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	<title>Comentários em: O Custo do Ano Eleitoral de 2009</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/o-custo-do-ano-eleitoral-de-2009/comment-page-1/#comment-10537</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 06:26:54 +0000</pubDate>
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		<description>a nós e à Carolina - a não ser que ela, malandra, abandone os pais e emigre. Para África, filha desnaturada</description>
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	a nós e à Carolina &#8211; a não ser que ela, malandra, abandone os pais e emigre. Para África, filha desnaturada</p>
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		<title>Por: ABM</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/o-custo-do-ano-eleitoral-de-2009/comment-page-1/#comment-10533</link>
		<dc:creator>ABM</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 03:20:09 +0000</pubDate>
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		<description>Boa noite Sr Lowlander

Deixe-me tentar de forma sucinta o que perspectivo quanto ao assunto:

1. Nos impostos, que são a &quot;receita&quot; do governo - Portugal tem, para o seu nível de desenvolvimento e estrutura social e económica, uma estrutura fiscal meio surreal, pesada e que incide nas coisas erradas: paga-se IMT sempre que se troca de casa; paga-se IVA na roupa, pão, leite, equipamentos solares, água, luz, gás; a nossa gasolina e gasóleo são 30% mais caros que em Espanha; os carros que compramos são significativamente mais caros que em países onde se ganha o dobro do que se ganha aqui; apesar do progresso, os nossos custos com burocracia são exagerados. Nos últimos 15 anos a incidência de impostos no mínimo dobrou - ou seja, cresceu uns 100$ - quando a riqueza nacional anda estgnada há uns dez.

2. Nos gastos do governo: tendo havido muita obra que tornou a vida melhor para muita gente, criou-se uma espécie de mania do &quot;fontismo&quot; (sim, do Fontes Pereira de Melo) quer ao nível central quer ao autárquico, em que se faz já o que se se fizesse uma análise custo-benfício, talvez fosse melhor recorrer a outras alternativas. Mas em três áreas é um desastre: saúde, educação e justiça.

3. Sobre os funcionários públicos: não sou eu que o digo, são os números que se vão publicando. No agregado, é cara, inflexível e demasiadamente rígida. Esta atitude de se ter emprego garantido para a vida é perigosa pois o exército que nos garante o que eu considero os parâmetros mínimos da civilização e da cidadania (sem a infra-estrutura pública éramos macacos nas árvores) pode-se tornar cara demais, ineficiente demais e ingerível - o &quot;monstro&quot; a que Cavaco Silva se referia há uns anos mas que a meu ver ele foi pródigo em alimentar.

4. O risco que os portugueses correm é de terem um país chiquérrimo e modernérrimo e os contribuintes não terem dinheiro para andar nele, para o usar. UM BI custar 16 euros, um passaporte 70, estacionar na baixa 10, no aeroporto 5, pagar a portagem para ir à esquina, pagar ao médico público para nos ver. A crescente acentuação na redistribuição da riqueza para ajudar a eliminar as imensas bolsas de miséria que insistem em não desaparecer (nem vão desaparecer, vão-se agravar) já se está a fazer nas costas das gerações futuras, cujos padrões de vida vão sofrer na directa proporção do que se está a gastar hoje.

5. Mais grave, uma boa parte do dinheiro que se está a gastar com a &quot;crise&quot; é pouco mais do que um paliativo, um ganhar tempo e margem de manobra, pois o emprego só irá subir se as empresas aumentarem o seu volume de negócios. Em política isso importa muito. Em economia não.Se uma empresa não tem clientes ou gere mal os seus custos e despesas, deve fechar sem detrimento de outra que os tem e que sabe cobrir as suas despesas. 

Eu acho que entendo as suas preocupações e aceito que defenda o que se está a passar: é uma opção política que foi tomada. Mas garanto-lhe que não podemos ter mais um ano como este.

E este vai custar os olhos da cara a todos nós pagar.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	Boa noite Sr Lowlander</p>
<p>Deixe-me tentar de forma sucinta o que perspectivo quanto ao assunto:</p>
<p>1. Nos impostos, que são a &#8220;receita&#8221; do governo &#8211; Portugal tem, para o seu nível de desenvolvimento e estrutura social e económica, uma estrutura fiscal meio surreal, pesada e que incide nas coisas erradas: paga-se IMT sempre que se troca de casa; paga-se IVA na roupa, pão, leite, equipamentos solares, água, luz, gás; a nossa gasolina e gasóleo são 30% mais caros que em Espanha; os carros que compramos são significativamente mais caros que em países onde se ganha o dobro do que se ganha aqui; apesar do progresso, os nossos custos com burocracia são exagerados. Nos últimos 15 anos a incidência de impostos no mínimo dobrou &#8211; ou seja, cresceu uns 100$ &#8211; quando a riqueza nacional anda estgnada há uns dez.</p>
<p>2. Nos gastos do governo: tendo havido muita obra que tornou a vida melhor para muita gente, criou-se uma espécie de mania do &#8220;fontismo&#8221; (sim, do Fontes Pereira de Melo) quer ao nível central quer ao autárquico, em que se faz já o que se se fizesse uma análise custo-benfício, talvez fosse melhor recorrer a outras alternativas. Mas em três áreas é um desastre: saúde, educação e justiça.</p>
<p>3. Sobre os funcionários públicos: não sou eu que o digo, são os números que se vão publicando. No agregado, é cara, inflexível e demasiadamente rígida. Esta atitude de se ter emprego garantido para a vida é perigosa pois o exército que nos garante o que eu considero os parâmetros mínimos da civilização e da cidadania (sem a infra-estrutura pública éramos macacos nas árvores) pode-se tornar cara demais, ineficiente demais e ingerível &#8211; o &#8220;monstro&#8221; a que Cavaco Silva se referia há uns anos mas que a meu ver ele foi pródigo em alimentar.</p>
<p>4. O risco que os portugueses correm é de terem um país chiquérrimo e modernérrimo e os contribuintes não terem dinheiro para andar nele, para o usar. UM BI custar 16 euros, um passaporte 70, estacionar na baixa 10, no aeroporto 5, pagar a portagem para ir à esquina, pagar ao médico público para nos ver. A crescente acentuação na redistribuição da riqueza para ajudar a eliminar as imensas bolsas de miséria que insistem em não desaparecer (nem vão desaparecer, vão-se agravar) já se está a fazer nas costas das gerações futuras, cujos padrões de vida vão sofrer na directa proporção do que se está a gastar hoje.</p>
<p>5. Mais grave, uma boa parte do dinheiro que se está a gastar com a &#8220;crise&#8221; é pouco mais do que um paliativo, um ganhar tempo e margem de manobra, pois o emprego só irá subir se as empresas aumentarem o seu volume de negócios. Em política isso importa muito. Em economia não.Se uma empresa não tem clientes ou gere mal os seus custos e despesas, deve fechar sem detrimento de outra que os tem e que sabe cobrir as suas despesas. </p>
<p>Eu acho que entendo as suas preocupações e aceito que defenda o que se está a passar: é uma opção política que foi tomada. Mas garanto-lhe que não podemos ter mais um ano como este.</p>
<p>E este vai custar os olhos da cara a todos nós pagar.</p>
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		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/o-custo-do-ano-eleitoral-de-2009/comment-page-1/#comment-10512</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 09:47:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://ma-schamba.com/?p=7165#comment-10512</guid>
		<description>Aqui o leigo:
1. concorda com LL no cuidado a ter com generalizações
2. discorda com LL na generalização que faz dos &quot;economistas&quot; (ainda que lhe reconheça justeza em muitas afirmações sobre a corporação economista)
3. discorda com LL da desvalorização (via aspas) que faz do carácter científico das ciências sociais. A Economia é uma ciência sem aspas, mui legítima e capaz ciència social, interpretativa do real. Talvez o problema esteja na sua auto-reclamação (e pacóvia exo-aceitação) de ciência natural, pois matematizável.
4. concorda (muito) com LL no que considera sobre o funcionalismo público. Náo é mau por essència, é factor de desenvolvimento e índice de desenvolvimento.
5. Não deixa de resmungar que a luta contra o funcionalismo público é náo só eco de visões sociológicas pouco buriladas e de excitações ideológicas fundamentalistas. É também fruto da frágil administração pública portuguesa: que é uma questão que não depende dos funcionários públicos (por mais atreitos que possam ser a alguma modorra não ajuizada por via de veras classificações e por demais protegidos na segurança no emprego) mas sim da administração, ou seja, da política. 
A este propósito não deixa de referir que o extremo sucesso, malfadado, do Futebol Clube do Porto na indústria futebolística provém do talento da sua administração, projecto e execução, mas também porque o seu treinador náo é escolhido devido à cor partidária, nem tampouco o trinco ou o lateral-direito são titulares devido a serem militantes do partido a ou b.

6. não percebendo nada, ou seja não conseguindo interpretar os dados económicos, concedo ao LL o facto da crise económica mundial ter afectado o orçamento portuguès (Deficit balonado quer dizer balões de deficit aumentado?). Mas que isso não impede de ver que o estado das finanças públicas está de rastos e que a economia dificilmente rastejará até algum sítio neste estado - ainda para mais com ministros de extracção comunista (à qual agora se chama keynesiana, em atropelo radical) que acham que as grandes obras públicas desenvolvem países e acrescem economias.

7. Lembro o extraordinário projecto de desenvolvimento nacional que foram os dez estádios de futebol, lançados no primeiro avatar socrático, e da expressa necessidade ou oportunidade de os começar a derrubar. PAra melhor comparação com o efeito indutor das obras públicas em Portugal náo poderia haver melhor - a tropa fandanga socrática não consegue pensar nisso que o arcebispo não deixa.

8. Em relação aos &quot;ciganos&quot; do Jaime, e às constantes queixas contra o rendimento mínimo garantido devido à fraude dos malandros dos preguiçosos, náo deixo de referir que tal como a economia é justamente ciência também a sociologia o é, e conviria entre-parentesar os delírios do paulinho dos submarinos. A recusa da exclusão social, tanto para evitar a reprodução das assimetrias sociais como por razões humanitárias como por questoes de manutenção do mercado interno, é uma questão civilizacional (corrente na europa, diga-se). Berrar contra ela também dá para desviar a atenção do mais taco que se perde em obras suborçamentadas, em adjudicações directas, em empresas municipais e no olaráolaré que vai na nossa terra.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	Aqui o leigo:<br />
1. concorda com LL no cuidado a ter com generalizações<br />
2. discorda com LL na generalização que faz dos &#8220;economistas&#8221; (ainda que lhe reconheça justeza em muitas afirmações sobre a corporação economista)<br />
3. discorda com LL da desvalorização (via aspas) que faz do carácter científico das ciências sociais. A Economia é uma ciência sem aspas, mui legítima e capaz ciència social, interpretativa do real. Talvez o problema esteja na sua auto-reclamação (e pacóvia exo-aceitação) de ciência natural, pois matematizável.<br />
4. concorda (muito) com LL no que considera sobre o funcionalismo público. Náo é mau por essència, é factor de desenvolvimento e índice de desenvolvimento.<br />
5. Não deixa de resmungar que a luta contra o funcionalismo público é náo só eco de visões sociológicas pouco buriladas e de excitações ideológicas fundamentalistas. É também fruto da frágil administração pública portuguesa: que é uma questão que não depende dos funcionários públicos (por mais atreitos que possam ser a alguma modorra não ajuizada por via de veras classificações e por demais protegidos na segurança no emprego) mas sim da administração, ou seja, da política.<br />
A este propósito não deixa de referir que o extremo sucesso, malfadado, do Futebol Clube do Porto na indústria futebolística provém do talento da sua administração, projecto e execução, mas também porque o seu treinador náo é escolhido devido à cor partidária, nem tampouco o trinco ou o lateral-direito são titulares devido a serem militantes do partido a ou b.</p>
<p>6. não percebendo nada, ou seja não conseguindo interpretar os dados económicos, concedo ao LL o facto da crise económica mundial ter afectado o orçamento portuguès (Deficit balonado quer dizer balões de deficit aumentado?). Mas que isso não impede de ver que o estado das finanças públicas está de rastos e que a economia dificilmente rastejará até algum sítio neste estado &#8211; ainda para mais com ministros de extracção comunista (à qual agora se chama keynesiana, em atropelo radical) que acham que as grandes obras públicas desenvolvem países e acrescem economias.</p>
<p>7. Lembro o extraordinário projecto de desenvolvimento nacional que foram os dez estádios de futebol, lançados no primeiro avatar socrático, e da expressa necessidade ou oportunidade de os começar a derrubar. PAra melhor comparação com o efeito indutor das obras públicas em Portugal náo poderia haver melhor &#8211; a tropa fandanga socrática não consegue pensar nisso que o arcebispo não deixa.</p>
<p>8. Em relação aos &#8220;ciganos&#8221; do Jaime, e às constantes queixas contra o rendimento mínimo garantido devido à fraude dos malandros dos preguiçosos, náo deixo de referir que tal como a economia é justamente ciência também a sociologia o é, e conviria entre-parentesar os delírios do paulinho dos submarinos. A recusa da exclusão social, tanto para evitar a reprodução das assimetrias sociais como por razões humanitárias como por questoes de manutenção do mercado interno, é uma questão civilizacional (corrente na europa, diga-se). Berrar contra ela também dá para desviar a atenção do mais taco que se perde em obras suborçamentadas, em adjudicações directas, em empresas municipais e no olaráolaré que vai na nossa terra.</p>
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