito a ver com os ícones upstairs downstairs e Che Guevara, uns sonham-se myladys outros comandantes, e transpõem isso para o que dizem dos […]

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