Choca-me mais aquilo [há lá algum conceito para descrever?!] de Madrid do que se fosse em Monróvia, Kuala Lumpur ou por aí? Sim, são-me mais próximos. Não que outros sejam distantes, mas estes mais próximos, mais manos. Estúpido talvez, mas é assim. [chorar nas cheias de Moçambique, zapping se na China, tal e qual]
O weblog esteve todo o dia em baixo e ainda bem. Não foi dia de escrever.
(E também não é dia de andar por aí a apontar o dedo aos burguesotes que em tempos até disseram mais ou menos bem de quem, afinal, tanto os odeia. Só eles, imbecis, é que não percebem que nestas coisas não há lados: só há o nós e os filhos da puta. Também por isso ainda bem que o weblog esteve mal.)
Ao fim da tarde uma aula, turma virginal e eu a tentar-me coloquial. Condorcet imagine-se. Virginais, já disse, provoco-os, se realmente encontram essa perfectabilidade na história. Hum, hum, dizem, de tão evidente. Mas um não o acha, um mais velho, da minha idade, a negar o progresso pois se o houvesse não se estaria “a destruir o Iraque”. Percebo bem que me está a picar, homem do mundo nada parvo este. A tirar-me as medidas, hoje mesmo. Passo-me, passo-me mesmo, mas não saio do tal francês. Hoje não hei-de sair.
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Jantar cá em casa, um antigo professor nosso, aqui em investigações vindo de Portugal. Lembramo-nos de que a última vez que cá jantou foi exactamente naquele 11 de Setembro. Que horrível coincidência.
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Antes de dormir venho aos mails. Nada. Aliás andam escassos. Ou passaram de moda. Ou são anos demais aqui, desvanecendo-se ligações. Um amigo da minha safra faz hoje quarenta anos. Ainda telefonei. Apenas mensagem.
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Nada de mails, blogs então. Aliás “blo.gs”, os favoritos. Aquilo de Madrid, claro está. Algumas boas análises, já nem sei onde: “Filhos da puta”, ou coisas semelhantes - não há nada mais para dizer.
Salta-pocinhas de blogs. E nisto os burguesotes, também humanamente indignados mas…mas…[contextos, contextos, aproveitamentos, aproveitamentos]. Num deles hei-de deixar um “foda-se” em comment público. Enojado, e nunca esperaria que mo acontecesse ali.
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O nazismo é explicável, versalhes, a crise de weimar, o tal de desemprego e pobreza, etcs vários. Será que esses burguesotes cada vez que um bando de neo-nazis bate ou mata um africano, um asiático, um homossexual, um cigano começam a falar dessa tal weimar ou de versalhes (não só o palácio). Ou do aproveitamento que as ligas de imigrantes ou as associações cívicas ou os partidos que lhes estão mais próximas poderão fazer da filhadaputice criminosa em questão?
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Vão, por favor, vão mesmo ao Abrupto [toda a gente tem a ligação]: vejam o post das 16.19, transcrição de um leitor. E depois, mas só depois, venham lá contar-me das causas justas, dos slogans giros, da oposição esclarecida, das deputadas giras (são tão feias, que raio, são tão feias aquelas mulheres) desses gajos.
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Já disse não é dia de andar por aí a apontar o dedo aos burguesotes que em tempos até disseram mais ou menos bem de quem, afinal, tanto os odeia…talvez por isso ainda bem que o weblog esteve mal todo o dia. - não devia ter vindo ler blogs. Para quê irritar-me?
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Isto não tem nada a ver, mas vem-me à cabeça para deixar neste diário. Há meses lançou-se em Maputo o livro do Fauvet e do Mosse, a biografia do Carlos Cardoso. Sala cheia. Muitos conhecidos, vários amigos. Lá, acompanhado de pessoa conhecida, o Louçã. Vários amigos meus a chegarem-se-me, ao português residente, gajo “até da malta”, nuns “vem lá conhecer o homem”, “não vais lá conhecê-lo?”, “apresento-te”. Eu percebo, as nossas biografias são mesmo diferentes, resta-lhes o encanto (mesmo que desiludido) por uma esquerda que não é o meu. (Se calhar chegámos ao mesmo sítio, mas por caminhos diferentes).
Recusei-me, quero lá conhecer o homem, que se lixe a bacalhauzada. Às insistências do “lá estás tu com as tuas coisas” tive que ser franco, “não falo com etarras”. Para a surpresa deles, que raio ando eu a inventar? Nada, quem vem torcer a história para contextualizar etarras é etarra, não me fodam. “Não falo com etarras” – tal como sempre me neguei a esses periódicos pedidos de ajuda para uns amigos de amigos, “pessoal da malta”, umas atrapalhações a que eu se calhar poderia acorrer, lógico que coisas de “fp’s” que ainda por aí andam.
Mas é certo, prefiro, e muito, um gajo exilado há vinte anos, que borregou forte e feio quando era mais ou menos puto, do que um filho da puta que acha que tem qualquer coisa a ver (mesmo que muito ínfima) com um “lado” qualquer onde se agrupam estes miseráveis (sejam eles anti-castelhanos ou anti-americanos ou o raio que os parta). E que por isso se crispa e torce em momentos como este.
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Ah, para eles é que se deveria citar aquela do Brecht (não, não é um liberal pró-americano), a célebre “primeiro vieram buscar o.., depois …etc e tal , hoje vieram-me buscar a mim” - use-se, que eles gostam muito de a atirar à cara alheia, invectivando-nos de alienados, passivos.
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hoje não devia ter vindo aos blogs, vá lá que a Inês se levantou e me obriga a ir para a cama, chega de resmungar…mas hei-de subir as escadas a repetir “não falo com etarras” e ela “cala-te, vem dormir”. E, entenda-se, deixei hoje de falar com quem vota neles. Os miúdos da família que se fodam…

2 comments ↓
Bastante interessante este seu blog. Estava procurando informações sobre a nova narrativa moçambicana e acabei por lhe encontrar. Há alguns escritores que eu gostaria de conhecer, ddentre eles, Aldino Muianga, Bahassan Adamodjy, Nelson Saúte, Ungulani, Elton Rebello, isso sem falar nos clássicos Mia Couto, Craveirinha, Knopfli, e segue a lista..
Caso saiba noticias , ou tenha o endereço eletrônico de algum de algum deles, fico feliz se puder me informar.
Aqui no Brasil dificilmente chegamos a livros dee países “lusófonos”.
obrigado e um abraço.
Publicado por: stennio machado às março 12, 2004 12:40 AM
a mim choca-me sempre de uma forma muito pessoal… quase como se as vitimas fossem da minha familia… da china… de kualalumpur… de mocambique… do todo o planeta.
um ser humanao e’ uma obra unica e nada justifica provocar a sua morte…
Publicado por: opinioes às março 13, 2004 12:22 AM
http://viajeans.blogspot.com/
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