FNV tem um teclado particularmente esclarecido, em especial se o pensarmos no meio do bloguismo português. Sobre a “causa” do momento – a transformação do “casamento” – é importante ler este “O fim da família” (I), ainda para mais por ser anunciando como um “trabalho em progresso”. Ler e acompanhar os desenvolvimentos.
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JPT
A família tradicional já acabou há muitos anos, desde que os pais envelhecidos deixaram de ter lugar na casa dos filhos e passaram a ser chutados para lares indesditos, desde que o Estado e os tribunais tomaram conta de todos os detalhes da educação e direitos das crianças, frequentemente à total revelia dos valores e possibilidades dos pais, desde que (no caso português) os pais deixaram de ter filhos (sendo que ter um filho em média apenas assegura que a população cairá para metade da actual dentro de 60 anos) e desde que ambos pai e mãe trabalham para assegurar a sua sobrevivência e a criança desde as quatro semanas de idade que cresce na mão de terceiros – créches, escolas públicas e particulares e sózinhas em casa a ver televisão e a gastar o tempo em jogos e joguinhos na televisão – e os avós encarcerados nos lares e a receberem pensões de 300 euros.
Dizer que a família “acabou” porque há menos que um por cento da população, que são os do mesmo sexo, que diz que se quer casar, é gritar “fogo” num cinema cheio em que não há incêndio.
O que eu acredito que essas pessoas querem é ter respeito, o direito de poder aceder a coisas como benefícios de saúde para os respectivos parceiros, o direito de herdar e coisas assim do género. E poderem andar na rua sem ter um cabrão qualquer a insultá-los só porque são quem são.
O que para mim é perfeitamente cagativo e só não se resolve esta história porque achamos que podemos. Tenho um familiar que é lésbica assumida há uns 30 anos e não entendo qual é o “big fucking deal” com esta história. Os 99.99% de casais portugueses “straight” já têm problemas que bastem para entar aguentar os seus (agora maioritariamente, pois casam-se tanto como se divorciam) dúbios casamentos e vidas difíceis para andarem agora preocupados com os detalhes do estatuto legal de uma minoria que nada fez nunca contra eles, que são cidadãos como nós, pagam os seus impostos e estão sujeitos às mesmas leis que todo o resto do pagode e que não são “aliens”- são gente que são nossos familiares e amigos.
Neste momento dois homosexuais de sexo oposto podem casar em Portugal e ninguém lhes pode dizer nada. Ou como dizem os americanos, se a Liza Minelli pôde casar-se duas vezes seguidas com gays, porque não podem eles?
Só me irrita é este tal de Sócrates fazer deste tema pau de bandeira numa altura destas. Ele deve estar maluco.
Sobre o neo-casamento já escrevi demais: a) discordo intelectualmente; b) sou um homem com preconceitos, discordo (e penso) com eles; c) na prática a questão é a de que há gente que quer legitimar, afirmar e festejar (esta última parte é muito importante) a sua vontade de se amarem (ok, argumento um bocado meloso) – e talvez não venha grande mal ao mundo com isso. Daí que a minha oposição é de princípios, mas não furibunda.
Resolvida essa questão há uma outra que condensas no teu último parágrafo – Socrates e seus muchachos são maus de mais. E todos aqueles que com eles se aliam idem.
Finalmente, isso da “família clássica” estar em crise é assunto mais geral do que isto do neo-casamento.
Quanto à minha ligação (e a outras que fui fazendo) – para além do destino da configuração da instituição do casamento (o qual não é um direito mas sim uma instituição) muito me interessa o tipo de argumentação sobre a questão, que espelha o pensamento (na maioria dos casos um miserável impensamento, interesseiro ou ignorante) sobre a sociedade que vem sendo botado aí no país.
Diga-se que esta questão é um espelho do ruído estrutural que a comunicação politica portuguesa é, nos dias que correm. E assim poderá ser estudado daqui a alguns anos.
Claro, assim que se calarem com o circo…
E, como diz o outro: vive e deixa viver!
Com respeito.
Também não concordo com os casamentos gay, mas não sou furiosa. Penso que se devia dar mais atenção aos valores reais, e fazer menos macacada. Mas, enquanto falarmos dos outros vai-se entretendo a plebe e não se fala de nós… hihi, o Sócrates aplica isso na perfeição.
Bem hajam
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