Ainda “a origem do mundo”
1. Há cerca de um mês recebi de rajada vários e-mails (o cansativo registo “fw”) denunciando uma exposição na Fundação Serralves, “O Olho do Cu” [basta googlar que aparecem as imagens e as múltiplas referências]. Coisa já antiga, ou a indignação electrónica tardou ou estou eu na periferia da ira opinativa. Não me ocorre comparar os cus do Porto com a vagina de Paris – nem estetica nem historicamente. Mas recordo as várias mensagens recebidas e arengas nos blogs que visitei sobre o assunto [confesso o meu "estes romanos são loucos" quando li a história]. Em nenhuma havia alguma consideração crítica, estética, histórica, ideológica. Nelas apenas a indignação com a pornografia, a denúncia da imoralidade, o protesto com os gastos públicos em coisas daquelas (a lengalenga dos “meus impostos”), o “como é isto possível?”.
Quantos desses pornófobos estarão hoje furibundos contra a pornofobia da psp bracarense?
2. É certo que é um registo reactivo à consideração do “A Origem do Mundo” como pornografia, mas ainda assim é denotativo a quantidade de bloguistas que referindo o assunto utilizam o calão. É interessante pois o que marcará “A Origem do Mundo” de Courbet é que assenta na representação de uma “vagina” e não de uma “cona”. Repito, é certo que se trata de um registo reactivo, mas não deixa de significar o aprisionamento, até das mentes libertárias.




É uma vagina rodeada de mata por todos os lados.