Avisto-o na rua, algo até fácil tamanha a estatura que acompanha este actor e autor, engenheiro jornalista e editor, jovem já assim de tantos instrumentos, entre os quais o menor não é, afianço-o, a simpatia. Paro o carro bem defronte, é minha a iniciativa de oferecer a boleia, substituindo-lhe o “chapa”. Ele só assim atenta e me reconhece, e então entra. Ainda que menos lesto e efusivo do que o habitual, parece-me. Logo avançamos no breve trajecto que nos será comum, entretido num entre “como estás?!” e isso … Só ali ao fim, cruzamentos a anunciar as nossas diferentes perpendiculares, é que ele resolve desanuviar-se, “ainda não te falei daqueles textos que me deste …”, coisas a pedido para uma sua revista, história de há já meses, “sim, pá, não gostaste, não há qualquer problema”, enfranqueço-me eu, até insistindo no sem manchas, ainda para mais sem razões para tal. E logo ele, enfático em assédio de gentileza, “não, não, não foi nada disso. É que … é que não percebi onde querias chegar!”. Sorrio, já parados para o “até breve”, e noto que coço a cabeça, enquanto a abano, quase de certeza procurando algo, mas só “nem eu, pá. Nem eu!”. E nisto já saiu ele, “obrigado, Teixeira…” num “estamos juntos” que agora lhe sai mais aliviado, enquanto eu me fico a insistir, só para mim, esse “nem eu, pá, nem eu”.
O LITERATO
7 de Janeiro de 2007 | Roupa Velha

1 comment so far ↓
Boa noite JPT,
Belo texto !
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