Sobre Buttiglione pouco poderei avançar. Acho que a questão é política e não religiosa mas isso já foi escalpelizada até ao queixo, para quê insistir? Concordo com RMD que muitos políticos separaram a religião do exercício do poder (e alguns até em termos absolutos, infelizmente, que há sempre uns mandamentos que conviria não esquecer). E nada tenho contra gente de fé a exercer o poder: o maldito “motor de busca” não me dá acesso às minhas falas de ateu, mas não me vejo numa “condição ateia” face à política (ou a outra coisa qualquer). Mas desconfio de quem se vê numa condição religiosa face ao poder. Mas lá está, isso não é sinónimo de um religioso no poder.
RMD citou Guterres e eu resmunguei. Diz ele que embora católico pouco praticante também se teria ajoelhado face ao Papa. Nem contesto. Eu próprio, ateu não baptizado comporto-me de modo diferente, mais grave, diante dos padres - sorrio ao exemplo, mas ainda há meses, jantando cá em casa com um padre bom amigo, homem especial de décadas aqui, saíu-me um “porra” ou “merda” qualquer, tão habituais me são estes, mas então fiquei atrapalhadissimo, a pedir-lhe desculpa, e o homem a rir-se num “ó zé, deixa-te disso”.
Mas eu não escrevi resmungo por António Guterres se ter ajoelhado diante do Papa. Eu escrevi resmungo porque António Guterres, primeiro-ministro da minha República, se ajoelhou diante do Papa. O que é totalmente diferente. E inadmissível.
Finalmente, e regressando a Buttiglione, apenas porque ele é a fonte desta questão sobre o papel dos católicos na política. Lamento que ninguém que dele se sinta próximo tenha por aqui passado para responder à minha irónica pergunta, serão as viúvas piores mães?
Mas insisto, agora sem ironia: a minha mãe enviuvou muito jovem, com três filhos. Assim viveu cerca de dez anos. Foi má mãe para os meus irmãos? Conviria trazerem-me a teologia para mo explicar. E um viúvo, a criar robots [robots na teologia?]?
Deixemo-nos de coisas, Buttiglione é apenas um ultramontano, anacrónico. De moral execrável. E não é o facto de se escudar numa “condição católica” que lhe apaga esse negrume, moral e intelectual (essa impiedade?). Ou seja, não serve para ser base de uma reflexão sobre as ligações entre a religião católica e a política.
E mais não digo, que se RMD já teme parecer beato também eu já entrevejo o anti-cristo no espelho.

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