
Duas importantes edições D. Quixote, organizadas por Nelson Saúte: “As Mãos dos Pretos. Antologia do Conto Moçambicano” (2001) e “Nunca Mais é Sábado. Antologia de Poesia Moçambicana” (2004).
Panoramas muito completos, e legítimos, do conto do século XX em Moçambique, de Orlando Mendes a Orlando Muhlanga, e da poesia de XX e inícios de XXI, de Rui de Noronha à mais recente produção poética, mantendo ao fim o mito de Mutimati Barnabé João (António Quadros).
Antologias que juntam o interesse literário ao histórico-documental, e dizer isto não é desprimor estético. E que nelas encerram a vontade de problematização e mesclização do que é a “literatura moçambicana”, processos em que Nelson Saúte, com Francisco Noa entre outros, foram e continuam a ser pioneiros. Aqui ainda discussão em aberto, por um lado já explícito pela relação que o património literário tem com a produção da imagem nacional. E por um outro lado, ainda quase-mudo, pelo relativo silêncio face à oratura, e articulação de ambas (mas a essa ainda irei antes do Natal).
Mas que estas considerações não assustem, isto são questões a propósito dos livros, nestes não estão os ensaios de tendência fastidiosa. Concisos e contextualizadores prefácios do organizador, e literatura.
Para além do mais são também livros ofertáveis em quadra, “ficam bem”, e não os estou a desvalorizar, bem pelo contrário.
Muito ofertável será também, mas já muito raro, a anterior colectânea organizada por Fátima Mendonça e Nelson Saúte, “Antologia da Nova Poesia Moçambicana” (Associação dos Escritores Moçambicanos, 1988).
Livros objecto? Nada, livros para ler.

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