Luís Cabral

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Morreu Luís Cabral, primeiro presidente da Guiné-Bissau, irmão de Amílcar Cabral. Morreu o homem que viveu um quarto de século exilado em Portugal. Depois de, enquanto presidente, ter patrocinado o massacre dos seus compatriotas que tinham combatido no exército português.

Fica a memória da pequenez moral dos políticos do meu país. Desinteressados naqueles a quem o seu Estado arregimentou. Totalmente desinteressados em levar esta sinistra personagem ao Tribunal Internacional de Haia.

E poderia ficar uma lição, olhando a indigna vida deste homem, acoitado na terra cujos soldados mandou assassinar: a da necessária humildade no exercício do poder. Mas não ficará.

2 comments ↓

#1 A B Melo on 05.31.09 at 20:50


Verdade. Mas creio ainda mal se começou a destapar o véu do que aconteceu e como aconteceu após o pronunciamento militar de Abril de 1974 e em particular os eventos subsequentes nas antigas províncias de Portugal. A recente entrevista do (agora) General Jaime Neves a um jornal tuga é revelador disso.

Para além de um imenso jogo estratégico que essencialmente condicionou o papel dos portugueses após o golpe militar, parece-me que em 1974 andava tudo à beira de um ataque de nervos. O apoio ocidental estava reticente pois Caetano queimara os poucos apoios que tinha dentro e fora de Portugal. Nixon estava a ser consumido pela sua estupidez em Watergate e os soviéticos sofriam de elevada tesão de mijo. As independências não o foram. Foram, mais do que tudo, retiradas sumárias e entregas rápidas do poder a quem conseguisse manter o controlo das armas, com uma forte componente marxista-leninista, dados os longos canais de apoio logístico e o consequente condicionamento ideológico .

No caso da Guiné foi um “fait accompli”. As consequências para os povos recém-soberanos foram muitas e o passo mágico de se afirmarem orgulhosamente no mundo como repúblicas de direito próprio não pode ser contado sem se levar também em conta os episódios infames que são aqui aludidos.

Tanta glória e tanto sangue.

Para os nascentes poderes portugueses, beliscaram-se de contentes por terem evitado uma guerra civil a quente, por isto não ter ido para o comunismo puro e duro (ficou-se pelo postulado de um “socialismo cha-cha-cha fiscalizado por um “Conselho da Revolução”) e por, sob a capa do cumprimento histórico adiado de um “desígnio europeu”, a III República obedientemente principiou a deixar de ser a colónia-mãe de partes de África, Ásia e América para ser uma espécie de Gibraltar da Europa, preocupada com assuntos vitais como adoptar à catadupa (e mal) a legislação comunitária, fazer um aeroporto alternativo ao da Portela, mudar a bitola dos comboios portugueses para o TGV poder percorrer o país aos ziguezagues e fiscalizar a conformidade dos chouriços de Almeirim com os novos padrões modernistas. Descobriu-se este ano que Portugal está tecnicamente falido, desmoralizado e, pior, pessimista e sem rumo – mais uma vez. Parece a sina nacional desde a Dinastia de Aviz.

Luis Cabral foi mais um, apenas mais um, episódio da saga. Morrer de velho após um confortável exílio de um quarto de século em Torres Vedras talvez seja uma ironia e o fechar de um capítulo para a Guiné. Imagino que o muito mais genial irmão Amílcar certamente lhe esteja a dar um ralhete lá em cima…

#2 carlos on 06.01.09 at 17:38


o que é que têm de mal os chouriços de Hell-meirim, hã? os do Artur “Galinha” até são do good, já agora e passe a ‘pub… já os utilizei até como isco e as fataças adoraram_mas não picaram o anzol, raios…!

(tentando fazer humor onde ele não cabe, fazendo o clow que por vezes falta… :(

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