[Imagem recolhida no Novas ...]
Há alguns dias atrás muito aqui se escreveu sobre o passado colonial português. Eu fui avançando a minha perspectiva sobre muitas das ideias – a maioria delas - que em Portugal ocorrem sobre o assunto: são mero material para falar (mal, obscuramente e por vezes desonestamente) sobre a actualidade. A esse propósito é interessante ver o que se passa nestes últimos dias: uma polémica política a propósito do jornalista Mário Crespo, sobre a qual não tenho particular ideia – li, na diagonal, algumas coisas escritas seja pelo próprio (aqui transcrito pelo ABM) seja em alguns blogs. Não leio os jornais onde Crespo escreve, não vejo a televisão onde Crespo trabalha, tenho dele uma muito distante imagem.
Mas o que me é particularmente significativo é como até para este caso se utiliza o passado colonial português, e de uma forma absolutamente típica. Que um blog como o Arrastão publique isto não chega a ser surpreendente – será apenas a confirmação daquilo a que o bloguista (também do Arrastão) Rui Bebiano considera os meus preconceitos. Mas ainda me surpreende que um homem como Eduardo Pitta, do Da Literatura, e a propósito da polémica entre o actual governo - de quem é apoiante - e o referido jornalista, suba a parada, vá à mesma arca e ensaie um assassinato de carácter associando Mário Crespo ao massacre de Wiryamu. O mal, e eu acho que o mal é para Eduardo Pitta, é que uma coisa destas já não é inacreditável. É mesmo acreditável. Vergonhosa e lamentavelmente acreditável.
jpt


5 comments ↓
uau! o edu era um pito!
Compreendo perfeitamente a perplexidade e estou como tu; pouco ou nada percebo disto nem dos argumentos circundantes que, alias, nem me parecem novos – tal como a situacao nao me parece nova: continuam a escrever-se artigos/factos com base no “ouvi dizer” e as figuras publicas continuam a queixar-se da “falta de privacidade” nas conversas que tem em espacos publicos … Ou estarei a ver isto de forma errada?
JPT
Fico sem palavras.
A inserção do bom Sr. Pita é feita na sexta-feira, dia 5 de Fevereiro, portanto várias horas depois de ter saído o longo relatório no semanário Sol sobre o teor do famoso despacho do juiz de Aveiro a que aludi recentemente e que para ele (juiz) configura “crime de atentado contra o Estado de direito” e que no mínimo é perturbador para qualquer pessoa, nomeadamente, presumo um titular de cartão de membro ou simpatizante do partido minoritário maioritário.
E cujo tema liga directamente com o alegado teor da alegada conversa “privada” entre o primeiro ministro de Portugal e entre outros, Nuno Santos, o director de programas da SIC, e que foi ouvida, respeitante ao Sr Crespo, que não é exactamente uma pessoa qualquer.
A colagem de Crespo ao General Kaúlza de Arriaga (ex-sogro de Santana Lopes? hum…) é curiosa. A menção de Wiriamu é …inenarrável.
ABM/AL eu sobre a questão do Crespo nem digo nada (acho o texto do VPV, citado por Eduardo Pitta, uma radical tontice, mas sei lá o que se passa em Lisboa). Sobre o tal despacho que citas (ABM) nem conheço nem conhecerei, estou cheio de livros para ler. Sobre a menção de Wyriamu associado ao jornalista discordo de ti ABM. É narrável: porque é porca. Pitta é escritor, cronista, crítico. Não é um bandalho num blog. E não se respeita a ele próprio. Isso é narrável.
Tinha uma pedra pontiaguda na mão, pronta para o Sr. Pitta. Mas, visto estar já estendido no disparate lamacento que tentou criar, fica como está.
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