A já longa série Retratos do Trabalho no Abrupto abunda em sub-texto. Evitando grandes textos fico-me por lhe apontar o exotismo. E confesso que lhe fui ganhando uma aversão de estimação, pacificamente associável ao apreço que tenho pelo blog/autor. Ainda que me surpreenda a irreflexão que o domina neste campo. Ou, pelo menos, que me parece dominá-lo.
Em tempos Pacheco Pereira explicitou o que desejava apresentar. Algo como um trabalho distinto daquele que é o da maioria dos bloguistas (activos ou passivos). Mais ou menos como algo distinto dos serviços, da educação (não encontro o texto em causa, não posso garantir fidelidade. E só por isso não coloco a ligação). Daí à colecção de cromos a la National Geographic ou FNAT foi um pequeno passo, repetidamente dado. Mas criticar para quê? Que mal virá ao mundo?
Ainda assim este Retrato de Trabalho na Ilha de Moçambique ascende aos píncaros do tal sub-texto. Educação não entrava, salas de aula habituais aos bloguistas? Mas se “Resolução de Equações do 2º grau” com pretinhos puídos saídos dos musseques (já agora, uma “angolanada” utilizada a despropósito) … que bonito, que comovente.
Francamente … não há paciência.

13 comments ↓
o paternalismo habitual, não há mesmo paciência.
Caro JPT,
É também um dos meus ódios de estimação!
..mas a vida continua.
Cumprimentos
Tu o dizes.
Já sabes que embirro com o homem, e este é um bom exemplo porquê. Não é só paternalismo, como I. diz aí em cima. Também o é. Mas há aqui um defeito, que suspeito ser est-ético, que me ainda escapa a uma descrição convincente.
Sem prejuizo do brilhantismo e lucidez da personagem, claro. Reconheço-o sem inveja, também sabendo que a acusação da inveja paira sobre qualquer bloguista que critica o JPP.
Lutz, será um defeito estético como dizes, mas também ideológico (como L. diz). De quem envia a fotozinha mas de quem a edita, claro. E tens razão, inveja é uma característica que estrutura a relação da maioria dos bloguistas portugueses face a JPP (ou, melhor dizendo, da maioria dos bloguistas portugueses que falam de JPP) - caso paradigmática da mesquinhez daí foi a aventura do casal Espectro: no dia que ultrapassou a audiência blogómetro do Abrupto fechou (por não terem tempo, parece). Uma parvoíce imbecilóide do tamanho da blogosfera, acho. Aplaudida por acólitos da mesma espécie, apenas grau inferior.
É mesmo assim, aí? Quem precisa de se tratar, tem de saír do país?
Para alguns assuntos mais complicados decerto. Para outros talvez não. Neste caso foi mais um bom conselho sobre um médico. E JHB é mesmo aqui ao lado
Sorry, este meu comentário anterior não era para estar aqui, neste post…
Totalmente de acordo, caro JPT.
O tom vago da irritação é por mim partilhado. Pacheco Pereira é culto e sagaz. E muito, muito, presunçoso. Talvez seja isso…
El Ranys quanto a presunção … se calhar. A mim, volta e meio, também me atiram essa (E naõ será condição sine qua non para, aliás blog qua non?).
Lutz, cá no estaminé não há compartimentos estanques
Muito do que se diz nos blogs sobre África, como sobre outras matérias, é conversa fiada, falar de cor. O caso em apreço, é useiro e vezeiro em falar de cor sobre o que desconhece. Reconheço inteligência e saber em muitas áreas, mas também petulância, em muitas outras. Quanto ao Retratod do Trabalho é uma boca indirecta, de suposto apreço pelo trabalho. Tretas. Quem muito valoriza o trabalho não precisa de tanto falar (ou fotografar nele)
Abraço,
WR
Sim, sim, talvez a presunção seja partilhada por todos os bloggers. Pelo menos, a de pensar que alguém possa ter interesse naquilo que escrevemos. Atire a primeira pedra…
Mas ambos, com o Lutz e a I. concordamos no “Je ne sais quois”…
Será do Guaraná?
Aqui está um inquérito interessante à blogosfera: “O que o irrita em JPP?”
Eu insisto na presunção, que acho que é, em JPP, mais do que a recomendável.
Sem deixar de reconhecer, mais uma vez, que o autor do Abrupto é invulgarmente informado, esclarecido e reflectido.
É isso mesmo… falta de paciência.
Quem diria! O JPT deu o mote para que toda a gente no seu blogue comece a desancar no pobre JPP…
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