por ABM (Cascais, 15 de Novembro de 2009)
Não sei bem porquê, esta frase tem sido muito citada nos blogues portugueses e brasileiros estes dias.
Hum. Deve ser sindroma pós-eleitoral. Mas não sei se no Brasil houve eleições recentemente. Em Portugal definitivamente houve (em Moçambique também e é tudo o que se me oferece dizer) e já estão todos positivamente engasgados em escândalos e psico-drama do mais dramático. Qualquer coisa sobre escutas telefónicas, que agora andam muito na moda, tais como a intercepção de e-mails e a sua posterior divulgação por terceiros a quartos, para quintos julgarem e sextos sobre eles deambularem.
Enfim.
Claro que a minha história favorita de Eça – infelizmente falsa – relaciona-se com o episódio em que ele teria reclamado junto da companhia das águas de Lisboa sobre um corte de água, escrevendo uma nota ao seu presidente nos seguintes termos: “Excelentíssimo. Senhor: Vossa Excelência cortou-me a água. Gostaria de cortar algo a Vossa Excelência”.
Na realidade a carta que ele redigiu está aqui e não tinha bem essa simplicidade límpida.
Infelizmente para os visados, o ponto alto da minha semana foi a minha compra de um teclado novo para o computador portátil que utilizo, um daqueles exteriores que se ligam ao computador através de um cabo USB (USB – Universal Serial Bus, ou Autocarro Universal em Série) e que comprei no Staples Office Centre de Cascais City em saldo por 9 euros e 99 cêntimos. O teclado do portátil é lindo e funciona lindamente, mas é um teclado inglês, sem acentos e o cê de cedilha. Para colocar um acento eu tinha que fazer uma tal ginástica de sequência de carregamento de teclas que eu ficava tonto e acabava por errar. Ora para uma audiência selecta como a do Maschamba (por exemplo, tremo só de pensar no que a D. Vera diria se um dia escrevesse com os acentos todos ao contrário) eu tinha que fazer alguma coisa. Ainda pensei em fingir que era um estudante pobre na escola primária e pedir um desses computadores Magalhães com que o governo do Sr. Engenheiro Sócrates quer colocar Portugal na vanguarda do modernismo mas a minha amiga Lurdes Crespinda da Secretaria da Escola Primária disse-me que com 49 anos a coisa pareceria suspeita. Eu ainda tentei convencê-la dizendo “mas há ministros que já fizeram pior do que isso!”. Ao que ela respondeu que se eu fosse ministro que ela também faria, mas que eu não era.
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(16 euros por um teclado? nos chineses não havia mais barato? eheh tou a brincar)
essa do Eça vs Cª das àguas lembrou-me uma passada comigo há coisa duns 15 ou até mesmo 20 anitos atrás… com licença por antecipação do autor do post vou aproveitar e contá-la. vivia na altura em Santarém, mais ou menos recém casadinho de fresco na 2ª volta e a story of my life sempre foi a puxar para o teso e afins, ou seja tanto tinha a carteira confortavelmente acolchoada ou andava a tinir, que até na mercearia já havia fiados. por falar nisso também já fui merceeiro, e o momento de glória era às seis da manhã, no Verão, quando as minhas queridas vizinhas vinham ao leite e pão do dia para os pequenos-almoços…. em camisa-de-noite, e na contraluz daquela hora na porta via e suspeitava que via curvilíneos que era suposto só o seu ajuramentado ver…
hora gloriosa, e talvez por isso me levantava àquelas horas para ter uma folha de caixa de 200 ou 300 escudos lá para as 9, quando o comércio abria!… bem, voltando à água:
foi na altura que um dos canais privados de tv tinha parte do horário vendido a uma igreja das modernaças, e tava eu na sala desconsolado de todo, a lamentar a sacana da vida que nem para uma bica e um maço de cigarros tinha na algibeira, quando o pastor, ou pregador, ou vidente ou o raio que o homem era, direccionou o sermão de tal forma que senti-me tocado como se falasse para mim! e propunha ele que nós, os desvalidos, os tesos (falava para mim, ora pois!) fizéssemos uma oração conjunta que tudo se resolveria pois a intervenção divina era garantida… para tanto não era preciso muito, que bastava colocar(mos) um copo de água em cima da mesa enquanto assistíamos à sua prece/invocação, concentramos as nossas energias naquela Força Vital, e o resto que deixássemos com ele & Ela, que era um ai enquanto tudo se resolveria por bem, íariamos ver, nós, homens e mulheres de muita necessida mas ainda maior fé. a coisa não era bem assim nesta parte final no que toca a mim, mas a necessidade era tanta que lá fui à cozinha encher o copo, coloquei-o à minha frente tal como mandado, e estava em plena concentração à espera que do céu caíssem pepitas ou notas Antº Sérgio quando um Bzzz Bzzz me interrompe: a campainha da porta. raios… bem, era um 2ª andar e lá fui à janela espreitar quem era, talvez até na esperança de que fosse o carteiro a entregar-me um vale postal, um cheque de alguém que não imaginava quem piudesse ser mas nas horas de aperto e com tanta falta de nicotina, mais o pastor e o copo de água, acredita-se em tudo, tudo mesmo! cheio d esperanças olhei o senhor que, lá em baixo e de anafada pasta na mão então olhou para cima e disse: «é da Cãmara! para cortar a água» ora a porra! e desliguei a televisão
Nao sei se ria, se chore com a actualidade dos escritos de Eca…
CG que bela historia para acentuar a ironia do Eca! Pergunto como o JPT ja fez: mas o que e isto de escrever posts nos comentarios?
(isto tem o smiley coradito?)
ó AL, AL… tu, o jpt, não vêm o que eu vejo e já toda a gente viu, toda a gente que se deu à trabalheira de “me ler”, lá nos tascos? gajo mais irregular que eu é difícil, tanto estou em cima e despejo linhas atrás de linhas (e até concedo que algumas com piada), como entro em baixas depressões mais depressa que o jamaicano das pernas grandes a correr os 100 metros!… e ainda há pior, que se leio e me encanto igualmente percebo que isto é só casca e da caótica, incapaz de desenvolver com linhas cosidas a direito uma ideia, um raciocínio… acreditas que tanto leio manuais sobre a construção de abrigos nucleares domésticos como os maiores calhamaços deliteratura que apanho? como é que aqui dentro pode haver alguma ordem de raciocínio lógica, se me baralho todo, e até ponho meias uma de cada cor?
este? ou este:
mas tive uma ideia! e que tal se eu contar de quando fiz – episodicamente, avanço! – a contabilidade duma casa de meninas? hein? não é muito vulgar, convenhamos! e juro e trejuro que nunca me aviei do stock!
Mas oh CG, nao e do caos que nasce a ordem? Irregularidade e bom porque a vida nao e sempre igual
ABM, equiparares-te a ministros? Vade retro (escreve-se assim?)!
AL
Só com os ministros da batata quente
CG
Cuidado que a auto-descrição no comentário 3 acima indicia bipolaridade, sendo que o bom português não é assim, deve tentar estar sempre no meio. Entretanto venha a história da contabilidade da casa das meninas. Eu já estudei contebilidade e queria saber se lá era a mesma coisa…. e sff de ler melhor o que escrevo. Eu comprei o teclado na Staples por 9.99 euros. Mas quando fui procurar uma imagem deste fascinante objecto, o único que encontrei fui sítio de uma loja qualquer – que obviamente não recomendo – e que está a vender a mesmíssima coisa por 16 euros. Ou seja, 60 por cento mais caro.
A contabilidade difere de acordo com a mercadoria? Ahhhh as coisas que a gente aprende….
no que eu me meti ao chibar-me…
informo já que a única tyransacção com contas que batiam certo naquela santa casa, eram as contas do farsquinho de rebuçados ‘Mouros’, cheio de água e com um cálice no fundo onde quem conseguisse deixar cair uma moeda ganhava, salvo erro, o seu valor em dobro. e porquê? não devido ao POC, que se não foi era pré, eu estava-me nas tintas para ele, que aquilo era uma canseira a tomar nota dos ‘cabritos’ que subiam as escadas e a continuamente a abismar-me com a altíssima taxa de desistências que as operárias me relatavam!:-X e porquê o sucesso do frasco? não porque se aplicassem as altas técnicas de rigor do dr. Hagatong (hei-de contar deste cromo ehehe! velhote castiço, pena já cá não andar…) mas apenas porque quem metesse a mão na massa, no frasco, ficava com ela molhada! e aquela malta, ai ai…
pois é ABM! eu ler li, mas fiquei em estado de choque visual quando cliquei no link! aquilo deve ser bordado a ouro e fazer choc-choc quando se tecla, com petróleo em baixo! agora sim, já entendi e estou sereno e plácido: afinal o mundo continua a girar da forma correcta!
AL: há mais relatividade no mundo que aquela que seria desejável, é só o qu me lembro de poder dizer em resposta
ABM, o grande inimigo do ma-schamba foi um leitor anónimo que durante que tempos me chateou em busca de erros ortográficos. Foi o único tipo a quem apagava os comentários, sem ver, ainda que ele aparecesse com vários pseudónimos. Ele há malucos para tudo. Acho que a última vez que dele falei foi aqui
http://ma-schamba.com/ma-schamba/sobre-os-comentarios/