Para a MP do Ecletico que me censurou o tom (a “amplitude do saco”) da entrada anterior – e muito justificadamente, em particular no que respeita ao meu elo muito clássico Ecletico.
1. Sim, tem toda a razão, a ocupação do Tibete não deve ser secundarizada só por alguma irritação bloguística. A esse respeito eu gosto desta entrada – passe o blogocentrismo.
2. A aproximação dos Jogos Olimpicos é uma boa época para a protestar. Cada indivíduo no seu modesto blog pode dar o seu contributo para apelar à atenção generalizada sobre o assunto. É legítimo, é digno. Mais, irrita-me o tão típico blaseísmo lisboeta do “não me estraguem os jogos olímpicos” (que li num blog que não recordo agora – bastaria um googlar para o esclarecer, mas para quê se tão típico é da “pequena-direita” pós-Independente?).
3. Acho exemplar sobre o bloguismo português politizado, sempre tão rápido no teclar sobre tanta micro-causa (como em tempos se disse) e querelas da “agenda política”, que não se tenha globalmente irado – como agora o vai fazendo – quando o poder português foi à China contribuindo à sua escala para a legitimação da ocupação colonial. Um apoio político ao poder colonial de Pequim. E isto não esquecendo que o PS de Sampaio - indivíduo agente de tal atitude abusiva da legitimidade constitucional que o ancorava, acto ao qual passou politicamente incólume - reclamava alguma identidade histórica e ideológica no discurso anti-colonial, (ainda que nunca tenhamos ouvido o político Manuel Alegre lembrar-se do poeta Manuel Alegre, criticando a posição ideológica do seu partido quando no poder – nem a maioria dos seus blogoapoiantes, sempre tão rápidos no afixar de dísticos de apoio. E tiveram uma campanha presidencial inteira para o fazer …).
Silêncio mais estranho ainda nas forças políticas que não apoiavam Sampaio – talvez pela estapafúrdia situação de que o Presidente da República não é tão criticado como outros políticos, dada a habitual e ignara confusão entre “representante” do país (“Nação”, no velho jargão) e “símbolo” do país (idem).
Ou seja, a II República recente (pós-Macau) que descolonizou apoia um regime colonial e o país (político e blogopolítico) nem repara no contrasenso.
4. Não me surpreende muito o silêncio moçambicano face aos actuais regimes coloniais. Não tanto, ou fundamentalmente, pela leveza contabilística da política externa chinesa. Mas sim pela presença da velha noção do “inimigo principal” – o “Ocidente”, neste caso. Pobre meio de entender. Forte meio de incompreender. Ainda mais forte meio de sossegar.
5. Cada um bloga como quer. E se se bloga reactivamente ao que se vai passando no mundo ainda bem que se reage a uma causa eminentemente justa. Mesmo que daqui a uns meses tantos desses mesmos estejam grudados na televisão a impregnar-se dos anunciantes que pagam os JO de Pequim.
6. Ainda assim é-me fastidioso o clicar para encontrar a “onda” do dia ou da semana. Ainda mais quando a encontro no ma-schamba. Que tantas vezes está nesse saco.

1 comment so far ↓
Meu caro,
Infelizmente, oportunistas sempre houve, há e haverá, uma chaga diria!
Um beijinho de Santa Páscoa
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