A promoção de Otelo Saraiva de Carvalho

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#1 Fernanda Angius on 04.27.09 at 22:41


Otelo Saraiva de Carvalho foi o activo chefe da COPCOM e o responsável máximo pela anarquia e confusão ideológica a nível das massas trabalhadoras.
Confundiu-se informação ideológica, desalienação , com ódio entre classes distintas mais pela educação do que por dinheiro. Nas firmas melhores organizadas como aquela em que meu marido trabalhava, a Timex, as contínuas «Sessões de esclarecimento» impediam os trabalhadores de cumprirem com os prazos de entrega e, tal como está a acontecer agora, os PATRÕES das multinacionais transferiram a produção para países onde a fabricação dos elementos era mais económica, como na Oceania, por exemplo.
A destruição da Timex arrastou para a mais extrema miséria toda uma área em plena florescência: a zona de Corroios a Santa Marta e Cruz de Pau, hoje dentro da cidade de Amora. Passados 35 anos do 25 de Abril, muitas das minhas expectativas foram abortadas. Apesar de reconhecer ao MFA a liberdade de expressão que hoje me permite escrever estas linhas sem medo de represálias, lamento que o condutor de tanto ódio e lutos entre portugueses, e o responsável por tantos roubos ao erário público cometidos pelas Brigadas Revolucionéias do 25 de Abril tivesse sido um dos capitães de Abril. Foi a ele que eu ouvi dizer que portugueses deveriam ser metidos na Praça de Touros e metralhados. Um movimento que fez cair a ditadura não deveria ter no seu seio um elemento que promovesse o uso das armas para solução de divergências ideológicas.

#2 ABM on 04.28.09 at 21:24


Olá. Sim Fernanda (& Cia) tudo o que diz é verdade e muito mais e muito pior. Nunca me vai ver, nem muitos de nós espectantes leitores desta fase danada da vida portuguesa e do mundo (mais uma vez) a fazer a apologia do Otelo Saraiva de Carvalho ou do que ele fez, em particular após a revolta militar aclamada em finais de Abril de 1974. Mas, por um minuto (e consideremos para estes efeitos o Otelo apenas como uma importante mas só uma peça na engrenagem) tenhamos em conta a situação portuguesa em 1974: ditadura primária sustentada por uma censura desvirtuada e doses certas de porrada, dogma novecentista e visão paterno-idiosincrática do Sr. Oliveira Salazar a esbarrar contra os ventos da História, em especial no que toca aos destinos das suas províncias “ultramarinas”, milhões a servir à mesa na Europa e Américas, uns milhares a lutar e morrer ao tiro em África sem crença e sem perceberem bem o que estavam para ali a fazer. Claro que o 25 de Abril que Otelo planeou e executou foi típico dos habituais “golpes de estado” portugueses: uns tiritos na baixa, mandar a tropa pra rua, ultimato ao governo e por fim telegramazito para a província e colónias a avisar que está feito. A ameaça posterior disto tudo ter resvalado para a guerra civil e ameaçado ir para o comunismo foi circunstancial: os comunistas do pêcêpê estavam dez vezes mais organizados, motivados e preparados que os outros todos juntos. E viva-se a guerra fria no seu melhor, ou seja, havia sempre um país “socialista” pronto a dar umas massas e umas armazitas para alegrar a festa. Portanto depois desta porcaria toda foi com algum alívio e muita sorte que “eclodiu” alguma democracia sem nada de pior. Basciamente zero foi feito depois de útil, atalhe-se, pois enquanto o mundo modernizou e globalizou, Portugal andou a brincar à política, em obter bombas de oxigénio e em liricismos sociais, a endividar-se alegremente, a taxar-se agressivamente e ainda por cima toda a gente deixou de ter filhos e comprou telemóveis. Agora finalmente começou o “payback time”. Neste contexto, não fosse o triste, desprestigiante episódio das FP 25 de Abril, que na minha opinião deveria ter resultado em muitos anos de cadeia para o agora Coronel (é oficial?), Otelo será recordado como o líder operacional do pronunciamento militar que acabou, com meia dúzia de tiritos e uns berros, com as letargias impostas do regime anterior. Muitos portugueses viram e vêem nisso cousa boa. O espaço usurpado já no magnífico blogue Maschamba não me permite expressar a plenitude do que penso. Direi apenas que me rendo aos factos e, como um cão magoado, lambo as feridas, procuro as oportunidades e sigo em frente. Presumo que Portugal, e os portugueses, terão que fazer o mesmo. O poder ou querer chamar santo salvador ou filho da puta ao Otelo é um direito que nos assiste a todos mas nesta fase do campeonato não muda essa realidade. Felizmente para nós e ainda mais para os nossos filhos, que já usam o feriado para ir à praia para beber uma Superbock e fumar um charro e perguntar: revolução? qual revolução?

#3 O jornal Independente | ma-schamba on 11.26.09 at 0:52


[...] de Carvalho, essa imbecil e repugnante personagem da história recente portuguesa. Disse um dia o agora coronel Saraiva de Carvalho, chegando de Cuba onde tinha ido a lições, que colocaria os fascistas no Campo Pequeno. Ainda [...]

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