Louvor a Pedro Santana Lopes e a Carmona Rodrigues
24 de Maio de 2005 | Politica Portuguesa, Sporting
Eu decidi não falar de futebol nos próximos tempos. Não devido às derrotas do Sporting, não por isso. Até porque estas bom pretexto para o “Ah, mas estão verdes…”, coisa tão normal e até mais num sportinguista. Mas porque este Ma-Schamba, que vejo como extensão da mesa de esplanada, andou muito futeboleiro, conversa monótona, (auto)cansativa. Ainda assim lá vai um apontamento sobre futebol pátrio.
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Leio que os campeões do Benfica serão recebidos amanhã na Câmara Municipal de Lisboa, uma homenagem protocolar só menorizada por quem não percebe a valia do protocolo.
E aqui louvo os dois presidentes da Câmara (sem ironia, não sei bem quem manda lá agora) de Lisboa. Pois nunca esquecerei a noite pós-salgueiral de 2000, onde eu e muitos outros ficámos tão imbecis como estes que agora andam para aí. Guinchando, saltando, etc e tal, felizes “sem ser por nada”, pelo fim de 18 anos de “jejum” - jejum de quê? Agora outros tontos felizes pelo fim de 11 anos de “jejum” - jejum de quê?
Nessa noite de festarola, após o Julius Nyerere acima, Julius Nyerere abaixo, fiquei-me à televisão, a acompanhar o desfile dos campeões - de autocarro do Porto a Lisboa. Para então me crescer um enorme desprezo, uma repugnância moral sim mas acima de tudo um enorme desprezo intelectual, pelo então presidente da Câmara de Lisboa. Ali, na ânsia de apanhar o autocarro do sucesso, de ser aspergido pelo contentamento popular. E assim a exigir a fractura dos campeões, que alguns fossem à Câmara saudá-lo (e não à população, como argumentava), enquanto a maioria da equipa foi para o estádio, onde a turba ululante (e eu turba ululando em casa no Maputo) festejava. Um mero caso de aproveitamento político? Não apenas, pois também um óbvio caso de egocentrismo bacoco, a retirar algum brilho à festa (diz-se que alguns jogadores reagiram muito mal e tiveram que obedecer ao então presidente Roquete), sem sequer perceber o contraproducente (para ele próprio) que era tal insistência.
Maior dignidade agora. E, é mais do que claro, maior inteligência.
3 comments ↓
eh..eh..eh…se vem “comentar” com histórias dos partidos vá ali dar uma volta sff. Aqui não, neste texto não, sff.
Se mesmo assim insistir faça favor. A resposta é óbvia.
Publicado por: jpt às maio 24, 2005 04:35 PM
nãã… nada disso. se há coisa em que apoiei o Presidente da Camara Municipal da minha cidade, o Porto, foi ter tido a coragem (a birra? nao sei…), o simples gesto, de separar o exercício autárquico do «pontapé na bola». Coerentemente, não apoio esta recepção camarária ao meu Glorioso Benfica. Criar condições para um desfile ou um ajuntamento de gente que comunga a mesma vontade é natural e obrigatório de uma Camara Municipal; abrir as portas e misturar serviço público com «futebolada» discordo profundamente. Abraço.
Publicado por: absurdoponto às maio 24, 2005 10:36 PM
http://www.absurdoponto.blogspot.com/
acima referi a “valia do protocolo”…acho que tudo está dito, há um hiato entre quem o compreende e aceita e quem não o compreende. uma coisa são os negócios da bola, sobre os quais perorei até em demasia (veja-se inclusive este post), outra o exercício do teatro do poder - e teatro NUNCA desvaloriza
Publicado por: jpt às maio 25, 2005 12:47 AM
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