Embora eu não seja apreciador de futebol, como sabes, também não tenho nada contra quem gosta de jogar ou assistir. E, portanto, acho perfeitamente natural que muitos moçambicanos estejam entusiasmados a ver os jogos na televisão.
O que já acho menos agradável é notar que grande parte dos moçambicanos parece ter feito sua a equipa de Portugal. E não é por ter alguma coisa contra esse país. Muito pelo contrário é um país de que gosto. Só que esta adesão generalizada dos moçambicanos no apoio à equipa portuguesa me parece um cortão umbilical mal cortado. Ou, talvez, cortado e voltado a amarrar
….”Machado da Graça,
Correio da Manhã, nº 1855, 24.06.04
Comentar criticando este trecho, com o qual discordo não palavra por palavra, não letra por letra, sim de haste de letra a traço de letra, exige mais do que eu posso dar a um blog. Exigiria um livro talvez, se quisesse ser comentário mesmo.
Assim só para o café a tomar deixo-te, Machado (como é bom variar, referir alguém sem ter que fazer a “ligação” informática), duas pequenas ideias:
- que no processo da construção de uma “moçambicanidade” o jogo de identidades/alteridades já não se depara com o polo antagónico “Portugal” como norteador.
Épocas…crescimento…história…nacionalismo…pós-colonialismo…(outros)neo-colonialismos. [repito-me: tanta coisa para dizer]
- que será interessante ires ler na biografia do Mário Coluna o episódio em que ele foi interrogado pela PIDE: vê as causas e interroga o argumento d’hoje.
Abraço, até ao tal café.

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