Do obscurantismo. O Miguel narra mais um episódio da explicitação do racismo “anti-branco”, neste caso expresso por um padre.

É recorrente este racismo, às vezes mascarando-se de mero “racialismo”, um anti-branquismo a-sociológico, um “agora é a nossa vez”, que se quer auto-desculpabilizador, que encerra as causas dos fenómenos nas cores alheias, que procura legitimidade própria para quem se vai sentindo fragilizado nas suas tenças político-sociais. Racismo hipócrita, tantas vezes associado a uma “mão estendida” nada invisível. Racismo sombra, escondendo causas, assim querendo-se garante de uma ordem. Afinal racismo. Muito mais explícito do que o racismo branco, este cada vez (e ainda bem) mais escondido pela pressão de uma “higiene ideológica”. Digo escondido, não digo desaparecido. Mas dizer escondido é também dizer (e crer) diminuído.

Muito presente está o anti-branquismo nos discursos políticos africanos. Mas também no de jornalistas, escritores, e académicos, sociólogos, antropólogos, politólogos, esses profissionais produtores de imagens.

Daí que não possa deixar de sorrir quando ouço o povo dizer desses arautos da “negrização”: “esses julgam que são brancos”. Usando claro, uma sociologia nada espontânea, ao contrário de quem agita galardões e diplomas enquanto obscurece.

3 comments ↓

#1 Sobre o "do obscurantismo" | ma-schamba on 03.19.08 at 18:23

[…] Ali abaixo referi formas de racismo anti-branco que vão sendo explicitadas em África. Para não ficar nas minhas certezinhas aqui deixo um trecho de João Craveirinha (colunista moçambicano, capaz de argumentações sui generis). Ainda que se possa querer contextualizar este texto (como qualquer um) não resisto a colocá-lo, pois decerto há aqui um ponto a reflectir:”Regressando ao tema de hoje, conjecturo porque é que a comunicação social moçambicana não “ataca” os dirigentes políticos portugueses pelo “amordaçamento” dos cidadãos portugueses de ascendência negra africana, residentes em Portugal….Nem um deputado negro na Assembleia da República em Portugal … Nas televisões nem pensar…Uma presença silenciosa…(nos futebóis não conta por não ser actividade intelectual e não haver muitos melhores)” [Correio da Manhã, nº 2007, 1 de Fevereiro 2005] […]

#2 Ainda a questão do “obscurantismo” | ma-schamba on 05.26.08 at 9:33

[…] desculpar-me-ás não te ter respondido à tua contradição ao meu Sobre o Obscurantismo. Só agora o faço, e muito a correr, mas não quero fechar a loja com a conversa abandonada […]

#3 jpt on 05.28.08 at 23:33

E isto é só a ponta do iceberg…

Publicado por: Miguel S. às janeiro 30, 2005 12:34 AM
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