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	<title>Comentários em: Amália Rodrigues na Beira</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: A B de Melo</title>
		<link>http://ma-schamba.com/musica/amalia-rodrigues/amalia-rodrigues-na-beira/comment-page-1/#comment-10315</link>
		<dc:creator>A B de Melo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 11:00:54 +0000</pubDate>
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		<description>1B e JPT,

Acho que entendo bem ambos.

Por um lado, a dicotomia colono de 2ª e 3ª não é exactamente afim à de colonizado como definido em muita literatura e análise académica de Moçambique pós independência - onde ainda imperam imensos dogmas e wishful thinkings sob um verniz de &quot;ciência social&quot; - e que se pode referir como a pessoa de raça negra com antepassados em África (foi esta a definição, na altura da independência, para separar os nascentes &quot;moçambicanos&quot; dos outros, está na actual constituição, basta ir ver).

Por outro - como 1B referiu - rotular indiferenciadamente o &quot;colono&quot; é quase caricato. Pois não foi nada assim, especialmente até aos anos 60. Antes dessa altura havia enormes diferenças no tratamento e oportunidades com base em origem geográfica, a côr da pele, nível cultural, experiência etc.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1B e JPT,</p>
<p>Acho que entendo bem ambos.</p>
<p>Por um lado, a dicotomia colono de 2ª e 3ª não é exactamente afim à de colonizado como definido em muita literatura e análise académica de Moçambique pós independência &#8211; onde ainda imperam imensos dogmas e wishful thinkings sob um verniz de &#8220;ciência social&#8221; &#8211; e que se pode referir como a pessoa de raça negra com antepassados em África (foi esta a definição, na altura da independência, para separar os nascentes &#8220;moçambicanos&#8221; dos outros, está na actual constituição, basta ir ver).</p>
<p>Por outro &#8211; como 1B referiu &#8211; rotular indiferenciadamente o &#8220;colono&#8221; é quase caricato. Pois não foi nada assim, especialmente até aos anos 60. Antes dessa altura havia enormes diferenças no tratamento e oportunidades com base em origem geográfica, a côr da pele, nível cultural, experiência etc.</p>
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	<item>
		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/musica/amalia-rodrigues/amalia-rodrigues-na-beira/comment-page-1/#comment-10285</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 22:14:01 +0000</pubDate>
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		<description>1B, o que refere integro-o no âmbito do que referi acima, da necessidade de analisar sociologicamente o processo colonizador, não nos restringindo aos pólos português-africano. Insisto que entender os processos de subalternização popular, de centralismo metropolitano, de exploração regional, de fidelização a interesses de grandes grupos económicos coloniais, tudo isso e mais alguma coisa, sendo fundamental para entender o regime colonial e o seu sistema económico-político, náo me parece ser mais entendível através de - superficial que seja - homologia entre a condição de colono subalterno e a de colonizado.
Penso que ambos nos fizemos entender, explicitando o nosso desacordo na substância e concordância na essência (vs leituras superficiais)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1B, o que refere integro-o no âmbito do que referi acima, da necessidade de analisar sociologicamente o processo colonizador, não nos restringindo aos pólos português-africano. Insisto que entender os processos de subalternização popular, de centralismo metropolitano, de exploração regional, de fidelização a interesses de grandes grupos económicos coloniais, tudo isso e mais alguma coisa, sendo fundamental para entender o regime colonial e o seu sistema económico-político, náo me parece ser mais entendível através de &#8211; superficial que seja &#8211; homologia entre a condição de colono subalterno e a de colonizado.<br />
Penso que ambos nos fizemos entender, explicitando o nosso desacordo na substância e concordância na essência (vs leituras superficiais)</p>
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	<item>
		<title>Por: umBhalane</title>
		<link>http://ma-schamba.com/musica/amalia-rodrigues/amalia-rodrigues-na-beira/comment-page-1/#comment-10283</link>
		<dc:creator>umBhalane</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 20:33:46 +0000</pubDate>
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		<description>JPT

“Parece-me obscurecedora quando o objectivo será o de esclarecer”
“Mas daí á homologia, mesmo que metafórica fosse, de colonizados colonos e colonizados colonizados, vai um canyon, acho”

O objectivo foi especializar o esclarecimento, ir até à minúcia máxima possível da questão.
Vejamos.
Os brancos de 2ª classe não eram incorporados no serviço militar, antes das guerras (1960/61) – portanto a carreira militar estava-lhes vedada.
Também, e por isso, não podiam exercer quaisquer cargos administrativos, mesmo os de base – chefe de posto administrativo, aspirante…
E, creio, não tendo a certeza, não podiam também fazer parte do aparelho judicial – juízes,…

O Sr. meu Pai, branco de 1ª classe, tentou montar uma oficina de reparação de bicicletas, “gingas”, e motorizadas, com venda das mesmas e acessórios, cerca do ano da graça de 1957 – INDEFERIDA pelo Ministério das Obras Publicas da “Metrópole”.

NUNCA mais me esquecerei, o que o Sr. meu Pai disse à mesa das refeições, a toda a família presente, 4 brancos de 1ª + 2 brancos de 2ª – “Moçambique só vai para a frente, quando for INDEPENDENTE.”

E nada mais disse, não teceu mais quaisquer considerações.

A minha Família morava no Luabo, onde o Sr. Meu Pai era trabalhador por conta de outrem – a Sena Sugar Estates, Lda.

3 Irmãos meus também lá trabalharam.

Emigraram todos – 1965 para a Rodésia do Sul, 1969 para Portugal, e o mais novo em 1974 para a RSA.

E porquê?

Não se ganhava grande coisa, não compensava – e diziam e comprovavam os “patrões” que não podiam pagar muito mais – na cidade da Beira já se ganhava bastante mais que no “mato” – Luabo.

Pois, e pode-se repercutir o exemplo, o açúcar era exportado em bruto para as refinarias da Metrópole – Lisboa, a 2,50 escudos, e reimportado a 6,50 esc ou mais.

Está a ver JPT, porque é que eu escrevo/digo que no meio havia colonizadores que também eram colonizados.

Isto não é auto vitimização/comiseração – é realidade.

E, acresce, que os Srs. Meus Pais, brancos de 1ª, redimiram todo o resto, e tudo.

E é, tudo também, numa boa.

Mesmo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>JPT</p>
<p>“Parece-me obscurecedora quando o objectivo será o de esclarecer”<br />
“Mas daí á homologia, mesmo que metafórica fosse, de colonizados colonos e colonizados colonizados, vai um canyon, acho”</p>
<p>O objectivo foi especializar o esclarecimento, ir até à minúcia máxima possível da questão.<br />
Vejamos.<br />
Os brancos de 2ª classe não eram incorporados no serviço militar, antes das guerras (1960/61) – portanto a carreira militar estava-lhes vedada.<br />
Também, e por isso, não podiam exercer quaisquer cargos administrativos, mesmo os de base – chefe de posto administrativo, aspirante…<br />
E, creio, não tendo a certeza, não podiam também fazer parte do aparelho judicial – juízes,…</p>
<p>O Sr. meu Pai, branco de 1ª classe, tentou montar uma oficina de reparação de bicicletas, “gingas”, e motorizadas, com venda das mesmas e acessórios, cerca do ano da graça de 1957 – INDEFERIDA pelo Ministério das Obras Publicas da “Metrópole”.</p>
<p>NUNCA mais me esquecerei, o que o Sr. meu Pai disse à mesa das refeições, a toda a família presente, 4 brancos de 1ª + 2 brancos de 2ª – “Moçambique só vai para a frente, quando for INDEPENDENTE.”</p>
<p>E nada mais disse, não teceu mais quaisquer considerações.</p>
<p>A minha Família morava no Luabo, onde o Sr. Meu Pai era trabalhador por conta de outrem – a Sena Sugar Estates, Lda.</p>
<p>3 Irmãos meus também lá trabalharam.</p>
<p>Emigraram todos – 1965 para a Rodésia do Sul, 1969 para Portugal, e o mais novo em 1974 para a RSA.</p>
<p>E porquê?</p>
<p>Não se ganhava grande coisa, não compensava – e diziam e comprovavam os “patrões” que não podiam pagar muito mais – na cidade da Beira já se ganhava bastante mais que no “mato” – Luabo.</p>
<p>Pois, e pode-se repercutir o exemplo, o açúcar era exportado em bruto para as refinarias da Metrópole – Lisboa, a 2,50 escudos, e reimportado a 6,50 esc ou mais.</p>
<p>Está a ver JPT, porque é que eu escrevo/digo que no meio havia colonizadores que também eram colonizados.</p>
<p>Isto não é auto vitimização/comiseração – é realidade.</p>
<p>E, acresce, que os Srs. Meus Pais, brancos de 1ª, redimiram todo o resto, e tudo.</p>
<p>E é, tudo também, numa boa.</p>
<p>Mesmo.</p>
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