Os “comandos” e o resto

Acho que isto dos blogs não é muito grave, é só bloguismo, é só conversa - a qual, tendencialmente, se aqui começa aqui acaba. Não só por isso chateia-me, imenso, que à entrada do meu local de trabalho (e a propósito disto) me chamem “amante de comandos” [ou “admirador”, que isto de directas de trabalho complicam a audição desagradada] Ainda por cima em aparente tom jocoso, o qual retiraria espaço para uma qualquer argumentação se fosse esse o local para tal. Nada me move contra as forças armadas do meu país - são uma instituição, louvável, às vezes criticáveis negativamente, às vezes criticáveis positivamente, a maioria das vezes (como se deseja com uma  qualquer instituição) fluindo com a nossa mudez (não surda). Mas sei que “amante de comandos” é uma expressão polissémica, ou quer sê-lo. A propósito disto e vindo de quem vive de ler e de escrever, tendo obrigação pessoal e profissional de entender o que se escreve? Torcer argumentos alheios, invertê-los, e atirar o borboto. Não … Bardamerda. E mais não falo no assunto. Nem aqui, nem à porta do meu local de trabalho. Nem nos entretantos.

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#1 Paulo Granjo on 02.27.08 at 7:59

Flávio:

Nos 9 anos que levamos de convivência (desde que tu e a Inês tão simpaticamente me fizeram sentir bem-vindo a Maputo), sempre te considerei uma pessoa com sentido de humor.
Rezingão, agressivo e contundente, claro (o que, aliás, era parte do teu encanto), mas ao mesmo tempo um permanente utilizador de ironia, sarcasmo e piadas, que também as sabia identificar e entender nos outros.

Suponho que uma pessoa com essas características, aliadas à inteligência que ninguém questiona, não teria dificuldade em entender qual o sentido da frase «Então, ó amante de comandos?», seguida de trocas de «Como é que vai a vida?» e de despedidas afáveis.
Uma pessoa assim saberia que esta era uma forma de dizer «Está tudo bem, pelo meu lado», em referência ao teu sarcasmo de gosto discutível «Querias os comandos a defenderem-te?», de que te imaginei envergonhado. Uma forma de desanuviar o ambiente, depois de teres posto “a pata na poça”.
E todo o ‘polissemantismo’ pertinente seria esse, sem espaço para suspeitas de escondidos e tenebrosos insultos, ou de nefastas intenções (tanto mais que esse uso do humor não era novo de parte a parte, em situações semelhantes, não exigindo por isso grande esforço hermenêutico).

Suponho também que uma pessoa com essas características não se poria a bramar dramaticamente por lhe ser dita uma frase jocosa «à entrada do local de trabalho», numa altura em que mais ninguém estava presente, em vez de no espaço público dos blogs. Teria sentido do ridículo.

Parece, assim, evidente que me enganei nas características que te atribuí.
Mas é óbvio que não tens culpa das imagens (para mim, simpáticas) que acerca de ti tenha criado.
Por isso, se te ofendi peço sentidas desculpas, pois não tinha essa intenção.

Pela minha parte, irritei-me de facto quando o comentário dos “comandos para me defenderem” era uma anónima barrasquice insultuosa e injustificada, supostamente saída da cabeça de algum imbecil que eu não conhecia de lado nenhum.
Mas quando soube que a frase era tua acalmei-me, pois há muito aprendi que pouco daquilo que dizes (e, sobretudo, da forma como o dizes) é para ser levado a sério, sempre que haja uma boa polémica em perspectiva e/ou o assunto mexa com os teus brios pessoais. A malta que te conhece ou julga conhecer já se habituou a dar-te o devido desconto.

Talvez por isso, talvez porque já me deste razões bem mais sérias para me chatear e não o fiz, talvez porque vou estando em cada dia rodeado de personagens e de enredos que são muito mais relevantes para mim que os desta “peça”, nem fazendo um esforço consigo sentir frisson com este novo “acto”.
A uma pessoa com as tais características que referi, diria agora: «Vai-te lixar, moço! Vê se ganhas juízo! Vamos é beber um copo e dizer mal do Mundo!»
No presente, contudo, nem a vontade é muita nem me atreveria, pois não sei que maquiavélicas intenções e que insultuosos desígnios poderias ir desenterrar nessa frase e atitude. Limito-me por isso a dizer que não dou particular importância a este episódio e a este post, com «bardamerda»s ou sem elas.

Tu, obviamente, dar-lhe-ás a importância que entenderes.
Mas para isso, confesso, estou-me completamente nas tintas.

E, quanto a este assunto, “Over and Out”.

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