Ainda a deslocação do ministro a STP

Continua a polémica sobre a visita de Morais Sarmento a S. Tomé e Princípe, com tons diversos (p.ex.), decerto que também animados pelo pedido de demissão por esta causa e por um auto-desculpabilizador comunicado que francamente … demonstra que não há mínima visão do que está em jogo. [notícia abaixo transcrita, dado ligações serem perecíveis]

Sei que me repito (a maldita idade) mas tenho pena desta vertigem, a do campanhismo (estou-me a auto-censurar, a primeira versão era “a da pequena política”).

Tenho pena. A cooperação portuguesa é frágil, a política africana portuguesa é deficitária (atenção, não inverter os termos, não é de falta de recursos que falo). Uma das grandes causas disso é a excessiva descentralização da cooperação, a sua irracionalização, a sua “pelourização”. Tudo isso causado por uma tradição colonial que teima em sobreviver [já o disse] mas também em vaidades ministeriais e estratégias de afirmação dos organismos sub-ministeriais, muito ciosos nos seus “departamentos de cooperação”.

Um acontecimento destes, em si nada particular, dados os seus ecos públicos poderia ser aproveitado, poderia alimentar uma nova visão de regime sobre a cooperação. Que a subordinasse em exclusivo, e efectivamente, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.
Esta não é uma visão franciscana, nem crítica, nem tampouco jocosa. É, e perdoem-me a arrogância do “saber de experiência feito”, um desejo de eficiência. E é uma visão que se quer patriótica.

[palavra difícil esta última, ai a história recente. Mas em não havendo “paisótica” e não significando “nacionalista”, aqui vai como traduzindo um modesto desejo do bem comum]Adenda: haverá melhor exemplo da desorientação na política africana de Lisboa do que este novo capítulo, em que o ministro da Economia [esqueça-se o actual nome “giro” do ministério] Álvaro Barreto publicita o desconhecimento do interesse da GALP em STP, explicitando-se desinformado. E o MNE nada dirá, pois grande diplomata. Tri-repito-me, tudo isto é o padrão, o mero costume. Um amadorismo vaidoso, nada mais.

Política 12-01-2005 - 07h55

De acordo com um comunicado oficial distribuído hoje de madrugada
Viagem de Morais Sarmento a São Tomé custou 65.200 euros
Lusa

Os custos da deslocação do ministro Morais Sarmento a São Tomé e Príncipe ascenderam a 65.200 euros, enquanto os apoios concretizados ou anunciados são superiores a 1,375 milhões de euros, segundo um comunicado oficial distribuído hoje de madrugada pelo gabinete do ministro.

O comunicado recorda o programa da visita - entre 6 e 11 de Janeiro -, o seu enquadramento e os custos da deslocação de Morais Sarmento e respectiva comitiva, no total de sete elementos, cuja realização tem sido criticada pela oposição, que acusa o ministro de ter gasto mais de 80 mil euros para fazer férias, considerando que a viagem não se justificava.

Em causa está, sobretudo, uma deslocação à ilha do Príncipe e o facto de no dia 8 de Janeiro, sábado, não ter havido qualquer acto no programa oficial da visita, que o ministro aproveitou para participar num programa de mergulho.

Santana Lopes recusa pedido de demissão de Morais Sarmento

Morais Sarmento revelou ontem à noite que pôs o seu cargo à disposição do primeiro-ministro, no regresso de São Tomé, mas que Pedro Santana Lopes lhe tinha reiterado a confiança, pelo que se mantinha em funções.

A nota distribuída hoje de madrugada refere ainda que a visita esteve inicialmente agendada para Junho e Julho do ano passado, não se tendo realizado nessa altura por impossibilidade de agenda de Morais Sarmento.

A nova data para a visita foi marcada para Janeiro, por “reiterado interesse” do Governo de S. Tomé, indica a nota, que confirma que o dia de sábado, na ilha do Príncipe, não teve qualquer ponto de agenda.

Além disso, acrescenta, o encontro previsto com o Presidente de São Tomé, na segunda-feira, acabou por não se realizar devido ao facto de a viagem do Príncipe para São Tomé ter sido feita por via marítima, dado que as condições climatéricas impediram a ligação aérea.

Para a viagem Lisboa-São Tomé-Lisboa, em ligação directa, a nota refere que foi inicialmente considerado o recurso a um dos Falcon da Força Aérea (com um custo de 45 mil euros), tendo-se optado pelo aluguer de um avião particular devido à indisponibilidade do Falcon.

Segundo o comunicado, o aluguer do avião à empresa que apresentou o preço mais baixo, a Heliávia, custou 63.200 euros, enquanto a estada da comitiva em São Tomé e Príncipe orçou os dois mil euros.

Quanto aos objectivos da visita, a nota realça a cooperação, sobretudo no domínio da comunicação social (RTP,RDP e Lusa), da cultura e da exploração petrolífera.

A comitiva integrava também quatro elementos do gabinete de Morais Sarmento, um administrador da RTP e um administrador da Galp.

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