Depois do espectáculo de segunda-feira a leitora do ma-schamba que assina i.s.g. enviou-me este texto:

nesta noite, maria joão

nas memórias que guardamos, há bonecas de cabelos rebeldes que falam e cantam, fadas luminosas que voam e são boas, intrinsecamente boas, princesas ou borboletas também as há, ainda aquelas caixinhas de música com tampa em madrepérola, lá dentro uma bailarina sobre um espelho que é afinal um lago brilhante, parece frágil-muito-frágil a bailarina e não é nada disso, é uma força qualquer daquelas que entra no nosso sangue e nos arrepia tanto assim

nesta noite, maria joão, a mulher que é menina e maior do que as cores, pedaço de boneca e de fada, princesa ou borboleta, a bailarina do lago

nesta noite, a voz, mensagem de outros corpos, talvez de espíritos e duendes brincalhões, talvez de raízes ou de alguma serpente feita raiva e dor e saudade, ecos da terra mais secreta que essa mulher habita

e nesta noite ali dizia-nos isto tudo

e isto tudo é encanto

como se na sua voz houvesse o sol e a noite mais escura o tempo há muito ido ou o amanhã ainda infância

nesta noite, maria joão

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