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	<title>Comentários em: Obama e o Tibete</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: A B de Melo</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/obama-e-o-tibete/comment-page-1/#comment-10314</link>
		<dc:creator>A B de Melo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 10:35:23 +0000</pubDate>
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		<description>Bom dia Sr Amilcar e JPT

Acho que parcialmente correcto JPT.

Eu não me referia a países; nem às independências per se - mal de mim e não batia com o que eu tinha dito antes (bem, sempre posso enlouquecer durante o fim de semana e defender conceitos completamente opostos em escassas 72 horas). A antropoformização &quot;parcial&quot; neste pequeno diálogo começou antes quando o Sr AT referiu que &quot;ganhar as coisas por mérito próprio, com muito sacrifício, é &#039;priceless&#039; &quot;.
Talvez com uma ironia um pouquito ácida, refiro-me ao evidente mas pouco estudado fenómeno, comum após a conquista de direitos fundamentais (neste caso, a concretização das independências e das autonomias) em que, dramática e desoladoramente, o acto seguinte não é as elites sacrificarem e suarem por &quot;mérito próprio&quot; para, por seus próprios meios, promoverem a criação da riqueza, desenvolver, educar, trazer conforto e segurança às populações (a real, não a demagógica) e em vez disto ver-se essas elites a enveredar pela apropriação encapotada do pouco que já há, pela definição de coutadas, pela subsidiocracia, pelo &quot;eu sou pobre, tu és rico portanto pagas tu&quot;, pelo uso do termo &quot;cooperar&quot; para realmente dizer &quot;tu pagas e eu gasto como bem me apetecer&quot;, mediante esquemas onde impera a corrupção, o compadrio, o atribuir arbitrário de benesses a alguns em detrimento do todo. Sim, é uma questão social - da sociedade - mas a que directamente está associado um elevado (elevadíssimo) grau de antropoformismo. Pois no fim quem faz isto, quem adopta estas atitudes são homens e mulheres reais, com nomes. Leio sobre eles todos os dias nos jornais e internet. E repara que esta questão não é de forma alguma exclusivo dos nossos brothers and sisters africanos: em diferentes graus, é transversal a todos os nossos países onde se fala português e não só.

Acho que entendi bem o comentário de AT. Por isso mesmo precedi a minha invectiva avisando que ia fazer o papel de advogado do diabo. Pois infelizmente ser-se independente e depois esbanjar esse capital em negociatas, subsidiocracias e corrupção de quem manda parecem ser duas faces da mesma moeda quando acho que a mais idealista visão de AT (idealista mas correcta) é que ser-se independente deve ser prelúdio para, com as nossas próprias mãos, fazer obra.</description>
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	Bom dia Sr Amilcar e JPT</p>
<p>Acho que parcialmente correcto JPT.</p>
<p>Eu não me referia a países; nem às independências per se &#8211; mal de mim e não batia com o que eu tinha dito antes (bem, sempre posso enlouquecer durante o fim de semana e defender conceitos completamente opostos em escassas 72 horas). A antropoformização &#8220;parcial&#8221; neste pequeno diálogo começou antes quando o Sr AT referiu que &#8220;ganhar as coisas por mérito próprio, com muito sacrifício, é &#8216;priceless&#8217; &#8220;.<br />
Talvez com uma ironia um pouquito ácida, refiro-me ao evidente mas pouco estudado fenómeno, comum após a conquista de direitos fundamentais (neste caso, a concretização das independências e das autonomias) em que, dramática e desoladoramente, o acto seguinte não é as elites sacrificarem e suarem por &#8220;mérito próprio&#8221; para, por seus próprios meios, promoverem a criação da riqueza, desenvolver, educar, trazer conforto e segurança às populações (a real, não a demagógica) e em vez disto ver-se essas elites a enveredar pela apropriação encapotada do pouco que já há, pela definição de coutadas, pela subsidiocracia, pelo &#8220;eu sou pobre, tu és rico portanto pagas tu&#8221;, pelo uso do termo &#8220;cooperar&#8221; para realmente dizer &#8220;tu pagas e eu gasto como bem me apetecer&#8221;, mediante esquemas onde impera a corrupção, o compadrio, o atribuir arbitrário de benesses a alguns em detrimento do todo. Sim, é uma questão social &#8211; da sociedade &#8211; mas a que directamente está associado um elevado (elevadíssimo) grau de antropoformismo. Pois no fim quem faz isto, quem adopta estas atitudes são homens e mulheres reais, com nomes. Leio sobre eles todos os dias nos jornais e internet. E repara que esta questão não é de forma alguma exclusivo dos nossos brothers and sisters africanos: em diferentes graus, é transversal a todos os nossos países onde se fala português e não só.</p>
<p>Acho que entendi bem o comentário de AT. Por isso mesmo precedi a minha invectiva avisando que ia fazer o papel de advogado do diabo. Pois infelizmente ser-se independente e depois esbanjar esse capital em negociatas, subsidiocracias e corrupção de quem manda parecem ser duas faces da mesma moeda quando acho que a mais idealista visão de AT (idealista mas correcta) é que ser-se independente deve ser prelúdio para, com as nossas próprias mãos, fazer obra.</p>
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		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/obama-e-o-tibete/comment-page-1/#comment-10312</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 05:21:52 +0000</pubDate>
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		<description>ABM náo me parece que tenhas percebido o ponto em questão: &quot;não tem preço&quot; ganhar as coisas com sacrifício, por mérito próprio - é essa a posição comentada, portanto parece-me que Vs. concordam nisso. E também, pelo que AT disse e tu explicitaste &quot;não se põe preço numa independência&quot;.

Eu nao concordo muito com a antropomorfização da questão, isso das sociedades (neste caso os países) terem &quot;virtudes&quot; e &quot;defeitos&quot; que costumamos atribuir aos indivíduos. Mesmo no regime metafórico parece-me que leva a obscurecer os conteúdos sociológicos das coisas.</description>
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	ABM náo me parece que tenhas percebido o ponto em questão: &#8220;não tem preço&#8221; ganhar as coisas com sacrifício, por mérito próprio &#8211; é essa a posição comentada, portanto parece-me que Vs. concordam nisso. E também, pelo que AT disse e tu explicitaste &#8220;não se põe preço numa independência&#8221;.</p>
<p>Eu nao concordo muito com a antropomorfização da questão, isso das sociedades (neste caso os países) terem &#8220;virtudes&#8221; e &#8220;defeitos&#8221; que costumamos atribuir aos indivíduos. Mesmo no regime metafórico parece-me que leva a obscurecer os conteúdos sociológicos das coisas.</p>
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		<title>Por: A B de Melo</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/obama-e-o-tibete/comment-page-1/#comment-10311</link>
		<dc:creator>A B de Melo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 02:42:53 +0000</pubDate>
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		<description>Sr Amilcar,

Deixe-me fazer de advogado do diabo por um minuto - e não falo de CV. Nem de mim.

Não concordo. &quot;Priceless&quot; é quando os outros pagam e nós não temos mérito, nem suamos nem sacrificamos - nem sequer temos direito de exigir. Priceless é obter Algo em troco de Nada. Priceless é tomar o caminho fácil. Priceless é chorar baba e ranho para ver se pinga algum sem se mexer uma palha. Priceless é fingir que se merece para receber ajuda quando se sabe que nem se merece nem devia receber ajuda nenhuma. Priceless é estender a mão para uma esmola quando se é pobre porque se é preguiçoso, invejoso e se quer viver como os ricos mas não se fazer o que os ricos (presume-se) fizeram. Priceless é arrogar-se direitos quase dinásticos a apoios sem se ter nem mérito nem moral para o arrogar.

Ganhar as coisas por mérito próprio e com muito sacrifício devia ser, teoricamente, o normal.

Mas neste mundo de filhos da p e do que tenho visto, tem 95% chance que o que lhe passa à frente do nariz nem tem que ver com mérito nem com sacrifício.</description>
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	Sr Amilcar,</p>
<p>Deixe-me fazer de advogado do diabo por um minuto &#8211; e não falo de CV. Nem de mim.</p>
<p>Não concordo. &#8220;Priceless&#8221; é quando os outros pagam e nós não temos mérito, nem suamos nem sacrificamos &#8211; nem sequer temos direito de exigir. Priceless é obter Algo em troco de Nada. Priceless é tomar o caminho fácil. Priceless é chorar baba e ranho para ver se pinga algum sem se mexer uma palha. Priceless é fingir que se merece para receber ajuda quando se sabe que nem se merece nem devia receber ajuda nenhuma. Priceless é estender a mão para uma esmola quando se é pobre porque se é preguiçoso, invejoso e se quer viver como os ricos mas não se fazer o que os ricos (presume-se) fizeram. Priceless é arrogar-se direitos quase dinásticos a apoios sem se ter nem mérito nem moral para o arrogar.</p>
<p>Ganhar as coisas por mérito próprio e com muito sacrifício devia ser, teoricamente, o normal.</p>
<p>Mas neste mundo de filhos da p e do que tenho visto, tem 95% chance que o que lhe passa à frente do nariz nem tem que ver com mérito nem com sacrifício.</p>
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