Há também quem, e de todos os partidos, preveja a hipótese a divisão de poder. Ou a ascensão do PDD a terceira força parlamentar com constituição de um governo de coligação. Ou, uma divisão mais radical, com vitórias dos dois grandes partidos em cada uma das eleições, legislativas e presidenciais. O que geraria um certo impasse no regime, de tipo presidencialista.
Da campanha nada posso dizer, não acompanhei ao vivo. Mas retiro muito menos ênfase na ameaça de fraude do que se esperava. Um cortejo de observadores internacionais também ajuda: EUA (ditos Carter Centre, com esse jeito americano de desestatizarem o Estado), UE, SADC, Commonwealth, e até CPLP (não conheço a dimensão desta missão, mas estou curioso) são aquelas de que eu tenho conhecimento. Mas creio que a menor ênfase no discurso da “fraude” por parte da Renamo terá também a intenção de impedir os efeitos desmobilizadores no seu eleitorado, temendo-o cansado de derrotas.
Mas essa redução do discurso da hipótese de “fraude” foi positiva, reduziu a tensão pré-eleitoral.
Dois pontos, agora que haverá mudança de poder:
- Joaquim Chissano cede o seu lugar. Algo muito raro em África, ainda para mais sendo o actual Presidente um homem relativamente novo. E a naturalidade com que tudo decorreu é sinal positivo para as instituições.
- A nova configuração de poder, ganhe quem ganhar, herda algo a sustentar. Pois o poder moçambicano é excelente, em termos absolutos, na condução da sua política externa. Eu diria inigualável. Esta tecnologia política é um capital fundamental para o país. Que não se perca, é o desejo do residente.

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