Lula está em Maputo, no regresso de Nova Deli onde esteve no 3º encontro Índia-Brasil-África do Sul.
Reparei devido à azáfama na rua. Isto de cada vez ler menos jornais e revistas e de ver ainda menos telejornais é uma realidade. Mas está visto, não dá para me fiar só no “rol d’ elos” - uma “blogosfera” [aderi ao epíteto] lusa tão atenta às “palinadas”, às crises, à globalização, às grã-causas, e tantas outras coisas, e nem uma nota, um “postito”, sobre estas coisas do Sul-Sul e isso.
Típico. O que vale é que há jornais.




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Não precisa de ler jornais (papel) para saber isso. Basta aderir a ferramentas como os “Alertas” do Google e inserir os termos de pesquisa que mais lhe interessam. Por exemplo, “Brasil” ou “Lula da Silva” e a paparoca chega ao seu email.
Aliás, a notícia que citou é um bom exemplo daquilo que queria dizer no meu texto. Reparou que citou um take da AFP? Ou seja, uma notícia que poderia ter lido em inúmeros jornais papel e em linha? Logo, para quê pagar se pode ter acesso aos takes gratuitamente e dado que os jornais acrescentam pouco valor à notícia? Enfim, longa conversa…
Sim, reparei na fonte da notícia - malícia, até a imprensa brasileira vai beber alhures sobre o Brasil (é normal, não vem mal, claro).
Não discordo nada do seu texto [nota: não estava a reduzir a imprensa a papel], mas não resisti a usar-vos para uma óbvia constatação: o bloguismo para-jornalístico aí (em moçambique o caso é muito diferente, dada a característica do universo bloguístico) - pelo menos os grão-blogs - funciona como um circuito fechado (e muito histriónico) com pouca amplitude de interesses. E muito devedor da imprensa, não tanto o contrário como os vossos textos indicam - em particular sobre questões internacionais. E, já agora, segue com muita cagança
Este é um caso típico - não há qualquer interesse pela sedimentação dos laços entre os polos das duas zonas económicas da américa do sul, áfrica austral e o subcontinente - que está a explodir qual China. Eu não economista, não sou das políticas internacionais, mas fico espantado com o desinteresse aí. Mas é natural, entre obama e nobel da economia, gay marriage e albânia, para quê olhar para esses países pobres? [a não ser que haja alguma causa para apoiar, claro]
[não leiam os ligados aqui como uma canelada porque não o é.]
Não interpretei como uma canelada. Nem mesmo como uma ligeira carga de ombro. Mas, enfim, não usemos metáforas futebolísticas que ainda não recuperei da ‘agonia’, para utilizar a expressão — mais feliz do que Queiroz pensa… — do treinador que nos vai tramar.
Hum, em certos casos, entre o interesse profissional e o blogar vai uma imensa distância.
Não falemos do macua galáctico… até acho boa a eliminação portuguesa. Se os “campinos” se tivessem apurado lá viriam para cá, lá haveria eu de me meter no avião para ir aos jogos (de certeza que não os meteriam no grupo de Neilspruit, aqui ao lado, iriam para Cabo ou JHB onde há imensos portugueses), ficava uns dias, iria ser uma despesa enorme. Assim TVcabo e brasil, messi e coisas assim. Mais poupadinho,
cat no meu caso (e no teu, penso) completamente, blogar não se prende com as questões do trabalho. Mas a questaõ não é essa - há gente que legitimamente articula interesses e práticas profissionais no bloguismo. E há gente que, também legitimamente, para-jornaliza no bloguismo (mesmo que seja na área do opinador, não profissional). Só isso - e 70 posts sobre o novo nobel da economia, 35 sobre o nobel da escrita, 2000 sobre obama, 3 sobre brown, 1 sobre sarkozy, 750 sobre a excelência do hiperliberalismo, 750 sobre a sua malvadez, mas os observadores do mundo estão mais do que estes dois Paulos o disseram, presos à reprodução dos jornais (informáticos ou não) e muito menos atentos ao mundo (e contornos de crise ou vitórias) que todo o barulho aparenta.
E, no entanto, encontro este tema num post.
Onde, já agora? Bem - não leio tudo, como é óbvio. Mas deu uma passagem nos mais ou menos 10+ da política e nada. Foi sobre isso que botei
*neste* post.
Esse é um comentário à Zenão…
(mas aqui não é o locus da “blogosfera” portuguesa, pois não? era dela que falava…)
jpt, claro que é. O Ma-schamba é tanto um centro da blogosfera portuguesa como tantos blogues que andam por aí.
Ou achamos que o centro é o top 25 do Blogómetro? Olhe que não é. Nem se mede em pageviews (embora você tenha um quinhão simpático deles — a maioria da bloga mata-se por passar dos 80 por dia).
Por acaso, ou talvez não, discordo do Paulo Gorjão — a quem agradeço a simpática menção, que vi tardiamente porque o blogue dele não “pingou” o meu.
Discordo aqui: ainda são os jornalistas, e vão continuar a sê-lo, quem dá o mais importante, o que é notícia, o que cativa o interesse e o que faz a bloga comentar e linkar. Ainda agora com o http://oe09.info pude constatar isso: 80% dos clicks foram para media, 20% para a bloga.
Onde concordo com ele: os “meus” colegas de profissão estão a esconder-se atrás da porta, a maioria dos locais onde ainda se faz jornalismo (cada vez menos jornalismo) vai forçosamente ter de diminuir, a maioria vendia distribuição e tinha negócio em cima de barreiras geográficas (papel)/ tecnológicas (televisão), o negócio não eram as notícias, mas transportá-las. Hoje, a questão do transporte está resolvida, logo…
Vão sobrar alguns.
O Paulo Gorjão tb tem razão — e forte — noutro aspecto, a mudança de hábitos, ligada à demografia, essa força de mudança tão invisível quanto inexorável. Eu tb tendo a consumir mais notícias e opinião via web, só compro papel episodicamente e por vaidade (quando faço a notícia, ou quando sou a notícia), muito raramente por dispor de tempo livre (commuting). E se isto, na faixa 40-e para cima, se nota em classes esclarecidas, dos 30 para baixo os hábitos de consumo de informação via papel e televisão definem-se numa palavra: zero. Disto, não querem os jornalistas falar.
A questão é um pouco essa: por mais recuo que exista (e com toda a certeza que existirá) do consumo da imprensa “tradicional” (papel e tv) - no que Vs concordam - parece-me que o bloguismo aí ainda está dependente disso.
Por razões várias, das quais só posso especular - falta de tempo para investigar (e para pensar?) (é incrível a quantidade de posts que os grão-blogs colectivos botam, nem dá tempo para os reflectir, passa-se de um para outro, é uma conversa polifónica com tendência para o cacofónico); politicocentrismo acrítico, ou seja mero polemismo (obama é bom ou mau, santana é mau, nada mais); rede de debate fechada (implícito e explícito - por um dos grão blogs portugueses no technorati é elucidativo, há páginas e páginas de ligações de cada um dos outros grão-blogs da mesma área política, é um diálogo, entre o concordante e a picardia); muito estatuto sociocultural agitado (aqui especulo um pouco mais) - com os tiques “independente”, pequena burguesia lisboeta de 80s ainda muito à tona de água, que casa com o arrivismo de uma população neo-anglinizada; e, acima de tudo, uma “visão do mundo” - há anos epitomizada por um grão e primevo bloguista num post que era qualquer coisa como “a literatura inglesa é boa e a sul-americana é má, e a esta nunca a leio”- que colheu palmas generalizadas. Tudo isto casa, no tal top não-sei-quantos com a dependência da imprensa, e não com a sua substituição ou paralelização
Outra coisa: aqui não é centro de nada, está no grande centro, o que é diferente. Quanto às visitas às páginas, é coisa de google …
[Já agora, ó Ps, talvez mais ó PQ, mas também ó PG, não vos parece que toda a costumeira agitação, cisões, resmungos, filhos-da-puta, regressos, coligações e coalisões, nos blogs BE ou quase aí, faz lembrar a história da esquerdalhada partidária de 70s e 80s? A mesma concepção da acção, dá a sensação - digo eu, que apenas espreito de quando em vez, levado pelas (sonsas?) ligações em blogs honestos
“falta de tempo para investigar (e para pensar?) (é incrível a quantidade de posts que os grão-blogs colectivos botam, nem dá tempo para os reflectir, passa-se de um para outro, é uma conversa polifónica com tendência para o cacofónico); politicocentrismo acrítico, ou seja mero polemismo (obama é bom ou mau, santana é mau, nada mais);”
A rede não é boa para pensar. É um fluxo. Feito de pequenos tijolos, cada tijolo é uma informação. Se nos perdemos a dar atenção demasiada a cada tijolo, lá se vai a big picture da casa…
Disso dos blogs de política engajada à esquerda não sei — passo os olhos, mais técnicos, pelo Arrastão e do resto chegam os zuzuns, estou fora da acção (que pressupõe acompanhamento diário, das personagens, etc).
1. abri uma conta de leitura google, com quatro pastas: uma “blogosfera” (blogs político-informativos portugueses), uma “blogs” (blogs pró-culturais portugueses), com cerca de uma dúzia de blogs cada uma [é impossível ler mais blogs do que o que já leio]. Abro-a ao fim do dia, na primeira estão dezenas de posts, na outra estão alguns. Não se pensa na net, usa-se a net para deixar algo que apeteça - há quem pense, há quem bote. eu boto muita merda, não estou de andas a olhar. mas caramba, há caixas de ressonância tonitruantes
2. a extrema-bloga, coisa lateral aqui: também não leio, mas de quando em vez há ecos da cisões e dissensões (agora via Atlãntico e QeP dei conta de mais uma). Mais do que legítimo e normal, um tipo nem tem que comentar - mas pode sorrir e lembrar de todos aqueles PCP (m-l) e FEC (m-l) e ORPC (m-l) e sei lá mais o quê, óvulos de todo este esquerdismo soft do hoje em dia. Mas vai de sorriso, era o que faltava elocubrar criticamente sobre o facto de as pessoas se separarem nos blogs - ainda para mais no ma-schamba que já por duas vezes foi colectivo, sempre com a mesma parceira, e que vegeta na solidão extrema
Ó ex.mo JPT, está a cair no erro corriqueiro de querer estruturar formas de estar e objectivos na bloga. Se alguma vantagem a bloga tem é que cada um faz o que quer e lhe apetece. Se o JPT quer pensar, pensa. Mas não deve avaliar a presença dos outros pela sua bitola! Aliás, o mais natural é que umas vezes pensa, outras desabafa, outras faz o que lhe dá na real gana e assim sucessivamente. É isso que contribui para a riqueza da blogocoisa.
“tomei e embrulhei” …
(tem mais que razão no “politiqueirismo” da conversa - mas as teclas são como as castanhas do caju, não se para; no fundo, atrapalhadamente, queria sublinhar o que lá em cima está, há muito mais dependência da imprensa no bloguismo (”cada um bloga como quer”, também vai daqui) do que transpirava dos vossos posts. As causas são muitas - e deste lado com particular apreço pela causa que V. refere, o “desabafo” [qu'é para isso que isto (me) serve, mais do que tudo]
e já agora, pois falei no leitor do google: o vox pop não alimenta, há qualquer problema com o sistema de “rações” do seu blog
Eu sei que o blogue tem uma visibilidade discreta ou nula no Google. Mas lá está: as audiências nunca foram algo que fosse determinante para a minha presença na blogosfera. Estou, aliás, numa fase em que não quero ter muita audiência…
não me fiz entender - no google reader escolhi uma série de blogs para acompanhar e, nesse sentido, introduzi na minha conta os Url’s dos blogs em causa: o do vox pop (e o do Quase em Português) foram recusados pelo sistema. O Lutz (do QeP) diz-me que isso deve ser devido às adaptações “caseiras” que ele fez ao modelo (blogspot) - talvez seja o mesmo caso com o vox pop
Ah! Vou perguntar ao programador.
ok. Então, sff, dê notícias se as houver
e afinal vou encontrar uma grossa cisão num mainstream blog do centro …
Isto deve ser dos ciclos lunares, ou coisa que o valha. Veja lá que, no meu post “pausa para café”, há um comentador que era capaz de jurar que Manuela Ferreira Leite tem uma coluna de opinião no Expresso. Caridosamente, lá lhe expliquei que era o Povo Livre. Esta malta tem cá uma imaginação. Também deve ser dos ciclos lunares.
Fui ver - confesso que naõ entendo bem o sarcasmo ali. Presumo que haja por aí uma discussão sobre espaço na imprensa (ou com a Regulação sobre o assunto).
Aproveito, sem ironia, para deixar que sempre me irritou isso de ao domingo falar um tipo do PSD e à segunda outro do PS (certo que Rebelo de Sousa tem uma agenda política própria que implica o exercício da autonomia discursiva e que Vitorino tem uma agenda política própria (em sentido mais amplo, mas tem) que implica uma autonomia discursiva mais matizada, acinzentada). Irrita-me na televisão pública, irrita-me o argumento “critérios editoriais” ou o mito “meritocrático” (são comentadores interessantes, dir-se-ia). No fundo tudo isso surge como naturalizando o veicular de uma bipolarização, acompanhando o discurso que a imprensa não deve reflectir obrigatoriamente o espectro político. Não deve? Ainda deve menos reflectir a ideologia bipolarizadora (nada, mas mesmo nada, “bipolar”, como agora se diz). Querem comentários? Pluralizem
(nada a ver com o Expresso, é privado (chato mas privado), escolham quem queiram)
se calhar foi ao lado do seu conteúdo mas ocorreu-me
Pois. É um bocado ao lado, mas pertinente, de qualquer modo. Isto dito, sobre aquilo que aborda, a divisão público/privado até nem faz muito sentido, a meu ver.
não fará. mas delimita o meu direito de exigência. Protesto face aos critérios das empresas privadas - sou um cliente; Recuso face aos critérios das empresas públicas - sou um cidadão (talvez, com um suave toque de demagogia, dizer que sou um dono)
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