Mas agora que vai descer a noite na minha vida

Triste de mim mais triste que a tristeza
triste como a mão que segura o copo
como a luz do farol esgaçando a névoa
triste como cão manco
deixado na serra pelos caçadores

…..

triste como uma puta alentejana
num bar de Ourense
que me viu à cerveja e lesta
me chamou compadre
vozes que a gente colecciona

triste e já sem nenhum reparo
a fazer à metafísica
senão que é um défice
porventura
do córtex cerebral

[Fernando Assis Pacheco, Respiração Assistida]

4 comments ↓

#1 cláudia on 02.13.08 at 0:35

ah…. um poeta belíssimo.

#2 jpt on 05.26.08 at 23:04

Sim, é lindíssimo.

Publicado por: sara monteiro às abril 17, 2005 03:08 AM

#3 jpt on 05.26.08 at 23:05

o livro eh marcante

#4 jpt on 05.26.08 at 23:05

E já leu «Memórias de um Craque»?
http://www.novacultura.de/0504pacheco.html
É uma delícia!
Peço desculpa pela repetição dos comentários ali em cima.

Publicado por: legendas às abril 18, 2005 03:57 PM
http://apor.blogspot.com/

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