Das guerras coloniais portuguesas. No grão-bloguismo português um texto absolutamente acreditável: comunitarista (sobreergue uma comunidade nacional, indiscutida; um país de então que se idealiza, apolítico claro, de indiscutível); colonialista (o fim do colonialismo expresso como uma “rendição”, implícita a traição); ignorante (desprezando as formas de cooptação de tropas africanas para as forças armadas portuguesas, seja como produto de coerção estatal, seja como estratégias de ascensão individual [para quê olhar isso, se num pobre quadro de análise comunitarista? poder-se-á contrapor e não sem razão], seja como estratégias de conflitos colectivos internos às populações africanas). Nada disso, apenas o arvorar de um “ser português”, antes-quebrar-que-torcer, que nunca-se-rende. [Para quê uma análise de uma história (sociológica), se se escreve e pensa que as “humanidades” não são ciência, dir-se-á? Pois sim, se se afirma, cavalgando ideias alheias, que a história (económica) produz juízos de facto (científicos). A retórica do tudo-vale, consoante o caso].

Repito, um texto absolutamente acreditável. Corolário do pomposo doutoral, a embrulhar um mero reaccionarismo. Hoje colonial, amanhã outra coisa qualquer. Liberal?

Vale a pena resmungar? Nem tanto. Mas apenas notar, o tristemente, afinal também, acreditável. Se a tantos inúmeros dislates se sucedem dezenas ou centenas de comentários, coisa de grande blog, a um velho-fascismo destes acorrem uma dúzia de comentários, nem discordantes. Modos colectivos de olhar a história recente.

(Para quem se interesse: sobre as tropas africanas das forças armadas portuguesas, e o tratamento recebido, botei no princípio do blog).

2 comments ↓

#1 cbs on 10.05.06 at 0:44

não sei…
compreendo que classifiques o post como comunitário, colonial, ignorante e será isso talvez.
mas também compreendo que se seja de “antes quebrar que torcer” e se sinta com amargura a “traição da História”.

Porque quem tem amigos dos dois lados percebe os dois lados, mesmo que conclua outra coisa qualquer igualmente falivel.

O post do Miranda e o teu fazem-me lembrar o fim Savimbi contado no livro do Alcides Sakala (referido no Abrupto); são as armadilhas da História, tudo mudou, mas “nós” não, “nós” fizemos o que “deviamos” e no entanto toda a realidade se alterou, deixando-nos sós, isolados na nossa “razão”.

Reconstruímos constantemente a realidade, convencidos de qualquer coisa; depois tudo muda e sentimo-nos traídos (arranjamos sempre um bode expiatório), resistimos, quebramos, destruímos o mundo à volta que não se conjuga com o mito que antes construíramos e metemos na tola, mas torcer, não torcemos.

Depois há outros como eu, que torcemos mesmo, estamo-nos nas tintas para a história que nos contaram ou para esta que nos contam agora.
Torço mesmo e por isso sou acusado… porque mudo, porque compreendo os dois lados, não sou um Homem Erecto :)

#2 JPT on 10.09.06 at 10:55

Peço desculpa mas ou não compreendo ou não quero compreender este comentário. O que é isso dos “dois lados” que aqui surgem? Ou por outra, em que “lado” é que me quer meter só porque acho o que acho sobre quem vem, denotando todo o seu reaccionarismo nada-liberal, já agora, apontar os soldados africanos recrutados para as tropas portuguesas como veros D. Fuas Roupinho?, Transpirando, obviamente, a velha ideia do tal portugal de minho a timor?

Isso põe-me num “lado”, num desses que produzem as tais histórias para os quais V. se está nas tintas?

Repito, não percebo o comentário.

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