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	<title>Comentários em: Hoje Não É Feriado em Portugal</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: ABM</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/hoje-nao-e-feriado-em-portugal/comment-page-1/#comment-11491</link>
		<dc:creator>ABM</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 20:24:53 +0000</pubDate>
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		<description>Sra D Helena Araújo

Há sempre gente aqui na loja, acredite. Se não não tinha piada as nossas trocas de opinião :)

No que concerne aos seus pontos:

1. As remessas de emigrantes tornam-se importantes já no final do século XIX com os portugueses residentes no Brasil. Se para muita gente - nomeadamente no interior - eram um salvar da fome e miséria abjecta, para a economia era crucial porque ajudava de forma singular a cobrir o défice de moeda estrangeira para pagar as importações.

2. As pessoas emigravam quer a lei o permitisse quer não. Foi assim que o interior de Portugal se desertificou. Vilas inteiras saltaram as fronteiras.

3. é difícil especular sobre o curso futuro da guerra colonial se o governo de Lisboa não tivesse caído. A Guiné seria efectivamente perdida, Angola, Cabo Verde e São Tomé não, Moçambique muito provavelmente não. Mas estamos a falar militarmente e eu aqui apenas em termos de comprar tempo e margem negocial para se proceder a independências com pés e cabeça. Eu acredito que tal seria uma responsabilidade de Portugal, na face de tudo o que fora feito antes. Mas isto é tudo especulação e hoje não vale muito a pena especular. Apenas me chocou o desportivismo com que populações inteiras foram atiradas aos lobos sem a mínima chance de construir um futuro próspero e sereno. 

4. Não confunda o desenvolvimento português de após os anos 80 com o que aconteceu antes. A maior parte do que foi feito aqui em termos de infra-estrutura foi pago por donativos da CEE e mais tarde a União Europeia. O que foi vendido aos portugueses (que de qualquer maneira nunca foram formalmente consultados) para a adesão ao projecto europeu foi a &quot;vocação europeia&quot; de Portugal. Não foi a meu ver tanto a democracia pois essa fora obtida em 1976 quando entrou em vigor a constituição da actual república. Portugal fora um calcanhar de Aquiles de facto mas apenas até ao ....25 de Novembro de 1975.

5. Tem razão em relação ao que sucedeu nos anos 60. Acrescento que Portugal deu um salto quando passou a integrar a EFTA. Também à medida que se foram desenvolvendo, Angolae  Moçambique começaram também a suportar as suas próprias balanças de pagamentos e os custos das respectivas &quot;guerras&quot;. Inclusivé em 1974 a maioria das tropas nesses teatros de guerra eram compostas por nativos desses territórios. A maioria da migração portuguesa para Angola e Moçambique era por razões económicas.

Escreva sempre!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	Sra D Helena Araújo</p>
<p>Há sempre gente aqui na loja, acredite. Se não não tinha piada as nossas trocas de opinião <img src='http://ma-schamba.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>No que concerne aos seus pontos:</p>
<p>1. As remessas de emigrantes tornam-se importantes já no final do século XIX com os portugueses residentes no Brasil. Se para muita gente &#8211; nomeadamente no interior &#8211; eram um salvar da fome e miséria abjecta, para a economia era crucial porque ajudava de forma singular a cobrir o défice de moeda estrangeira para pagar as importações.</p>
<p>2. As pessoas emigravam quer a lei o permitisse quer não. Foi assim que o interior de Portugal se desertificou. Vilas inteiras saltaram as fronteiras.</p>
<p>3. é difícil especular sobre o curso futuro da guerra colonial se o governo de Lisboa não tivesse caído. A Guiné seria efectivamente perdida, Angola, Cabo Verde e São Tomé não, Moçambique muito provavelmente não. Mas estamos a falar militarmente e eu aqui apenas em termos de comprar tempo e margem negocial para se proceder a independências com pés e cabeça. Eu acredito que tal seria uma responsabilidade de Portugal, na face de tudo o que fora feito antes. Mas isto é tudo especulação e hoje não vale muito a pena especular. Apenas me chocou o desportivismo com que populações inteiras foram atiradas aos lobos sem a mínima chance de construir um futuro próspero e sereno. </p>
<p>4. Não confunda o desenvolvimento português de após os anos 80 com o que aconteceu antes. A maior parte do que foi feito aqui em termos de infra-estrutura foi pago por donativos da CEE e mais tarde a União Europeia. O que foi vendido aos portugueses (que de qualquer maneira nunca foram formalmente consultados) para a adesão ao projecto europeu foi a &#8220;vocação europeia&#8221; de Portugal. Não foi a meu ver tanto a democracia pois essa fora obtida em 1976 quando entrou em vigor a constituição da actual república. Portugal fora um calcanhar de Aquiles de facto mas apenas até ao &#8230;.25 de Novembro de 1975.</p>
<p>5. Tem razão em relação ao que sucedeu nos anos 60. Acrescento que Portugal deu um salto quando passou a integrar a EFTA. Também à medida que se foram desenvolvendo, Angolae  Moçambique começaram também a suportar as suas próprias balanças de pagamentos e os custos das respectivas &#8220;guerras&#8221;. Inclusivé em 1974 a maioria das tropas nesses teatros de guerra eram compostas por nativos desses territórios. A maioria da migração portuguesa para Angola e Moçambique era por razões económicas.</p>
<p>Escreva sempre!</p>
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		<title>Por: Helena Araújo</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/hoje-nao-e-feriado-em-portugal/comment-page-1/#comment-11475</link>
		<dc:creator>Helena Araújo</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 10:34:18 +0000</pubDate>
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		<description>Provavelmente já cá não está ninguém, mas arrisco mais um comentário:
O jpt já disse o fundamental. Gostava apenas de acrescentar que:
- as remessas de emigrantes já começaram nos anos sessenta, e eram, ainda no tempo da ditadura, muitíssimo importantes quer para o país quer para a população do interior, faminta e a viver em condições miseráveis; convém lembrar ainda que as pessoas estavam proibidas de emigrar - havia a possibilidade de o fazer legalmente, mas era um processo moroso e para poucos);
- o &quot;se&quot;: se não tivesse havido revolução, quantos anos ainda se teria arrastado a guerra colonial? quantos dos nossos melhores trabalhadores teriam saído a salto do país? quanto tempo duraria ainda até se construir a auto-estrada Porto-Lisboa?  
- a CEE interessou-se por Portugal e deixou-nos entrar tão depressa não por termos uma democracia, mas por estarmos em risco de nos tornarmos uma ditadura do proletariado - em plena Guerra Fria, não convinha permitir um calcanhar de Aquiles a ocidente;
- a internacionalização da economia não é um fenómeno puramente português, e chama-se globalização; em Portugal, já começou também nos anos sessenta - lembro-me especialmente da Grundig em Braga, na altura um empregador importantíssimo. Aliás: se não me engano, a vaga de desenvolvimento da indústria ligeira que ocorreu nos anos sessenta deveu-se à abertura da economia aos capitais estrangeiros.</description>
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	Provavelmente já cá não está ninguém, mas arrisco mais um comentário:<br />
O jpt já disse o fundamental. Gostava apenas de acrescentar que:<br />
- as remessas de emigrantes já começaram nos anos sessenta, e eram, ainda no tempo da ditadura, muitíssimo importantes quer para o país quer para a população do interior, faminta e a viver em condições miseráveis; convém lembrar ainda que as pessoas estavam proibidas de emigrar &#8211; havia a possibilidade de o fazer legalmente, mas era um processo moroso e para poucos);<br />
- o &#8220;se&#8221;: se não tivesse havido revolução, quantos anos ainda se teria arrastado a guerra colonial? quantos dos nossos melhores trabalhadores teriam saído a salto do país? quanto tempo duraria ainda até se construir a auto-estrada Porto-Lisboa?<br />
- a CEE interessou-se por Portugal e deixou-nos entrar tão depressa não por termos uma democracia, mas por estarmos em risco de nos tornarmos uma ditadura do proletariado &#8211; em plena Guerra Fria, não convinha permitir um calcanhar de Aquiles a ocidente;<br />
- a internacionalização da economia não é um fenómeno puramente português, e chama-se globalização; em Portugal, já começou também nos anos sessenta &#8211; lembro-me especialmente da Grundig em Braga, na altura um empregador importantíssimo. Aliás: se não me engano, a vaga de desenvolvimento da indústria ligeira que ocorreu nos anos sessenta deveu-se à abertura da economia aos capitais estrangeiros.</p>
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	<item>
		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/politica-portuguesa/hoje-nao-e-feriado-em-portugal/comment-page-1/#comment-11380</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 23:17:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://ma-schamba.com/?p=8066#comment-11380</guid>
		<description>Concordo com o teu primeiro parágrafo e saúdo o teu terceiro. O teu segundo levanta-me problemas (náo gosto do &quot;se&quot;, do contrafactual na história - nao me leva a lado nenhum. E, aliás vou dizê-lo apenas por vício teclístico pois esse é um tipo de argumento infalsificável que nao admite refutações, a Albania que também estava &quot;orgulhosamente só&quot; náo se desenvolveu por inércia endógena). Para mais isso da massificação do ensino - com os efeitos perniciosos que apontas - teve uma característica interessante: terá produzido uma percentagem muito significativa de semi-iletrados. Mas que vieram substituir a elevadissima percentagem de iletrados+analfabetos das gerações anteriores.

Há outra coisa: a tal &quot;democracia&quot; - uso as tuas aspas - para além de outras coisas era uma condição sine qua non para aceder aos tais fundos europeus. Foi por isso uma condição incontornável de desenvolvimento - que não aconteceu, portanto, apesar da democracia ou independentemente dela. Nem teria acontecido. Ou por outra, foram os fundos uma conquista da &quot;democracia&quot;.

Quanto ao teu quarto parágrafo: eu duvido que houvesse uma &quot;direcção&quot; no golpe de 25 de Abril, para além da instalaçao de um regime democrático (a la Europa, mas pensado na confusao intelectual do Portugal de então) e do final da guerra colonial - eu continuo na minha, foi a guerra colonial que provocou o golpe militar, não qualquer raiz democrática dos &quot;gloriosos capitães de Abril&quot;, que aliás só se começaram a movimentar quando as necessidades da guerra lhe alteraram os privilégios monopolistas de ascensão no oficialato. O que me parece é que as homenagens ao 25 de Novembro são um discurso para hoje - sobre Jaime Neves deixei aí um texto aquando da sua excÊntrica promoção ao generalato. São não tanto uma homenagem ao militar em causa mas sim o avivar de um conjunto de valores &quot;pátrios&quot; que ele simboliza em determinados sectores. Nada me move contra o homem - mas é interessante lembrar que na altura e nos anos subsequentes sempre se louvou o general Ramalho Eanes (de quem fui eleitor, já agora) como o homem do 25 de Novembro. E agora ninguém se lembra de lhe fazer homenagens. Porquê? Porque apesar da sua postura conservadora (e da sua assombrosa rectidão ética) Ramalho Eanes náo &quot;cola&quot; para que esses sectores festejem os valores ultramontanos que os animam.

Quanto à discussão económica que avanças com LL uma pequena nota. Percebo a ironia mas torço-lhe o nariz. Porque se se quer discutir os modelos de reprodução social, familiares e não só, e a argumentação que os anima é muito fácil ver trincheiras, e atirar pedras (aos armários alheios). Ou, em versão mais doméstica, atirar bocas. A mim, até por deformaçao profissional, interessa-me esta tralha retórica que vem acompanhando a legislação e sua &quot;discussão&quot;. Mas também porque ela espelha o vazio ideológico, discursivo, &quot;democrático&quot; numa sociedade - quando fala disto ou quando fala de uma outra tralha qualquer.

Como por exemplo, quando um jornalista da televisão publica, pago pelo erário público, diz num jogo de futebol a propósito de um golo ilegal validado ou de um penalty mal marcado: &quot;a beleza do futebol sao os erros&quot; (neste caso dos árbitros). Isto é o grau zero da reflexão e o Estado paga para ser propagandeado, e a sociedade aceita - na realidade a beleza do futebol está na capacidade de induzir erros nos adversários (que é dos jogadores). A argumentação vale zero, a acção que daí decorre é corruptora (ou inibidora do prazer de fruição, estético, ético), as representações ideiais que a população tem são empobrecidas. Reclamar disso é independente do que o velho Keynes fazia na cama, ou com quem.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	Concordo com o teu primeiro parágrafo e saúdo o teu terceiro. O teu segundo levanta-me problemas (náo gosto do &#8220;se&#8221;, do contrafactual na história &#8211; nao me leva a lado nenhum. E, aliás vou dizê-lo apenas por vício teclístico pois esse é um tipo de argumento infalsificável que nao admite refutações, a Albania que também estava &#8220;orgulhosamente só&#8221; náo se desenvolveu por inércia endógena). Para mais isso da massificação do ensino &#8211; com os efeitos perniciosos que apontas &#8211; teve uma característica interessante: terá produzido uma percentagem muito significativa de semi-iletrados. Mas que vieram substituir a elevadissima percentagem de iletrados+analfabetos das gerações anteriores.</p>
<p>Há outra coisa: a tal &#8220;democracia&#8221; &#8211; uso as tuas aspas &#8211; para além de outras coisas era uma condição sine qua non para aceder aos tais fundos europeus. Foi por isso uma condição incontornável de desenvolvimento &#8211; que não aconteceu, portanto, apesar da democracia ou independentemente dela. Nem teria acontecido. Ou por outra, foram os fundos uma conquista da &#8220;democracia&#8221;.</p>
<p>Quanto ao teu quarto parágrafo: eu duvido que houvesse uma &#8220;direcção&#8221; no golpe de 25 de Abril, para além da instalaçao de um regime democrático (a la Europa, mas pensado na confusao intelectual do Portugal de então) e do final da guerra colonial &#8211; eu continuo na minha, foi a guerra colonial que provocou o golpe militar, não qualquer raiz democrática dos &#8220;gloriosos capitães de Abril&#8221;, que aliás só se começaram a movimentar quando as necessidades da guerra lhe alteraram os privilégios monopolistas de ascensão no oficialato. O que me parece é que as homenagens ao 25 de Novembro são um discurso para hoje &#8211; sobre Jaime Neves deixei aí um texto aquando da sua excÊntrica promoção ao generalato. São não tanto uma homenagem ao militar em causa mas sim o avivar de um conjunto de valores &#8220;pátrios&#8221; que ele simboliza em determinados sectores. Nada me move contra o homem &#8211; mas é interessante lembrar que na altura e nos anos subsequentes sempre se louvou o general Ramalho Eanes (de quem fui eleitor, já agora) como o homem do 25 de Novembro. E agora ninguém se lembra de lhe fazer homenagens. Porquê? Porque apesar da sua postura conservadora (e da sua assombrosa rectidão ética) Ramalho Eanes náo &#8220;cola&#8221; para que esses sectores festejem os valores ultramontanos que os animam.</p>
<p>Quanto à discussão económica que avanças com LL uma pequena nota. Percebo a ironia mas torço-lhe o nariz. Porque se se quer discutir os modelos de reprodução social, familiares e não só, e a argumentação que os anima é muito fácil ver trincheiras, e atirar pedras (aos armários alheios). Ou, em versão mais doméstica, atirar bocas. A mim, até por deformaçao profissional, interessa-me esta tralha retórica que vem acompanhando a legislação e sua &#8220;discussão&#8221;. Mas também porque ela espelha o vazio ideológico, discursivo, &#8220;democrático&#8221; numa sociedade &#8211; quando fala disto ou quando fala de uma outra tralha qualquer.</p>
<p>Como por exemplo, quando um jornalista da televisão publica, pago pelo erário público, diz num jogo de futebol a propósito de um golo ilegal validado ou de um penalty mal marcado: &#8220;a beleza do futebol sao os erros&#8221; (neste caso dos árbitros). Isto é o grau zero da reflexão e o Estado paga para ser propagandeado, e a sociedade aceita &#8211; na realidade a beleza do futebol está na capacidade de induzir erros nos adversários (que é dos jogadores). A argumentação vale zero, a acção que daí decorre é corruptora (ou inibidora do prazer de fruição, estético, ético), as representações ideiais que a população tem são empobrecidas. Reclamar disso é independente do que o velho Keynes fazia na cama, ou com quem.</p>
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