Adopção homossexual
[Imagem encontrada através do rapidíssimo motor de busca BING]
Em Portugal regressou a temática do casamento homossexual. Coisa que já por este blog tem passado, e ainda recentemente quis contribuir para a discussão. Em tempos não muito recuados legislou-se que os homossexuais podem casar. E tanto então como agora mesmo se estabelece que, ainda que podendo casar, não podem adoptar.
Nisto tudo há uma coisa básica. O casamento é uma instituição, nunca foi uma cena de boy meets girl. Instituição cuja dimensão fundamental é a reprodução, “constituir família” na terminologia usual: ter filhos, criá-los e legar-lhes o quinhão dos bens pertencentes às famílias que é considerado acertado. Há um alargadíssimo conjunto de valores morais e éticos e de codificações legais que explicitam isto. O “indignismo” (avant la lettre) que acompanhou a campanha para o casamento homossexual quis – por razões de ignorância mas também por razões tácticas – obscurecer esta realidade básica (lembro-me até, estupefacto, de ter lido uma antropóloga portuguesa negar esta evidência. E ninguém lhe deu o carolo bem merecido …). E conseguiu fazê-lo, que não há como a demagogia exaltada – e a argumentação imbecil – para congregar intelectuais em torno de uma causa.
Deste modo, sendo o casamento o que é, torna-se absolutamente inaceitável aceitar uma forma de “casamento” e negar-lhe, a priori e em geral, a possibilidade de adoptar. Ou há “casamento” (coisa-festim de deficientes e/ou pré-imputáveis) ou há casamento. Na lei só pode haver casamento. E com o casamento vem a possibilidade da adopção. Nem há discussão. “Ponto final parágrafo”.
E este rame-rame, este vai-não-vai, mostra muito mais do que a “questão homossexual”. Mostra a monumental mediocridade das elites políticas portuguesas, parlamentarizadas. Ignorantes. Indecisas. Incapazes.
Nisto como em tudo o resto. Como se vê.
jpt





Olá!
Gostei muito do seu texto.Concordo com o que escrevestes,se permitem o casamento,também devem permitir adoções.
Grande abraço
se cuida
Logo, a união entre pessoas homossexuais, sendo legalizada, nunca se devia chamar de casamento. Houve um lider do movimento Opus Gay que tentou estabelecer uma diferença entre casamento e matrimónio.
Não sou tão retrógada que não aceite as ligações homossexuais, aceito-as, são opções de cada um, é um problema de liberdade individual. Apenas não aceito que se tente atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente. É descriminação ? será, porque é uma situação que não é igual. Chamem-lhe o que quizerem, mas não lhe chamem casamento.
Lucia Costa não é essa a minha questão. Reproduzo aqui um comentário que coloquei na ligação a este postal no facebook, onde apareceram a discutir esta questão: “Não me parece ser “paneleirice” e muito menos “pieguice” considerar que os coirões que votaram favoravelmente uma lei não tenham o discernimento de entender o que estão a votar nem (e muito menos) a coragem de o assumir. Contrariamente ao que se possa entender do texto eu não tenho particular simpatia para com o casamento homossexual (o “casamento”, instituição). Já escrevi contra, já fui listado por um bando fascista-bloquista num index de gente fóbica (a escumalha bloquista é sempre desculpável pela “gente fina”), já mudei razoavelmente de ideias, tipo pronto, assim seja, não simpatizo mas o mundo não sou eu – se o fim da discriminação passa pelo casamento pois bem (há anos a luta era contra a instituição família, repressora, falocrata, etc e tal). E contrariamente ao Pedro Vieira acho que é impossível pensar sem preconceitos. Agora o que não posso aceitar é a continuidade do lixo socialista (dos comunistas nem vale a pena falar, compreendo que Bernardino Soares não goste disto, afinal de tudo ele é companheiro de estrada de Robert Mugabe) neste can-can. O que mostram neste caso é exactamente o que são e o que têm sido. Para mal de Portugal, dos heterossexuais, dos homossexuais, dos bissexuais, dos abstinentes, e das restantes práticas.”
Aproveito para recordar que então Manuela Ferreira Leite referiu qualquer coisa como o casamento era para fazer família, ter filhos, e caíu o Carmo e a Trindade. O imbecilismo e a mais abjecta das desonestidades habita na intelectualidade portuguesa. Pagos pelo Estado, refira-se. Li e ouvi vários cientistas sociais a rirem-se e a contestarem isso: nenhum foi despedido. Alguns continuam por aqui, internet, a botarem indignados sobre tudo e todos. E ainda se queixam de ganhar pouco. Amanhá, se ganharem (em estatuto, em “admiração” ou em euros) dirão outra coisa qualquer, em sentido diverso. – Aliás, toda esta questão, o deslize em poucos anos da radical crítica da “família” para a sua elevação a objectivo é assunto para a história social das ideias.
Enfim, o que conta mesmo é que temos eleitos que são assim. Maus
Que confusão vai na cabeça de tanta gente. Igualdade de direitos, preferências sexuais, conceito de família, simpatias temáticas etc. Meus caros, isto é no mínimo assustador. A adopção de uma criança não passa por este paradigmas. Esta deve ser aceite sempre que as pessoas, independentemente do seu sexo, raça ou credo, tenham condições físicas e intelectuais para o fazerem. Uma criança precisa de acompanhamento, de afecto, de amor. Não precisa de saber qual a orientação sexual dos seus pais.
…para o fazer …..
Grande texto Ze, grande texto!