“Andas quezilento” é com o que fico de um recente jantar, opinião ponderada (e apoiada) de boa amiga. Prometo calar-me, de ora em diante. Não julgar os alheios nem mesmo os com quem choco. Aceitar os sem “sem fé nem lei” como coisa da vida, disfarçados de ateus e libertários, até com toque de boémia como se esta coisa libertária, disfarce com que seguem sem outro fundamento que o da auto-permissão.
Vou sozinho ver a selecção à esplanada, acompanhando prego e chouriço, tuguismo viriato radical. Na minha mesa senta-se um amigo. Pouco depois chega um casal e ele faz menção de nos apresentar. O tipo chegado conhece-me - eu nem o reconheci ali no imediato - lá do norte, uns quinze anos antes. Dele lembrarei uma má onda, grosseiro, ordinário. Muito. Não a largou. Ao “este é o jpt” responde lesto, no arrastar marialva do sotaque, “conheço bem o personagem … aquele que trabalhou no consulado” - algo que nunca fiz, mas é uma confusão que aprendi recorrente em determinado grupo étnico de estrangeiros, erro muito freudiano. E afasta-se, (como se?) enojado. O meu amigo levanta-se e segue-o para a outra mesa. No fim do jogo não se despedirá, porventura alquebrado com a derrota, concedo(-lhe).
“Andas quezilento“, é o que me diz uma boa amiga. E por isso mesmo, só por causa dela, nem disse nem digo nada. Sigo. Sem fé e com lei. Ateu não libertário. Trôpego às vezes. Mas nunca filho-da-puta.
Mesmo se quezilento.

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