ma-schamba

01/05/2007

Zico e as maboazudas

Filed under: Música Moçambique — jpt @ 22:17

Zico é um músico moçambicano, pop dir-se-ia se ainda se dissesse pop, que fez uma música sobre as “boazonas”, uma qualquer coisa como “marcham todas, pretas, mulatas, verdes, amarelas” e culminava num fantástico “até as albinas“.Bem, foi um fartote, o pessoal do politicamente correcto (tão voraz como em qualquer outro local do mundo, na pressa de “afirmar o certo” e com isso com pouco tempo para parar e ver) caiu-lhe em cima, protestando a desvalorização das pobres albinas, o preconceito, o etc. e tal – que me lembre nenhuma pobre alma pensou no integrativo da expressão, ainda para mais se se pensar na histórica exclusão dos albinos em tantos contextos moçambicanos. E já nem digo no expressar livre do sentir estético, que isso então teria contornos ainda mais vastos.

Hoje, refugiado lá para Goba, contam-me, enquanto se ouve, que Zico, o músico pop moçambicano, se pop ainda se dissesse, respondeu à rapaziada da justiça moral e do “sempre certo”, numa tirada de grande estilo. Pois dizem-me que saíu uma nova canção tipo “eu como todas”, sejam elas do Chamanculo, do Infulene, da Mafalala … “até da Sommerschield“. E agora, o que vão dizer os justos pensadores? Estou a gargalhar desde o almoço.


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  1. Gilberto Gil em Maputo

10 Comentários »

  1. JPT
    Partilho contigo a rizada…!
    Sempre achei que se havia algum problema na menção “maboazudista” da Albina, esse não era do Zico, mas “nosso”, sociedade! A acção músical quando muito actualizará esse visão estigmatizada daquela por “nós” próprios criada antes de Zico pensar sequer cantar.

    Comentário by Patricio Langa — 02/05/2007 @ 9:12

  2. E as taisinhas do Sommeschield já sabem disso? É que assim sempre podem alimentar alguma esperança.

    Comentário by Toix — 02/05/2007 @ 9:16

  3. PL sobre a visao preconceituosa da sociedade(s) sobre albinos – do infanticidio a exclusao cosmologica, ate a inclusao social de hoje (e sexual-afectiva agora no maboazuda) o que me parece eh que a sociedade muda e muito. Nao pelo evitamento do tema, mas pela sua cancao

    toix, nao sei, mas devem estar indignadas, por tamanha desconsideracao. Aguardam-se as cartas de leitore/as no jornal noticias

    Comentário by JPT — 02/05/2007 @ 10:14

  4. Entao, JPT, já nao vamos discutir mais, agora que fiquei desenmascarada?
    Lástima, adorava…

    Comentário by SurOeste — 02/05/2007 @ 11:17

  5. pelo contrario dona, ate tem mais piada

    Comentário by JPT — 02/05/2007 @ 11:49

  6. O Zico pensa a sua medida. Difícilmente esperariamos uma “resposta” diferente. Aliás, de aborto em aborto vamos nós vivendo convinvendo com essas “revelações”. Se ser artista consiste em acordar, abrir a boca e deixar o espírito falar…sem pensar, então estamos mal.

    Comentário by Egidio Vaz — 02/05/2007 @ 16:07

  7. (justiça social)… hehehe…;)
    Mandei umas bocas sobre isso algures (já lá vai muito tempo), longe de imaginar o que se seguiria noutras casas. Muito pesado o debate…

    Comentário by Nkhululeko — 02/05/2007 @ 16:45

  8. EV não vou repetir o post. Nem vou polemizar. Na altura não entrei na polémica, apesar de considerar que a onda politicamente correcta que por aqui anda é inócua e obscurantista. Mas não posso deixar de pensar que prefiro os “artistas” (palavra sua) a dizer o que lhes vai na cabeça do que um grupo de intelectuais saídos da cultura missionária a dizer o que é moralmente dizível e o que é indizível. Isto vale o que vale, mas os pacotes de arrivismo censório brotam em vários países num desvario de impensamento. Para quê importar essa falsa ideologia libertária? Enfim, meus devaneios

    Comentário by JPT — 02/05/2007 @ 17:28

  9. “Some people are alive because its illegal to kill them”.
    Isto, vi estampado num automóvel na cidade de Maputo

    “Some people keep singing because its forbidden to stop them singing”.
    Isto, digo eu.

    Comentário by Egidio Vaz — 03/05/2007 @ 8:34

  10. EV, ambas as expressoes estao correctas. Junto-lhe duas consideracoes, diz o meu povo “com a verdade me enganas”. E digo ainda eu, se estou contra a pena de morte (dai favoravel a proibicao de mater as tais algumas pessoas) tambem estou contra a pena de silencio

    E nao me vou daqui embora sem insistir, a moralizacao frenetica dos quadros analiticos nao leva ah critica, leva ao nada

    Comentário by JPT — 03/05/2007 @ 8:55

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