Segurança Rodoviária

Portugal: uma polícia competente e previdente, cuidando da segurança rodoviária. O progresso é isto, uma cuidada tolerância zero em prol dos cidadãos.

Os luso-bloguistas politiqueses de serviço aplaudirão? Nem pensar. Contextualizarão, explicarão, entreparenteserão. Ah, se o PM fosse JMDB, PSL, ACS quantos tonitruantes e pacóvios blogo”A mim ninguém me cala” se ouviriam. Ao menos que fossem assessores do governo na bloga – mas são só mesmo criados de fora. Moços de estábulos – não se lhes arranja um lugarzito de polícia sinaleiro, a ver se desandam da bloga? É que fedem – a bosta de égua. A urina dos potros.

4 comments ↓

#1 eduardo white on 03.08.08 at 1:39


A braços …

amo, as trazidas e velhas lembranças que me chegam, agora, aqui, por esta cidade cereal e dos muros, das maçãs, das nectarinas, dos estendais e das sardinhas, das varandas de cobre cantando no hálito sonoro das andorinhas. Lisboa revisitando-a com o mesmo fogo infantil com que a conheci nas geografias uterinas de minha mãe. A textura dos seus cheiros, a saliva da sua ternura, a luz ibérica impressa nos seus jardins.

Essa Lisboa antiga e vaginalmente parturiente pelas calçadas venais que a descrevem e a incrustam. Essa Lisboa de chinelos, de varizes azuis e visíveis que deixam ver as compridas saias negras, e o xaile retratante da varina da minha avó.

Aquela Lisboa diamantífera, solar, nua, dupla, aquela Lisboa vertida, sangrante, primaveril no fado peninsular de minha tia. Lisboa. Ébria e vinícola, malandra e siflítica, pulsante e rumorejante nos sedosos beijos prostituidos na boca cambaleante e noctívaga de meu avô.

A braços chego, piante, a esta mulher azul e atlântica deitada na esteira moçambicana do mulato meu pai. Lânguidamente gerando-me. A cada noite, a cada árvore, a cada mijo talhando-me. Eu, náufrago, a evocar no dentro interior do cansaço a Senhora Dona Cecília Meireles:

Quantas coisas pensei sublimes,/ Merecedoras de longas lágrimas!/ Quais eram?/ As lágrimas recordo,/ e as pensativas planícies/ por onde estenderam seus longos rios.// Mas não levam nenhuma voz, essas águas./ Tudo foi afogado e sepulto.// Maiores que as coisas choradas/ eram as lágrimas que as choravam.// E sua imagem, de longe, é uma solidão sem mais nenhum sentido:/ mapa falso que a nossa viagem abandona,/ pois vamos sempre além de tudo, para mais longe…

E, então, pergunto: E as lágrimas? E as lágrimas? E as lágrimas? E as lágrimas?

Ei-las! Minhas. Alegres e silenciosas, choradas e doridas como é a saudade chamada Lisboa e como é a saudade que agora me divide, a saudade do meu País a quem certa vez escrevi:

Do meu país. Do país que eu amo, do país que eu temo, do país que sangro para comer no pão, do país que quero, do país que doo, do país que amasso como se fosse chão, do país que tenho, do país que guardo, do país que sonho como se o lesse na mão, do país que espero, cigarro etéreo, do país que a minha vida inteira respirou, do país que lavro, do país que rasgo, do país que a poesia me chorou, do país com carne, do país com veias, do país que é onde o sol se deitou, do país que fosse o país que é o país onde o futuro albarruou, do país do amor, do país dos outros, do país que é também tudo o que sou, do país chegado, do país sem barcos, do país que à minha janela me levou, uma certa Lisboa à noite.

Eduardo White

#2 eduardo white on 03.08.08 at 17:11


oi jpt nome de governador ultramarino, eis o meu blogue, lá me convenceste vamos a ver se tenho tempo para isso.

#3 Eduardo White | ma-schamba on 03.08.08 at 20:00


[...] depois do encerrar o seu Apassarado o Eduardo White, por ora em Lisboa, deixa aviso de que regressa a estas blogandanças: abriu o Meu Quintal Dividido. Um [...]

#4 Nem mais! « (Re)nascido on 03.09.08 at 21:03


[...] Daqui. [...]

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