Atenção, acho um corolário. Não quero afirmar que todos os defensores do aborto ou do pró-escolha (o que é semanticamente diferente) pensem assim.
Encontrei esta afirmação num comentário a um “post” de um blog com imagens durissimas. Coloco a ligação, claro, mas não apelo a que as vão ver. Porque são duras e não são necessárias para pensar. Mas não impedem o pensar. Não estou a censurar o blog, apenas digo que são chocantes as imagens.
No Partículas Elementares li este comentário adverso: “Já agora, essas vidas eram conscientes? Preferias que tivessem crescido sem carinho nenhum e se calhar matassem alguem que te fosse querido num assalto? Ou que andasse por ai metido na droga porque não lhe deram a educação porque nunca foi querido. Ou fosse para um orfanato e viver uma vida infeliz (sim porque por muito carinho que depois lhe possam dar irá sempe carregar o estigma de ter sido abandonado, principalmente se for adoptado muito tarde.” (é um comentário anónimo, infelizmente)
Um corolário, repito, e particularmente cru.
Mas, em minha opinião, é denotativo do que está no fundo desta concepção que considera necessário um quadro prévio de disponibilidades económico-afectivas para que esse “algo” tenha direito a nascer: um absoluto eugenismo.
[não há ponta de ironia no “algo”: é humano, é pessoa, é projecto, é embrião/feto? Alma nunca lha reconhecerei, personalidade social ainda não, consciência duvido muito, dor não faço ideia; “projecto” subentende projectista, que não entrevejo. Fico com o “algo” neutral, uma “possibilidade” de vida]
Dizer eugenismo é forçado? Não. Nesta concepção têm direito à vida aqueles aos quais se reservam determinadas capacidades e dos quais se esperarão determinadas características (comportamentais, donde sociais).
Se isto não é eugenia, o que é a eugenia?

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