Embora fosse tímida e quase incapaz, quando apresentada inesperadamente a alguém, de dizer fosse o que fosse, tinha uma admiração imensa pelos outros. Ser o que eles eram seria maravilhoso, mas ela estava condenada a ser apenas ela própria e só podia, à sua maneira silenciosa de entusiasmo, sentar-se cá fora num jardim, aplaudindo essa sociedade humana de que se encontrava excluída. Pedaços de poesia subiam numa prece de louvor dos seus lábios: eram realmente adoráveis e bons os sobreviventes, e sobretudo corajosos, vencendo a noite e os pântanos, uma companhia de aventureiros que, arrostando os perigos, continuava a sua viagem.”

(…)

Ficaram os quatro sentados, olhando para a mesma casa, para a mesma árvore, para o mesmo tonel; só que tendo espreitado por cima do muro para dentro do balde, ou melhor tendo visto de relance Londres, do outro lado, continuando indiferentemente o seu caminho, Sasha já não se sentia capaz de derramar por cima do mundo inteiro a sua nuvem de ouro. (…) Sasha olhou para a sólida e segura casa construído no estilo da Rainha Ana (…) e aquela festa não era mais que uma quantidade de gente em traje de cerimónia

(Virgínia Woolf, “O Resumo” in A Casa Assombrada, Relógio d’Água, 1988 tradução de Miguel Serras Pereira, 71-72)

0 comments ↓

There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.

Leave a Comment