The Best of ma-schamba?

marcello caetano no estádio de alvalade

 
[Marcello Caetano ovacionado no estádio de Alvalade, num Sporting-Benfica, no final de Março de 1974. Fotografia copiada do Dias Que Voam]
 

O bom de ter um blog colectivo é poder entrar em polémica interna (já que para a externa isto “foi chão que deu milho” …). Vem isto a propósito do ditirambo do ABM “The best of maschamba” e respectivos comentários. Onde há muita coisa com que discordo. E que me apetece aqui realçar pois ultrapassam a questão abordada.

1. O texto do ABM refere-se ao livro “Caderno de Memórias Coloniais“, de Isabela Figueiredo, autora do Novo Mundo (e anteriormente do O Mundo Perfeito). Ainda não li o livro em causa – soube da sua edição através do Francisco José Viegas e li a crítica de Eduardo Pitta, opiniões literárias que muito prezo, mas ainda não o comprei. Há alguns anos li o O Mundo Perfeito e fui, progressivamente, abandonando o seu convívio. Meu gosto, apenas. Entendera o conteúdo, cansei-me da escrita. Coisa normal que não tem que ser nem adjectivada nem explicada. Como é óbvio sem ter lido o livro, tendo uma longínqua memória de alguns textos (os quais, aliás, coligidos – e julgo que aumentados – em livro até poderão saber-me diferente) e agora apenas com algumas citações desgarradas, seja no Da Literatura seja no Jugular, procurarei nada dizer sobre o seu conteúdo nem sobre a sua forma.

Mas ocorre-me citar o Francisco José Viegas: “Isabela Figueiredo, neste livro, fornece uma das imagens possíveis, explosiva, comovente, em chamas. É bom ver que, finalmente, se pode falar livremente sobre África.”. É disso que se trata. Nos últimos tempos do ma-schamba por várias vezes o trio teclista e alguns dos prezados comentadores residentes temos falado do interesse, da necessidade, em produzir e recolher as memórias do período colonial. Nesse sentido não há as “memórias correctas”. A cada um as suas. Que se queiram assumir como absolutas, correctas, é inadmissível. Que as queiram assumir como inaceitáveis, é inaceitável. Assim a insurreição diante do livro, ainda por cima assente numa pequena nota crítica de Fernanda Câncio, parece-me algo apressada (vamos lá a ler o livro) e, fundamentalmente, em contra-corrente com o que, no meio das nossas divergências, aqui temos vindo a defender.

O ABM e comentadores acusam a autora de ser jovem quando saiu de Moçambique, o que invalidará as memórias. Ora o livro não é um texto histórico, factual. Nesse âmbito que interessa, ou seja o em que é que menoriza, que tenha ela saído jovem de Moçambique? Recordo uma outra bloguista que jovem saíu de Moçambique, e cujo livro memorialista não levantou essa questão: Isabella Oliveira, do Chuinga.

2. A questão de fundo parece-me ser de fácil identificação: a autora invoca o racismo dos colonos portugueses. Discutir a forma como o faz, repito-me, exigirá ler o livro (ou mergulhar nos seus blogs). Mas a questão fundamental não é essa: a questão relevante é a de auto-inteligibilidade, de auto-compreensão, no fundo a da construção das memórias de cada um. Dos que conheço (e dos que leio) a esmagadora maioria dos portugueses que viveram o período colonial em África assentam a sua percepção desse real numa tríade, mais ou menos difusa: teórica - a de uma simpática particularidade miscigenadora portuguesa (um digest de Gilberto Freyre, reavivado pela intelligentsia socialista lusófona do fim do milénio, profundamente herdeira do republicanismo colonial); histórica - a da inexistência de um verdadeiro racismo, ou de um racismo violento, no sistema colonial português (percepções assentes no memorialismo sobre as interacções infantis, juvenis, domésticas, sexuais, até escolares, mas nunca sistémicas); política – as ditaduras subsequentes às independências foram piores do que o colonialismo (concepção sempre recorrendo à quantificação do mal).

Apontar(-lhes) que o extraordinário mas datado trabalho de Freyre teve evoluções ou até propor(-lhes) que era acima de tudo um discurso afirmativo da superioridade civilizacional (e portanto do necessário primado na cena americana e mundial) do Brasil sobre os EUA? Não colhe. Afirmar(-lhes) que as ditaduras de Luís Cabral, de Agostinho Neto, a socioeconomia de guerra de Eduardo dos Santos, o totalitarismo de Samora Machel não são comparáveis, em termos de regime, da sua natureza, das suas constituintes, com o colonialismo? Não colhe. Afirmar(-lhes) que o regime colonial era racista, no seu sistema, na sua essência, e que um regime e um sistema só vivem pelos seus agentes, pelos seus indivíduos, ainda que estes diversificados na sua heterogeneidade individual e contextual? Nem (lhes) interessa.

Continuo a insistir. É importante ouvir a memória do tempo colonizado. A dos colonizadores, a dos colonos, a dos colonizados. Todos eles, na sua multiplicidade, na sua diferença, as constroem. Com resultados muito diversos.

3. O que eu concordo, e muito, é na inadmissibilidade, tantas vezes explícita e muitas outras implícita, de traçar um corte na sociedade portuguesa de então: a racista (fascista) colona, a longínqua oprimida metropolitana. Algo encetado logo no 1974, no preconceito português tardo-metropolitano contra os “retornados” e ainda recorrente. Está aí em cima, e não apenas para provocar, a fotografia de 31 de Março de 1974. Marcello ovacionado pelo povo de Lisboa. Não para negar, pura e simplesmente, a adesão do povo português à democracia e à paz (ou à paz e à democracia, inversão que o “fernãolopismo” encomiástico nunca admite). Mas para a matizar, complexificar.

E também na inadmissibilidade, porque desadequação, de entender “racismo” como uma universalidade e uma homogeneidade de práticas e concepções, seja in illo tempore seja nos tempos actuais. Muito menos como se uma “condição nacional”, um “pecado original particular”. A autora percorre esse caminho? (algumas citações deixam-no entrever). Simplifica o seu olhar, empobrece-o? Talvez assim seja, mas isso será coisa a discutir depois de lida. E reconhecendo que o seu interesse lhe vem exactamente da sua subjectividade, que extremada seja, e não apenas da sua factualidade – e com isto não nego o interesse de memórias assentes em factos, documentos mais literais. Apenas a elas não me restrinjo.

4. A este propósito o ABM critica a edição em livro de textos de blogs, com isso ironiza. Pois eu, pelo contrário, acho muito bem, nada tenho contra livros, nada tenho contra blogs. Nada tenho contra livros que geram blogs, nem blogs que geram livros. Há blogs e livros que são uma merda, outros nem tanto. Alguns são muito bons. E até já saíram livros imortais (blogs não conheço). Eu  por acaso gostava de ter tido um livrito com textos do ma-schamba, até lhe dei um título: “Ao Balcão da Cantina“. Para oferecer aos amigos no Natal, para dar aos meus pais e restante família. Tudo autografado “com apreço, com amor, com amizade, com reconhecimento e gratidão, etc. e tal”, conforme os casos. Mas não pegou, paciência. Quando houver um mp3 para livros talvez aconteça.

5. A comentadora Sabine tem toda a razão – muito do que o ABM critica está espetado em textos antigos meus aqui metidos. É esta a piada de ter um blog colectivo que não é um instrumento político (ou de outra qualquer índole). Somos amigos que não concordamos em muita coisa. E partilhamos um blog (há um convidado que ainda não respondeu – e que grande reforço que ele seria/á?, há dois putativos colaboradores que estão com vergonha, ou enfadados?, se calhar até chegará mais gente, a ver vamos).

6. Ainda a este propósito o companheiro Carlos Gil foi colocar este texto no Jugular e acusa Fernanda Câncio de ter censurado essa inserção. Dois pontos: a) discordo completamente que se possa afirmar censura. Há anos que para aí pus qualquer coisa como ”o blog é a minha casa e só entra quem eu quero“. Isto dos blogs (mesmo um blog como o Jugular, que tem uma dimensão política-pública – eu acho-o um instrumento) não são orgãos de comunicação social. Assim sendo têm outras obrigações, outras exigências, outra “deontologia” (metaforicamente falando, claro). E neste registo seleccionar textos, seleccionar comentários é perfeitamente legítimo, normal, admissível. Nós aqui não o fazemos (mas também só temos comentadores amigos – o que deriva, é a minha opinião, do tom do blog. E da sua modesta dimensão quantitativa, claro), mas compreendo perfeitamente que isso seja feito alhures. E não só não acho censura como não condeno.

Mais, as razões aduzidas por Fernanda Câncio são aceitáveis. Dela nunca li trabalho algum, nunca a vi na televisão ou escutei na rádio. Li alguns, muitos poucos, textos em blog. Dela apenas ouço o que a vox populi diz (que tem um namorado; que é muito arrogante). Que ela não lhe queira (à tal voz …) ceder demonstra fibra – seria muito mais fácil dizer “sim, senhores e senhoras, sou a tal, mas vamos passar à frente” e a gente passado algum tempo nem ligava ao facto. Mas era uma cedência, a mulher acha que não temos nada a ver com isso e prefere manter o bruaáá sobre a sua vida afectiva do que ceder. Aqui entre nós só lhe fica bem. Apesar dos (meus) pesares … que são muitos. Ou seja, só isso é que lhe fica bem, qu’isto não está para salamaleques com os aparelhos socialistas, seus apaniguados, coniventes e (infelizmente, muito infelizmente) com os seus recém-cooptados. Ou por outra, nada me moveu contra a mulher de Bettino Craxi. Mas nunca aceitei que Mário Soares lhe fosse dar um abraço. Nem que Jorge Sampaio fosse abraçar Abílio Curto, desconhecendo até se este foi ou é casado. Ambos abraços em registos oficiais, nunca esquecer. O resto é nada. Ou, vendo bem, é tudo o que se vai vendo no meu país. Mas, na realidade, isto já nada tem a ver com o livro de Isabela Figueiredo.

jpt [texto ligeiramente modificado]

22 comments ↓

#1 VA on 01.12.10 at 10:03


A tua presença impunha-se. :)
Welcome back to Maschamba.

#2 ABM on 01.12.10 at 21:13


JPT

Não há nada como uns dias de repouso em Inhambane.

Uns pontos de ordem:

1. Eu não acuso a Isabela de ter 12 anos de idade quando ela saiu da sua infeliz odisseia africana. Ela tinha de facto 12 anos de idade. Se ela “criou” aquela realidade, então não chame ao que escreveu “memórias”. Se chama memórias, deveriam ser memórias. Se não são memórias mas um ensaio teórico sobre o que ela acha que aquilo foi, então chama-lhe “ensaios teóricos sobre o que eu acho que aquilo foi”. É, no fundo, uma questão de rótulo.

2. Acho que não leste bem o que a F Câncio escreveu. Pareceu-me que, com base no “ensaio teórico” do que Isabela “acha” que Lourenço Marques (Malhangalene?) terá sido entre os 0 e os 12 anos de idade, partiu para conclusões a meu ver nada menos que bombásticas. Do pai passou para toda a gente. E sabes qual é a resposta em relação a isso. Sendo esse parte de um colectivo vivencial de que fiz parte, permite-me uns pós de indignidade – no contexto que explanei.

3. Claro que posso permanecer calado em relação ao assunto, espcialmente na face das baboseiras que vão aparecendo sobre Moçambique. Parece que em matéria de passado colonial em África o que vi e o que sei ou está errado ou nada vale. E de facto, só aqui – e há uns 3, 4 meses, regorgito ocasionalmente sobre o assunto, em rigoroamente mais parte nenhuma. As minhas relações pessoais ou eram de lá – caso em que não há nada a dizer – ou não sabem onde África fica, caso em que também não há nada a dizer. Ninguém quer saber disso a não ser para fazer um aproveitamento incendiário e politicamente correcto da História.

4. Aproveito para expressar que lamento o aparente sofrimento da Isabela. Parece que é o que toca mais as pessoas. Mas ela tinha 12 anos e pôde seguir com a sua vida. Escusva de referir que muitas dezenas de milhares de pessoas ficaram com as vidas destruídas pelo sumário desmantelamento da estrutura colonial. Três pessoas da minha idade, amigos, suicidaram-se. Só eu sei a confusão, a ansiedade, o literalmente não saber como seria o dia seguinte, para muita gente que conheci. Confusão que enfrentei como um desafio positivo e para ser vencido. Pois foi assim que fui educado e a alternativa parecia ser má demais para sequer considerar.

Mas as ideias e a verdade devem situar-se acima dos sentimentos. Especialmente os nossos. Pois não o fazer pode-nos destruir, e a verdade que almejamos proteger.

5. Vamos ao livro sobre os Maschambeiros. Contrariamente ao que pareces ter interpretado. Eu acho é que The Best of Maschamba é capaz de ser mais digerível que The Best of Isabela.

6. Não entendo a imagem do Marcello Caetano no estádio. Ele nessa altura já sabia que o seu regime tinha os dias contados. E então? ganhou o Sporting ou o Benfica?

#3 sem-se-ver on 01.12.10 at 21:49


uma dúvida:

em que é que diferem as suas memórias das de isabela figueiredo? quero dizer, qual a diferença entre ‘Se chama memórias, deveriam ser memórias’, e as suas ‘Três pessoas da minha idade, amigos, suicidaram-se. Só eu sei a confusão, a ansiedade, o literalmente não saber como seria o dia seguinte, para muita gente que conheci’ (que aliás em nada diferem das de isabela). não descortino a razão da sua crítica, desculpe.

#4 ABM on 01.12.10 at 22:33


Sr/Sra Invisível

Não tem que pedir desculpa mas agradeço o gesto.

Eu não publiquei um livro de memórias, com ou sem aspas. A Isabela publicou e é esse o tema em discussão.

E a minha frase que cita, desgarrada no breve texto acima, não alavanca “memórias da minha infância em Lourenço Marques até aos doze anos de idade”. Aquilo a que me refiro nem aconteceu em África – aconteceu cá, depois de 1975 (1982, 1985, 1996).

E não confundo a parte com o todo nem o todo com a parte – não tenho esse atrevimento. Mas este é o sumo de pelo menos três críticos, um dos quais, acima citado, até considera esta publicação sinal de que já se pode falar dos “demónios” livremente.

Sendo que o demónio em causa parece ser o pai da Isabela, com quem obviamente ela tem um ajuste de contas por resolver.

E ajustes de contas não constituem as melhores bases para “memórias”, pois, obviamente, tingem-nas e poluem-nas.

#5 jpt on 01.12.10 at 23:04


ABM

1. Sobre o livro acho melhor lê-lo antes de lhe bater(mos). Já referi – fartei-me do tom do blog (“assertivo”, chamei-lhe aqui quando o fechou, termo que era um rodeio). Mas o facto de ser uma “construção” – e face ao pai – não lhe retira (no meu entender) o conteúdo de memórias. Para mim elas (memórias) são sempre construções, e todas terão interesse (umas mais, outras menos, claro). Nao para traçarmos um mínimo denominador comum, ou encontrarmos uma síntese. Mas para as lermos e construirmos as nossas memórias – ou melhor, as nossas imagens.

2. Confesso que me interessa muito mais um livro de memórias sobre o período colonial do que a recensão (ou “perfil”) que dele é produzido – ainda que estas referencias sejam importantes, pelo menos como notícias. Não dei, portanto, muita importancia ao que diz F.C. sobre o assunto. Mas parece-me que ela assenta as suas “conclusões” (Criticáveis, com toda a certeza) sobre citações do livro. A AL deixou uma citação nos comentários ao teu texto que é muito problemática, e que vai nesse sentido – é uma generalização. MAs, repito, mais vale ir ver o todo antes de disparar. De resto sobre a FC importou-me mais a questão levantada pelo CG, de metabloguismo, chamo-lhe assim, do que a sua análise ao livro (até porque não o li, rererepito-me)

3. Claro que te permito todo o carregamento de indignação (já parecemos o Mário Soares com o direito à indignação). Apenas me parece que neste caso foste mais rápido do que o próprio Lucky Luke, o gatilho mais rápido a oeste de Pecos, mais rápido do que a própria sombra.

4. Náo me parece que a tua experiência pessoal – que aliás é muito heterodoxa – seja de nenhum interesse (bem, mas eu sou teu co-bloguista, parte interessada). E a sua dimensao apaixonada é fundamental. Mas também nela reconheço a conflitualidade entre a tal heterodoxia reflexiva (e biográfica) e uma matriz (biográfica) muito forte. Naturalmente muito forte. Relê lá o teu parágrafo “o segundo aspecto …” que é uma colecção de auto-contradições argumentativas (eu sou pelo direito à incoerencia, À contradição e tudo isso). Mas tão a flor da pele complica a linearidade do entendimento alheio, e dá o flanco aos contraditórios radicais (estar-te-ás nas tintas, porventura, mas ao ler-te sinto isso).

5. O Marcello saberia mas o povo não. Foi uma ovação! O Sporting que foi campeão (Damas, Manaca, Alhinho, Bastos, Da Costa [ou Carlos Pereira], Vagner, Nelson, Baltazar, Marinho, Yazalde, Dinis) baqueou estrondosamente por 3-5 diante do Benfica, onde Rui Manuel Trindade Jordão brilhou como astro maior. A foto está aí para simbolizar a minha ideia de que a aversão aos “retornados”, aos “colonos” é um dos mais inquietantes embustes que a história portuguesa recente trouxe.

6. Finalmente, repito o texto, andamos aqui a apelar e a falar de memórias do tempo colonial. Sai uma e cai-se em cima porque isto ou aquilo, e porque dá azo a um comentário (uma recensao, um perfil) no jornal. Acho que é um bocado contraditório, ainda que nada disto signifique que não possamos bater no texto. E estou completamente de acordo, ajustes de contas (com o pai, com os pais, com a nação, com a história) não são nunca bom ponto de partida para memórias (ou para literatura). Nem tão pouco dissertações sobre o “tamanho das conas” dos diversos fenotipos em questão, coisa que hoje em dia me cheira a histerismo estilístico para espantar a pequena-burguesia-de-chópingue

#6 jpt on 01.12.10 at 23:05


Sobre o best of. Na prática acabei por não procurar alguém que editasse isto – uma recusa local, uma anuência local, um fastio meu. Confessemos, a verve não ascende a literatices. Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão é um muito bom conselho …

#7 IO on 01.13.10 at 13:25


E se, antes de tanto paleio, lessem o livro?…

Já o fiz e, a mim, nada acrescentou, gente como os brancos «traídos» nos cadernos de IF havia ao pontapé no cimento, dentro e fora da então LM – ao ler o livro, também me lembrei que Mia Couto disse numa entrevista que os ‘brancos pobres’ eram mais racistas que os ‘ricos’… concordo no geral, mas, garanto, também havia racistas na Polana e Sommershield, sendo que os jovens brancos oposicionistas à política colonial, nos quais me incluí, eram maioritariamente ricos e cultos (ex: a malta cine-clubista de LM).

IF já não se lembra bem de LM, ou pelo menos da cidade branca com vista para a baía, prova disso é a expressão, repetida no livro, «prédioS na Sommershield» – saí, já de Maputo, um ano depois de IF e, digno do nome, havia apenas um prédio na Sommerschield, o Bucellato, no ‘Bairro dos Cronistas’.

IF tem todo o direito de publicar as suas memórias e é importante que mais gente o faça. A memória não é documento, tal como fiz questão de avisar quando fui eu a expor as minhas. Leiam os cadernos de IF, obra, que, para mim, tem um único mérito, a «traição». Quanto à linguagem de choque usada, também não gostei, mas isso sou eu que vou morrer ‘menina da Polana’…

E Viva o Desportivo, sempre!!
Abraço ao JPT e ABM,
IO

#8 Zé Paulo on 01.13.10 at 22:43


Não li o livro e por tudo que vi (li) aqui penso que já não vou ler.
Ainda que me pareça que se ficou mais na semantica do que no conteúdo, penso, ABM, que uma criança tem sim as suas memórias ainda que como alguém aqui já disse possam ser mais verdade para uns do que para outros.
Mas são as memórias de alguém em alguma idade… o problema é se elas possam ser tendenciosas por pura birra ou mesmo, até que inconscientemente, para justificar comportamentos no antes, durante e depois.
Tá, minha bloguista IO…não falo mais nada, nem agora nem depois, pois não li e penso que não lerei as memórias da IF.
Abraço aos maschambeiros e um beijo à minha bloguista.

PS: Fugindo ao tema, voces selecionam mesmo os comentários? Se sim, sempre será censura. O que pode-se é achar certo ou errado em eventuais situações se usar de tal ferramenta.

#9 jpt on 01.13.10 at 23:14


ZP o que eu escrevi é que nós NÃO seleccionamos os comentários (só tenho tirado a publicidade que aqui vai surgindo, muito de vez em quando). Mas que não considero que quem seleccione esteja a fazer censura. E ligo isso ao que eu considero (e falo só por mim, nunca os três discutimos sobre o assunto) uma “natureza” diferente entre blog e orgão de comunicação social. Prefiro que nao se faça, claro. Mas isso já é outra coisa.

#10 Retornado de Angola on 01.14.10 at 0:51


Nunca pensei que houvesse electricistas com ideologias colonialistas tão arreigadas como o pai de Isabela.

Com dezenas de empregados pretos, à bofetada e encontrões, como conseguiu ter tanto sucesso profissional e financeiro?:casas, carros, machambas…

Espero que Isabela não fique por aqui com a experência colonial do seu progenitor.

Talvez com mais explicações, os governos moçambicanos venham a descobrir a maneira de o povo moçambicano produzir mais, pois que parece que vivem com muitas dificuldades.

#11 umBhalane on 01.14.10 at 12:00


O Sr. RA, Mangolé, tira-me do “sério”, lol.

Então ainda não viu a Cabana do Pai Tomás?

“Aquilo” era muito, demais, pior.

No “próximo” volume, vamos ficar a saber como se electrificavam os pretos.

Ou estorricavam?

#12 portugal é uma aldeia on 01.15.10 at 0:54


JPT

Como o mundo é pequeno.
Era eu menino e moço e ainda tinha cabelo louro e lembro-me de ti na Universidade a fazer coro com outros, que passavam a vida a sacanear um pobre desgraçado que por lá andava (preto ou monhé, nunca descobri) e a quem todos tratavam como se fosse o único paneleiro desta terra.
No fim, vai-se a ver és panasca e, para mais, do BE.
Cabrão de merda, filho da puta, panasca nojento, quem te viu, quem te vê.

#13 Zé Paulo on 01.15.10 at 1:02


JPT,
Percebi que comi uma palavra (não). Erro meu e peço desculpas.
No mais, a atitude de se selecionar comentários não passa de um ato de censura, em cima de valores de quem os seleciona…mas se esses valores forem similares aos meus também não acho que esteja errado. :-)
Será problema para quem não tenha os tais principios similares aos meus. ;-) .

#14 AL on 01.15.10 at 2:29


Sr ou Sra Portugal e uma aldeia, estou aqui a ler o seu comentario e nao sei se hei-de rir pela imbecilidade do comentario ou se hei-de chorar pela imensa indigencia de espirito que revela. O que sera que leva um adulto (presumo que o seja pelo menos em idade) a escrever um comentario destes? Sabe o que lhe digo? Va tratar do seu neuronio, pois pelos vistos so’ tem um e ainda por cima avariado…

#15 umBhalane on 01.15.10 at 10:17


Caramba, ou carago como se diz cá pela Invicta e Mui Nobre.
CARAGO!

Já li muita coisa desagradável na net, mas esta do comentário 12, ainda se fosse o 13!, extravasa tudo.

Este é um post que não trata de tendências sexuais de ninguém – cada um leva onde quer, como quer, e ninguém tem nada com isso.

Quanto às tendências políticas e segregacionistas várias tenho-me amanhado com elas, com a habilidade possível…e que muitas vezes passa por um sorriso e abstenção de intervir,… e bola em frente.

Sou pela diversidade plural dentro dos limites da liberdade pura, no mais estrito respeito pela dos outros – o muito mais importante – e pela decência.

O JPT não precisa de advogados/defensores, nem essa é minha intenção.

Mas esta sala de estar, de visitas, também a frequento, e pretendo-a, não muito púdica, mas ao menos com certo grau de higiene, mesmo e sobretudo mental, com débitos de verborreia ao gosto de cada um, mas igualmente com limpeza ética.

Finalisando, o que muito me choca também, é que a “malta” de “direita” que nem eu, costuma ser mais educada, ponderada, contida, ainda que supostamente muito mais conservadora nos usos e costumes.

É o que dizem os “livros”.

EDUCAÇÃO.

#16 jpt on 01.15.10 at 10:34


AL e 1B: houve uma ligação no Jugular para este texto, a qual implicou muitos visitantes. No meio terá chegado o comentário 12, um tom excêntrico aos comentários aqui. Não digo que os “habitantes” do Jugular são assim, longe de mim tal redução. Mas é sabido que as catacumbas dos grandes blogs políticos (dta, esq, 1/2) são também habitadas por este adubo fedorento – que, seco, às vezes se solta com o vento. Não vale a pena ligar nem vale a pena limpar, nem faz medrar pois qualquer aragem leva para casa alheia

#17 Zé Paulo on 01.15.10 at 12:30


JPT,

Nestas situações é que gosto mesmo da frase do Nassar colocada por si, há muito, na Maschamba.

“…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…” (R. Nassar)

Passe por cima e deixe-o (a) sentir-se pisoteado pelo silencio. Afinal, como falar com anônimos? Eles existem?

#18 IO on 01.15.10 at 12:54


Assino em baixo do ZP: passa por cima, JPT.
Abraço para ti e ZP,
IO

#19 portugal é uma aldeia on 01.17.10 at 20:49


Lollllll
Ó pás galinhas todas doidas. E sempre tão previsíveis.
Mas o melhor que conseguem fazer para defenderem este panasca badalhoco do JPT é falarem em indigência intectual e depois, muito criativos, saírem-se com essa do “só tem um neurónio” que é mais velha que o cagar e que já nem os putos da pré-primária usam? E isto para não falar do “finalisando” e no “estrume” (andas numa de autobiografias JPT, paneleiro de merda?).
É por estas e por outras que gosto destes blogues de paneleiros e de fufas a armar ao intelectual e ao humanista. Então quando alguém, que já vos conhece de outros carnavais, resolve tirar alguns esqueletos do armário e mostrar a merda humana e hipócrita que vocês são é que é o bom e o bonito.
Quanto a ti AL, não me puxes muito pela língua, senão ainda são obrigados a instaurar a moderação de comentários, porque tu também és fresca…

#20 Isabel on 02.03.10 at 23:10


Oh pá! E n se pode metê-lo num saco e atirá-lo da ponte 25 de Abril?!!!

#21 IV on 02.04.10 at 3:06


Mais um ataque de diarreia mental deste tipo e eu tenho de ir a correr vomitar… For God’ sake!!!

#22 Isabel on 03.10.10 at 16:00


Eu sei que já era suposto ter-se posto uma pedra sobre este assunto, mas eu tenho obrigação de partilhar umas “pérolas” que li no blogue ‘Catscats’, cujo autor Carlos Azevedo até é seguidor do ‘Maschamba’. Então diz ele, a respeito do livro da Isabela:
(…)”Li… de uma assentada Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo(…) Aprendi, e comovi-me. Como não sei fazer crítica literária, mesmo quando gosto muitíssimo de um livro e este se torna especial, como é o caso, limito-me a transcrever alguns excertos:(…)”
Seguem-se uns excertos dos mais coloridos, inócuos e inspirados – nada daqueles onde imperam os palavrões e linguagem vernácula. Depois, em resposta a um comentário de uma seguidora, acrescenta:
(…)”Estamos todos gratos à Isabela por partilhar as suas memórias connosco. Este sim, devia ser um livro de leitura obrigatória nas escolas(…)”
Coitadas das criancinhas, acrescento eu, se o Plano Nacional de Leitura seguir este conselho…
Para finalizar, vem o post em que diz que foi assistir ao lançamento ocorrido no Porto:
(…)”Memórias coloniais
Ontem, assisti à apresentação no Porto do livro de Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais (Angelus Novus, 2009). Ana Luísa Amaral, académica e poetisa, efectuou, como era expectável, uma excelente apresentação; Osvaldo Silvestre (o ‘patrão’ da Angelus Novus, digo eu) salientou o que, na sua opinião, distingue este livro de muitas outras memórias sobre o colonialismo português: é, verdadeiramente, literatura; (…)”
Já li o livro(inho) e não desgostei – a Isabela é hábil com as palavras, como boa ex-jornalista, o livro é leve e lê-se com uma perna às costas, mas chamar àquilo literatura… Volta Margarida Rebelo Pinto, estás perdoada!

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