Um lançamento de um livro, fruto de uma tese em antropologia. Duzentos livros aí vendidos! Mostrando a atenção e o respeito ao autor, claro. Mas também sublinhando que há interesse, mercado e necessidade para a continuidade da única colecção de ciências sociais. A cooperação suíça, sua patrocinadora, anunciou já o final do apoio até agora concedido (33 livros de autores moçambicanos assim editados). Deixando óbvio espaço para alguma instituição, pública ou privada, nacional ou estrangeira, assumir papel similar - retorno garantido, seja sob ponto de vista de cooperação seja mecenático, mostrou-o esta semana.
Sábado à noite, horário nobre, reportagem na TVM sobre blogs. Sem dúvida que o bloguismo chega a Moçambique. Vejo apenas o final. Um comentador (lamentavelmente não retive o nome) refere a importância dos blogs como escrutínio da actividade política e jornalística (usando o exemplo da discussão sobre as montagens fotográficas durante a actual fase da guerra no Mediterrâneo). Não está mal, mas também cá se cai no erro geral, na incapacidade de ver o bloguismo como bem mais do que mera articulação com os media, como bem mais do que o pensamento curto da opinião política. Penso que depois desta emissão muitos mais moçambicanos irão ver o que são blogs. Que os percebam fundamentalmente como ferramenta cultural (no sentido lato) e não mera politicagem é o meu desejo [o bloguismo político que conheço, português, é na sua esmagadora maioria mau. E algum apenas medíocre. Digo-o como seu consumidor e, em tempos, aprendiz].
Um texto no jornal Meia Noite sobre um padre condenado por violação homossexual a um jovem de 18 anos, acontecimento recente na vizinha Tanzânia (onde a homossexualidade é reprimida). Grande crítica ao celibato católico, implícita aceitação (satisfação?) pela pena de trinta anos (30!!) de prisão atribuída, tudo ligado à condenação da “aberração homossexual”. O Meia Noite tem granjeado, nos seus curtos meses, estatuto do jornal moçambicano com a maior dimensão cultural. E merece-o, com recurso a um alargado leque de cronistas (muito saúdo, em especial, o regresso de Suleiman Cassamo à palavra pública, e agora também de Ungulani Ba Ka Khosa). Estou curioso, será que no número desta semana alguém interrogará aquele texto? Ou é ainda cedo para questionar a “aberração homossexual” e os trinta anos de prisão por um delito destes? Nos outros jornais que li (Notícias, Canal de Moçambique, Domingo, Savana) absolutamente nada sobre isto, nem um remoque a um texto deste quilate. O silêncio. “Coisa de brancos”?

9 comments ↓
Olha, olha! Tás aqui? Supunha a maschamba como chão que tivesse já dado o seu sustento!
Abraço
e deu. daí que arroteei nova courela
Oba!
Que bom que ma-shamba está de volta! Que desta feita seja para ficar! Estive também um pouco afastado da blogagem, mas nunca em definitivo.
Realmente a Blogosfera portuguesa é demasiadamente política. Chega a enjoar!
Sobre o padre, só uma coisa a dizer: depois de dicar 10 ou 20 anos “preso” ao celibato (?), irá agora ficar preso e enjaulado. Êta vidinha de leão de circo, não é mesmo?
saúdo o seu regresso aqui.lembro que acompanha o ma-schamba desde “os tempos” (ali ao início). espero que continue.
(do padre só me ocorre um “pobre homem”, maldita vida que o Deus dele lhe dá)
era bom que esse livro aparecesse por Lisboa, será que vai?
não sei. o editor costuma passar por este blog, talvez possa responder à questão … (isto se entretanto não esgotar…)
Há por cá gente em cursos sobre estudos africanos, com teses incidindo em Moçambique, onde no passado Dezembro foram apresentadas alguns “papers”:
http://www.codesria.org/Links/conferences/general_assembly11/general_assembly05.htm
pois. a codesria até é presidida daqui …
obrigado pela ligação
The 11th CODESRIA General Assembly
Rethinking African Development: Beyond impasse, towards alternatives
Maputo, Mozambique, 6-10 December, 2005
digo
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